{"id":30392,"date":"2008-03-03T10:28:59","date_gmt":"2008-03-03T10:28:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/03\/o-poder-do-amor-que-perdoa\/"},"modified":"2008-03-03T10:28:59","modified_gmt":"2008-03-03T10:28:59","slug":"o-poder-do-amor-que-perdoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-poder-do-amor-que-perdoa\/","title":{"rendered":"O poder do amor que perdoa"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o geral do Papa para o m\u00eas de Mar\u00e7o <!--more--> <i>Que se compreenda a import\u00e2ncia do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o entre as pessoas e os povos e, atrav\u00e9s do seu testemunho, a Igreja difunda o amor de Cristo, fonte de uma nova humanidade<\/i> 1. \tPerd\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o \tPerd\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o andam juntos. Nenhuma reconcilia\u00e7\u00e3o entre pessoas, em comunidades divididas ou entre povos em luta, pode ter lugar se, antes, n\u00e3o se derem os passos necess\u00e1rios para o perd\u00e3o. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, uma tarefa f\u00e1cil \u2013 n\u00e3o o \u00e9 no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es pessoais, menos ainda no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias ou entre povos, pois quanto maior \u00e9 o n\u00famero dos ofendidos (e quase sempre ambos os lados se consideram ofendidos), mais dif\u00edcil se torna a gratuidade do perd\u00e3o e, atrav\u00e9s dele, o restabelecimento de rela\u00e7\u00f5es reconciliadas. N\u00e3o h\u00e1, apesar disso, outro caminho igualmente capaz de humanizar as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e os povos. Os factos confirmam-no diariamente: a viol\u00eancia pode ser, no momento, a \u00fanica resposta a um agressor violento e injusto&#8230;; os muros podem, durante algum tempo, garantir tranquilidade e seguran\u00e7a&#8230;; a aplica\u00e7\u00e3o das leis civis \u00e9 o caminho comum para sanar conflitos de interesses ou para \u201cvingar\u201d direitos ofendidos&#8230; Mas a reconcilia\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m disso, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o sarada pela for\u00e7a do perd\u00e3o, na qual as pessoas se voltam a olhar como tais e n\u00e3o como competidores, momentaneamente apaziguados pela for\u00e7a ou pelas conveni\u00eancias.  2. \tTestemunhar o perd\u00e3o de Deus \tMais do que um acto moment\u00e2neo, o perd\u00e3o \u00e9 um modo de ser s\u00f3 ao alcance de Deus, tal como se deu a conhecer em Jesus Cristo: perd\u00e3o total, definitivo e incondicional, para quem o queira acolher. N\u00f3s, crist\u00e3os, estamos chamados a aprender de Deus este modo de ser e a pratic\u00e1-lo, tanto quanto nos seja poss\u00edvel, dando testemunho da nossa condi\u00e7\u00e3o de gente salva pelo dom divino do perd\u00e3o, concedido a toda a humanidade em Jesus Cristo. \u00c9 um servi\u00e7o que prestamos ao mundo, em vista \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o de todos os seres humanos entre si e com Deus; n\u00e3o \u00e9, de modo algum, uma d\u00e1diva nossa aos outros \u2013 a d\u00e1diva \u00e9 de Deus, n\u00f3s somos apenas, devemos ser, testemunhas dela. Testemunho pela ac\u00e7\u00e3o e pela palavra: agir como gente perdoada, que perdoa e aprende cada dia a perdoar; e falar, anunciando Aquele que nos perdoa e nos ensina a perdoar. A ac\u00e7\u00e3o d\u00e1 conte\u00fado \u00e0 palavra. A palavra esclarece a ac\u00e7\u00e3o, dizendo a sua origem. Deste modo, nem a nossa palavra ser\u00e1 vazia, nem o nosso agir ser\u00e1 equ\u00edvoco. Uma e outro ser\u00e3o sinal da for\u00e7a de Deus, operando em n\u00f3s e no mundo \u2013 uma for\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 a dos violentos nem a dos promotores do \u00f3dio e da intoler\u00e2ncia, mas a for\u00e7a do Amor.  3.\tDifundir o amor de Cristo, renovar a humanidade \tQuando falamos de amor, n\u00e3o se trata de um sentimentalismo invertebrado nem de um romantismo est\u00e9ril. E o mesmo se diga do perd\u00e3o \u2013 n\u00e3o \u00e9 para gente fraca, que perdoa porque n\u00e3o consegue impor-se. Um amor e um perd\u00e3o desse g\u00e9nero seriam apenas fonte de ressentimento e mis\u00e9ria espiritual e moral. O amor crist\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a poderosa, capaz de mudar o mundo \u2013 porque \u00e9 \u00e0 imagem do Deus Amor, que perdoa e faz novas todas as coisas. Tomemos o exemplo de Jesus Cristo. Disse: \u00abNingu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 a vida pelos seus amigos\u00bb (Jo\u00e3o 15, 13). E fez: amou-nos at\u00e9 \u00e0 morte \u2013 e morte de cruz. E S. Paulo acrescenta: \u00abquando ainda \u00e9ramos pecadores \u00e9 que Cristo morreu por n\u00f3s\u00bb (Romanos 5, 8), ou seja, \u00abquando \u00e9ramos inimigos de Deus\u00bb (5, 10). N\u00e3o h\u00e1 aqui nenhuma fraqueza. Pelo contr\u00e1rio, na morte de Jesus manifesta-se o m\u00e1ximo poder de Deus \u2013 o poder do Amor. Seria muito mais \u00abnormal\u00bb reagir aos violentos, exigir os seus direitos e vingar-Se dos seus inimigos \u2013 mas n\u00e3o seria Deus, seria um \u00eddolo, \u00e0 nossa imagem e semelhan\u00e7a. Deus \u00e9 Outro \u2013 e n\u00f3s, criados \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, estamos chamados a ser como Ele. O \u00fanico poder verdadeiramente crist\u00e3o \u00e9 o poder de Deus, isto \u00e9, o amor que perdoa. \u00c9 um poder terr\u00edvel, sobretudo para quem o exerce. Exige a ren\u00fancia constante ao orgulho, \u00e0 insensibilidade, ao amor pr\u00f3prio, ao auto-comprazimento. Exige coragem para suportar o insulto, a mentira, o poder do mal. Exige convic\u00e7\u00e3o para anunciar os valores evang\u00e9licos e denunciar tudo quanto p\u00f5e em causa a dignidade humana&#8230; mesmo ou sobretudo quando nessa den\u00fancia se vai contra o \u201cesp\u00edrito do tempo\u201d e os interesses dos poderosos deste mundo. S\u00f3 esta coragem torna a Igreja capaz de difundir o amor de Cristo, o \u00fanico que pode criar uma humanidade nova, reconciliada porque perdoada e capaz de exercer o poder supremo: o do Amor que perdoa sempre (\u00absetenta vezes sete\u00bb \u2013 Mateus 18, 22). <i> Elias Couto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o geral do Papa para o m\u00eas de Mar\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-30392","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30392\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}