{"id":30595,"date":"2008-03-11T11:16:07","date_gmt":"2008-03-11T11:16:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/11\/bodas-de-prata-episcopais\/"},"modified":"2020-10-14T15:16:12","modified_gmt":"2020-10-14T14:16:12","slug":"bodas-de-prata-episcopais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bodas-de-prata-episcopais\/","title":{"rendered":"Bodas de Prata Episcopais"},"content":{"rendered":"<p>Um Bispo que gosta de matem\u00e1tica, de trabalhar na quinta e de estar pr\u00f3ximo das pessoas: D. Jos\u00e9 Pedreira e um olhar sobre o quarto de s\u00e9culo passado desde a ordena\u00e7\u00e3o episcopal, a 19 de Mar\u00e7o de 1983, em Viana do Castelo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 D. Jos\u00e9 Pedreira est\u00e1 a celebrar 25 anos de bispo. Quem \u00e9 o bispo de Viana do Castelo que pastoreia nas terras que o viu nascer? <\/i><\/p>\n<p><i>D. Jos\u00e9 Pedreira (JP) \u2013<\/i> Sou um minhoto por natureza, visto que nasci em Valen\u00e7a do Minho, numa par\u00f3quia pequena chamada Gondomil. Completei l\u00e1, o que chama hoje, o primeiro ciclo, a escolariza\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Depois fui para os semin\u00e1rios em Braga onde completei os preparat\u00f3rios, a parte filos\u00f3fica e Teol\u00f3gica.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Como nasceu a sua voca\u00e7\u00e3o sacerdotal? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> \u00c9 interessante esse pormenor. A minha voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o surgiu do di\u00e1logo com um sacerdote mas com um professor do 1\u00ba Ciclo. Um senhor crente que faleceu recentemente. Na instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, eu tinha uma propens\u00e3o muito particular para a matem\u00e1tica, para as contas. Como \u00e9ramos sete irm\u00e3os, este professor foi perguntar ao meu pai se deixava que eu fosse estudar. Depois deste di\u00e1logo entre o professor, meu pai e eu, o professor foi comigo ao Semin\u00e1rio de Braga onde fiz exame de admiss\u00e3o. Antes, teve o cuidado de me preparar para o exame de admiss\u00e3o ao Liceu de Viana do Castelo.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Este processo passou-se no final da instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim e eu escolhi o Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Como \u00e9 que um jovem com gosto especial pelos n\u00fameros escolhe o lado eclesi\u00e1stico? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> A minha simpatia pelo religioso foi influenciada por um seminarista mais velho que existia na par\u00f3quia. Ao olhar para o servi\u00e7o dele \u2013 na Igreja e na Liturgia -, suscitou em mim um apelo: gostaria de servir a Igreja na mesma maneira. N\u00e3o foi o meu pai, nem o meu p\u00e1roco que me influenciaram.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 O seu p\u00e1roco n\u00e3o sabia&#8230; <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013 <\/i>O meu p\u00e1roco era quase avesso \u00e0 promo\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 N\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio este comportamento? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Naquele tempo, talvez n\u00e3o. O n\u00famero de voca\u00e7\u00f5es era muito grande. No primeiro ano, entr\u00e1mos mais de 150 para o semin\u00e1rio. Como havia muitas voca\u00e7\u00f5es, os sacerdotes mais velhos olhavam para isso, como uma esp\u00e9cie de&#8230; Amanh\u00e3, eles v\u00eam ocupar-nos o lugar e n\u00f3s temos de nos ir embora. No entanto, n\u00e3o sei se as raz\u00f5es foram essas.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Era um mi\u00fado traquinas? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Muito. Era um grande brincalh\u00e3o e um jogador profissional.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 No semin\u00e1rio aprofundou a sua voca\u00e7\u00e3o&#8230; <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Entrei para a escola um ano mais tarde porque tive uma febre tipo pneum\u00f3nica. Depois fiz o Semin\u00e1rio menor, de seguida a Filosofia e a Teologia e ordenei-me com 24 anos.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Um percurso feito em Braga. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Tudo em Braga porque a diocese de Viana do Castelo s\u00f3 foi criada em 1977. Feitos os estudos nesta cidade, fiquei \u2013 durante dois anos &#8211; como formador no pr\u00f3prio Semin\u00e1rio onde terminei. Custou-me muito.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 N\u00e3o gostava desta \u00e1rea da pastoral? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> O problema \u00e9 que fiquei como formador dos meus pr\u00f3prios colegas. Tinha muitos colegas que reprovaram&#8230; Custou-me muito porque, sem querer, passei a ser superior deles.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Foram apenas dois anos&#8230; <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> De seguida, o arcebispo de Braga, D. Ant\u00f3nio Bento Martins J\u00fanior, enviou-me para director do Col\u00e9gio do Minho em Viana do Castelo.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Sempre ligado ao ensino. Primeiro como formador e depois como director do col\u00e9gio? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim. No col\u00e9gio era o director, mas leccionava as Matem\u00e1ticas que eram a minha paix\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Paix\u00e3o pela matem\u00e1tica<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Mesmo padre, nunca deixou os n\u00fameros? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Isso nunca. Foi e \u00e9 uma propens\u00e3o muito natural. No col\u00e9gio fui professor de Matem\u00e1tica durante 15 anos. Acumulei tamb\u00e9m como professor do Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio. Posteriormente, tirei o curso de Psicologia, em Lisboa. Como n\u00e3o existiam professores de Psicologia, leccionei Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa e Psicologia.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Tinha forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em Matem\u00e1tica para leccionar esta ci\u00eancia no col\u00e9gio? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> S\u00f3 tinha aquela que aprendi no Semin\u00e1rio. Na Escola do Magist\u00e9rio, sempre que se fazia admiss\u00e3o de alunos, eu era escalado para corrigir os exames de Matem\u00e1tica.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Passados tantos anos, ainda continua com pendor para esta \u00e1rea? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim e felizmente. Eu gosto muito das contas, a contabilidade da casa episcopal passa sempre pela minha m\u00e3o.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Faz as contas no papel ou na m\u00e1quina de calcular? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Agora \u00e9 no computador.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Se n\u00e3o fosse padre primeiro e bispo depois, seria professor de Matem\u00e1tica? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> \u00c0s vezes coloco essa pergunta. Depois de tirar o curso de Psicologia, fiquei muito apaixonado pela parte m\u00e9dica, fisiol\u00f3gica e org\u00e2nica. Ainda cheguei a concorrer \u00e0 Universidade para tirar Medicina. Fiquei em quinta prefer\u00eancia&#8230; No entanto gostaria de ter complementado este caminho.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Da forma como fala, d\u00e1 para perceber que ficou com pena de n\u00e3o seguir os estudos nessa \u00e1rea.<\/i><\/p>\n<p><i> JP \u2013<\/i> Como n\u00e3o existiam professores de Psicologia suficientes naquela \u00e9poca, acumulei dois hor\u00e1rios de Psicologia: Magist\u00e9rio e Educadoras de Inf\u00e2ncia e mais um complemento em Enfermagem.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Gostava de dominar todas as \u00e1reas do saber. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> (Risos). S\u00f3 tirei Psicologia porque no Col\u00e9gio e nas escolas, os alunos devem ser ajudados a discernir a sua op\u00e7\u00e3o vocacional depois do nono ano (antigo quinto). Fui tirar Psicologia para ajudar os alunos. AE \u2013 Estat\u00edstica e Evangelho n\u00e3o entram em rota de colis\u00e3o?<\/p>\n<p>JP \u2013 N\u00e3o. Elas s\u00e3o um subs\u00eddio muito \u00fatil para programarmos as actividades pastorais. Em cada visita pastoral levo sempre uma an\u00e1lise sociol\u00f3gica da situa\u00e7\u00e3o da povoa\u00e7\u00e3o onde vou anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 No col\u00e9gio tamb\u00e9m se ocupou da vertente desportiva.<\/i><\/p>\n<p><i> JP \u2013<\/i> Treinava os rapazes no Voleibol e no T\u00e9nis de Mesa. Treinava e gostava de jogar.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Sabia perder? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Tinha bom perder, mas jogava sempre a s\u00e9rio. Perder nem a feij\u00f5es.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Nunca teve pendor para desportos mais medi\u00e1ticos? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Verifiquei depois que n\u00e3o resistia ao futebol de cinco e ao andebol. Ainda tentei patins, mas fiz duas entorses e desisti.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Braga, Porto, Lisboa, Viana&#8230;<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Esteve nesse col\u00e9gio quantos anos? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Quinze anos e meio.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Entretanto \u00e9 criada a diocese de Viana do Castelo. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Foi criada em Novembro de 1977 e, passados uns meses, D. J\u00falio Tavares Rebimbas colocou-me como vig\u00e1rio-geral da diocese. Disse-me que os sacerdotes da diocese votaram em mim. Na altura tinha cerca de 40 anos&#8230;<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Teve de deixar de leccionar algumas aulas? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Deixei as Educadoras de Inf\u00e2ncia e Enfermagem. Durante um ano, fiquei com o Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio. Devido \u00e0s incompatibilidades de hor\u00e1rios tive de deixar.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Nunca foi colocada a hip\u00f3tese de fazer parte do clero de Braga? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> A Bula da cria\u00e7\u00e3o da diocese determinava, explicitamente, que os sacerdotes ficariam a pertencer \u00e0 diocese onde se encontravam a prestar servi\u00e7o.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Passados cinco anos foi nomeado bispo? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Inesperadamente. Foi uma surpresa muito grande por dois motivos: a minha vida nunca tinha girado \u00e0 volta dessa ideia, normalmente essas pessoas v\u00e3o tirar cursos para Roma e, por outro lado, achava que era muito novo, tinha apenas 44 anos.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Esteve cerca de 15 anos como bispo auxiliar do Porto. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Fui colaborar com D. J\u00falio Tavares Rebimbas que foi nomeado bispo do Porto.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 N\u00e3o teve receio de sair do Minho? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Inicialmente tive porque sabia que a diocese do Porto era, intelectualmente, muito desenvolvida. E Viana tinha apenas 1,5% de pessoas com cursos superiores. A nossa linguagem era a um n\u00edvel diferente&#8230; Quando me vi no Porto, o primeiro contacto foi a medo, mas o clero do Porto foi t\u00e3o amigo, acolhedor e colaborador que ainda hoje tenho saudades.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Ficou com que zona pastoral? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Com o Porto, Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Pa\u00e7os de Ferreira.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 A religiosidade junto ao Douro \u00e9 diferente da vivida no Minho. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim. Cada regi\u00e3o tem caracter\u00edsticas muito pr\u00f3prias. Passados alguns meses estava adaptado.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Foi a sua escola de bispo. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Devo muito a D. J\u00falio Tavares Rebimbas porque ele era um homem muito voltado para a pastoral. Trabalhei com ele mais de vinte anos e temos uma estima m\u00fatua.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 No seu m\u00fanus sacerdotal nunca foi p\u00e1roco? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Quando fui fazer o est\u00e1gio em Lisboa, na Gulbenkian, fui o primeiro p\u00e1roco da Cruz Quebrada e Dafundo.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 A sua experi\u00eancia de p\u00e1roco foi em Lisboa. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Fui p\u00e1roco de uma par\u00f3quia experimental.<\/p>\n<p><i>AE \u2013<\/i> Guarda mem\u00f3rias destes tempos passados em Lisboa?<\/p>\n<p>JP \u2013 Ainda tenho amigos desse tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Retrato da Diocese<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Acabou por voltar a Viana do Castelo. Podemos dizer a \u00absua rica diocese\u00bb? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Rica n\u00e3o. Pobre. \u00c9 a mais pobre de Portugal, em termos de Produto Interno Bruto (PIB). As estat\u00edsticas dizem isso.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 O que fazer para alterar estas condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Tenho dito \u00e0s autoridades civis que faltaram muitas coisas no Minho, nos \u00faltimos quarenta anos. Primeiro n\u00e3o havia, praticamente, rede vi\u00e1ria. Existia apenas uma estrada nacional que estava em p\u00e9ssimo estado. Actualmente, as coisas j\u00e1 melhoraram muito. No entanto, ainda h\u00e1 zonas onde tenho muita dificuldade em chegar.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 H\u00e1 zonas do pa\u00eds com condi\u00e7\u00f5es piores? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> \u00c0 beira mar n\u00e3o.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Tem dialogado com as autarquias? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Pe\u00e7o-lhes que atendam em primeiro lugar \u00e0 rede vi\u00e1ria. \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o fundamental para a localiza\u00e7\u00e3o de alguma ind\u00fastria. Quando vim para a diocese fiz a estat\u00edstica da ocupa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Aqui, existem dois vales: o do Lima e o do Minho. Na altura, o vale do Lima tinha cerca de 52% da popula\u00e7\u00e3o a viver do sector prim\u00e1rio. A m\u00e9dia nacional era 32%. O vale do Minho tinha 72% da popula\u00e7\u00e3o a viver deste sector.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Ent\u00e3o \u00e9 uma diocese agr\u00edcola? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Era. Neste momento temos entre 5% a 7% da popula\u00e7\u00e3o no sector prim\u00e1rio.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Com terrenos t\u00e3o f\u00e9rteis n\u00e3o \u00e9 um desperd\u00edcio? As pessoas trabalham em que \u00e1reas? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> \u00c9 verdade s\u00e3o t\u00e3o f\u00e9rteis. As pessoas trabalham em sectores tradicionais porque a industrializa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola n\u00e3o se fez. Como n\u00e3o se fez o emparcelamento, o minif\u00fandio ainda predomina. A maior parte dos terrenos est\u00e3o desaproveitados.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Votados ao abandono&#8230; <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim. No entanto esta zona \u00e9 muito rica na parte florestal. Simplesmente, nunca houve um plano \u2013 j\u00e1 chamei a aten\u00e7\u00e3o tantas vezes para este problema &#8211; para resolver a quest\u00e3o da arboriza\u00e7\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o florestal. Os t\u00e9cnicos dizem que est\u00e1 tudo feito&#8230;<\/p>\n<p><i>AE \u2013 S\u00f3 que o fruto do trabalho n\u00e3o aparece. JP \u2013<\/i> N\u00e3o h\u00e1 planifica\u00e7\u00e3o, defini\u00e7\u00e3o de zonas e explora\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Os pol\u00edticos esqueceram-se do Minho? JP \u2013<\/i> Durante muitas d\u00e9cadas sim. Neste momento, julgo que ainda n\u00e3o lhe est\u00e3o a dar aten\u00e7\u00e3o suficiente.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 E D. Jos\u00e9 Pedreira tem sido uma voz lutadora em prol deste povo? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Quando escrevo e falo toco sempre nesses pormenores. Outrora, existia tamb\u00e9m um factor altamente deficit\u00e1rio. S\u00f3 existia uma escola m\u00e9dia em Viana do Castelo. Como consequ\u00eancia, os censos de 1971 mostram que a percentagem das pessoas com curso superior terminado e a trabalhar em Viana do Castelo situava-se no 1,5%.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Actualmente, os n\u00fameros s\u00e3o superiores? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> O Censo de 2001 d\u00e1-nos 9%. Temos um Instituto Polit\u00e9cnico e v\u00e1rias escolas a leccionar \u00e1reas de n\u00edvel superior.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Quando esteve em Roma, na \u00faltima visita \u00abAd Limina\u00bb, levou estes dados a Bento XVI? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Enviei um relat\u00f3rio minucioso da diocese.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 O relat\u00f3rio de Viana talvez fosse o mais minucioso porque est\u00e1 muito atento \u00e0s estat\u00edsticas e n\u00fameros? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Isto \u00e9 um defeito de nascen\u00e7a.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Defeito? N\u00e3o ser\u00e1 uma qualidade? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Interpretar as estat\u00edsticas ajuda muito. Eu sou daqueles que acredita na Estat\u00edstica desde que esteja bem feita.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Antes da visita Pastoral tem muito trabalho de gabinete. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> \u00c9 verdade. Sei se a zona est\u00e1 a crescer ou decrescer na \u00e1rea demogr\u00e1fica. Sei se vou encontrar muitos ou poucos idosos. Sei do que vivem essas pessoas e do que se ocupam. O Evangelho tem de ser dirigido tendo em conta a mentalidade dos destinat\u00e1rios. O Evangelho \u00e9 o mesmo. As verdades s\u00e3o as mesmas. No entanto temos de as anunciar numa linguagem diferente conforme os destinat\u00e1rios. Tenho relat\u00f3rios muito minuciosos de cada par\u00f3quia.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Parece o professor a preparar as aulas. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Costumo dizer aos padres e leigos que \u00e9 uma deforma\u00e7\u00e3o profissional porque fui professor durante muitos anos. Por isso pergunto sempre: qual o vosso objectivo pastoral para os pr\u00f3ximos anos?<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Isso \u00e9 programar&#8230; <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Quem n\u00e3o sabe onde quer chegar&#8230; Costumo utilizar com frequ\u00eancia esta express\u00e3o: \u201cuma pessoa que n\u00e3o sabe onde quer chegar \u00e9 como um navio que est\u00e1 no mar e n\u00e3o sabe para que porto quer ir\u201d. \u00c9 fundamental programar os objectivos a atingir.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Faz isso nas cerca de trezentas par\u00f3quias? JP \u2013<\/i> J\u00e1 as visitei todas e j\u00e1 estou na segunda volta.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 \u00c9 um bispo pr\u00f3ximo das pessoas. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Tenho isso como uma obriga\u00e7\u00e3o minha.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Tem padres para as par\u00f3quias todas? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Nem todas as par\u00f3quias t\u00eam padre, nem precisam. Algumas par\u00f3quias s\u00e3o muito pequenas. N\u00f3s temos o clero que precisamos. At\u00e9 tenho algum clero a trabalhar fora. Este ano, se tudo correr bem, irei ordenar quatro ou cinco sacerdotes. A diocese tem o clero que precisa. No entanto, tenho que juntar, no mesmo sacerdote, duas, tr\u00eas e \u00e0s vezes quatro par\u00f3quias. \u00c9 aquilo que eu chamo \u00e1rea pastoral.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Apesar da diocese n\u00e3o ser muito grande existe uma grande dicotomia entre os v\u00e1rios arciprestados? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Em v\u00e1rios aspectos.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Melga\u00e7o \u00e9 muito diferente de Viana do Castelo? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Temos v\u00e1rias vertentes que s\u00e3o opostas. Populacionalmente, Viana do Castelo cresce e Melga\u00e7o diminui profundamente. Viana, Ponte de Lima, Caminha e, ultimamente, Vila Nova de Cerveira e Valen\u00e7a est\u00e3o com crescimento populacional. As outras est\u00e3o em decr\u00e9scimo.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Nesses arciprestados h\u00e1 diferen\u00e7as na forma de viver o Evangelho?<\/i><\/p>\n<p><i> JP \u2013<\/i> As zonas mais perif\u00e9ricas e mais envelhecidas s\u00e3o mais tradicionalistas. Uma f\u00e9 alicer\u00e7ada na religiosidade popular. Nos outros arciprestados j\u00e1 se fez uma caminhada para que a express\u00e3o religiosa seja acompanhada de um desenvolvimento intelectual e com uma vis\u00e3o alargada das ci\u00eancias.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Nessa prepara\u00e7\u00e3o das visitas pastorais escreve textos muito longos e minuciosos? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> N\u00e3o levo muitas p\u00e1ginas, mas levo os pontos fundamentais condensados: dados sociol\u00f3gicos civis, dados sociol\u00f3gicos religiosos (desde os bens que a par\u00f3quia tem at\u00e9 aos movimentos e obras) e depois a mensagem que o bispo quer transmitir.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 J\u00e1 se fez a inventaria\u00e7\u00e3o de todo o patrim\u00f3nio que a diocese possui? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> O patrim\u00f3nio material est\u00e1 quase todo registado. Na arte religiosa m\u00f3vel, s\u00f3 conseguimos fazer \u2013 de forma muito completa \u2013 em dois arciprestados: Arcos de Valdevez e Viana do Castelo.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Esta inventaria\u00e7\u00e3o \u00e9 fulcral&#8230; <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> J\u00e1 public\u00e1mos dois volumes, mas esperamos que o Estado nos diga quais s\u00e3o as linhas futuras.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Como define a sua diocese? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> No seu todo, \u00e9 uma diocese de gente crente. No Referendo ao Aborto, ela votou \u00abn\u00e3o\u00bb com sessenta e tal por cento. \u00c9 diferente das zonas do sul. No geral \u00e9 uma diocese praticante, actualmente anda pelos quarenta e tal por cento. No entanto, a escolariza\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia. Estamos na segunda gera\u00e7\u00e3o depois da muta\u00e7\u00e3o que se fez da lavoura para a profissionaliza\u00e7\u00e3o de empregos e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Natureza e ecologia<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Excluindo as visitas pastorais, costuma passear pelo verde Minho? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Preciso de respirar este ar porque \u00e9 muito leve. H\u00e1 muita vegeta\u00e7\u00e3o e a polui\u00e7\u00e3o \u00e9 escassa. Sempre que posso dou os meus passeios.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Olha para a natureza de forma contemplativa? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> N\u00e3o me considero uma pessoa naturalmente contemplativa, no sentido de abstrair da racionalidade. No entanto gosto imenso de observar a natureza.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Fica estupefacto a observar o qu\u00ea? JP \u2013<\/i> O mar, o rio, uma floresta. Quando estava no Col\u00e9gio do Minho ia para a barra ver as ondas. Nesta observa\u00e7\u00e3o, o contemplativo tinha logo por detr\u00e1s o racional. Queria saber os porqu\u00eas das ondas enormes e os porqu\u00eas das ondas suaves.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Sendo natural do Minho, terras com muitas romarias, tamb\u00e9m ia \u00e0s festas populares? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim. Com os meus irm\u00e3os e os meus pais. No entanto, nunca fui menino de coro porque s\u00f3 pensei ir para o Semin\u00e1rio ap\u00f3s os doze anos.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 A sua fam\u00edlia era praticante? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim. Ia com eles e tamb\u00e9m com outros jovens participar nas festas. Cheg\u00e1vamos a ir \u00e0s festas a Espanha.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 A Galiza est\u00e1 pr\u00f3xima. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Pass\u00e1vamos o Rio Minho a p\u00e9, por umas zonas com um declive maior.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 E nunca atravessou o Rio Minho a nadar? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Sim. Coloc\u00e1vamos a roupa \u00e0 cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Epis\u00f3dios para recordar. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Coisas do antigamente.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Tamb\u00e9m ajudava os seus pais nos afazeres dom\u00e9sticos? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Na agricultura sei fazer praticamente tudo, menos podar. Actualmente, ainda dou as orienta\u00e7\u00f5es fundamentais na quinta da diocese que est\u00e1 ligada \u00e0 casa episcopal.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 \u00c9 natural ver o bispo de Viana a trabalhar na quinta? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Fa\u00e7o isso com a maior simplicidade.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 O que gosta mais de fazer na quinta? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Gosto de muito de acompanhar o germinar e o primeiro crescimento das culturas. D\u00e1-me um gosto muito particular.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Ver nascer os feij\u00f5es, as batatas e o milho. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Isso mesmo. Parece que cres\u00e7o com elas. Eu conhe\u00e7o as regras e o tempo das culturas.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Por outro lado, o sabor das refei\u00e7\u00f5es tem outro paladar com os produtos agr\u00edcolas vindos da quinta. <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> A quinta alimenta a casa. Eu n\u00e3o permito que sejam colocados adubos nos produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Futuro<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Ainda se sente um bispo jovem com os jovens? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Creio que tenho uma rela\u00e7\u00e3o normal e comum com os jovens. Nesse aspecto, a Psicologia ajudou-me muito.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Est\u00e1 preocupado com a aus\u00eancia de valores nesta camada populacional? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Esta falta de valores \u00e9 um problema cultural. Um problema da cultura em decad\u00eancia. Na escola, os objectivos fundamentais n\u00e3o est\u00e3o centrados nos valores, mas no \u00eaxito e na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Uma das apostas para a sua diocese \u00e9 a Pastoral Familiar? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> \u00c9 o objectivo priorit\u00e1rio para a pastoral deste ano.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 E em rela\u00e7\u00e3o ao futuro o que falta fazer na diocese? <\/i><\/p>\n<p><i>JP \u2013<\/i> Eu programo a curto prazo. Os meus 73 anos recomendam que n\u00e3o fa\u00e7a grandes programa\u00e7\u00f5es al\u00e9m daquilo que espero vir a fazer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Bispo que gosta de matem\u00e1tica, de trabalhar na quinta e de estar pr\u00f3ximo das pessoas: D. Jos\u00e9 Pedreira e um olhar sobre o quarto de s\u00e9culo passado desde a ordena\u00e7\u00e3o episcopal, a 19 de Mar\u00e7o de 1983, em Viana do Castelo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,120,168,172,182,187,193,206,246,285,292],"class_list":["post-30595","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-familia","tag-liturgia","tag-patrimonio","tag-religiosidade-popular"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30595"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30595\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}