{"id":3033,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/servir-a-verdade-servir-as-pessoas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"servir-a-verdade-servir-as-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/servir-a-verdade-servir-as-pessoas\/","title":{"rendered":"Servir a verdade, servir as pessoas"},"content":{"rendered":"<p>Sempre aceitei e defendi que as minorias, sejam elas quais forem, t\u00eam direito a ter voz e voz que se ou\u00e7a. N\u00e3o, por\u00e9m, que queiram passar pelo  que n\u00e3o s\u00e3o, abafando outros com igual direito, mas n\u00e3o do mesmo sentido. Entre n\u00f3s h\u00e1 minorias, muito minorias, que t\u00eam sempre um microfone, uma c\u00e2mara, um jornal dispon\u00edvel para elas. Para muitos outros n\u00e3o h\u00e1 igual disponibilidade. Quem ouve as que falam pode julgar que todos pensam como elas. P\u00f4r-se no bico dos p\u00e9s para dar a ideia que j\u00e1 \u00e9 grande \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o para muita gente. Algu\u00e9m clamava h\u00e1 dias na televis\u00e3o que os pais n\u00e3o queriam a aula de educa\u00e7\u00e3o moral e religiosa no primeiro ciclo. Nem mais. Se o Pa\u00eds fosse feito de tolinhos, teria logo pensado que assim era. Por\u00e9m, milhares de pais matricularam livremente os seus filhos, desmentindo o dizer da meia d\u00fazia que teve acesso ao microfone. Quem viu televis\u00e3o nas \u00faltimas semanas podia ter pensado que as universidades estavam todas fechadas, que a guerra das propinas fora ganha definitivamente e os professores iam todos emigrar por se tornarem dispens\u00e1veis. Por\u00e9m, em muitas escolas superiores as coisas corriam com normalidade. Os que gritavam pelas ruas com a televis\u00e3o atr\u00e1s deles n\u00e3o passavam de uma minoria no universo dos alunos seus colegas. De quando em quando, aparecem pessoas isoladas, em hor\u00e1rios nobres das televis\u00f5es ou em primeiras p\u00e1ginas de jornais, a defender projectos estranhos de fam\u00edlia, sem que deixem margem a que se pense de outro modo. Os que ousarem faz\u00ea-lo, cai-lhes em cima uma m\u00e3o-cheia de nomes, t\u00e3o gratuitos como ofensivos. Todos nos interrogamos por que motivo h\u00e1 gente que aparece todos os dias com microfone na m\u00e3o e em imagem de primeiro plano a falar quanto tempo quiser e para dizer o que quiser, e a outros, que vale a pena ouvir sempre, se lhes d\u00e1, por esmola, minuto e meio para responder a uma pergunta tola que demorou tr\u00eas minutos a formular. A quem aproveita, \u00e9 outra interroga\u00e7\u00e3o pertinente, e o que est\u00e1 por detr\u00e1s da devassa vergonhosa que se faz impunemente da vida de pessoas que nem sequer se podem defender ou, quando se lhes permite que o fa\u00e7am,  saem mais humilhados do que o foram antes. Quando a objectividade n\u00e3o se respeita, abre-se a porta \u00e0s arbitrariedades e injusti\u00e7as, e o direito passa a ser apenas de alguns. Assistimos estupefactos aos sempre condenados sem julgamento, e aos sempre inocentados, mesmo que os ind\u00edcios de inoc\u00eancia n\u00e3o sejam claros.  Servir e respeitar a verdade \u00e9 servir e respeitar as pessoas. Passou o tempo das cruzadas. Agora s\u00f3 as fazem os que gostam da noite e para quem a verdade \u00e9 sempre e s\u00f3 a dos seus interesses.  Ant\u00f3nio Marcelino <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre aceitei e defendi que as minorias, sejam elas quais forem, t\u00eam direito a ter voz e voz que se ou\u00e7a. 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