{"id":304169,"date":"2023-11-16T09:00:32","date_gmt":"2023-11-16T09:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=304169"},"modified":"2023-11-15T15:54:18","modified_gmt":"2023-11-15T15:54:18","slug":"que-se-passa-com-a-teologia-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/que-se-passa-com-a-teologia-moral\/","title":{"rendered":"Que se passa com a teologia moral?"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_270870\" aria-describedby=\"caption-attachment-270870\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270870\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-270870\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LFS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Alguns crist\u00e3os ficam perplexos com o que se passa com a teologia moral de hoje. O que vou dizer vem na sequ\u00eancia de um esclarecimento do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9, num texto de resposta a D. Jos\u00e9 Negri, bispo de Santo Amaro, no Brasil, de 3 de Novembro passado. A\u00ed se afirma, entre outras coisas, que os pastores podem, depois de ponderar as circunst\u00e2ncias, batizar uma pessoa transexual ou admiti-la para a fun\u00e7\u00e3o de padrinho ou madrinha de batismo. \u00c9 bom ler o texto, pois apresenta boas raz\u00f5es para proferir este ju\u00edzo. A muitas pessoas, este pronunciamento parece p\u00f4r em causa a doutrina moral da Igreja ou at\u00e9 pronunciamentos anteriores sobre esta mat\u00e9ria. Por\u00e9m, pensando melhor, o pensamento exposto no texto e sancionado pelo Papa Francisco parece fazer sentido. Por diversas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira delas \u00e9 o peso dos factos. Com uma frequ\u00eancia crescente, quem est\u00e1 na vida pastoral \u00e9 abordado por pessoas que viveram situa\u00e7\u00f5es destas. Quando nos aparecem de frente, normalmente n\u00e3o est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o triunfalista. Confidenciam-nos a sua vida, quase sempre com um grande pudor. O que pode fazer um pastor que n\u00e3o seja ouvir com respeito infinito o que nos acabam de dizer? Qualquer forma que n\u00e3o entre neste respeito pelo sofrimento alheio n\u00e3o \u00e9 digna de servidores de Jesus. Essas pessoas j\u00e1 trazem a sua nova identidade resolvida pelas inst\u00e2ncias civis. Que podemos fazer que n\u00e3o seja reconhec\u00ea-las e respeit\u00e1-las nos passos que deram, quantas vezes no meio de perplexidades, sofrimentos e prova\u00e7\u00f5es? S\u00e3o crist\u00e3os ou querem ser crist\u00e3os que merecem um tratamento humano como todos os outros seres humanos.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o sobre teologia moral. A reflex\u00e3o sobre as exig\u00eancias \u00e9ticas da f\u00e9 \u00e9 feita de v\u00e1rios momentos. H\u00e1 um primeiro momento, que \u00e9 bastante descurado pela tradi\u00e7\u00e3o, que consiste em expor a proposta \u201csublimidade da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d, ou seja, na descri\u00e7\u00e3o do que \u00e9 bondade, ou a felicidade, ou a personalidade moral estruturada e realizada. A teologia moral tradicional deixava este ponto quase sempre fora de considera\u00e7\u00e3o, pois ele \u00e9 trabalhoso e aparece a muitos como desnecess\u00e1rio. Mas este ponto \u00e9 decisivo para o nosso assunto. O desenvolvimento de uma atitude moral que sustente os comportamentos \u00e9 o caminho da liberdade e da dignidade dos fi\u00e9is em Cristo. Ora as pessoas com problemas de identidade sexual necessitam muito deste encaminhamento para poderem crescer em qualidade de vida pessoal e na gra\u00e7a divina. Claro que h\u00e1 outro momento na teologia moral: \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o da norma moral. Este momento \u00e9 muito importante, pois h\u00e1 modos de vida que simplesmente n\u00e3o s\u00e3o admiss\u00edveis como \u201cvoca\u00e7\u00e3o em Cristo\u201d. Esta justifica\u00e7\u00e3o do limite negativo da moralidade \u00e9 decisiva a muito outros n\u00edveis, como seja, a identifica\u00e7\u00e3o do mal absoluto e o dever de o evitar de todos os modos. E aqui podemos perguntar: a possibilidade de uma pessoa ser ajudada a instalar-se na sua masculinidade ou feminilidade pode ser sempre classificada como um mal? N\u00e3o parece que este ju\u00edzo possa ou deva ser feito. O intrinsecamente mau existe, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de o identificar com precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Por estas e outras raz\u00f5es, a resposta que foi dada pelo dicast\u00e9rio romano n\u00e3o nos parece fora de prop\u00f3sito. Se \u00e9 certo que as reivindica\u00e7\u00f5es de g\u00e9nero ou certas formas de orgulho na promo\u00e7\u00e3o da homossexualidade s\u00e3o irritantes, quando consideradas abstratamente, as pessoas que nos aparecem diante, de boa f\u00e9, \u00e0 procura da consola\u00e7\u00e3o religiosa e da celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos nunca podem ser vistas como irritantes ou mal\u00e9volas. S\u00e3o crist\u00e3os ou futuros crist\u00e3os que merecem o acolhimento e a orienta\u00e7\u00e3o como como todos os outros crist\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270870,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-304169","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/304169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=304169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/304169\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=304169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=304169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=304169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}