{"id":304804,"date":"2023-11-21T12:40:54","date_gmt":"2023-11-21T12:40:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=304804"},"modified":"2023-11-21T12:40:54","modified_gmt":"2023-11-21T12:40:54","slug":"missao-pessoa-vocacao-de-original-consagracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/missao-pessoa-vocacao-de-original-consagracao\/","title":{"rendered":"\u201cMiss\u00e3o pessoa\u201d &#8211; Voca\u00e7\u00e3o de original consagra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Ant\u00f3nio Jorge dos Santos Almeida, Diocese de Viseu<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-286510 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/antonio-jorge-viseu.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Uma das dial\u00e9ticas presentes do tema das voca\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o \u00e9 o da rela\u00e7\u00e3o entre a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da voca\u00e7\u00e3o e a dimens\u00e3o pessoal da voca\u00e7\u00e3o. Tem-se verificado que, n\u00e3o raramente, esta dimens\u00e3o pessoal \u00e9 pouco observada, ficando relegada para um acompanhamento no foro interno, quando existe, mas quase sempre inferiorizado pela considera\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia e da dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da voca\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m ela igualmente importante.<\/p>\n<p>Vivemos num tempo em que os jovens tendem a valorizar experi\u00eancias gratificantes, mesmo no que toca \u00e0 viv\u00eancia da f\u00e9, sendo, para isso, capazes de percorrer seja que dist\u00e2ncias for para se encontrarem com outros jovens e desbravarem juntos novas express\u00f5es da viv\u00eancia ou celebra\u00e7\u00f5es da mesma f\u00e9. Nota-se que se trata de organiza\u00e7\u00f5es ou ambientes (como Taiz\u00e9, a JMJ, etc.) que descartam a rigidez em favor de uma maior liberdade de express\u00e3o dentro de uma forma m\u00ednima de comunh\u00e3o essencial. Quanto o encontro se afunila na dimens\u00e3o institui\u00e7\u00e3o vocacional, onde, por vezes, a comunh\u00e3o \u00e9 mais aparente e menos expressiva no respeito para com cada personalidade, n\u00e3o raramente se apaga o entusiasmo da procura, ficando-se no isolamento. Talvez esteja por aqui a explica\u00e7\u00e3o das dificuldades de compromisso.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o da dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da voca\u00e7\u00e3o, por seu lado, entre a sensibiliza\u00e7\u00e3o, o acolhimento e a forma\u00e7\u00e3o de uma voca\u00e7\u00e3o, nem sempre \u00e9 isenta de uma percentagem de \u201cproselitismo\u201d, porquanto vise o \u201cencaixe\u201d do discernimento de cada chamamento nos \u201ctipos\u201d de consagra\u00e7\u00e3o especial que se conhecem.<\/p>\n<p>Pergunto: quando na Igreja falamos de \u201cnovas voca\u00e7\u00f5es\u201d s\u00f3 nos estamos a referir a novas admiss\u00f5es vocacionais nas nossas institui\u00e7\u00f5es ou atrevemo-nos a vislumbrar o caminho de cada pessoa \u2500 no desembrulhar da semente vocacional que desabroche num dinamismo mission\u00e1rio \u2500 como uma voca\u00e7\u00e3o de original consagra\u00e7\u00e3o? Na par\u00e1bola dos talentos que Jesus nos contou neste 23\u00ba domingo do tempo comum (ano A), vislumbra-se naquela afirma\u00e7\u00e3o \u201ccolho onde n\u00e3o semeei\u201d algum espa\u00e7o para a originalidade e a criatividade, partindo do pressuposto de que cada vida \u00e9 um talento ou um talento pode valer a totalidade de uma vida. Prova-o o testemunho do jovem Carlo Acutis que, iluminado pelo Esp\u00edrito Santo, soube fazer uma bela s\u00edntese entre os seus gostos e qualidades pessoais e a Eucaristia e a evangeliza\u00e7\u00e3o. Esta vida sugere que entre o Batismo e as formas institucionais das voca\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um mar imenso de possibilidades de realiza\u00e7\u00e3o vocacional batismal. Penso que tamb\u00e9m as institui\u00e7\u00f5es vocacionais s\u00e3o chamadas a abrir-se a esta variedade, sendo poss\u00edvel a refunda\u00e7\u00e3o de cada institui\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma releitura s\u00e1bia dos seus fundamentos inspiracionais (que nunca \u00e9 poss\u00edvel viver todos numa gera\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Que novidade a busca de cada jovem e a escuta aos mesmos nos poder\u00e1 trazer \u00e0s nossas institui\u00e7\u00f5es formativas e \u00e0s comunidades de vida e de servi\u00e7o eclesial? N\u00e3o ser\u00e1 cada voca\u00e7\u00e3o de consagra\u00e7\u00e3o uma s\u00edntese entre a hist\u00f3ria pessoal \u2500 com tudo o que ela tem de contradit\u00f3rio, mas tamb\u00e9m de h\u00famus \u2500, e os valores essenciais da miss\u00e3o que as comunidades n\u00e3o conseguem esgotar?<\/p>\n<p>Na sua mensagem para o 60\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es (30\/04\/2023), o Papa Francisco falou-nos da Voca\u00e7\u00e3o como \u201cgra\u00e7a e miss\u00e3o\u201d. Se, por um lado, \u201cn\u00e3o h\u00e1 voca\u00e7\u00e3o sem miss\u00e3o\u201d, por outro, a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma gra\u00e7a, um dom gratuito, antes de mais, para cada pessoa entendida pelo Santo Padre como uma \u201cmiss\u00e3o nesta terra\u201d.<\/p>\n<p>Sendo assim, ao mesmo tempo em que nos preocupamos com o n\u00famero de voca\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o para a urgente miss\u00e3o das comunidades, n\u00e3o ser\u00e1 cada comunidade chamada a ocupar-se de cada hist\u00f3ria vocacional pessoal, reconhecendo os carismas em vista \u00e0 comum, mas diferenciada, participa\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o? Uma ideia poderia ser, como mero exemplo, a par do acompanhamento e da celebra\u00e7\u00e3o da Confirma\u00e7\u00e3o, propor a cada jovem que escolhesse um\/a animador\/a vocacional (das pessoas que j\u00e1 vivem alegremente a sua voca\u00e7\u00e3o pessoal na miss\u00e3o da Igreja) que o acompanhasse no discernimento do seu perfil vocacional ou entrega original na miss\u00e3o da Igreja. Quase sempre se pensa e age em rela\u00e7\u00e3o aos jovens do ponto de vista de uma ocupa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, pensada, muitas vezes, como \u201ccontrato por tempo limitado\u201d, at\u00e9 que v\u00e1 para a universidade ou que cres\u00e7a at\u00e9 uma certa idade, onde o el\u00e3 vocacional pode ser suplantado pela forma\u00e7\u00e3o e por uma mera procura de profiss\u00e3o rent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim, poder\u00e1 vir a acontecer com as voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o o que j\u00e1 acontece com os minist\u00e9rios e as profiss\u00f5es: por um tempo determinado ou a termo. No sentir do Papa Francisco, a alegria \u00e9 primeiro sinal de que uma pessoa se sente no caminho certo, sentimento de quem n\u00e3o procura uma paga, mas de quem descobre que \u201ch\u00e1 mais alegria no dar que no receber\u201d (Act 20,35), fator de maturidade onde o te\u00f3logo Armando Matteo v\u00ea a possibilidade da reconstru\u00e7\u00e3o dos elos de transmiss\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p>Na pastoral das voca\u00e7\u00f5es, convinha que o peso institucional n\u00e3o apagasse a centelha de originalidade que o Esp\u00edrito de Deus semeou em cada pessoa. Em celebra\u00e7\u00f5es de b\u00ean\u00e7\u00e3o de finalistas, costumava ouvir o meu bispo a desafiar os jovens a ser criativos diante da precariedade de empregos na sociedade: \u201cN\u00e3o encontrais emprego? Inventai-o v\u00f3s! N\u00e3o foram para isso todos estes anos de forma\u00e7\u00e3o?\u201d N\u00e3o se poderia dizer o mesmo a quem percorre muitos anos de itiner\u00e1rio na educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3? Cada voca\u00e7\u00e3o \u2500 na sua dimens\u00e3o pessoal acolhida e acompanhada pela dimens\u00e3o comunit\u00e1ria (patente nos Sacramentos e nos modos subsequentes de existir e de servir) \u2500 n\u00e3o poder\u00e1 ser uma resposta original a necessidades e urg\u00eancias n\u00e3o ainda n\u00e3o \u201ccatalogadas\u201d como objeto de consagra\u00e7\u00e3o de uma vida? Mais uma vez, provam-no a vida de muitos santos e santas, consagrado e consagradas, bispos, padres, di\u00e1conos, irm\u00e3os, e os m\u00e1rtires e muitos daqueles santos \u201cao p\u00e9 da porta\u201d que ou s\u00e3o desconhecidos ou, quando s\u00e3o muito conhecidos, \u00e9 porque foram muito originais (e n\u00e3o fotoc\u00f3pias!). No seguimento e envio feito por Jesus Cristo, n\u00e3o houve, nem h\u00e1 entregas iguais, mesmo e porque sendo, desde o Batismo, verdadeiros irm\u00e3os. Sendo o Seu Esp\u00edrito o mesmo (cf. 1 Cor 12,11).<\/p>\n<p><em>Padre Ant\u00f3nio Jorge dos Santos Almeida<\/em><\/p>\n<p><em>Diocese de Viseu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Ant\u00f3nio Jorge dos Santos Almeida, Diocese de Viseu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":286510,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-304804","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/304804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=304804"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/304804\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/286510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=304804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=304804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=304804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}