{"id":306085,"date":"2023-12-03T09:30:18","date_gmt":"2023-12-03T09:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=306085"},"modified":"2023-12-02T11:21:17","modified_gmt":"2023-12-02T11:21:17","slug":"vivemos-individualismos-politicos-financeiros-e-ate-individualismos-catolicos-frei-herminio-araujo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vivemos-individualismos-politicos-financeiros-e-ate-individualismos-catolicos-frei-herminio-araujo\/","title":{"rendered":"\u00abVivemos individualismos pol\u00edticos, financeiros, e at\u00e9 individualismos cat\u00f3licos\u00bb &#8211; Frei Herm\u00ednio Ara\u00fajo"},"content":{"rendered":"<p>C<em>om a COP28 sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas a decorrer no Dubai, a Renascen\u00e7a e a Ag\u00eancia Ecclesia conversam com \u00a0o guardi\u00e3o do Convento do Varatojo. O religioso analisa o papel do Papa na luta por uma ecologia integral e diz que, na defesa do ambiente, como no resto, falta \u201cencanto pela vida\u201d e \u201cespiritualidade\u201d a quem tem nas m\u00e3os o poder de decidir<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_306088\" aria-describedby=\"caption-attachment-306088\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-306088 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-306088\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miguel Rato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Estamos a conversar ainda antes de se saber se o Papa ir\u00e1 ao Dubai, mas mesmo que n\u00e3o participe, a sua voz n\u00e3o deixar\u00e1 de se fazer ouvir. Ele deixa isso muito claro no cap\u00edtulo inteiro da Laudate Deum que dedica \u00e0 COP28, onde \u00e9 muito incisivo: espera que o encontro seja um ponto de viragem, uma ocasi\u00e3o hist\u00f3rica que permita \u201crestaurar a credibilidade pol\u00edtica Internacional\u201d, e pede que se assumam de vez compromissos eficazes e duradouros.\u00a0\u00c9 corajoso dizer isto assim, num documento da Igreja? \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o firme de um Papa que, n\u00e3o podemos esquecer, \u00e9 tamb\u00e9m um Chefe de Estado.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Talvez nunca tenhamos assim palavras t\u00e3o incisivas, ou pelo menos \u00e9 o recolher das v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es dos pontificados. Claro que n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que os Papas falam desta maneira, mas se calhar o recolher toda uma tradi\u00e7\u00e3o destes \u00faltimos tempos, para levarmos muito a s\u00e9rio. Desde logo a pr\u00f3pria comunidade cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E revela uma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 atualidade, porque identifica os problemas atuais, o que n\u00e3o se fez, o que \u00e9 preciso fazer\u2026<\/em><\/p>\n<p>Faz um diagn\u00f3stico que n\u00e3o deixa praticamente nada de fora. E evidenciando, quase estabelecendo prioridades, aquilo que \u00e9 mesmo mais importante, aquilo que \u00e9 essencial e, de alguma forma, abrindo caminhos para ir ao encontro dos passos que temos que dar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Laudate Deum, apesar de tudo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um discurso pol\u00edtico, nem \u00e9 sobretudo isso, \u00e9 uma exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Faz sentido que o Papa fale de outra forma, considerando que \u00e9 irrespons\u00e1vel abordar a quest\u00e3o clim\u00e1tica apenas como uma quest\u00e3o &#8216;verde&#8217; e ambiental? Falta mais espiritualidade a quem tem o poder de decidir?<\/em><\/p>\n<p>A Laudate Deum \u00e9 um bom exerc\u00edcio para percebermos como \u00e9 que os grandes temas, as quest\u00f5es ao n\u00edvel pol\u00edtico, no di\u00e1logo com os chefes pol\u00edticos, todas as problem\u00e1ticas financeiras e econ\u00f3micas, como \u00e9 que tudo isso se deve relacionar com aquilo que \u00e9 o mais importante de tudo &#8211; e se calhar a nossa conversa pode passar por a\u00ed &#8211; , que \u00e9 exatamente a dimens\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>A grande proposta do Papa Francisco neste di\u00e1logo \u00e9 &#8211; e pegando na ci\u00eancia, h\u00e1 aqui um cap\u00edtulo que toca, todo ele, nas quest\u00f5es da ci\u00eancia &#8211; como \u00e9 que a espiritualidade pode ser algo que d\u00ea um novo f\u00f4lego, um novo dinamismo. Aqui tamb\u00e9m \u00e9 feito o diagn\u00f3stico das diversas cimeiras, em algumas at\u00e9 se deram alguns passos, mas outras foram um tremendo fracasso. E acho que \u00e9 um bom exerc\u00edcio dizer que \u00e9 com a espiritualidade e com uma transforma\u00e7\u00e3o interior de cada um &#8211; n\u00e3o \u00e9 na dimens\u00e3o \u00e9tica ou jur\u00eddica, que s\u00e3o importantes, mas se n\u00e3o h\u00e1 um trabalho pr\u00e9vio interior, profundo, uma espiritualidade do louvor\u2026. Este tema do louvor \u00e9 muito interessante, \u00e9 a Laudate Si (Louvado Sejas) e Laudate Deum (Louvai a Deus), h\u00e1 aqui uma espiritualidade do louvor que nos remete para uma realidade espiritual n\u00e3o apenas para os crentes, mas para n\u00e3o crentes, que nos coloca numa dimens\u00e3o de vida, e de vida com qualidade, e \u00e0s vezes esquecemo-nos disso. \u00c9 a espiritualidade no bom sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Laudato Deum significa &#8216;Louvai a Deus&#8217;, e o Papa explica que o t\u00edtulo desta nova exorta\u00e7\u00e3o foi escolhido precisamente porque, &#8220;quando um ser humano pretende tomar o lugar de Deus, torna-se o pior inimigo para si mesmo&#8221;. Como religioso, e nomeadamente como franciscano, rev\u00ea-se nesta leitura do mundo e neste alerta do Papa?<\/em><\/p>\n<p>Naturalmente. Esta tomada de consci\u00eancia de que todos somos a partir de uma d\u00e1diva, de um dom, que os crentes dizem &#8216;dom de Deus&#8217;, mas mesmo os n\u00e3o crentes percebem que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos no mundo e que n\u00e3o apareceram aqui por acaso. H\u00e1 toda uma recetividade da vida como um dom que deve ser acolhido, e \u00e9 ao mesmo tempo uma responsabilidade, para ser vivido intensamente por crentes e por n\u00e3o crentes.\u00a0O Papa est\u00e1 a falar sempre para crentes e para n\u00e3o crentes.<\/p>\n<p>Estamos no cerne da espiritualidade de S\u00e3o Francisco de Assis. O C\u00e2ntico das Criaturas &#8211; cujo refr\u00e3o \u00e9 o que inspira a Laudato Si &#8211; remete-nos para aquilo que talvez seja o principal legado de Francisco de Assis, que \u00e9 percebermos que n\u00f3s somos todos a partir de uma origem, a partir da rela\u00e7\u00e3o com o pai, por isso, irm\u00e3os. E a atitude \u00e9 essencialmente de louvor. Louvor numa dimens\u00e3o mais religiosa, ou mesmo n\u00e3o religiosa de viver a vida, de vivermos todos uns com os outros a vida.<\/p>\n<p>Para vir ao encontro da minha identifica\u00e7\u00e3o com este Papa e com esta espiritualidade, com esta proposta para o mundo e a inspira\u00e7\u00e3o franciscana, h\u00e1 uma afirma\u00e7\u00e3o na Laudato Si\u00a0que resume tudo isto: &#8216;o mundo \u00e9 algo mais do que um problema a resolver. \u00c9 um mist\u00e9rio gozoso que contemplamos na alegria e no louvor&#8217; (LS n\u00famero 12).<\/p>\n<p>E na Laudate Deum aparece uma outra frase nesta mesma linha, que \u00e9 chave de leitura e de perce\u00e7\u00e3o desta proposta que o Papa Francisco faz, para pensar diferente, para uma transforma\u00e7\u00e3o de todas estas realidades. A frase \u00e9 esta: &#8220;o mundo canta um amor infinito. Como n\u00e3o cuidar dele?&#8217; (LD n\u00famero 65). Como n\u00e3o cuidar? \u00c9 uma frase lapidar que resume tudo o que estamos a dizer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Nesse sentido, a decis\u00e3o tomada de ir \u00e0 COP \u00e9 importante, com estas mensagens?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante. Eu diria que, no fundo, \u00e9 um irm\u00e3o entre irm\u00e3os, na linha bem franciscana. O Papa vai como chefe pol\u00edtico, como chefe da Igreja Cat\u00f3lica, mas n\u00f3s\u00a0sabemos o estilo do Papa Francisco: como aconteceu no S\u00ednodo, vamos sentar \u00e0 volta da mesma mesa e falar dos problemas da casa de todos, mas n\u00e3o no sentido de olhar s\u00f3 para os problemas, perceber que h\u00e1 mais vida, temos de andar, temos que viver, ultrapassar formas tremendas de individualismo. N\u00f3s\u00a0vivemos individualismos pol\u00edticos, financeiros, econ\u00f3micos, e at\u00e9 individualismos cat\u00f3licos.\u00a0\u00c9 impressionante como \u00e9 que \u00e0s vezes nas comunidades cat\u00f3licas estamos a pensar s\u00f3 na nossa par\u00f3quia, no nosso movimento, na nossa ordem, na nossa congrega\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o pensamos mais na Igreja global, no mundo, na Casa Comum. E estamos a pensar em modelos que j\u00e1 est\u00e3o mais do que gastos, esta forma de celebrar&#8230; Achamos que n\u00e3o h\u00e1 mais mundo para al\u00e9m disso e desvalorizamos o potencial evang\u00e9lico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_306087\" aria-describedby=\"caption-attachment-306087\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306087\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-02.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-306087\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miguel Rato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades cat\u00f3licas, h\u00e1 quem veja nestas interven\u00e7\u00f5es do Papa uma interven\u00e7\u00e3o mais do \u00e2mbito pol\u00edtico e at\u00e9 de ativista. Pergunto se se vale a pena recordar que o cuidado com a Cria\u00e7\u00e3o tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o sempre central da Igreja Cat\u00f3lica?<\/em><\/p>\n<p>Tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o, mas acho que n\u00e3o tem sido suficientemente central ou nem sempre priorit\u00e1ria. Faz parte j\u00e1 do patrim\u00f3nio do pensamento social crist\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1 documentos muitos belos de anteriores Papas&#8230;<\/em><\/p>\n<p>De Bento XVI, de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, e mesmo l\u00e1 mais para tr\u00e1s.\u00a0Sempre que se tem pensado os temas da Doutrina Social da Igreja, ou do pensamento social crist\u00e3o, ou\u00a0 cat\u00f3lico, este tema tem aparecido, mas acho que ainda n\u00e3o suficientemente, e se calhar muito conotado &#8211; e ent\u00e3o nestes \u00faltimos anos, sobretudo com este pontificado &#8211; quase\u00a0 com tonalidades de esquerda, o que \u00e9 no m\u00ednimo muito estranho. Isto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de esquerda ou de direita.<\/p>\n<p>Infelizmente h\u00e1 grupos radicais &#8211; quer de esquerda, quer de direita &#8211; que n\u00e3o t\u00eam estado a ajudar. Determinadas posi\u00e7\u00f5es da direita, pegando em pseudoci\u00eancia que n\u00e3o serve rigorosamente para nada. Ou ent\u00e3o problem\u00e1ticas quase da extrema esquerda, com determinado tipo de manifesta\u00e7\u00f5es que n\u00e3o levam a lado nenhum, s\u00f3 nos afastam.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma pedagogia aqui na Laudate Deum, at\u00e9 neste cap\u00edtulo relacionado diretamente com a COP28, o que se espera da cimeira, h\u00e1 uma express\u00e3o que o Papa utiliza v\u00e1rias vezes e que numa releitura deste cap\u00edtulo veio ao de cima: diz que isto deve ser empenho de todos,\u00a0com o envolvimento de &#8220;todos, todos, todos&#8221;.<\/p>\n<p>Eu acho que nos est\u00e1 a faltar quase uma esp\u00e9cie de pedagogia, uma certa linguagem at\u00e9, porque d\u00e1 a impress\u00e3o que \u00e9 apenas de alguns&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Aquela frase que o Papa tamb\u00e9m repete na exorta\u00e7\u00e3o, e que surgiu na pandemia, a de que &#8220;ningu\u00e9m se salva sozinho&#8221;, aqui tamb\u00e9m se aplica.<\/em><\/p>\n<p>E \u00e9 aqui curiosamente citada, no n\u00famero 19: &#8220;tudo est\u00e1 interligado, ningu\u00e9m se salva sozinho&#8221;. \u00c9 um aspeto interessante que vale a pena ter muito presente, o empenho de todos. E a comunica\u00e7\u00e3o social e todos os agentes de opini\u00e3o, devemos todos encontrar linguagens comuns, quase uma pedagogia para trabalharmos estes problemas, para n\u00e3o nos afastarmos mais, mas nos aproximarmos cada vez mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que v\u00ea as greves pelo clima e os protestos a que vamos assistindo por todo o mundo, mas tamb\u00e9m aqui em Portugal? Alguns deles algo radicais, com ocupa\u00e7\u00f5es de faculdades e ataques com tinta a membros do governo. Isto \u00e9 radical, mas \u00e9 eficaz? Ou \u00e9 contraproducente, no sentido de ser mal recebido pela opini\u00e3o p\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>Com todo o respeito, eu\u00a0acho que as causas s\u00e3o nobres, n\u00e3o tenho capacidade para avaliar a efic\u00e1cia, mas julgo que isso talvez afaste mais do que aproxime, e crie mais ru\u00eddo do que uma palavra eficaz, que nos sensibilize e mobilize a todos. Com todo o\u00a0 respeito, a inten\u00e7\u00e3o na maior parte dos casos se calhar \u00e9 boa, mas n\u00e3o sei se esse \u00e9 o caminho. Talvez n\u00e3o nos ajude a esta caminhada que tem de ser de todos, todos, todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa diz que estes protestos v\u00eam, muitas vezes, ocupar um vazio que existe na sociedade.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma an\u00e1lise interessante essa do Papa&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m \u00e9 um desafio para os crist\u00e3os criarem essa linguagem que \u00e9 necess\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 exatamente por isso que estou a dizer isto. Falta-nos uma linguagem que sensibilize, pedag\u00f3gica. E que linguagem \u00e9 esta? Bebermos mais da fonte b\u00edblica, por exemplo. Desde logo, enquanto franciscano, da pr\u00f3pria sensibilidade de S\u00e3o Francisco de Assis&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Figura que consegue falar a crentes e n\u00e3o crentes&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.\u00a0A pedagogia de Francisco de Assis \u00e9 muito eficaz. Mas temos de beber muito mais da fonte b\u00edblica. Ali\u00e1s, o Papa Francisco logo no in\u00edcio da Laudate Deum, no\u00a0 n\u00famero 1, faz essa refer\u00eancia. Portanto, esta sensibilidade de Francisco de Assis nos Salmos, na pr\u00f3pria admira\u00e7\u00e3o de Jesus por todas as realidades do mundo\u2026 As p\u00e1ginas da B\u00edblia est\u00e3o cheias de toda essa linguagem. N\u00f3s precisamos de mais essa linguagem b\u00edblica, que \u00e9 mais motivadora.<\/p>\n<p>Os cat\u00f3licos t\u00eam que perceber que isto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o s\u00f3 de extrema esquerda, ou de uma pol\u00edtica que est\u00e1 mais influenciada por interesses financeiros. Porque h\u00e1 essas acusa\u00e7\u00f5es. como se n\u00e3o houvesse interesses financeiros do outro lado. \u00c9 evidente que h\u00e1 interesses financeiros em quem est\u00e1 na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, \u00e9 l\u00f3gico, mas tamb\u00e9m h\u00e1 interesses financeiros em manter determinado tipo de energias. H\u00e1 sempre interesses financeiros, logicamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma pergunta que gostaria de fazer, que tem a ver com duas cita\u00e7\u00f5es que fez da \u2018Laudato Si\u2019, de 2015, como agora da \u2018Laudato Deum\u2019: o nosso pensamento ocidental, a partir do fim da Idade M\u00e9dia, passou a ter uma vis\u00e3o mec\u00e2nica do mundo, como se tudo fosse um grande mecanismo ou um grande problema a resolver, como disse ainda h\u00e1 pouco, e que se pode reparar mudando pe\u00e7as. Como \u00e9 que se chega esta nova cultura e aos novos estilos de vida que Francisco prop\u00f5e?<\/em><\/p>\n<p>Acho que temos que nos aproximar mais desta vis\u00e3o em que vamos articulando mais e mais estes tr\u00eas n\u00edveis de intelig\u00eancia: a intelig\u00eancia racional, porque \u00e9 onde est\u00e1 tudo (ver isto como nos racioc\u00ednios l\u00f3gico-matem\u00e1ticos, como uma m\u00e1quina em que \u00e9 preciso mudar as pe\u00e7as ou coisa do g\u00e9nero); relacionar a intelig\u00eancia racional com a intelig\u00eancia emocional &#8211; felizmente cada vez estamos mais sens\u00edveis a isso, \u00e0 intelig\u00eancia emocional, e os contributos da ci\u00eancia s\u00e3o muito importantes, levar isso mais a s\u00e9rio; e\u00a0acrescentar o melhor que temos nas tradi\u00e7\u00f5es espirituais, que \u00e9 sabedoria da vida, a intelig\u00eancia espiritual. Portanto, \u00e9 esta articula\u00e7\u00e3o destas dimens\u00f5es da intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 atrav\u00e9s de uma sabedoria de viver &#8211; a tal dimens\u00e3o espiritual, experi\u00eancia espiritual que tem de ser aprofundada, dinamizada e, de alguma forma, todos temos que ajudar a trabalhar isso. \u00c9 a sabedoria do viver.<\/p>\n<p>Eu acho que qualquer pessoa percebe que h\u00e1 aqui coisas que est\u00e3o a acontecer, no clima, na natureza, na Cria\u00e7\u00e3o, que nunca tinham acontecido. As pessoas falam disso, t\u00eam essa consci\u00eancia. Agora, o que \u00e9 que estamos a fazer? Estamos muito marcados pela intelig\u00eancia racional apenas aqui no ocidente, o ponto de partida da pergunta foi esse&#8230;.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Numa l\u00f3gica em que o ser humano \u00e9 feito para produzir e para consumir\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. E esquecemo-nos que o ser humano \u00e9 feito para viver e viver em plenitude , uns com os outros. Aquela m\u00e1xima de Jesus no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cEu vim para que tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u201d. E isto \u00e9 para todos, mesmo para qualquer n\u00e3o crente, e n\u00e3o \u00e9 apenas para resolver problemas.<\/p>\n<p>N\u00f3s andamos aqui \u00e0 procura de problemas e, \u00e0s vezes, alguns envolvem-se mesmo em lutas pelo clima, porque h\u00e1 aqui problemas a resolver. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por isso. Com S\u00e3o Francisco de Assis, no melhor da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, no judeo-cristianismo, n\u00e3o \u00e9 apenas porque h\u00e1 problemas a resolver, \u00e9 porque somos chamados a viver em plenitude e em abund\u00e2ncia, com Deus, uns com os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_306088\" aria-describedby=\"caption-attachment-306088\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306088\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Frei-Herminio-Araujo-Foto-Miguel-Rato-RR-03.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-306088\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miguel Rato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O Papa diz que \u00e9 preciso uma mudan\u00e7a cultural, mas que para essa mudan\u00e7a cultural \u00e9 preciso que as pessoas mudem. Se pensarmos tamb\u00e9m em tudo o que o Papa tem feito nestes 10 anos de pontificado, em tudo o que tem produzido, ele chama a aten\u00e7\u00e3o que tudo se interliga, seja a \u2018Economia de Francisco\u2019, o novo modelo econ\u00f3mico que ele convida a que se encontre, seja nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, no modelo educativo, seja na defesa do primado da dignidade da pessoa humana. O que \u00e9 que falta para as pessoas perceberem que as mudan\u00e7as come\u00e7am em cada um?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o interiorizar tudo isto, o fazer com que tudo isto seja colocado ao n\u00edvel do cora\u00e7\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, naquilo que \u00e9 o n\u00facleo da pr\u00f3pria pessoa, o trabalhar cada vez mais isso.<\/p>\n<p>Na experi\u00eancia cat\u00f3lica ainda estamos muito marcados com o catolicismo centrado na doutrina e mais doutrina &#8211; agora alguns at\u00e9 andam muito preocupados se o S\u00ednodo vai mudar coisas, doutrinas! O que \u00e9 mais importante nisto tudo \u00e9 percebermos que vivemos com uma presen\u00e7a, a presen\u00e7a de Jesus Cristo. A verdade tem a ver essencialmente com uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Jesus. O que \u00e9 que \u00e9 preciso? Se calhar \u00e9 ajudarmo-nos uns aos outros a encantarmo-nos mais com a vida. Estamos demasiado centrados nas verdades, at\u00e9 na quest\u00e3o \u00e9tica. A quest\u00e3o \u00e9tica \u00e9 importante, mas n\u00e3o \u00e9 a mais importante.<\/p>\n<p>Se quiser, para responder \u00e0 pergunta: n\u00f3s\u00a0na tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, ocidental e n\u00e3o s\u00f3, temos a quest\u00e3o da verdade, da bondade e da beleza. A Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 essencialmente marcada pela quest\u00e3o da verdade e da bondade. A beleza do Evangelho, a beleza crist\u00e3, a beleza do mundo, a beleza da vida, passar da quest\u00e3o das verdades para algo que nos permita dizer \u201cUau!&#8221;. Quer dizer, \u00e9 bom viver! Falta-nos isto muitas vezes, falta-nos encanto pela vida, estamos demasiado centrados nos nossos problemas.<\/p>\n<p>Temos problemas e temos que os resolver, a vida n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u201cUau!&#8221;, quer dizer, viver de outra maneira, menos centrados na verdade e na bondade, mais centrados na beleza, porque o caminho da beleza, a \u2018via pulchritudinis\u2019 [via\u00a0da beleza], na express\u00e3o que habitualmente dizemos em Teologia, \u00e9 caminho para percebermos e para nos relacionarmos com a verdade de uma forma diferente e com a bondade de uma forma diferente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 tamb\u00e9m uma forma de diferente de se relacionar com os outros, nesta ideia de fraternidade Universal?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. O que \u00e9 que falta? Falta, se calhar, o encanto pela beleza. Pela beleza, desde logo de estarmos juntos, de uma boa conversa, de uma boa partilha, do estarmos \u00e0 mesa, do construirmos algo em comum, de n\u00e3o andarmos permanentemente a acentuar aquilo que nos divide, mas aquilo que nos une. Mesmo at\u00e9 nas nossas doutrinas, nos nossos dogmas. Tudo isso \u00e9 importante, mas h\u00e1 tanta coisa que \u00e9 muito mais importante do que isso! N\u00f3s zangarmo-nos, afastarmo-nos, criarmos quase grupos, quase seitas porque n\u00e3o pensamos todos da mesma maneira? Ou at\u00e9, eventualmente, n\u00e3o vemos as quest\u00f5es morais da mesma maneira. Isso n\u00e3o \u00e9 o mais importante.<\/p>\n<p>A verdade n\u00e3o \u00e9 o mais importante, nem a moral \u00e9 o mais importante. O mais importante \u00e9 a beleza, a experi\u00eancia est\u00e9tica, a experi\u00eancia da beleza que depois nos ajuda a ver muito melhor e a viver todas as outras dimens\u00f5es da vida, nomeadamente da verdade e da bondade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Insistindo nesta quest\u00e3o da a\u00e7\u00e3o da Igreja nesta \u00e1rea do clima, do ambiente, da ecologia integral, em Portugal j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es que trabalham nesta \u00e1rea, na rede de defesa da Casa Comum. Est\u00e1 a fazer-se o suficiente?<\/em><\/p>\n<p>Julgo que n\u00e3o! Estas experi\u00eancias permitem-nos dizer que h\u00e1 algo diferente que acontece, que j\u00e1 est\u00e1 a acontecer, e \u00e9 poss\u00edvel. Agora precisamos \u00e9 que todas estas experi\u00eancias se multipliquem muito mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que sejam conhecidas tamb\u00e9m, divulgadas? Porque parece que fica tudo numa bolha, numa redoma\u2026<\/em><\/p>\n<p>Que sejam conhecidas, que as pessoas saibam que como aconteceu com uma determinada pessoa, ou conjunto de pessoas, se mobilizaram para esse tipo de experi\u00eancias, outras podem aparecer. Portanto, t\u00eam de aparecer mais, aparecer mais at\u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre elas, por exemplo, haver encontros at\u00e9 de partilha em comum &#8211; que algumas coisas j\u00e1 est\u00e3o a ser feitas -, mas se calhar fazer mais isso para a sociedade, no seu todo, ir conhecendo e saber que estas coisas j\u00e1 existem e que \u00e9 poss\u00edvel. Se existe uma, duas ou tr\u00eas, ent\u00e3o por \u00e9 que n\u00e3o podemos criar muitas mais, 30, 3 mil e por a\u00ed em diante?<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que expectativas tem pessoalmente para esta COP 28, no Dubai?<\/em><\/p>\n<p>Eu julgo que,\u00a0aquilo que tenho acompanhado, h\u00e1 alguns sinais que podem ser positivos. Agora, aguardemos, vamos ver.\u00a0Estas mensagens do Papa e de outros l\u00edderes, de outros respons\u00e1veis, h\u00e1 alguns sinais positivos.\u00a0Mas, isto ainda est\u00e1 tudo muito no in\u00edcio. A Cimeira decorre de 30 de\u00a0 novembro a 12 de dezembro.<\/p>\n<p>Daquilo que, neste momento, j\u00e1 temos, h\u00e1 um ou outro sinal que permitem um pensar positivo, agora espero que n\u00e3o seja um grande fiasco como muitas outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa pede que seja um \u201cponto de viragem\u201d. \u00c9 muito exigente?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9. O Papa, de alguma forma, penso que j\u00e1 est\u00e1 a sintetizar, e penso que n\u00e3o est\u00e1 sozinho. J\u00e1 h\u00e1 outras vozes que est\u00e3o a perceber que isto tem de ser mesmo um ponto de viragem. H\u00e1 aqui algo de positivo. Vamos ver.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Seria\u00a0bom que esta exorta\u00e7\u00e3o [Laudato Deum] pudesse ser lida por todos os participantes na cimeira?<\/em><\/p>\n<p>Julgo que sim, para a cimeira e mesmo para depois da cimeira. Para fundamentar esta nossa conversa, percebe-se que est\u00e3o quest\u00f5es aqui muito importantes do ponto de vista das pol\u00edticas, o\u00a0Papa diz que as pol\u00edticas est\u00e3o aqu\u00e9m daquilo que \u00e9 o desej\u00e1vel, mas aquilo que de alguma forma pode dar um vigor novo aos agentes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 uma boa carta de princ\u00edpios, \u00e9 um bom texto inspirador nesta dimens\u00e3o espiritual para os agentes mais diretos da cimeira.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Fica o convite para quem ainda n\u00e3o conhece este texto, \u00e9 uma boa ocasi\u00e3o para o fazer\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma boa leitura e at\u00e9 uma boa oferta de Natal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><u>*Esta entrevista foi gravada antes do Vaticano anunciar que o Papa n\u00e3o poderia estar presencialmente na COP28, por motivos de sa\u00fade.<\/u><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a COP28 sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas a decorrer no Dubai, a Renascen\u00e7a e a Ag\u00eancia Ecclesia conversam com \u00a0o guardi\u00e3o do Convento do Varatojo. O religioso analisa o papel do Papa na luta por uma ecologia integral e diz que, na defesa do ambiente, como no resto, falta \u201cencanto pela vida\u201d e \u201cespiritualidade\u201d a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":306088,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-306085","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306085\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/306088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}