{"id":306245,"date":"2023-12-07T09:27:10","date_gmt":"2023-12-07T09:27:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=306245"},"modified":"2023-12-04T10:28:48","modified_gmt":"2023-12-04T10:28:48","slug":"a-epidemia-da-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-epidemia-da-solidao\/","title":{"rendered":"A Epidemia da Solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Bernardino, Diocese de Coimbra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-299255 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/jorge-bernardino-coimbra-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/jorge-bernardino-coimbra-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/jorge-bernardino-coimbra-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/jorge-bernardino-coimbra-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/jorge-bernardino-coimbra-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/jorge-bernardino-coimbra.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A solid\u00e3o transformou-se numa pandemia \u00e0 escala global, o que levou a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) a declar\u00e1-la em 15 de novembro passado, como uma \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o global de sa\u00fade p\u00fablica\u201d e a criar uma comiss\u00e3o internacional para a liga\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A pandemia de Covid-19 chamou a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em geral para o problema do isolamento social e da solid\u00e3o, que afeta todos os pa\u00edses, comunidades e idades. Mas o problema j\u00e1 existia muito antes da pandemia e continua a afetar muitas pessoas em todo o mundo.<\/p>\n<p>Atualmente, uma em cada quatro pessoas idosas sofre de isolamento social, embora seja prov\u00e1vel que este n\u00famero esteja subestimado. O isolamento social e a solid\u00e3o afetam a sa\u00fade f\u00edsica e mental. Ainda de acordo com a OMS a solid\u00e3o \u201cest\u00e1 associada a um aumento de 50% de dem\u00eancia e de 30% de acidentes vasculares cerebrais e doen\u00e7as cardiovasculares\u201d. Existem tamb\u00e9m especialistas que mencionam que a solid\u00e3o tem tanto impacto como fumar 14 cigarros por dia.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o social tem benef\u00edcios profundos para melhorar a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o e a economia. Como referiu o diretor-geral da autoridade mundial de sa\u00fade, Tedros Adhanom: \u201cEm todo o mundo, existem muitas iniciativas para promover a liga\u00e7\u00e3o social em diferentes comunidades, mas ainda n\u00e3o sabemos quais as que funcionam melhor. Precisamos de uma lideran\u00e7a global para identificar as melhores op\u00e7\u00f5es e ajudar a disponibilizar os recursos necess\u00e1rios para implementar estas solu\u00e7\u00f5es.\u201d\u202fPor isso anunciou o lan\u00e7amento da Comiss\u00e3o da OMS para a Liga\u00e7\u00e3o Social, a primeira iniciativa global para combater a epidemia da solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar da popula\u00e7\u00e3o idosa ser a mais afetada pelo isolamento, a solid\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 sentida nas camadas mais jovens, pois conforme referiu o diretor-geral da OMS \u201cum em cada seis adolescentes est\u00e1 socialmente isolado e solit\u00e1rio\u201d. A solid\u00e3o pode resultar numa s\u00e9rie de doen\u00e7as e reduz o tempo de vida. Existem muitos estudos a demonstrar que as pessoas que se sentem mais s\u00f3s tendem, de um modo geral, a morrer mais cedo.<\/p>\n<p>Em Portugal, nunca como hoje houve tantas pessoas a viverem sozinhas. O n\u00famero de portugueses a viver s\u00f3s aumentou 18,6% entre 2011 e 2021, representando agora quase um quarto (24,8%) do total de fam\u00edlias. De acordo com os resultados definitivos do Censos 2021, que acabam de ser divulgados, 1.027.871 pessoas residem sozinhas, mais 161.044 do que em 2011.<\/p>\n<p>Na Europa o caso o Reino Unido \u00e9 um caso paradigm\u00e1tico com 8,34 milh\u00f5es de pessoas a viverem sozinhas em 2022, o que representa 30% de todos os agregados familiares. Por isso, j\u00e1 em 2018, o Reino Unido criou o primeiro Minist\u00e9rio da Solid\u00e3o do mundo. A\u00ed, os m\u00e9dicos observaram que existia uma grande percentagem de pessoas que iam \u00e0s suas consultas apenas para serem ouvidas, porque era uma forma de eliminar a solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda este ano o Papa Francisco chamou novamente a aten\u00e7\u00e3o para este mundo de abandono e de solid\u00e3o onde h\u00e1 \u201cmuitos cristos abandonados invis\u00edveis, escondidos, que s\u00e3o descartados de forma \u00abelegante\u00bb: crian\u00e7as impedidas de nascer, idosos deixados sozinhos \u2013 abandonados nos lares de terceira idade \u2013, doentes n\u00e3o visitados, pessoas portadoras de defici\u00eancia ignoradas, jovens que sentem dentro um grande vazio sem que ningu\u00e9m escute verdadeiramente o seu grito de dor. Os abandonados de hoje. Os cristos de hoje.\u201d<\/p>\n<p>Vivemos num mundo on-line, onde estamos cada vez mais ligados pelas redes sociais, mas isso parece estar a contribuir para aumentar o sentimento de solid\u00e3o. O problema \u00e9 que as amizades virtuais n\u00e3o incluem os aspetos de uma rela\u00e7\u00e3o de amizade como o contacto face a face, o tom e o toque. Nas redes sociais n\u00e3o h\u00e1 feedback, n\u00e3o temos um rosto \u00e0 nossa frente. O estudo \u201cSolid\u00e3o nas Redes Sociais\u201d, realizado em Portugal, mostrou que os portugueses que passam muito tempo nas redes sociais se sentem mais sozinhos.<\/p>\n<p>Estamos na era da conex\u00e3o, mas que paradoxalmente, \u00e9 tamb\u00e9m a era da solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste Natal, deixo a sugest\u00e3o de visitar aqueles que vivem sozinhos ou que se encontram isolados num lar ou numa cama de hospital. Desejo a todos um Feliz Natal !<\/p>\n<p><em>Jorge Bernardino<\/em><br \/>\n<em>Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Bernardino, Diocese de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299255,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-306245","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306245\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}