{"id":303831,"date":"2023-11-13T07:48:57","date_gmt":"2023-11-13T07:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=303831"},"modified":"2023-11-13T09:50:19","modified_gmt":"2023-11-13T09:50:19","slug":"recebi-uma-carta-de-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/recebi-uma-carta-de-roma\/","title":{"rendered":"Recebi uma carta de Roma"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-271042 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Enquanto ressoavam as bombas da guerra, fez-se di\u00e1logo sinodal entre umas centenas de crist\u00e3os, interrompida, de vez em quando, por momentos de recolhimento silencioso. Contraste que passou esquecido pelos nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, sempre t\u00e3o afeitos ao espectacular. Foi assim durante tr\u00eas semanas. Era a primeira sess\u00e3o da XVI.\u00aa Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos.<\/p>\n<p>Recebi uma carta de Roma. Melhor, da Cidade do Vaticano. Tenho recebido muitas vezes cartas de Roma assinadas pelos papas. Chamam-se Enc\u00edclicas e Cartas Pastorais sobre os mais diversos temas. Ou, ent\u00e3o, simples mensagens. Mas esta \u00e9 uma carta especial, porque me \u00e9 enviada da XVI.\u00aa Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. Tem a data de 25 de Outubro de 2023. Endere\u00e7ada ao povo de Deus, ela \u00e9 para mim. E para si, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Muito a apreciei. Quer pelo emissor, quer porque ela mostra que aquela Assembleia n\u00e3o esqueceu aqueles que estiveram na sua prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o esqueceu e n\u00e3o esquece.<\/p>\n<p>N\u00e3o esqueceu porque, dando gra\u00e7as a Deus pela \u00ab<em>rica e bela experi\u00eancia que tivemos<\/em>\u00bb e vivendo em comunh\u00e3o com todos e sustentados pelas ora\u00e7\u00f5es de todos, aquela Assembleia reitera ter trazido as expectativas, os questionamentos e os receios de todo o povo de Deus apresentados ao longo dos dois anos anteriores pelas comunidades crist\u00e3s de todos os pontos da Terra. Foi a sinodalidade em ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o esquece porque o trabalho da Assembleia espera vir a ser correspondido por mais um ano at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3xima sess\u00e3o: \u00ab<em>Gostar\u00edamos que os meses que nos separam da segunda sess\u00e3o, em outubro de 2024, permitam a todos participar concretamente no dinamismo de comunh\u00e3o mission\u00e1ria indicado pela palavra &#8220;s\u00ednodo&#8221;<\/em>.\u00bb Lembrando, novamente, a necessidade de promover o envolvimento de todos e de cada um, a carta promete elencar os muitos desafios e as numerosas quest\u00f5es num \u00abrelat\u00f3rio de s\u00edntese\u00bb desta primeira sess\u00e3o sinodal com os acordos alcan\u00e7ados, as quest\u00f5es em aberto e propostas de prosseguimento dos trabalhos.<\/p>\n<p>Aguardei a publica\u00e7\u00e3o deste \u00abrelat\u00f3rio de s\u00edntese\u00bb com natural curiosidade j\u00e1 que, prometido naquela carta, passei a esper\u00e1-lo como sua parte integrante. E o \u00abrelat\u00f3rio de s\u00edntese\u00bb chegou a 28 de Outubro, passados tr\u00eas dias, portanto. Vinha acompanhado com 22 quadros com as tabelas, por sec\u00e7\u00f5es, dos resultados das vota\u00e7\u00f5es para cada par\u00e1grafo de entre um conjunto que se aproxima das tr\u00eas centenas.<\/p>\n<p>Chegar, chegou. Melhor dito: foi divulgado informaticamente em italiano. Simplesmente em italiano. Fiquei desapontado. S\u00f3 em italiano, porqu\u00ea? N\u00e3o vislumbro raz\u00e3o. N\u00e3o interessa ele a toda a tribo, l\u00edngua, povo e na\u00e7\u00e3o? A \u00ab<em>todos, todos, todos<\/em>\u00bb?<\/p>\n<p>Recebi uma carta de Roma em l\u00edngua portuguesa. Numa esp\u00e9cie de anexo, vieram depois umas dezenas de p\u00e1ginas em italiano, l\u00edngua que n\u00e3o domino, como n\u00e3o dominar\u00e1 a generalidade do povo an\u00f3nimo, portugu\u00eas e de outros povos e na\u00e7\u00f5es. Chama-se \u00ab<em>Relazione di S\u00edntesi<\/em>\u00bb e apresenta-se com o t\u00edtulo \u00ab<em>Una Chiesa sinodale in Missione<\/em>\u00bb. At\u00e9 aqui, entendi.<\/p>\n<p>E fui entendendo um pouco mais. Vi um texto inicial de introdu\u00e7\u00e3o e um texto final de conclus\u00e3o. Pelo meio tr\u00eas partes assim intituladas: \u00ab<em>A face da Igreja Sinodal<\/em>\u00bb, com sete cap\u00edtulos, \u00ab<em>Todos os disc\u00edpulos, todos mission\u00e1rios<\/em>\u00bb com seis cap\u00edtulos e \u00ab<em>Criando la\u00e7os, construindo comunidades<\/em>\u00bb com sete cap\u00edtulos, perfazendo ao todo vinte tem\u00e1ticas desdobradas em duzentos e setenta e um par\u00e1grafos.<\/p>\n<p>E, orientado pelos temas dos vinte cap\u00edtulos, com algum esfor\u00e7o fui entendendo um pouco mais.<\/p>\n<p>Dizem os estudantes, muitos, segundo consta, que a matem\u00e1tica \u00e9 dif\u00edcil. N\u00e3o sei se ter\u00e3o sempre raz\u00e3o. Mesmo assim, limitado nas letras italianas como sou, fui para a matem\u00e1tica que dizem ser de rigor em qualquer zona do globo, sobretudo se as opera\u00e7\u00f5es forem mesmo elementares. Virei-me para os n\u00fameros das vota\u00e7\u00f5es dos mais de trezentos agentes sinodais.<\/p>\n<p>Passei tabela por tabela, de cada um dos vinte temas e de cada um dos seus par\u00e1grafos, percorrendo com aten\u00e7\u00e3o as \u00ab<em>converg\u00eancias<\/em>\u00bb alcan\u00e7adas, as \u00ab<em>quest\u00f5es em aberto<\/em>\u00bb e \u00ab<em>propostas<\/em>\u00bb de prosseguimento dos trabalhos. Este quadro geral permitiria um bom trabalho de an\u00e1lise que n\u00e3o faremos aqui. Isso ultrapassaria de todo os objectivos e os limites deste texto. Ficarei por aquilo que imediatamente sobressai.<\/p>\n<p>Olhando para os resultados apresentados nas tabelas dos v\u00e1rios par\u00e1grafos votados, incluindo a introdu\u00e7\u00e3o e o texto final \u00ab<em>Para continuar o caminho<\/em>\u00bb, verifica-se o seguinte: a) todos os textos dos duzentos e setenta e um par\u00e1grafos foram aprovados; b) nunca houve unanimidade, mesmo nas \u00ab<em>converg\u00eancias<\/em>\u00bb; c) receberam a maior aprova\u00e7\u00e3o, com apenas um voto contra, o texto da introdu\u00e7\u00e3o e os textos de tr\u00eas par\u00e1grafos, relativos \u00e0 especificidade, distin\u00e7\u00e3o e autonomia das Igrejas Orientais, \u00e0 capacidade evangelizadora das pessoas com defici\u00eancia e \u00e0 escuta no processo sinodal; d) os cap\u00edtulos com maior n\u00famero de votos negativos situam-se sobretudo na Parte II, \u00ab<em>Todos disc\u00edpulos, todos mission\u00e1rios<\/em>\u00bb, particularmente no cap\u00edtulo 9, \u00ab<em>As mulheres na vida e na miss\u00e3o da Igreja<\/em>\u00bb, no cap\u00edtulo 11, \u00ab<em>Di\u00e1conos e sacerdotes numa Igreja sinodal<\/em>\u00bb e no cap\u00edtulo 12, \u00ab<em>O Bispo em comunh\u00e3o eclesial<\/em>\u00bb, com incid\u00eancia particular nas quest\u00f5es em aberto e nas propostas. Compreende-se, porque a\u00ed se aborda o minist\u00e9rio diaconal das mulheres, o celibato dos sacerdotes, a necessidade de uma teologia diaconal e a oportunidade de incluir sacerdotes que deixaram o minist\u00e9rio num servi\u00e7o pastoral que possa valorizar a sua forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia. Temas pol\u00e9micos a que se podem acrescentar outros dispersos por outros par\u00e1grafos como a quest\u00e3o do g\u00e9nero e a identidade sexual.<\/p>\n<p>Recebi uma carta de Roma. Regresso \u00e0s suas palavras finais: \u00ab<em>O mundo em que vivemos, e que somos chamados a amar e a servir mesmo nas suas contradi\u00e7\u00f5es, exige da Igreja o refor\u00e7o das sinergias em todos os \u00e2mbitos da sua miss\u00e3o. \u00c9 precisamente o caminho da sinodalidade que Deus espera da Igreja do terceiro mil\u00e9nio&#8221; (Papa Francisco, 17 de outubro de 2015). N\u00e3o tenhamos medo de responder a este apelo<\/em>.\u00bb<\/p>\n<p>Tentando percorrer o caminho da sinodalidade, tentarei continuar a decifrar, de dicion\u00e1rio na m\u00e3o, o italiano do \u00abRelat\u00f3rio de s\u00edntese\u00bb.<\/p>\n<p>Continuemos todos, lendo, escutando e discernindo, vencendo com f\u00e9 e esperan\u00e7a poss\u00edveis receios ou medos, respondendo ao apelo do Papa e dos membros da primeira sess\u00e3o da XVI.\u00aa Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. Para n\u00e3o esquecermos que recebemos, todos, uma carta de Roma e que o S\u00ednodo continua na Igreja. Escutando, Ela caminha silenciosa entre os ru\u00eddos do mundo.<\/p>\n<p>Guarda, 8 de Novembro de 2023<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-303831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303831\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}