{"id":305481,"date":"2023-11-27T14:45:07","date_gmt":"2023-11-27T14:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=305481"},"modified":"2023-11-27T15:07:42","modified_gmt":"2023-11-27T15:07:42","slug":"lusofonias-a-sombra-da-senhora-de-anglona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-a-sombra-da-senhora-de-anglona\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS  \u00c0 sombra da Senhora de Anglona"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Anglona \u2013 Tursi.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-305482 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Lusofonias-Anglona-Tursi-30-11-2023-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Lusofonias-Anglona-Tursi-30-11-2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Lusofonias-Anglona-Tursi-30-11-2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Lusofonias-Anglona-Tursi-30-11-2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Lusofonias-Anglona-Tursi-30-11-2023-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Lusofonias-Anglona-Tursi-30-11-2023.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Era quinta-feira e Roma tinha sol. Cheguei de Metro \u00e0 Tiburtina, uma daquelas esta\u00e7\u00f5es que junta comboio, metro e terminal de autocarros. O meu guia era a Irm\u00e3 Ana Cambongo, angolana, das Filhas d\u2019\u00c1frica. E a raz\u00e3o era \u00f3bvia: ela pertence \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o que assumiu a anima\u00e7\u00e3o e a guarda do Santu\u00e1rio de Maria, Rainha de Anglona, em Tursi, junto ao Mar J\u00f3nio. Por isso, conhecia bem os transportes a utilizar e onde ficam as paragens. A Irm\u00e3 Ana ficou no quentinho de Roma e eu rumei ao sul, numa viagem de autocarro de mais de seis horas.<\/p>\n<p>O caminho \u2013 enquanto foi dia \u2013 mostrou-me o que a It\u00e1lia mais tem de cativante: as velhas povoa\u00e7\u00f5es encrostadas nos cocurutos das colinas e os vales verdejantes, mesmo num ano em que a chuva falhou muito. De quando em vez, l\u00e1 ouvia uma buzinadela do motorista, a admoestar algum condutor menos rigoroso no cumprimento do c\u00f3digo de estrada. Tirando isso, tro\u00e7os de estrada em obras e a chuva que chegou logo na segunda hora de viagem, tudo correu como previsto. L\u00e1 no meio do nada, na Paragem de Bivio Tursi, me esperavam duas das tr\u00eas Irm\u00e3s do Santu\u00e1rio. No meio daquela escurid\u00e3o, foi bom vislumbrar rostos conhecidos e alegres, at\u00e9 porque fui o \u00fanico viajante a sair ali e n\u00e3o havia vivalma nas imedia\u00e7\u00f5es, tanto quanto se visse!<\/p>\n<p>Quinze minutos de curvas e contra-curvas deram para perceber, mesmo numa noite escura, que o Santu\u00e1rio estava num pico de colina. Quando l\u00e1 chegamos e paramos, come\u00e7ou a festa da recep\u00e7\u00e3o, momentos em que os angolanos s\u00e3o imbat\u00edveis, pois acolhem sempre ao ritmo do batuque, com c\u00e2nticos e dan\u00e7as. Ali vivem e trabalham as Irm\u00e3s Laurinda, Ester e Teresa. Como j\u00e1 era tarde, jantamos, rezamos e fomos descansar.<\/p>\n<p>A sexta-feira acordou com sol e, depois da missa, tive direito a visita guiada \u00e0 Bas\u00edlica medieval do Santu\u00e1rio e aos espa\u00e7os envolventes, cheios de oliveiras, figueiras e pinheiros. Este pico de colina tem muita hist\u00f3ria gravada nas pedras da Igreja e parque, pois o in\u00edcio atira-se para o s\u00e9c. XI. Seria um espa\u00e7o abandonado, mas recuperado por uma fam\u00edlia em 1914, estando, desde a\u00ed, a funcionar como centro de peregrina\u00e7\u00e3o, com Maria, a Rainha de Anglona como titular e padroeira. As povoa\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas s\u00e3o Tursi (a cuja diocese pertence), a 10 kms e Policoro, situada junto ao Mar J\u00f3nio, a 14km.<\/p>\n<p>A tarde soalheira levou-nos at\u00e9 ao Mar J\u00f3nio. Numa das praias de Policoro, experimentamos a frescura do vento e percebemos a for\u00e7a das ondas deste mar interior que separa a It\u00e1lia da Cro\u00e1cia, da Alb\u00e2nia e da Gr\u00e9cia. Ap\u00f3s passeio pelas areias, visitamos o centro da povoa\u00e7\u00e3o, parando na Igreja do Buono Pastore, l\u00e1 onde as Irm\u00e3s seguem um curso de italiano, oferecido por uma institui\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e, neste ano, frequentado por cerca de uma quarentena de migrantes.<\/p>\n<p>A Ora\u00e7\u00e3o da Tarde, apesar do frio, foi feita na Bas\u00edlica do Santu\u00e1rio. Com o frio que faz, o povo quase n\u00e3o aparece. Mas hoje, s\u00f3 para contrariar as estat\u00edsticas, foi manh\u00e3 de casa cheia, pois uma escola da regi\u00e3o trouxe as crian\u00e7as ao Santu\u00e1rio, enchendo-o de vida e festa. E, \u00e0 tarde, esteve uma equipa a colher azeitonas, no adro da Igreja, onde h\u00e1 dezenas de oliveiras carregadinhas, bem como no resto do largo terreno do santu\u00e1rio.<\/p>\n<p>As tr\u00eas Irm\u00e3s Filhas d\u2019\u00c1frica chegaram aqui h\u00e1 um ano, vindas do Huambo. Cuidam do Santu\u00e1rio e acolhem os peregrinos. Contaram-me que, em Maio, a imagem da Padroeira \u00e9 levada, em Prociss\u00e3o, do Santu\u00e1rio at\u00e9 \u00e0 Catedral de Tursi e por l\u00e1 fica um m\u00eas, regressando novamente em Prociss\u00e3o. Mas \u2013 segundo partilham as Irm\u00e3s \u2013 o momento alto da vida do Santu\u00e1rio \u00e9 a festa patronal a 8 de setembro. Desde Agosto que milhares de pessoas se v\u00e3o dirigindo ali para honrar a Padroeira e lhe tocar no manto. A aflu\u00eancia enorme de peregrinos prolonga-se por todo o m\u00eas de setembro. Depois, chegam as chuvas e o frio e o povo n\u00e3o aparece mais at\u00e9 vir a primavera, &#8211; exce\u00e7\u00e3o feita nos domingos &#8211; ficando as Irm\u00e3s muito isoladas, mas felizes pela miss\u00e3o a cumprir e sempre criativas nos muitos afazeres que um santu\u00e1rio obriga.<\/p>\n<p>Domingo, Cristo-Rei, foi dia mais concorrido porque a Eucaristia, presidida pelo Reitor do Santu\u00e1rio, o Vig\u00e1rio-Geral da Diocese, incluiu a celebra\u00e7\u00e3o de um batismo. Regressei nessa tarde a Roma e, pelo caminho, fui olhando e vendo a quantidade de torres de Igrejas que povoam aldeias, vilas e cidades, sinais de uma f\u00e9 que levava as popula\u00e7\u00f5es a construir pontes entre Deus e os humanos.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Anglona \u2013 Tursi.<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - \u00c0 sombra da Senhora de Anglona\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/3E6n4m656XqPe9qRjqL6vG?si=gGJYnEh_TsCx317BTtnXZQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Anglona \u2013 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