{"id":30434,"date":"2008-03-04T11:03:36","date_gmt":"2008-03-04T11:03:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/04\/festival-terras-sem-sombra-abre-programacao-de-marco-com-banquete-musical\/"},"modified":"2008-03-04T11:03:36","modified_gmt":"2008-03-04T11:03:36","slug":"festival-terras-sem-sombra-abre-programacao-de-marco-com-banquete-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festival-terras-sem-sombra-abre-programacao-de-marco-com-banquete-musical\/","title":{"rendered":"Festival Terras sem Sombra abre programa\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o com \u00abBanquete Musical\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo s\u00e1bado, dia 8 de Mar\u00e7o, pelas 21 horas, o Baixo Alentejo recebe mais um concerto do 4.\u00ba Festival Terras sem Sombra de M\u00fasica Sacra, promovido pelo Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja e pela Arte das Musas, com a colabora\u00e7\u00e3o da Direc\u00e7\u00e3o-Geral das Artes do Minist\u00e9rio da Cultura, do Munic\u00edpio e Par\u00f3quia de Castro Verde. Esta iniciativa assenta na interpenetra\u00e7\u00e3o do Sacro e do Profano, uma das caracter\u00edsticas fundamentais da m\u00fasica produzida na Europa medieval \u2013 sin\u00f3nimo, entre outros, de uma sociedade iletrada mas devota. Mesmo entre a literatura coeva encontra-se frequentemente a associa\u00e7\u00e3o do amor cortes\u00e3o ao amor filial dos crentes \u00e0 Virgem Maria. As express\u00f5es \u201cNossa Senhora\u201d e \u201cSanta Dama\u201d s\u00e3o empregues com sentido d\u00fabio, podendo querer referir-se \u00e0 M\u00e3e de Cristo ou \u00e0quela por quem o poeta se perdeu de amores. Tamb\u00e9m no Medievo se assiste \u00e0 ascens\u00e3o do culto mariano, das rel\u00edquias, das peregrina\u00e7\u00f5es, como momentos marcantes da vida do indiv\u00edduo.   <b>Espect\u00e1culo singular<\/b>  O concerto re\u00fane um conjunto de pe\u00e7as significativas do que referimos, bem como excertos de duas colect\u00e2neas musicais paradigm\u00e1ticas do culto mariano medieval, o Llibre Vermell de Montserrat e as Cantigas de Santa Maria.  Escrito na sua forma original entre os s\u00e9culos VIII e IX, o Cant de la Sibilla \u00e9 um exemplo perfeito da ambival\u00eancia entre o Sacro e o Profano na m\u00fasica medieval. Descrita como a profetiza cuja voz perduraria mil anos, esta figura surge na mitologia de quase todas as culturas antigas \u2013 da grega \u00e0 n\u00f3rdica \u2013 associada, quase sempre, aos Or\u00e1culos, como mensageira dos vatic\u00ednios divinos. Adoptada pelo Cristianismo como a profetiza do Julgamento Final, os seus predicados exortaram os fi\u00e9is \u00e0 ora\u00e7\u00e3o durante s\u00e9culos, sendo este drama lit\u00fargico o ponto alto das Missas de Natal.  O Llibre Vermell (s\u00e9culo XIV) do santu\u00e1rio da Virgem Maria de Montserrat, na Catalunha, local de peregrina\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia ao longo dos s\u00e9culos, representa um valios\u00edssimo documento para o conhecimento da pr\u00e1tica musical associada ao culto de Nossa Senhora. Das catorze melodias originais, apenas restam dez (na sequ\u00eancia da destrui\u00e7\u00e3o massiva do mosteiro beneditino e de todo o seu tesouro em 1812, por tropas napole\u00f3nicas), com textos em latim e catal\u00e3o: uma balada (Los set gotxs), um motete (Imperayritz), tr\u00eas can\u00e7\u00f5es (O virgo splendens, Laudemus Virginem e Splendens ceptigera) e cinco virelai (Stella splendens, Mariam, matrem, Polorum Regina, Cuncti simus e Ad mortem)  A reciprocidade entre o elemento secular e o eclesi\u00e1stico est\u00e1, tamb\u00e9m ela, patente nas Cantigas de Santa Maria, brilhante cancioneiro da literatura galaico-portuguesa. Compiladas sob o patroc\u00ednio do rei Afonso X, o S\u00e1bio (1221-1284), a quem s\u00e3o atribu\u00eddos cerca de 100 dos 427 poemas em honra da Virgem Maria, as Cantigas de Santa Maria est\u00e3o repartidas entre milagres marianos, cantigas amorosas e cantigas de loor, constituindo-se em verdadeira antologia da m\u00e9trica po\u00e9tica medieva. Do ponto de vista do discurso musical, podem ser identificadas tr\u00eas grandes influ\u00eancias: o cantoch\u00e3o Hispano-Aquit\u00e2nico, a tradi\u00e7\u00e3o trovadoresca e a m\u00fasica do Al-Andalus.  Torna-se evidente, deste modo, o porqu\u00ea da inclus\u00e3o no programa do concerto de tr\u00eas obras musicais da tradi\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana, Kadhia el Ochak, Adir Rahati e Ayyuh\u00e3 s-s\u00e3qui \u00b4ilay-ka mustak\u00e1. Mais do que m\u00fasica \u00e1rabe, a cultura musical do Al-Andalus define-se como uma tradi\u00e7\u00e3o h\u00edbrida de pendor ocidental, desenvolvida no espa\u00e7o geogr\u00e1fico correspondente, grosso modo, \u00e0 comunidade espanhola da Andaluzia, e atingindo o seu grau mais alto de integra\u00e7\u00e3o de elementos ocidentais e orientais em pleno s\u00e9culo XII. Deste modo, em termos formais, a m\u00fasica do Al-Andalus aproxima-se dos c\u00e2nones peninsulares mas, em termos r\u00edtmicos, remete para a diversidade e complexidade \u00e1rabe.  Depois de um espa\u00e7o dedicado \u00e0s cantigas trovadorescas, o concerto abranger\u00e1 obras de Bartolomeo de Selma y Salaverde (fagotista e compositor nascido em Espanha entre 1580 e 1590), Diego Ortiz (Maestro di capilla dos vice-reis de N\u00e1poles) e, por fim, de Francisco de la Torre (compositor espanhol activo nos finais do s\u00e9culo XV).     <b>Um agrupamento de renome internacional<\/b>  Fundado em Lisboa em 2003, o Banchetto Musicale Lusitania \u00e9 um agrupamento vocal e instrumental dedicado \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de M\u00fasica Antiga, em particular do repert\u00f3rio ib\u00e9rico dos s\u00e9culos XV e XVI. \u00c9 constitu\u00eddo por tr\u00eas cantores, Raquel Al\u00e3o, Rosa Caldeira e Jos\u00e9 Bruto da Costa, e dois instrumentistas residentes, Kenneth Frazer, viola da gamba\/violoncelo barroco, e Ant\u00f3nio Carrilho, flauta de bisel\/direc\u00e7\u00e3o art\u00edstica e musical, alargando-se o ensemble sempre que o report\u00f3rio assim o exija.   Ao longo dos \u00faltimos anos o Banchetto Musicale Lusitania participou em diversos festivais, dos quais se destacam o Festival de M\u00fasica de Mafra, os Encontros de M\u00fasica Antiga de Loul\u00e9, o Festival Internacional de M\u00fasica de Mafra e as Jornadas Musicais Medievais de Sesimbra. Em 2003 estreou, em Portugal, os Scherzi Musicale, de Monteverdi, na Quinta da Regaleira, em Sintra. Em 2004, foi convidado para a reabertura do Museu Nacional Gr\u00e3o Vasco, em Viseu, com um concerto inteiramente dedicado ao repert\u00f3rio cortes\u00e3o dos s\u00e9culos XVI e XVII, e participou na 15.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Internacional de M\u00fasica Colonial e M\u00fasica Antiga de Juiz de Fora, tendo-se apresentado em concertos no Rio de Janeiro, em Juiz de Fora e em Tiradentes, e contando, para esse efeito, com o patroc\u00ednio da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian.   J\u00e1 em 2006, por ocasi\u00e3o do 5.\u00ba centen\u00e1rio da Cust\u00f3dia de Bel\u00e9m, apresentou-se no Museu Nacional de Arte Antiga num concerto intitulado M\u00fasica no tempo de Gil Vicente e no Europarque, em Santa Maria da Feira, num concerto gravado pela Antena 2. No mesmo ano, participou com grande acolhimento da cr\u00edtica francesa no Festival de Musique du Haut-Jura, a convite de Maria Cristina Kiehr.   <b>Expoente do Barroco<\/b> A igreja matriz de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Castro Verde ficou a dever-se \u00e0 iniciativa de D. Jo\u00e3o V e \u00e9 tribut\u00e1ria da tradi\u00e7\u00e3o arquitect\u00f3nica seiscentista. A sua sumptuosa decora\u00e7\u00e3o interior corresponde j\u00e1 \u00e0 teatralidade do Barroco Pleno, oferecendo uma not\u00e1vel vis\u00e3o integradora das artes da \u00e9poca joanina. A nave \u00e9 coberta por uma falsa ab\u00f3bada guarnecida com sumptuosa teoria de grotescos que apresenta no centro a Apari\u00e7\u00e3o de Cristo a D. Afonso Henriques e as paredes encontram-se revestidas de pain\u00e9is azulejares, com destaque para os alusivos \u00e0 vida do nosso primeiro rei e ao milagre de Ourique. O interesse do Rei Magn\u00e2nimo pela matriz de Castro Verde levou a conseguir para ela, em Roma, a dignidade de Bas\u00edlica, depois completada pelo t\u00edtulo de Real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo s\u00e1bado, dia 8 de Mar\u00e7o, pelas 21 horas, o Baixo Alentejo recebe mais um concerto do 4.\u00ba Festival Terras sem Sombra de M\u00fasica Sacra, promovido pelo Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja e pela Arte das Musas, com a colabora\u00e7\u00e3o da Direc\u00e7\u00e3o-Geral das Artes do Minist\u00e9rio da Cultura, do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[171,184,203,251,265,267,285],"class_list":["post-30434","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-viseu","tag-europa","tag-marianos","tag-musica","tag-natal","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30434"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30434\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}