{"id":30421,"date":"2008-03-04T10:06:39","date_gmt":"2008-03-04T10:06:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/04\/educar-com-sentido\/"},"modified":"2008-03-04T10:06:39","modified_gmt":"2008-03-04T10:06:39","slug":"educar-com-sentido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/educar-com-sentido\/","title":{"rendered":"Educar com sentido"},"content":{"rendered":"<p>\u00abN\u00e3o se d\u00e1 incompatibilidade entre objectivos de ordem cient\u00edfica, t\u00e9cnica e tecnol\u00f3gica, desenvolvimento de sensibilidades e valores \u00e9ticos\u00bb <!--more--> Educar deriva do latim ex-ducere, trazer para fora. Indica, por um lado, o desenvolvimento das aprendizagens adquiridas, com base nas potencialidades inatas no contexto da rela\u00e7\u00e3o com o educador e, por outro, a sa\u00edda de um para outro lugar, percorrendo uma traject\u00f3ria comum. Um e outro movimento requerem e envolvem o exerc\u00edcio da liberdade individual sob pena de, no primeiro caso, a extrac\u00e7\u00e3o se transformar em explora\u00e7\u00e3o e de, no segundo, a condu\u00e7\u00e3o se tornar dirigismo. Colocada esta premissa, interessa sublinhar a exig\u00eancia de sentido como qualidade inerente a qualquer movimento. O movimento individual \u00e9 um progresso aut\u00eantico, de etapa em etapa, e a desloca\u00e7\u00e3o em conjunto \u00e9 uma peregrina\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 meta comum primeiramente dada e sempre redescoberta. As analogias da educa\u00e7\u00e3o como crescimento, ac\u00e7\u00e3o de cultura, amplifica\u00e7\u00e3o do conhecimento, forma\u00e7\u00e3o (educa\u00e7\u00e3o ao longo da vida), e outras, indicam significados complementares que ajudam a iluminar a reflex\u00e3o sobre o tema. Voltando \u00e0 leitura da educa\u00e7\u00e3o como movimento para fora de si, sublinhamos que, do ponto de vista individual, se deve renunciar a uma extrac\u00e7\u00e3o e entrega das energias e capacidades pessoais ao vazio; do ponto de vista interpessoal, deve renunciar-se ao movimento circular fechado sobre si pr\u00f3prios, sem avan\u00e7o real para novos horizontes do percurso da vida. As quest\u00f5es da procura de sentido para a exist\u00eancia humana e do pr\u00f3prio valor da dignidade da vida humana, comuns a todas as gera\u00e7\u00f5es e sistemas de pensamento, adquirem na actualidade novos contornos, os do avan\u00e7o info-tecnol\u00f3gico, e os da hiperabund\u00e2ncia de bens materiais, em contraste com a pobreza e a precariedade da rela\u00e7\u00e3o interpessoal (perda do conceito de comunidade como povo) e com as assimetrias extremas, provocadas pela injusta distribui\u00e7\u00e3o da riqueza comum. Apesar de tudo isto, parece que os programas \u00abeducativos\u00bb continuam a privilegiar o bem-estar material como ideal m\u00e1ximo da exist\u00eancia humana. Muda-se o r\u00f3tulo, mant\u00e9m-se o veneno, cada vez mais mort\u00edfero devido \u00e0 assumida quebra entre conhecimento, tecnologia e \u00e9tica; \u00e0 desist\u00eancia da raz\u00e3o perante a verdade; \u00e0 absolutiza\u00e7\u00e3o do individualismo em campo \u00e9tico; ao corte positivista entre moral, direito e lei, entre outros fen\u00f3menos. O resultado pr\u00e1tico destes ideais \u00e9 o da replica\u00e7\u00e3o do movimento circular fechado nos sistemas de ensino. Parece ter vindo a acentuar-se recentemente a pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o como ex-trac\u00e7\u00e3o. Ora, a educa\u00e7\u00e3o como peregrina\u00e7\u00e3o intergeracional conjunta permite e favorece din\u00e2micas distintas. N\u00e3o propriamente as do construtivismo radical, como se n\u00e3o tivesse havido peregrina\u00e7\u00e3o anterior, as do purismo de Rousseau, como se al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o ou da correspondente perfectibilidade n\u00e3o existisse o mal, ou as do \u00absecuritismo\u00bb pr\u00f3-repressivo, baseado na suspeita preventiva da intencionalidade mal\u00e9vola universal, ou ainda as do pragmatismo utilitarista. Em que mundo vivem as crian\u00e7as de hoje? Curiosamente, estes s\u00e3o os modelos dominantes do ar intoxicado que respiram. A educa\u00e7\u00e3o como peregrina\u00e7\u00e3o intergeracional em que, ao longo do caminho, os mais novos recebem a mem\u00f3ria de vida dos mais idosos e estes recebem a vitalidade, a generosidade e a novidade dos mais novos, favorece o sentido da abertura ao outro. Na categoria do outro, merece prefer\u00eancia o que se encontra em condi\u00e7\u00e3o mais fr\u00e1gil. A educa\u00e7\u00e3o com sentido \u00e9 a que ajuda os actores do processo educativo a aproximarem-se de respostas cabais \u00e0s perguntas: \u00abquem sou eu como pessoa?\u00bb, \u00abque pessoa quero ser?\u00bb, \u00abque sociedade procurarei construir com a entrega de mim pr\u00f3prio?\u00bb. Ao longo do caminho evoluem as fases da vida. O jovem tornar-se-\u00e1 idoso. Fortaleza espiritual e robustez f\u00edsica, sabedoria e informa\u00e7\u00e3o, partilham-se na humildade do avan\u00e7ar conjunto. O tempo e a dist\u00e2ncia medem o aut\u00eantico progresso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es colocadas. O melhor de cada um dever\u00e1 entregar-se a cada um dos outros em cada momento. N\u00e3o se d\u00e1 incompatibilidade entre objectivos de ordem cient\u00edfica, t\u00e9cnica e tecnol\u00f3gica, desenvolvimento de sensibilidades e valores \u00e9ticos, est\u00e9ticos e sociais e reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o filial da criatura humana na rela\u00e7\u00e3o com Deus. Deixamos para outro espa\u00e7o a explica\u00e7\u00e3o da consist\u00eancia conceptual desta harmonia. Mas n\u00e3o deixamos de sublinhar que, ao longo da hist\u00f3ria, as experi\u00eancias educativas cujos apoios assentaram nestes fundamentos alcan\u00e7aram resultados consistentes em diversificadas compet\u00eancias e muito ben\u00e9fica influ\u00eancia social. Da mesma forma os modelos que optam por cancelar algum dos apoios (a ci\u00eancia, a rela\u00e7\u00e3o social, a abertura ao transcendente) acabam por ruir na fragmenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, na dispers\u00e3o social ou em tend\u00eancias fundamentalistas. Os tr\u00eas pontos de apoio s\u00e3o necess\u00e1rios. N\u00e3o apenas dois. Muito menos um. Outro referencial para uma educa\u00e7\u00e3o com sentido \u00e9 o da fam\u00edlia. \u00c9-o como realidade irrenunci\u00e1vel. As consequ\u00eancias do ponto de vista social s\u00e3o limitadoras da interfer\u00eancia estatal; do ponto de vista escolar s\u00e3o inspiradoras do respectivo ambiente educativo e do clima geral da institui\u00e7\u00e3o; do ponto de vista curricular obrigam a um respeito pela verdade do homem que \u00e9 sempre uma verdade familiar. Os m\u00e9todos duma educa\u00e7\u00e3o com sentido s\u00e3o os que aproximam da experi\u00eancia de aprendizagem o prazer e o pr\u00e9mio do conhecimento e da rela\u00e7\u00e3o social, com a participa\u00e7\u00e3o activa dos alunos. A vida (na fam\u00edlia, na escola, no meio social, no meio virtual) \u00e9 o seu lugar, sendo necess\u00e1rio aumentar a responsabilidade cr\u00edtica. A comunica\u00e7\u00e3o educativa global mas pr\u00f3xima entre educador e educando, que atravessa as experi\u00eancias cognitivas, art\u00edsticas, l\u00fadicas, solid\u00e1rias, favorece a mobiliza\u00e7\u00e3o das energias dos alunos. A educa\u00e7\u00e3o com sentido consiste na arrojada mem\u00f3ria do futuro.  <i>Pe. Ant\u00f3nio Figueira, Director das Oficinas de S. Jos\u00e9, Lisboa<\/i>   <B>Dossier AE<\/B> <a href=\"seccao_dossier.asp?seccaoid=8\">\u2022 Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abN\u00e3o se d\u00e1 incompatibilidade entre objectivos de ordem cient\u00edfica, t\u00e9cnica e tecnol\u00f3gica, desenvolvimento de sensibilidades e valores \u00e9ticos\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,193,206],"class_list":["post-30421","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-educacao","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30421"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30421\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}