{"id":30638,"date":"2008-03-12T15:36:48","date_gmt":"2008-03-12T15:36:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/12\/comunhao-na-mao-comunhao-de-joelhos\/"},"modified":"2008-03-12T15:36:48","modified_gmt":"2008-03-12T15:36:48","slug":"comunhao-na-mao-comunhao-de-joelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunhao-na-mao-comunhao-de-joelhos\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o na m\u00e3o, comunh\u00e3o de joelhos"},"content":{"rendered":"<p>D. Albert Malcolm Ranjith, Secret\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos <!--more--> <b>Pref\u00e1cio de D. Malcolm Ranjith, Secret\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos \u00e0 obra \u201cDominus Est &#8211; Riflessioni di un Vescovo dell&#8217;Asia Centrale sulla sacra Comunione\u201d, escrito por D. Athanasius Schneider, Bispo auxiliar de Karaganda (Cazaquist\u00e3o)<\/b>  No livro do Apocalipse, S\u00e3o Jo\u00e3o narra que tendo visto e ouvido o que lhe havia sido revelado, se prostrava em adora\u00e7\u00e3o aos p\u00e9s do Anjo de Deus (cf. Ap. 22, 8). Prostrar-se ou ajoelhar-se ante a majestade da presen\u00e7a de Deus, em humilde adora\u00e7\u00e3o, era um h\u00e1bito de rever\u00eancia que Israel manifestava sempre ante a presen\u00e7a do Senhor. Diz o primeiro livro dos Reis: \u201cQuando Salom\u00e3o acabou de dirigir a Jav\u00e9 toda essa ora\u00e7\u00e3o e s\u00faplica, levantou-se diante do altar de Jav\u00e9, no lugar em que estava ajoelhado e de m\u00e3os erguidas para o c\u00e9u. Ficou em p\u00e9 e aben\u00e7oou toda a assembleia de Israel\u201d (1 Reis 8, 54-55). A postura da s\u00faplica do Rei \u00e9 clara: ele estava genuflectido perante o altar.  A mesma tradi\u00e7\u00e3o se encontra tamb\u00e9m no Novo Testamento onde vemos Pedro ajoelhar-se diante de Jesus (cfr Lc 5, 8); Jairo para Lhe pedir que cure a sua filha (Lc 8, 41); o Samaritano quando volta para agradecer-Lhe e a Maria, irm\u00e3 de L\u00e1zaro, para Lhe pedir a vida em favor de seu irm\u00e3o (Jo 11, 32). A mesma atitude de se prostrar, devido ao assombro causado pela presen\u00e7a e revela\u00e7\u00e3o divinas, nota-se n\u00e3o raramente no livro do Apocalipse (Ap 5, 8, 14 e 19, 4).  Estava intimamente relacionada com esta tradi\u00e7\u00e3o a convic\u00e7\u00e3o de que o Templo Santo de Jerusal\u00e9m era a casa de Deus e portanto era necess\u00e1rio dispor-se nele em atitudes corporais que expressassem um profundo sentimento de humildade e de rever\u00eancia na presen\u00e7a do Senhor.  Tamb\u00e9m na Igreja, a convic\u00e7\u00e3o profunda de que sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas o Senhor est\u00e1 verdadeira e realmente presente, e o crescente costume de conservar a santa comunh\u00e3o nos tabern\u00e1culos, contribuiu para a pr\u00e1tica de ajoelhar-se em atitude de humilde adora\u00e7\u00e3o do Senhor na Eucaristia.  Com efeito, a respeito da presen\u00e7a real de Cristo sob as esp\u00e9cies Eucar\u00edsticas, o Concilio de Trento proclamou: \u201cin almo sanctae Eucharistiae sacramento post panis et vini consecrationem Dominum nostrum Iesum Christum verum Deum atque hominem vere, realiter ac substantialiter sub specie illarum rerum sensibilium contineri\u201d (DS 1651).  Al\u00e9m disso, S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino j\u00e1 tinha definido a Eucaristia latens Deitas (S. Tom\u00e1s de Aquino, Hinos). A f\u00e9 na presen\u00e7a real de Cristo sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas j\u00e1 pertencia ent\u00e3o \u00e0 ess\u00eancia da f\u00e9 da Igreja Cat\u00f3lica e era parte intr\u00ednseca da identidade cat\u00f3lica. Era evidente que n\u00e3o se podia edificar a Igreja se esta f\u00e9 fosse minimamente desprezada.  Portanto, a Eucaristia \u2013 P\u00e3o transubstanciado em Corpo de Cristo e vinho em Sangue de Cristo, Deus em meio a n\u00f3s \u2013 devia ser acolhida com admira\u00e7\u00e3o, m\u00e1xima rever\u00eancia e atitude de humilde adora\u00e7\u00e3o. O Papa Bento XVI recordando as palavras de Santo Agostinho \u201cnemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit; peccemus non adorando\u201d (Enarrationes in Psalmos 89, 9; CCLXXXIX, 1385) ressalta que \u201creceber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adora\u00e7\u00e3o d\u2019Aquele que comungamos (&#8230;) somente na adora\u00e7\u00e3o pode amadurecer um acolhimento profundo e verdadeiro\u201d (Sacramentum Caritatis, 66).  Seguindo esta tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro que adoptar gestos e atitudes do corpo e do esp\u00edrito que facilitam o sil\u00eancio, o recolhimento, a humilde aceita\u00e7\u00e3o de nossa pobreza diante da infinita grandeza e santidade d\u2019Aquele que nos vem ao encontro sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas, torna-se coerente e indispens\u00e1vel. O melhor modo para exprimir o nosso sentimento de rever\u00eancia para com o Senhor Eucar\u00edstico seria seguir o exemplo de Pedro que, como nos narra o Evangelho, se lan\u00e7ou de joelhos diante do Senhor e disse \u201cSenhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!\u201d (Lc 5, 8).  Ora, nota-se que nalgumas igrejas, tal pr\u00e1tica se torna cada vez mais rara e os respons\u00e1veis n\u00e3o s\u00f3 imp\u00f5em aos fi\u00e9is receber a Sagrada Eucaristia de p\u00e9, mas inclusive tiraram os genuflex\u00f3rios obrigando os fi\u00e9is a permanecerem sentados ou em p\u00e9, at\u00e9 durante a eleva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies eucar\u00edsticas apresentadas para a Adora\u00e7\u00e3o.   \u00c9 estranho que tais procedimentos tenham sido adoptados em dioceses, pelos respons\u00e1veis da liturgia, e nas igrejas pelos p\u00e1rocos, sem a mais m\u00ednima consulta aos fi\u00e9is, se bem que hoje se fale mais do que nunca, em certos ambientes, de democracia na Igreja.  Ao mesmo tempo, falando da Comunh\u00e3o na m\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que se trata de uma pr\u00e1tica introduzida abusivamente e \u00e0 pressa nalguns ambientes da Igreja imediatamente depois do Concilio, alterando a secular pr\u00e1tica anterior e transformando-se em seguida como pr\u00e1tica regular para toda a Igreja. Justificava-se tal mudan\u00e7a dizendo que reflectia melhor o Evangelho ou a pr\u00e1tica antiga da Igreja.  \u00c9 verdade que se se recebe na l\u00edngua, se pode receber tamb\u00e9m na m\u00e3o, sendo ambos \u00f3rg\u00e3os do corpo de igual dignidade. Alguns, para justificar tal pr\u00e1tica, referem-se \u00e0s palavras de Jesus: \u201cTomai e comei\u201d (Mc 14, 22; Mt 26, 26). Quaisquer que sejam as raz\u00f5es para sustentar esta pr\u00e1tica, n\u00e3o podemos ignorar o que acontece a n\u00edvel mundial em todas partes onde \u00e9 adoptada.   Este gesto contribui para um gradual e crescente enfraquecimento da atitude de rever\u00eancia para com as sagradas esp\u00e9cies eucar\u00edsticas. O costume anterior, pelo contr\u00e1rio, preservava melhor este senso de rever\u00eancia. \u00c0quela pr\u00e1tica seguiu-se uma alarmante falta de recolhimento e um esp\u00edrito de distrac\u00e7\u00e3o geral. Actualmente v\u00eaem-se pessoas que comungam e frequentemente voltam aos seus lugares como se nada de extraordin\u00e1rio se tivesse dado. V\u00eaem-se mais distra\u00eddas ainda as crian\u00e7as e adolescentes. Em muitos casos, n\u00e3o se nota este sentido de seriedade e sil\u00eancio interior que devem indicar a presen\u00e7a de Deus na alma.  O Papa fala da necessidade de n\u00e3o s\u00f3 entender o verdadeiro e profundo significado da Eucaristia, como tamb\u00e9m de celebr\u00e1-la com dignidade e rever\u00eancia. Diz que \u00e9 necess\u00e1rio estar conscientes \u201cdos gestos e posi\u00e7\u00f5es, como, por exemplo, ajoelhar-se durante os momentos salientes da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica\u201d (Sacramentum Caritatis, 65).  Al\u00e9m disso, tratando da recp\u00e7\u00e3o da Sagrada Comunh\u00e3o, convida todos para \u201cque fa\u00e7am o poss\u00edvel para que o gesto, na sua simplicidade, corresponda ao seu valor de encontro pessoal com o Senhor Jesus no  Sacramento\u201d (Sacramentum Caritatis, 50).  Nesta perspectiva \u00e9 de apreciar o op\u00fasculo escrito por S. Excia. D. Athanasius Schneider, Bispo auxiliar de Karaganda, no Cazaquist\u00e3o, sob o muito significativo t\u00edtulo \u201cDominus Est\u201d. Ele deseja dar uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 actual discuss\u00e3o sobre a Eucaristia, presen\u00e7a real e substancial de Cristo sob as esp\u00e9cies consagradas do P\u00e3o e do Vinho  \u00c9 significativo que D. Schneider inicie a sua apresenta\u00e7\u00e3o com uma nota pessoal recordando a profunda f\u00e9 eucar\u00edstica da sua m\u00e3e e de outras duas senhoras; f\u00e9 conservada no meio de tantos sofrimentos e sacrif\u00edcios que a pequena comunidade dos cat\u00f3licos daquele pa\u00eds padeceu nos anos da persegui\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica. Come\u00e7ando desta sua experi\u00eancia, que nele suscitou uma grande f\u00e9, admira\u00e7\u00e3o e devo\u00e7\u00e3o pelo Senhor presente na Eucaristia, ele apresenta-nos um excursus hist\u00f3rico-te\u00f3logico que esclarece como a pr\u00e1tica de receber a Sagrada Comunh\u00e3o na boca e de joelhos foi recebida e exercitada pela Igreja durante um longo per\u00edodo de tempo.  Creio que chegou a hora de avaliar a pr\u00e1tica acima mencionada, de reconsider\u00e1-la e, se necess\u00e1rio, abandonar a actual, que de facto n\u00e3o foi indicada nem pela Sacrosanctum Concilium, nem pelos Padres Conciliares, mas foi aceite depois da sua introdu\u00e7\u00e3o abusiva nalguns pa\u00edses.   Hoje mais do que nunca \u00e9 necess\u00e1rio ajudar o fiel a renovar uma f\u00e9 viva na presen\u00e7a real de Cristo sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas para refor\u00e7ar assim a vida da Igreja e defend\u00ea-la no meio das perigosas distor\u00e7\u00f5es da f\u00e9 que tal situa\u00e7\u00e3o continua a criar.  As raz\u00f5es de tal medida devem ser n\u00e3o tanto acad\u00e9micas, quanto pastorais \u2013 espirituais como lit\u00fargicas \u2013, em suma, as que edificam melhor a f\u00e9. D. Schneider neste sentido mostra uma louv\u00e1vel coragem, pois soube entender o significado das palavras de S\u00e3o Paulo: \u201cmas que tudo seja para edifica\u00e7\u00e3o\u201d (1 Cor 14, 26).  <i>+ Malcolm Ranjith, Secret\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos<\/i>  (Tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o-oficial. Resumo da obra dispon\u00edvel em www.libreriaeditricevaticana.com\/it\/news\/info.jsp?product_id=31630)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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