{"id":30486,"date":"2008-03-06T10:03:00","date_gmt":"2008-03-06T10:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/06\/uma-vida-escondida\/"},"modified":"2008-03-06T10:03:00","modified_gmt":"2008-03-06T10:03:00","slug":"uma-vida-escondida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-vida-escondida\/","title":{"rendered":"Uma vida escondida"},"content":{"rendered":"<p>Na Jornada <i>pro orantibus<\/i>, um olhar sobre a clausura das Carmelitas, aparentemente longe do mundo, mas perto das pessoas <!--more--> Um sil&ecirc;ncio que n&atilde;o se aprecia, mas &eacute; provocador. Uma alegria que desconcerta. Uma luminosidade que entra pelas janelas do Carmelo de F&aacute;tima e que surpreende na espontaneidade dos gestos, dos sorrisos, do acolhimento. Uma certeza que se ganha e que surge como uma gra&ccedil;a. Diz a Superiora do Carmelo de F&aacute;tima, a Irm&atilde; Cristina Maria que esta &ldquo;&eacute; uma vida que s&oacute; se compreende &agrave; luz da f&eacute;&rdquo;. <br \/>Ser&aacute; o Carmelo de F&aacute;tima um convento para o s&eacute;culo XXI? As Carmelitas descal&ccedil;as s&atilde;o seguramente pessoas do S&eacute;culo XXI. O tempo passa e tr&aacute;s coisas novas. Mas &eacute; esse mesmo tempo que d&aacute; tamb&eacute;m a resposta da voca&ccedil;&atilde;o e constr&oacute;i a fam&iacute;lia dentro do convento. <br \/>Carmelo significa &quot;jardim&quot;. Conta a tradi&ccedil;&atilde;o que o profeta Elias se estabeleceu numa gruta, no Monte Carmelo, seguindo uma vida erem&iacute;tica de ora&ccedil;&atilde;o e sil&ecirc;ncio. <br \/>O sil&ecirc;ncio e a ora&ccedil;&atilde;o humanas s&atilde;o iguais, mas encontram caminhos actuais. <br \/>O carisma de Santa Teresa de Jesus, reformadora das Carmelitas descal&ccedil;as, est&aacute; vivo na Igreja, tal como esteve no s&eacute;culo XVI, altura que ela viveu. &ldquo;Mas tem que ter tradu&ccedil;&otilde;es e formas de se manifestar diferentes porque, obviamente, vivemos numa cultura diferente&rdquo;, explica &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA a Irm&atilde; Cristina Maria. <br \/>Porque a vida se renova, n&atilde;o se pode pedir a uma pessoa que viva nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es do S&eacute;culo XVI, mesmo sendo em clausura. <br \/>Mas o poss&iacute;vel conforto &ldquo;n&atilde;o retira em nada &agrave; vida de uma carmelita porque &laquo;os verdadeiros adoradores h&atilde;o-de adorar o Pai em esp&iacute;rito e em verdade&raquo;&rdquo;, recorda a Superiora. <br \/>&ldquo;&Eacute; este o culto que o Pai deseja e &eacute; este o caminho que n&oacute;s levamos na adapta&ccedil;&atilde;o aos novos tempos. O importante &eacute; que o nosso cora&ccedil;&atilde;o seja s&oacute; dele. E procuremos que a nossa vida seja toda para Ele e para os irm&atilde;os&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>O estar longe e pr&oacute;ximo<\/strong> <br \/>A vida de uma Carmelita &eacute;, tal como era no tempo da Santa Teresa, uma vida escondida, de clausura que n&atilde;o tem visibilidade. <br \/>&ldquo;As pessoas n&atilde;o sabem o que estamos aqui a fazer porque n&atilde;o v&ecirc;em nada de concreto&rdquo;. Da ora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se faz eco. Mas &eacute; a ora&ccedil;&atilde;o que ecoa nas paredes do Carmelo. <br \/>&ldquo;Fazemos muita psicoterapia &agrave;s pessoas&rdquo;. Ao Carmelo dirigem-se pessoas atrav&eacute;s de carta ou email, pessoas que pedem ora&ccedil;&otilde;es que chegam do mundo inteiro, uma comunica&ccedil;&atilde;o facilitada atrav&eacute;s da Internet, a que as irm&atilde;s procuram responder &ldquo;fazendo chegar uma palavra de conforto&rdquo;. <br \/>&ldquo;&Eacute; muito bom quando podemos dar testemunho do que se vive dentro do Carmelo&rdquo;, aponta a Irm&atilde; Cristina Maria. Os escritos n&atilde;o se esgotam no testemunho vivo que, em especial os jovens, portugueses e estrangeiros, procuram. <br \/>H&aacute; muitos que se dirigem ao luct&oacute;rio e por isso mesmo no novo Carmelo de F&aacute;tima, as irm&atilde;s decidiram fazer um luct&oacute;rio grande. <br \/>&ldquo;Normalmente as pessoas querem saber o que &eacute; o Carmelo. Nessa altura &laquo;espraiamo-nos&raquo; &agrave; vontade e damos testemunho da nossa vida&rdquo;, recorda a Superiora, sem esquecer que &ldquo;a nossa miss&atilde;o &eacute; para ser vivida&rdquo;. <br \/>A vida do Carmelo n&atilde;o &eacute; para ser expl&iacute;cita. &ldquo;Entramos para o Carmelo mais para ser do que para dizer o que aqui se faz&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Um mundo pequeno<\/strong> <br \/>Vive-se e morre-se no Carmelo. S&oacute; se vai para o hospital em situa&ccedil;&atilde;o extrema. Por isso, a parte superior do Carmelo, em F&aacute;tima, est&aacute; preparada para tratar das irm&atilde;s que est&atilde;o doentes. <br \/>Nas imedia&ccedil;&otilde;es do convento est&aacute; o cemit&eacute;rio onde est&atilde;o sepultadas as irm&atilde;s que moraram nas antigas instala&ccedil;&otilde;es e onde, ser&atilde;o sepultadas as irm&atilde;s que agora habitam o novo Carmelo. <br \/>As 20 irm&atilde;s que ali vivem, com idades entre os 23 e os 83 anos, s&atilde;o todas muito diferentes, em culturas, em educa&ccedil;&atilde;o, em temperamento tamb&eacute;m. <br \/>&ldquo;Cada uma veio de seu lado&rdquo;, apesar de presentemente, se encontrarem no Carmelo muitas irm&atilde;s naturais de Lisboa. <br \/>&ldquo;Conhecemo-nos muito bem, ajudamo-nos muito umas &agrave;s outras&rdquo;. Nem por isso &eacute; f&aacute;cil, tal como no conceito comum de fam&iacute;lia. <br \/>Mas a Irm&atilde; Cristina explica que &ldquo;a nossa ora&ccedil;&atilde;o &eacute; efectiva e eficaz na medida em que uma comunidade de carmelitas for uma comunidade de amor&rdquo;. Por isso, nunca excedem as 21 religiosas no convento, &ldquo;para que sejamos uma comunidade familiar&rdquo;. <br \/>Tamb&eacute;m neste processo se vive a entrega, do passar por cima, de quebrar fronteiras e barreiras psicol&oacute;gicas que cada uma possa ter. &ldquo;Tudo isto acaba por tornar a comunidade terap&ecirc;utica mas tamb&eacute;m fecunda na nossa ora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, pois, explica a Superiora, &ldquo;a nossa ora&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; verdadeira se eu amar a minha irm&atilde; que est&aacute; aqui perto de mim&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Entrar no Carmelo<\/strong> <br \/>A faixa et&aacute;ria das irm&atilde;s no Carmelo mostra que a viv&ecirc;ncia &eacute; alegre e cativa as gera&ccedil;&otilde;es mais novas. Neste momento, a comunidade conta com uma postulante, que assim se identifica orgulhosamente. <br \/>&ldquo;Claro que se se encontra um testemunho de vida alegre e a pessoa tem de facto essa voca&ccedil;&atilde;o, ela desabrocha mais facilmente, porque provavelmente percebe um eco dentro de si como algo verdadeiro&rdquo;, explica a Irm&atilde; Cristina. <br \/>Mas s&oacute; se entra para o Carmelo &ldquo;quando h&aacute; voca&ccedil;&atilde;o&rdquo;. <br \/>As pessoas percebem que &eacute; uma vida que tem um &ldquo;esquema muito particular&rdquo; e uma voca&ccedil;&atilde;o ao Carmelo, &ldquo;nunca &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o que se abrace de &acirc;nimo leve&rdquo;. Uma candidata que mostre desejo de entrar no Carmelo, &ldquo;nunca entra a correr&rdquo;. H&aacute; tempos de prova. <br \/>&ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel sequer aguentar uma pessoa no Carmelo, que entra aqui por raz&otilde;es de desgosto ou insatisfa&ccedil;&atilde;o com o mundo. A certa altura n&atilde;o aguenta e facilmente perde a for&ccedil;a para continuar&rdquo;. <br \/>O processo de discernimento &eacute; acompanhado sempre por um sacerdote, ao mesmo tempo que a candidata mant&eacute;m contacto com a irm&atilde;s. &ldquo;Este interc&acirc;mbio ajuda a tomar consci&ecirc;ncia e a amadurecer a sua decis&atilde;o&rdquo;. <br \/>Se depois deste processo, a decis&atilde;o de entrar no Carmelo continua, a candidata faz ent&atilde;o uma experi&ecirc;ncia junto das irm&atilde;s. <br \/>&ldquo;Gostamos que elas fa&ccedil;am uma experi&ecirc;ncia de um m&ecirc;s&rdquo;. Uma oportunidade para ver a vida carmelita e perceber como se sentem. No final, saem das paredes do Carmelo, para um novo per&iacute;odo de reflex&atilde;o e discernimento. Se ainda acharem que querem entrar, ent&atilde;o entram. <br \/>Mas &eacute; tudo um processo lento e gradual, que demora o seu tempo. &ldquo;Ningu&eacute;m pode tomar uma decis&atilde;o destas de repente&rdquo;, frisa a Irm&atilde; Cristina. <br \/>Quando entra, f&aacute;-lo como postulante &#8211; uma fase que dura entre seis meses a um ano e meio. &ldquo;Sem h&aacute;bito, acaba por ser uma leiga, mas que vive dentro da clausura&rdquo;. No final desse per&iacute;odo, toma a decis&atilde;o, ou n&atilde;o, de vestir o h&aacute;bito e torna-se novi&ccedil;a. <br \/>Depois de dois anos com o h&aacute;bito e com o v&eacute;u branco &#8211; anos de noviciado &ndash; a candidata faz a primeira profiss&atilde;o, tempor&aacute;ria, renovada ao final de um ano, por um per&iacute;odo m&aacute;ximo de tr&ecirc;s anos. Chegado ao final dos tr&ecirc;s anos, a novi&ccedil;a faz a profiss&atilde;o solene, onde adquire o v&eacute;u preto. <br \/>Este processo equivale a seis anos de profiss&atilde;o, onde se pretende que a candidata reflicta na sua voca&ccedil;&atilde;o, onde a comunidade a conhece e onde se percebe se de facto &ldquo;&eacute; ou n&atilde;o &eacute;&rdquo;. <br \/>Esta &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se abra&ccedil;a de &acirc;nimo leve, pois as exig&ecirc;ncias, at&eacute; a n&iacute;vel familiar, s&atilde;o marcantes. A Superiora explica que &ldquo;a fam&iacute;lia n&atilde;o nos pode ter junto dela sempre&rdquo;, apesar das visitas que fazem e do vis&iacute;vel carinho. <br \/>Prestes a fazer 19 anos de entrada no Carmelo, a Irm&atilde; Cristina recorda a sua op&ccedil;&atilde;o. <br \/>Inicialmente &ldquo;quando fui chamada, n&atilde;o achei gra&ccedil;a nenhuma &agrave; ideia de vir para o Carmelo&rdquo;. Na altura, a Irm&atilde; Cristina Maria desconhecia, inclusivamente, o que era o Carmelo. <br \/>Cristina Maria leu Isabel da Trindade, uma monja carmelita francesa, e &ldquo;gostei muito&rdquo;. Foi quando percebeu que &ldquo;alguma coisa fazia demasiado eco dentro de mim&rdquo;, porque, conta, &ldquo;toda a vida pensei casar e n&atilde;o teria grandes problemas com isso&rdquo;. <br \/>O chamamento foi forte, ao ponto de dizer que &ldquo;s&oacute; quando entrei no Carmelo &eacute; que sosseguei&rdquo;. <br \/>&ldquo;Estou aqui n&atilde;o pela minha for&ccedil;a ou perseveran&ccedil;a, mas porque Deus me concede essa gra&ccedil;a&rdquo; e adianta que &ldquo;no dia em que Ele me tirasse essa gra&ccedil;a eu n&atilde;o seria capaz de aqui continuar&rdquo;. <br \/>A forma como hoje v&ecirc; o Carmelo &eacute; completamente diferente de quando entrou. No in&iacute;cio, recorda, tinha muito vincada a ideia de &ldquo;eu e Deus&rdquo;. <br \/>&ldquo;Vim para aqui para o amar a Ele, sem d&uacute;vida&rdquo;. Mas a pouco e pouco &ldquo;o cora&ccedil;&atilde;o, porque facilmente a cabe&ccedil;a compreende isto, vai compreendendo mais profundamente a import&acirc;ncia, pois n&atilde;o vale a pena amar a Deus se n&atilde;o amamos os irm&atilde;os&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Alegria vivida<\/strong> <br \/>Nos dias circundantes &agrave; inaugura&ccedil;&atilde;o do novo Carmelo de F&aacute;tima, sendo tamb&eacute;m uma ocasi&atilde;o especial, a alegria que as irm&atilde;s sentem &eacute; redobrada. Mas este &eacute; apenas um sinal exterior do que se vive e sente por viver no Carmelo. <br \/>O acolhimento e a entrega que as irm&atilde;s sentem e demonstram por todas as pessoas que as visitam transborda. <br \/>&ldquo;Quem procura relacionar-se com Deus tem que saber relacionar-se com os homens, o que n&atilde;o quer dizer que n&oacute;s saibamos faz&ecirc;-lo, mas tentamos&rdquo;. <br \/>A Superiora atribui a alegria do acolhimento &agrave; ternura que sentem. &ldquo;Temos muitas pessoas nossas amigas e talvez seja uma forma de nos fazermos pr&oacute;ximas delas, j&aacute; que tantas vezes n&atilde;o temos ocasi&atilde;o para o mostrar&rdquo;. Mas o que brota para fora &eacute; o que se vive dentro. &ldquo;H&aacute; uma empatia m&uacute;tua que se cria assente na f&eacute; das pessoas&rdquo;. <br \/>Uma senhora na inaugura&ccedil;&atilde;o da Capela dedicada aos Pastorinhos de F&aacute;tima dirigiu-se &agrave; Irm&atilde; Cristina para manifestar a sua alegria por participar na cerim&oacute;nia e por poder visitar as instala&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Mas frisou que o que tinha gostado mais tinha sido do acolhimento das irm&atilde;s&rdquo;. <br \/>A Irm&atilde; Cristina Maria d&aacute; conta de um &ldquo;mundo t&atilde;o frio que as pessoas necessitam de um sorriso, de uma palavra, de um acolhimento, que &eacute; o que menos t&ecirc;m&rdquo;. <br \/>Mesmo do lado de dentro do Carmelo, a Superiora nota que &ldquo;as pessoas passam a vida a correr de um lado para outro, e acabam por se tratar superficialmente. Por isso, quando se encontra um cora&ccedil;&atilde;o que acolhe, a pessoa sente-se bem&rdquo;. <br \/>&ldquo;O acolhimento &eacute; dos valores que actualmente as pessoas mais precisam e mais desejam&rdquo;, enfatiza. O Carmelo &eacute; tamb&eacute;m chamado a dar visibilidade &ldquo;desse acolhimento e amizade, do abrir os bra&ccedil;os &agrave;s pessoas e sab&ecirc;-las amar&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Vida, dia a dia<\/strong> <br \/>As carmelitas iniciam o seu dia &agrave;s 5h45. Meia hora depois encontram-se para rezar Laudes e depois, segue-se uma hora de ora&ccedil;&atilde;o mental. &ldquo;Estamos todas juntas, no coro, perto da capela, onde vemos o sacr&aacute;rio, mas cada uma est&aacute; a rezar em sil&ecirc;ncio&rdquo;, explica a Superiora. <br \/>Depois desta hora, segue-se o pequeno almo&ccedil;o &ldquo;e fazemos mais qualquer coisa&rdquo; antes das 8h15, hora em que celebram a eucaristia. Os respons&aacute;veis actuais pelas celebra&ccedil;&otilde;es eucar&iacute;sticas s&atilde;o os padres da Consolata. <br \/>Ap&oacute;s a eucaristia &ldquo;rezamos T&eacute;rcia&rdquo;, uma &ldquo;hora menor do Of&iacute;cio Divino&rdquo; e depois as irm&atilde;s, realizam as mais diversas tarefas, at&eacute; ao meio dia. <br \/>&Agrave;s 12h rezam o Angelus e segue-se o almo&ccedil;o em sil&ecirc;ncio. Na sala da refei&ccedil;&atilde;o est&aacute; um p&uacute;lpito onde uma das irm&atilde;s l&ecirc; uma leitura, uma hist&oacute;ria de um santo, o catecismo ou at&eacute; mesmo not&iacute;cias do Observat&oacute;rio Romano, enquanto as restantes comem. <br \/>Ap&oacute;s o almo&ccedil;o e a arruma&ccedil;&atilde;o da cozinha que &ldquo;&eacute; muito r&aacute;pida pois todas ajudam&rdquo;, segue-se uma hora de recreio. <br \/>&ldquo;N&atilde;o se trata de saltar ao eixo&rdquo;, brinca a Superiora, mas admite que &ldquo;somos muito barulhentas umas com as outras&rdquo;. Habitualmente em sil&ecirc;ncio, nas horas de recreio &ldquo;somos muito esfuziantes e quando podemos falar procuramos mostrar essa amizade&rdquo;, aponta. <br \/>No recreio as irm&atilde;s est&atilde;o todas juntas a fazer v&aacute;rias tarefas. &ldquo;Algumas descascam batatas, outras fazem ter&ccedil;os para vender para a loja&rdquo; &ndash; uma forma de subsist&ecirc;ncia &#8211; e &ldquo;falamos muito&rdquo;. <br \/>Segue-se uma visita ao Sant&iacute;ssimo e voltam para o trabalho at&eacute; &agrave;s 15 horas. Nesta altura rezam a hora de Noa, &ldquo;outra hora pequena do Of&iacute;cio&rdquo;. <br \/>Segue-se uma leitura espiritual durante uma hora. Pelas 16h15 regressam ao trabalho at&eacute; &agrave;s 17h30, hora das v&eacute;speras. <br \/>Segue-se &ldquo;nova hora de medita&ccedil;&atilde;o mental, tal como de manh&atilde;&rdquo; e depois as carmelitas jantam, tal como na hora do almo&ccedil;o, acompanhadas de uma pessoa a ler. <br \/>Novamente recreio &agrave; noite e passado uma hora, rezam &ldquo;o of&iacute;cio de leituras&rdquo;. <br \/>No final desta ora&ccedil;&atilde;o, &ldquo;toca uma sineta e &eacute; o sil&ecirc;ncio grande&rdquo;, descreve a Ir. Cristina. N&atilde;o se trata de um sil&ecirc;ncio rigoroso, &ldquo;podemos falar se necess&aacute;rio, mas o desnecess&aacute;rio, deixa-se para depois&rdquo;. <br \/>A partir das 21 horas at&eacute; &agrave;s 21h45, as carmelitas seguem para a cela, &ldquo;em sil&ecirc;ncio&rdquo; e &ldquo;fazemos o que precisamos. Algumas l&ecirc;em, outras estudam, outras escrevem e depois rezamos completas, todas juntas&rdquo;. Quando terminam pelas 22h 15m, &eacute; hora de recolher &agrave;s celas. <br \/>&Eacute; uma vida muito particular. &ldquo;Uma vida de sil&ecirc;ncio, de ora&ccedil;&atilde;o, de solid&atilde;o mas n&atilde;o solit&aacute;ria, n&atilde;o no sentido triste&rdquo;, avan&ccedil;a a Superiora. <br \/>As pessoas n&atilde;o est&atilde;o habituadas ao sil&ecirc;ncio. Quando se entra no Carmelo, a Irm&atilde; Cristina regista a dificuldade de &ldquo;nos habituar ao sil&ecirc;ncio, saber estar em sil&ecirc;ncio&rdquo;. Mas esta quietude n&atilde;o significar &ldquo;estarmos apenas connosco mesmas, mas abrir um espa&ccedil;o para que Jesus possa falar&rdquo;. <br \/>A Superiora descreve um espa&ccedil;o em que h&aacute; sil&ecirc;ncio, mas onde &ldquo;h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o com as irm&atilde;s e &eacute; isso que faz com que a nossa ora&ccedil;&atilde;o v&aacute; crescendo e n&oacute;s tamb&eacute;m&rdquo;. Sabiamente acrescenta que &ldquo;aprender isto, &agrave;s vezes, leva uma vida&rdquo;. <br \/>O sil&ecirc;ncio surge com a naturalidade. N&atilde;o sendo nada simples, tudo no Carmelo parece natural. <br \/>&ldquo;&Eacute; muito bonito quando se chega &agrave; possibilidade de perceber o Carmelo como algo muito simples, mas cheio de uma beleza muito grande&rdquo;, aponta a Superiora. <br \/>&ldquo;Jesus viveu 33 anos, numa vida simples, de fam&iacute;lia, escondida. Viveu para mostrar que isto &eacute; o essencial da vida&rdquo;, explica. <br \/>A descri&ccedil;&atilde;o e serenidade s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es que hoje s&atilde;o distantes das pessoas. &ldquo;Todos querem ser vis&iacute;veis, chamar a aten&ccedil;&atilde;o&rdquo; ao ponto de viver na descri&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser compreens&iacute;vel para as pessoas. <br \/>Mas esta vida &ldquo;na naturalidade, no &oacute;bvio, o permanecer na autenticidade faz com que a vida, realmente seja vida&rdquo;, resume simplesmente. <br \/>No Carmelo, porque a clausula n&atilde;o permite a exposi&ccedil;&atilde;o, &ldquo;temos condi&ccedil;&otilde;es para viver em autenticidade, em naturalidade, para que possamos fazer uma experi&ecirc;ncia de Deus&rdquo;. <br \/>Uma experi&ecirc;ncia tamb&eacute;m poss&iacute;vel aos leigos que pode converter. <br \/>&ldquo;As pessoas mais afastadas da Igreja deixam-se tocar n&atilde;o por palavras nem por livros que leiam, mas pelo &laquo;Vinde e vede&raquo;. E aqui experimenta-se a vida de fam&iacute;lia, e sente-se o amor&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Os espa&ccedil;os da clausura e as tecnologias de recurso &agrave;s energias naturais para ver no <em>Programa 70X7<\/em> sobre o Carmelo de F&aacute;tima<\/strong> <\/p>\n<p><object classid=\"clsid:6BF52A52-394A-11D3-B153-00C04F79FAA6\" codebase=\"http:\/\/activex.microsoft.com\/activex\/controls\/mplayer\/en\/nsmp2inf.cab#Version=5,1,52,701\" id=\"player\" width=\"320\" height=\"290\"><param name=\"id\" value=\"player\" \/><param name=\"width\" value=\"320\" \/><param name=\"height\" value=\"290\" \/><param name=\"url\" value=\"mms:\/\/195.245.128.30\/rtpfiles\/videos\/auto\/70x7\/70x7_1_02032008.wmv\" \/><param name=\"src\" value=\"mms:\/\/195.245.128.30\/rtpfiles\/videos\/auto\/70x7\/70x7_1_02032008.wmv\" \/><param name=\"url\" value=\"mms:\/\/195.245.128.30\/rtpfiles\/videos\/auto\/70x7\/70x7_1_02032008.wmv\" \/><param name=\"showcontrols\" value=\"true\" \/><param name=\"autostart\" 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