{"id":30423,"date":"2008-03-04T10:25:48","date_gmt":"2008-03-04T10:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/04\/varias-vozes-um-so-rumo\/"},"modified":"2008-03-04T10:25:48","modified_gmt":"2008-03-04T10:25:48","slug":"varias-vozes-um-so-rumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/varias-vozes-um-so-rumo\/","title":{"rendered":"V\u00e1rias vozes, um s\u00f3 rumo"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 na altura de os agentes pol\u00edticos do nosso pa\u00eds perceberem que o sistema de ensino \u00e9 algo demasiadamente s\u00e9rio para ser profundamente \u201creformado\u201d de legislatura em legislatura ou sempre que h\u00e1 \u201cmudan\u00e7as de pasta\u201d. As decis\u00f5es pol\u00edticas relativas ao sistema de ensino em Portugal devem ser objecto de um profundo consenso entre todos quantos t\u00eam capacidade de decis\u00e3o sobre o sector da educa\u00e7\u00e3o. E, de uma vez por todas, os agentes pol\u00edticos devem olhar para os privados do sector como verdadeiros \u201cagentes da mudan\u00e7a\u201d, como obreiros de provas dadas, com capacidades demonstradas de fazer bem, de fazer, inclusivamente, melhor do que o Estado faz.  A instabilidade nas decis\u00f5es pol\u00edticas \u2013 e as mais das vezes, o oportunismo pol\u00edtico e de mera circunst\u00e2ncia que \u00e0s mesmas preside \u2013 e a insist\u00eancia reiterada em n\u00e3o garantir uma expressa liberdade de educa\u00e7\u00e3o e de escolha da escola, t\u00eam constitu\u00eddo um entrave ao aumento dos n\u00edveis educativos no nosso pa\u00eds. O Ensino Particular e Cooperativo, que j\u00e1 corresponde a cerca de 20% do sector do ensino em Portugal, do pr\u00e9-escolar ao secund\u00e1rio \u2013 com cerca de 320 mil alunos e 55 mil professores \u2013 tem, por seu lado, contribu\u00eddo para imprimir uma efectiva din\u00e2mica de vanguarda e de inova\u00e7\u00e3o no sector. Estes 20% de iniciativa privada no universo referido, que constituem um n\u00famero muito relevante no conjunto do sistema, est\u00e3o organizados de forma associativa na AEEP \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Estabelecimentos de Ensino Privado e Cooperativo. Esta associa\u00e7\u00e3o, ao longo dos anos e das diversas Direc\u00e7\u00f5es que foi conhecendo, tem desenvolvido um trabalho not\u00e1vel no sentido de remar contra o sabor das mar\u00e9s mais ou menos estatizantes, uniformizadoras e sect\u00e1rias que os sucessivos governos v\u00e3o querendo imprimir ao sector.  No seio da AEEP coexistem diversas realidades educativas e pedag\u00f3gicas a par de muitos projectos educativos diferenciados; escolas cat\u00f3licas e de matriz crist\u00e3 convivem com o ensino n\u00e3o confessional; o ensino da m\u00fasica co-habita com o ensino especial e as escolas com contratos de associa\u00e7\u00e3o com as que t\u00eam contratos simples ou de coopera\u00e7\u00e3o&#8230; N\u00e3o \u00e9 por acaso que o lema que tem marcado a actividade a AEEP seja precisamente \u201ca nossa riqueza reside na nossa diferen\u00e7a\u201d.  No entanto, a AEEP tamb\u00e9m consegue provar que a \u201cuni\u00e3o faz a for\u00e7a\u201d, pois consegue lutar e pugnar pelos v\u00e1rios interesses em jogo, com as suas especificidades e caracter\u00edsticas \u00fanicas, \u00e9 certo, mas f\u00e1-lo de forma intransigente, pujante e sempre empenhada. A AEEP, mesmo com todas estas diferentes realidades, consegue ter uma vis\u00e3o e um rumo bem definido para o sector. O mesmo n\u00e3o se pode dizer dos sucessivos Minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o&#8230; \u00c9 ineg\u00e1vel que o ensino privado tem sido pioneiro na introdu\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos pedag\u00f3gicos inovadores, na defini\u00e7\u00e3o de projectos educativos consistentes e na inova\u00e7\u00e3o curricular e cient\u00edfica. \u00c9 tamb\u00e9m um facto irrefut\u00e1vel que o acompanhamento dos alunos \u00e9 feito de forma mais pr\u00f3xima e que a estabilidade do corpo docente permite uma maior tranquilidade nas rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre o corpo docente e o discente, o que \u00e9, comprovadamente, um factor-chave para o sucesso escolar. Esta realidade sucede da mesma forma na generalidade das escolas com contratos de associa\u00e7\u00e3o com o Estado, ou seja, com escolas que oferecem \u00e0s popula\u00e7\u00f5es um servi\u00e7o de ensino privado gratuito. Considero que \u00e9 saud\u00e1vel e que interessa ao sector, at\u00e9 para que haja um fortalecimento das for\u00e7as vivas da sociedade perante o Estado, que surjam associa\u00e7\u00f5es \u2013 como a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas \u2013 que t\u00eam por principal miss\u00e3o \u201cdefender e promover a concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da educa\u00e7\u00e3o, no contexto das liberdades de aprender e ensinar\u201d.  No entanto, \u00e9 minha profunda convic\u00e7\u00e3o que, naquilo que \u00e9 verdadeiramente essencial, nas quest\u00f5es centrais e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais depende o futuro e o rumo do ensino particular e cooperativo, faz todo o sentido que todo o sector fale e dialogue a uma s\u00f3 voz com o Estado (Governo, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e seus servi\u00e7os, agentes pol\u00edticos, autarquias, etc&#8230;). \u00c9 esse o papel da AEEP. Um papel que quotidianamente continua a desenvolver, de forma intensa e empenhada, defendendo de forma institucional, mas incisiva e inflex\u00edvel, o sector, todos os seus actores e a sua multiplicidade de interesses, projectos e aspira\u00e7\u00f5es.   <i>Jo\u00e3o Mu\u00f1oz, Vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 na altura de os agentes pol\u00edticos do nosso pa\u00eds perceberem que o sistema de ensino \u00e9 algo demasiadamente s\u00e9rio para ser profundamente \u201creformado\u201d de legislatura em legislatura ou sempre que h\u00e1 \u201cmudan\u00e7as de pasta\u201d. 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