{"id":30550,"date":"2008-03-08T12:13:36","date_gmt":"2008-03-08T12:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/08\/assinalar-a-igualdade-e-a-complementaridade\/"},"modified":"2008-03-08T12:13:36","modified_gmt":"2008-03-08T12:13:36","slug":"assinalar-a-igualdade-e-a-complementaridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/assinalar-a-igualdade-e-a-complementaridade\/","title":{"rendered":"Assinalar a igualdade e a complementaridade"},"content":{"rendered":"<p>Maria Teresa Ribeiro considera que h\u00e1 ainda caminho a percorrer para eliminar o que se op\u00f5e \u00e0 dignidade da mulher <!--more--> Assinala-se este S\u00e1bado, internacionalmente, o Dia da Mulher. Dia em que a sociedade clama a igualdade entre g\u00e9neros e pede o reconhecimentos de direitos. Poder\u00e1 o imperativo da igualdade entre os g\u00e9neros masculino e feminino conduzir a um empobrecimento grande da condi\u00e7\u00e3o da mulher?  Maria Teresa Ribeiro, Docente de Psicologia na Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Lisboa e colaboradora do Instituto de Ci\u00eancias da Fam\u00edlia da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, considera que sim.  Esta mulher, professora, considera que o \u201cchamamento para a igualdade dos g\u00e9neros tem o grande risco de anular as diferen\u00e7as\u201d. O caminho n\u00e3o pode ser feito atrav\u00e9s do \u201cextremar diferen\u00e7as pois o risco \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o entre os g\u00e9neros seja demasiado pautada pela rivalidade e luta pelo poder\u201d.  No entender da docente faz todo o sentido o respeito pela especificidade de cada um, \u201cpercebendo a complementaridade e reciprocidade entre homem e mulher\u201d.  Recentemente, Maria Teresa Ribeiro esteve no Vaticano a representar a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa num Congresso que propunha celebrar os 20 anos da Carta Apost\u00f3lica <i>Mulieris dignitatem<\/i>. O tema deste encontro foi \u201cMulher e Homem \u2013 o humano na sua inteireza\u201d.  \u201cClaramente se pretendia  acentuar o respeito pela diferen\u00e7a\u201d, mas percebendo que \u201ctodos temos a ganhar com a complementaridade\u201d.  Maria Teresa Ribeiro lembra que a origem da cria\u00e7\u00e3o une homem e mulher. \u201cDo ponto de vista ontol\u00f3gico h\u00e1 uma igualdade\u201d, mas somos diferentes \u201cgeneticamente e biologicamente\u201d, o que traduz numa diversidade em tra\u00e7os psicol\u00f3gicos e em comportamentos, \u201cque n\u00e3o s\u00e3o melhores ou piores comparativamente, mas complementares\u201d.  O que est\u00e1 em causa \u201c\u00e9 a unidade entre os dois, pois h\u00e1 um chamamento \u00e0 comunh\u00e3o\u201d.   <b>Iguais ou inferiores<\/b> Algumas ideologias dominantes na sociedade \u201cest\u00e3o interessadas em ofuscar a distin\u00e7\u00e3o entre homem e mulher\u201d, afirma a docente de psicologia.  Numa luta pela igualdade, onde se inserem tamb\u00e9m comportamentos machistas, grande parte da luta pela dignidade da pessoa \u201cacaba na defini\u00e7\u00e3o da identidade da mulher e na identidade do homem\u201d.   Ao pretender eliminar as diferen\u00e7as sexuais que est\u00e3o de facto inscritas na natureza humana, considerando-as unicamente culturais, \u201cn\u00e3o se luta pela igualdade, chegando mesmo a promover a inferioridade das mulheres e homens\u201d.  Maria Teresa Ribeiro considera que h\u00e1 ainda muitos aspectos a percorrer, pois h\u00e1 muitos \u00e1reas que se op\u00f5em \u00e0 dignidade da mulher.   \u201cH\u00e1 uma mentalidade machista que ignora a novidade trazida pelo cristianismo que clama a igualdade, dignidade e responsabilidade\u201d, mas n\u00e3o se pode esquecer que em muitas culturas a mulher vive descriminada.  Actos de viol\u00eancia contra a mulher e a forma como o g\u00e9nero feminino \u00e9 tratado na publicidade e na ind\u00fastria do consumo s\u00e3o exemplos que persistem em sociedades tanto orientais como ocidentais.  Sobre o papel da mulher dentro da Igreja, Maria Teresa Ribeiro lembra que \u201ctudo est\u00e1 aberto \u00e0s mulheres nos dias de hoje\u201d. Esta \u00e9 uma novidade do nosso tempo, porque deriva de uma luta, no entanto \u201cas mulheres t\u00eam talentos que n\u00e3o est\u00e3o a ser usados\u201d.  A participante no Congresso no Vaticano recorda uma fase usada no plen\u00e1rio que indicava \u201c\u00e0s mulheres, n\u00f3s humanos devemos tudo\u201d.   \u201cPerceber isto, tem de ter implica\u00e7\u00f5es na forma como a mulher \u00e9 acolhida e entendida na Igreja\u201d.  Maria Teresa Ribeiro enfatiza o apelo \u00e0s mulheres para se colocarem ao servi\u00e7o da fam\u00edlia, do apostolado no mundo, no mundo do trabalho, da cultura, da sociedade e da pol\u00edtica, numa perspectiva designada por Jo\u00e3o Paulo II de \u00abg\u00e9nio feminino\u00bb. As capacidades intelectuais e a capacidade de \u201cconciliar raz\u00e3o e sentimento\u201d, \u00e9 \u201ca novidade feminina, que procura perceber o que muitas vezes \u00e9 invis\u00edvel\u201d.   Ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, a mulher tem desempenhado um papel importante como educadora.   \u201cEste aspecto \u00e9 de continuar a salientar, tanto na fam\u00edlia, como nas escolas e universidades, em institui\u00e7\u00f5es assist\u00eanciais, nas par\u00f3quias, em movimentos ligados \u00e0 Igreja, em hospitais\u201d, exemplifica, lembrando que \u201ctudo isto est\u00e1 ao alcance de todas as mulheres\u201d e que estas fun\u00e7\u00f5es \u201cs\u00e3o efectivadas todos os dias, nas tarefas mais simples\u201d.   Para al\u00e9m do aspecto da mulher educadora, h\u00e1 tamb\u00e9m a dimens\u00e3o religiosa, \u201cnuma forma muito espec\u00edfica de transmitir a f\u00e9\u201d, reveladora de uma sensibilidade para o transcendente.  O Congresso no Vaticano foi fundamental para \u201capelar e despertar consci\u00eancias para o papel que as mulheres podem ter para a edifica\u00e7\u00e3o das estruturas econ\u00f3micas e pol\u00edticas mas que sejam mais ricas de humanidade\u201d, salienta a docente.   \u201cH\u00e1 muitas mulheres capazes de defender o primado do ser em rela\u00e7\u00e3o ao fazer\u201d.  Maria Teresa Ribeiro salienta que n\u00e3o houve eco para que tanto homens como mulheres desempenhem o mesmo papel dentro da Igreja.   \u201cN\u00e3o por fechamento, mas porque se compreende que s\u00e3o papeis diferentes, que isto n\u00e3o significa ser inferior, mas que ambos t\u00eam miss\u00f5es espec\u00edficas\u201d. \u201cN\u00e3o se trata de uma rivalidade\u201d. Por isso a docente aponta que o papel da mulher n\u00e3o passa por exercer o sacerd\u00f3cio, mas por muitas outras coisas importantes.  <b>A mulher na fam\u00edlia<\/b> A maternidade e a fam\u00edlia s\u00e3o grandes desafios para a mulher. Maria Teresa Ribeiro considera que \u201cn\u00e3o est\u00e3o a ser protegidas e valorizadas pela sociedade e pelas pol\u00edticas\u201d.  A maternidade e a fam\u00edlia \u201cs\u00e3o d\u00e1divas, mas \u00e9 tamb\u00e9m um servi\u00e7o prestado \u00e0 comunidade\u201d. A mulher pode ter um papel fundamental na \u201crevaloriza\u00e7\u00e3o do casamento, da fam\u00edlia e da maternidade\u201d.  H\u00e1 conquistas not\u00e1veis, mas \u201cconstatamos mulheres exaustas que querem acumular todos os pap\u00e9is\u201d, indica.   A maioria das mulheres trabalha e quer ter uma fam\u00edlia, tentando conciliar tudo. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se \u201chouver da parte dos homens uma compreens\u00e3o do seu papel fundamental, na descoberta do que \u00e9 a paternidade\u201d.   \u201cAs mulheres ser\u00e3o melhores m\u00e3es se eles forem melhores pais tamb\u00e9m. Se forem presentes e n\u00e3o colocarem o trabalho acima da fam\u00edlia\u201d.   Maria Teresa Ribeiro indica que grande parte dos problemas sociais que existem hoje em todo o mundo, est\u00e3o relacionados com estruturas familiares que se v\u00e3o desfazendo, por isso \u201cn\u00e3o basta reconhecer, esta reflex\u00e3o tem de passar por actos, que implica a partilha de tarefas, de responsabilidades na educa\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia\u201d.  Maria Teresa Ribeiro indica que o Dia Internacional da Mulher deve servir, para al\u00e9m de despertar consci\u00eancias e chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de mudan\u00e7as, para \u201ctransmitir uma mensagem positiva\u201d.  \u201c\u00c9 poss\u00edvel ser mulher e homem de acordo com os des\u00edgnios de Deus, respeitando a especificidade de cada um, e este projecto gera fam\u00edlias felizes\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Teresa Ribeiro considera que h\u00e1 ainda caminho a percorrer para eliminar o que se op\u00f5e \u00e0 dignidade da mulher<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[147,193,206,221,237,261],"class_list":["post-30550","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-educacao","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-joao-paulo-ii","tag-missoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30550\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}