{"id":303821,"date":"2023-11-13T09:26:35","date_gmt":"2023-11-13T09:26:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=303821"},"modified":"2023-11-13T09:26:35","modified_gmt":"2023-11-13T09:26:35","slug":"lusofonias-a-geografia-das-perguntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-a-geografia-das-perguntas\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; A \u2018Geografia das Perguntas\u2019"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_299394\" aria-describedby=\"caption-attachment-299394\" style=\"width: 389px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-299394\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/20231003_sinodo_bispos_sinodalidade_0118-389x260.jpg\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/20231003_sinodo_bispos_sinodalidade_0118-389x260.jpg 389w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/20231003_sinodo_bispos_sinodalidade_0118-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/20231003_sinodo_bispos_sinodalidade_0118-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/20231003_sinodo_bispos_sinodalidade_0118-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/20231003_sinodo_bispos_sinodalidade_0118-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/20231003_sinodo_bispos_sinodalidade_0118.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-299394\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Perna<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pairam no ar, nestes tempos p\u00f3s-Assembleia Sinodal, mais perguntas que respostas. Ainda bem, para evitar paralisias que matam. O P. Jos\u00e9 Miguel Cardoso, bracarense que estudou em Roma, escreveu que a nossa vida viaja diariamente pela \u2018geografia das perguntas\u2019. Acho que diz o essencial sobre o momento que atravessamos. Ousemos cruzar este mar que nos questiona e realizar esta grande viagem at\u00e9 encontrarmos as raz\u00f5es mais profundas do nosso ser e agir como humanos e crist\u00e3os. Sempre com a convic\u00e7\u00e3o profunda de que a verdade nos libertar\u00e1 e o que nos salva \u00e9 o Amor.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos, num per\u00edodo de forte contesta\u00e7\u00e3o social, algu\u00e9m escreveu num muro da Universidade de Coimbra: \u2018Jesus Cristo \u00e9 a resposta!\u2019. Nos dias seguintes, outra pessoa grafitou por baixo: \u2018Ai sim? Mas qual \u00e9 a pergunta?!\u2019. \u00c9 importante sermos eternos \u2018buscadores\u2019, como sugere Tomas Halik em \u2018O tempo das Igrejas vazias\u2019. \u00c9 uma perda imensa de oportunidade e de cr\u00e9dito tentar dar respostas a perguntas que ningu\u00e9m fez nem tem interesse em fazer.<\/p>\n<p>A Igreja tem de saber ouvir as perguntas, mais ainda, tem ela pr\u00f3pria de estar em atitude de constante questionamento, \u00e0 procura de respostas, ou de compreens\u00e3o do sentido das coisas e da vida. Corremos o risco de debitar muitas frases feitas com apar\u00eancia de resposta, mas que n\u00e3o abrem qualquer perspetiva de compreens\u00e3o, de futuro, de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando temos respostas armadilhadas para todas as perguntas j\u00e1 ultrapass\u00e1mos o patamar do bom senso e nos fizemos integristas e fundamentalistas, sem capacidade de escuta nem di\u00e1logo, transformados em senhores de toda a verdade e conhecimento. N\u00e3o ousamos fazer perguntas, porque temos medo de escutar certas respostas. Trocamos assim os valores crist\u00e3os por receitas culin\u00e1rias, n\u00e3o dando qualquer abertura \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>O Cardeal Tolentino Mendon\u00e7a tem um livro com um t\u00edtulo original: \u2018Hipop\u00f3tamo de Deus &#8211; Quando as perguntas que trazemos valem mais do que as respostas provis\u00f3rias que encontramos\u2019. Ora, ao ler a B\u00edblia, facilmente percebemos que ela \u00e9 mais um livro de perguntas que de respostas. N\u00e3o \u00e9 um livro de instru\u00e7\u00f5es para montar m\u00f3veis, mas um motor de busca de sentido.<\/p>\n<p>A Sinopse da editora a prop\u00f3sito de \u2018O pequeno caminho das grandes perguntas\u2019 explica: \u201cH\u00e1 um momento em que percebemos que s\u00e3o as perguntas (e n\u00e3o as respostas) que nos deixam mais perto do sentido. Sabemos que as respostas s\u00e3o \u00fateis, sim, e que precisamos delas para continuar a viver &#8211; mas a vida transforma as pr\u00f3prias respostas em perguntas ainda maiores. A espiritualidade tem de ser uma oportunidade para o reencontro com interroga\u00e7\u00f5es fundamentais, mesmo se desacreditadas num quotidiano que nos dispersa de forma cada vez mais absorvente: \u2018Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? A quem perten\u00e7o? Por quem ou por que coisa posso ser salvo?\u2019\u201d. \u00c9 preciso ter coragem e deixar-se interpelar para conseguir dar respostas aprofundadas a estas quest\u00f5es que tocam no mais fundo de n\u00f3s mesmos, nos desinstalam e nos obrigam a ir sempre mais longe e mais fundo, inspirados pela for\u00e7a do Esp\u00edrito que d\u00e1 coragem, luz e vida.<\/p>\n<p>Mia Couto, no seu \u2018Universo num gr\u00e3o de areia\u2019, afirma que \u2018\u00e9 melhor uma juventude inquieta do que uma juventude submissa\u2019 (p.73). Quando cruzamos os bra\u00e7os e desistimos de procurar e lutar, j\u00e1 perdemos a batalha do futuro.<\/p>\n<p>Os jovens de hoje fazem perguntas que d\u00e3o n\u00f3s no c\u00e9rebro de muita gente, incluindo os l\u00edderes pol\u00edticos e religiosos. H\u00e1 estudos sociol\u00f3gicos que apontam a juventude como a idade do questionamento das tradi\u00e7\u00f5es e do \u2018sempre se fez assim\u2019. Ora, o mesmo tem repetido o Papa Francisco. E um di\u00e1logo sincero, culto e aberto ajuda a compreender melhor a vida e os projetos de Deus.<\/p>\n<p>O P. Paulo Terroso, diocesano de Braga, membro da equipa de comunica\u00e7\u00e3o da Assembleia Sinodal, pede \u00e0 Igreja e ao mundo que n\u00e3o tenham medo de perguntas. At\u00e9 porque \u2013 verdade seja dita &#8211; a Igreja sempre cresceu mais em tempos de questionamento e tempestade do que nos momentos de grande opul\u00eancia e aparente bonan\u00e7a. As \u00e1guas muito calmas podem tamb\u00e9m provocar t\u00e9dio no decurso das longas viagens!<\/p>\n<p>Outro jornalista bracarense, o P. Jo\u00e3o Aguiar Campos, nos seus \u2018Fragmentos\u2019 (n\u00ba42) diz: \u2018h\u00e1 tantas perguntas \u00e0 espera nas esquinas. Vamos, tranquilos, na rua das certezas e, de repente, desprendem-se ou atravessam-se as interroga\u00e7\u00f5es\u2019.<\/p>\n<p>Maria pergunta ao Anjo: \u2018mas como pode ser isto?\u2019. Tal questionamento n\u00e3o demonstra qualquer falta de F\u00e9. Pelo contr\u00e1rio \u2013 como diz Tom\u00e1s Halik \u2013 \u00e9 uma quest\u00e3o de quem quer saber mais para poder responder e fazer melhor. E o \u2018sim\u2019 dela prova isso mesmo.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-303821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}