{"id":306,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/perdoar-a-divida\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"perdoar-a-divida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/perdoar-a-divida\/","title":{"rendered":"Perdoar a d\u00edvida"},"content":{"rendered":"<p>Edem Kodjo, antigo secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o para a Unidade Africana <!--more--> O tema da d\u00edvida externa dos pa\u00edses africanos aparece em grande destaque nas conclus\u00f5es do encontro de Lisboa \u201cA \u00c1frica e a Uni\u00e3o Europeia: Parceiros na solidariedade. Contribui\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d, defendendo-se que \u201cA UE e os seus Estados-membros dever\u00e3o proceder \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o do mecanismo denominado Pa\u00edses pobres altamente endividados (HIPC, siglas em ingl\u00eas) de modo a assegurar a sustentabilidade desse pa\u00edses, a fim de que os recursos dispon\u00edveis sejam empregues na satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades sociais, em vez de serem utilizados para cobrir a d\u00edvida\u201d e que \u201ca Uni\u00e3o Africana (UA) e os seus Estados-membros devem assegurar uma governa\u00e7\u00e3o interna melhorada, garantir os mecanismos participativos e transparentes para a gest\u00e3o do al\u00edvio da d\u00edvida\u201d. Um dos principais mentores desta linha de pensamento \u00e9 Edem Kodjo, antigo secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o para a Unidade Africana, que revelou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o que deve ser a rela\u00e7\u00e3o entre a d\u00edvida externa e a governa\u00e7\u00e3o interna nos pa\u00edses africanos.  Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Como fazer para que as pessoas tenham a certeza de que vale a pena perdoar a d\u00edvida aos pa\u00edses mais pobres de \u00c1frica? Edem Kodjo \u2013 A d\u00edvida externa \u00e9 um obst\u00e1culo enorme ao desenvolvimento de \u00c1frica, o peso da d\u00edvida chega aos 17% do Produto Interno Bruto. Em consequ\u00eancia destes dados, h\u00e1 quem defenda o aligeirar da d\u00edvida, h\u00e1 quem defenda a sua suspens\u00e3o, h\u00e1 mesmo quem defenda o seu cancelamento como um gesto de ajuda \u00e0 \u00c1frica por parte da Europa. N\u00f3s defendemos que a \u00c1frica deve dar provas de um bom governo, porque se anularmos ou aligeirarmos a d\u00edvida e amanh\u00e3 os governos africanos desviarem fundos e n\u00e3o combaterem a corrup\u00e7\u00e3o generalizada, a Europa n\u00e3o pode ter a confian\u00e7a suficiente para continuar a perdoar esses erros de governa\u00e7\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es para o perd\u00e3o da d\u00edvida passam, portanto, pelo benef\u00edcio directo e imediato do povo africano e n\u00e3o aos dirigentes dos Estados!  AE \u2013 Na confer\u00eancia que apresentou neste encontro defendeu que em \u00c1frica se vive uma \u201ccrise do Estado\u201d. O que faz falta para a superar? EK \u2013 Em primeiro lugar, dar \u00e0s pessoas a possibilidade de verificar aquilo que foi feito pelos seus dirigentes, como foi gerido o montante da d\u00edvida que foi perdoado. As somas que foram doadas a \u00c1frica s\u00e3o astron\u00f3micas e podem servir para o desenvolvimento do continente, pelo que a Europa n\u00e3o pode ficar pelo perd\u00e3o da d\u00edvida, mas deve p\u00f4r de p\u00e9 um sistema que permita a verifica\u00e7\u00e3o do tipo de investimento feito com esse dinheiro.  AE \u2013 A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 o modelo pol\u00edtico e econ\u00f3mico para uma Uni\u00e3o Africana? EK \u2013 A UA n\u00e3o tem de seguir, for\u00e7osamente, o modelo da UE. Aquilo que come\u00e7amos na Confer\u00eancia de Durban, em 2002, n\u00e3o \u00e9 uma realidade acabada ou definitiva, n\u00e3o sabemos como ir\u00e1 funcionar, porque h\u00e1 demasiado voluntarismo e pouco realismo na constru\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o. A vontade dos africanos em sair de um quadro estreito, de pequenas na\u00e7\u00f5es, de miniaturas, \u00e9 de saudar e um sinal reconfortante.  A NEPAD (Nova parceria para o desenvolvimento de \u00c1frica) \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o unanimemente aceite e um exemplo de como deve funcionar a UA: uma grande parceria africana, que se apresenta diante de todo o mundo com um plano espec\u00edfico de desenvolvimento, sustentado por organiza\u00e7\u00f5es internacionais.  Do meu ponto vista, a UA deve basear-se, neste primeiro momento, no plano da ac\u00e7\u00e3o da NEPAD antes de se olhar para mais longe. N\u00e3o faz ainda sentido falar de uma Federa\u00e7\u00e3o Africana, mas \u00e9 poss\u00edvel sonhar com um Banco Central Africano, de um Parlamento Africano, como s\u00edmbolos da vontade africana de dar um salto qualitativo para o futuro.  AE \u2013 Como avalia o desempenho da Igreja Cat\u00f3lica neste momento novo da hist\u00f3ria africana? EK \u2013 O lugar que a Igreja ocupa \u00e9 muito, muito importante! Atrav\u00e9s dos leigos, que desempenham uma fun\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel em todo este processo, \u00e9 poss\u00edvel trabalhar com base na Doutrina Social da Igreja rumo a uma parceria que se funde em princ\u00edpios que s\u00e3o pr\u00f3ximos aos crist\u00e3os africanos. Para mim o papel da Igreja n\u00e3o \u00e9 o de dar dinheiro, nem fornecer bens, porque o seu magist\u00e9rio \u00e9 sobretudo moral. Tenho grande esperan\u00e7a no trabalho dos leigos comprometidos, como pudemos ver nestes dias em Lisboa, porque a sua responsabilidade \u00e9 enorme. \u00c9 preciso que empenhem todas as suas for\u00e7as para assegurar, com a sua palavra e a sua ac\u00e7\u00e3o, o Bem Comum.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edem Kodjo, antigo secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o para a Unidade Africana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[101,203,314],"class_list":["post-306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-africa","tag-europa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}