{"id":30323,"date":"2008-02-28T12:26:03","date_gmt":"2008-02-28T12:26:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/28\/objeccao-de-consciencia-2\/"},"modified":"2008-02-28T12:26:03","modified_gmt":"2008-02-28T12:26:03","slug":"objeccao-de-consciencia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/objeccao-de-consciencia-2\/","title":{"rendered":"Objec\u00e7\u00e3o de Consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Aborto, eutan\u00e1sia e planeamento familiar estiveram em discuss\u00e3o num col\u00f3quio que juntou profissionais de sa\u00fade e estudantes do ESEFM <!--more--> O col\u00f3quio sobre \u201cObjec\u00e7\u00e3o de Consci\u00eancia\u201d trouxe \u00e0 discuss\u00e3o temas como o aborto, a eutan\u00e1sia ou planeamento familiar. Campos de ac\u00e7\u00e3o onde os profissionais de sa\u00fade se movem, entre o meio hospitalar e a sua consci\u00eancia.  Promovido pela Escola Superior de Enfermagem de S\u00e3o Francisco das Miseric\u00f3rdias &#8211; ESEFM, juntou estudantes e profissionais de sa\u00fade apostados na reflex\u00e3o, \u201cn\u00e3o na resolu\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Jo\u00e3o Paulo Nunes, Director da Escola Superior e colaborador do Centro de Bio\u00e9tica da Escola, que esteve na organiza\u00e7\u00e3o do Col\u00f3quio sobre \u201cObjec\u00e7\u00e3o de Consci\u00eancia\u201d.  A objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o pessoal que se prende com a moral e os valores pessoais. No trabalho em equipa, nos estabelecimentos de sa\u00fade, os profissionais v\u00e3o confrontar-se com v\u00e1rios pontos de vista. O objector de consci\u00eancia \u201c\u00e9 um agente de transforma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de bloqueio\u201d, sublinha o director.  <b>Tratar integralmente<\/b> A Escola tem uma tradi\u00e7\u00e3o de \u201cformar em qualidade, que implica formar para a realidade concreta\u201d, explica Jo\u00e3o Paulo Nunes, \u201cpara que as pessoas quando terminem a sua forma\u00e7\u00e3o possam desenvolver tarefas de ordem t\u00e9cnica mas tamb\u00e9m tarefas de ordem social e se comportem como agentes de mudan\u00e7a social\u201d.   Uma mudan\u00e7a social baseada na \u201cconsci\u00eancia dos desafios que as pessoas enfrentam no dia a dia\u201d. Da\u00ed que falar sobre aborto, eutan\u00e1sia ou contracep\u00e7\u00e3o manifeste uma \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o para que as pessoas que v\u00e3o depois para o terreno social, possam ajudar os cidad\u00e3os a tomar decis\u00f5es para que tenham vidas mais saud\u00e1veis\u201d.   A forma\u00e7\u00e3o adquirida \u201cser\u00e1 moeda de troca com outros colegas com forma\u00e7\u00e3o diferente\u201d, aponta o director, sublinhando que o di\u00e1logo \u00e9 o caminho a ser alimentado.   O Col\u00f3quio sobre a objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia juntou pessoas que se \u201cpreocupam com a objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d, em todas as suas dimens\u00f5es de aplica\u00e7\u00e3o no terreno.  Jo\u00e3o Paulo Nunes sublinha que a ret\u00f3rica traduz-se na realidade quando no trabalho se confrontam com v\u00e1rias quest\u00f5es. A forma\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia \u00e9 pois o primeiro passo para que depois a pessoa possa desenvolver a sua ac\u00e7\u00e3o a n\u00edvel individual e depois colectivamente, \u201ccom base em crit\u00e9rios e n\u00e3o em circunst\u00e2ncias\u201d.  As pessoas \u201cn\u00e3o precisam de ret\u00f3rica, mas de quem as escute\u201d, salienta o director. A presen\u00e7a humana \u201c\u00e9 o fundamental\u201d, porque \u201ca escuta \u00e9 j\u00e1 uma medida terap\u00eautica\u201d.  O director do ESEFM afirma que ao profissional se pede \u201cuma atitude de acolhimento, independentemente do problema que viva\u201d, seja de \u201caborto executado ou planeado, ou de eutan\u00e1sia ou outro drama qualquer\u201d.   Os profissionais \u201cdevem estar preparados para responder no tratamento de uma doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m responder \u00e0 abordagem terap\u00eautica de uma pessoa que n\u00e3o esteja doente\u201d. No quotidiano da realidade as pessoas \u201cprecisam ser escutadas e que as ajudem a identificar quais os seus problemas\u201d.   Jo\u00e3o Paulo Nunes reconhece que a objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia poder\u00e1 ser um problema \u201cinevit\u00e1vel\u201d nos estabelecimentos de sa\u00fade, pois as pessoas \u201cpodem ser condicionadas no seu trabalho pelas op\u00e7\u00f5es que tomam\u201d. No entanto \u201cabrir a porta para outro caminhos que se apresentam, pode diminuir esse problema\u201d.  <b>Bio\u00e9tica est\u00e1 na moda<\/b> A elabora\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o sobre o aborto em Portugal, que na pr\u00e1tica envolve os profissionais de sa\u00fade e desencadeia posi\u00e7\u00f5es de objec\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de consci\u00eancia este na origem da discuss\u00e3o e da reflex\u00e3o.   Herm\u00ednio Ara\u00fajo, Professor e Coordenador do Centro de Bio\u00e9tica e Enfermagem da ESEFM aponta eu \u201cn\u00e3o interessa focalizar apenas na perspectiva do aborto, mas reflectir sobre todas as dimens\u00f5es da objec\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia\u201d, afirma, recordando o problema da eutan\u00e1sia e do planeamento familiar.   Herm\u00ednio Ara\u00fajo explica que \u201cmuitas vezes ocorre o conflito entre o plano \u00e9tico e jur\u00eddico\u201d. No entanto, os problemas n\u00e3o s\u00e3o \u201cestanques\u201d. Provocar a discuss\u00e3o, \u201cpropor alternativas, fundamentadas, visa mostrar que h\u00e1 portas que se t\u00eam de abrir necessariamente\u201d.  O coordenador do Centro de Bio\u00e9tica reconhece que \u201co caminho para a reflex\u00e3o \u00e9tica est\u00e1 no princ\u00edpio\u201d, mas aponta que \u201ch\u00e1 abertura para discutir estas quest\u00f5es\u201d, at\u00e9 porque considera que o termo bio\u00e9tica \u201cest\u00e1 na moda\u201d.   O campo da bio\u00e9tica \u201cpermite o encontro de muitos profissionais na reflex\u00e3o\u201d. H\u00e1 por isso uma preocupa\u00e7\u00e3o de aproximar as pessoas destas quest\u00f5es. Exemplo disso s\u00e3o as Comiss\u00f5es de \u00e9tica que agora existem, onde est\u00e3o representadas v\u00e1rias sensibilidades: m\u00e9dicos, enfermeiros, psic\u00f3logo, te\u00f3logo, assistente social. \u201c\u00c9 um saber interdisciplinar e at\u00e9 mesmo transversal\u201d.   <b>Eutan\u00e1sia<\/b> \u201cNos pr\u00f3ximos anos haver\u00e1 mais doentes cr\u00f3nicos e terminais\u201d, apontou Laureano Santos, cardiologista e professor, presente no Col\u00f3quio que se deteve na quest\u00e3o da eutan\u00e1sia.   Na sua reflex\u00e3o o cardiologista afirmou que o que amea\u00e7a o doente terminal \u00e9 a quebra dos la\u00e7os familiares, a deficiente organiza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade e o sofrimento intenso e profundo, assim como o receio da morte.  \u201cN\u00e3o se pode aceitar que a vida s\u00f3 tem valor se for bela\u201d, sublinhou perante o audit\u00f3rio de estudantes e profissionais de sa\u00fade. \u201cH\u00e1 formas de, reunindo meios humanos e materiais, ultrapassar estas amea\u00e7as\u201d, referiu.   Laureano Santos aponta a forma\u00e7\u00e3o humanista dos t\u00e9cnicos de sa\u00fade como o primeiro factor. Estar com a pessoa doente, apoiado em conhecimentos, estabelecendo uma \u201cliga\u00e7\u00e3o com a verdade\u201d e apostar nos cuidados paliativos a incluir \u201ctanto nos curr\u00edculos pr\u00e9 como p\u00f3s graduados\u201d s\u00e3o medidas essenciais para ultrapassar o debate da eutan\u00e1sia.  O cardiologista descreve o sistema de sa\u00fade portugu\u00eas como humanista. Comparando com os EUA ou mesmo com alguns pa\u00edses n\u00f3rdicos, \u201cem Portugal ningu\u00e9m fica sem cuidados de sa\u00fade\u201d.   \u201cA pessoa \u00e9 sujeito e objectivo de toda a actua\u00e7\u00e3o terap\u00eautica\u201d e a sua sa\u00fade \u201cfaz parte do bem comum\u201d, aponta o m\u00e9dico. \u201cNeste momento tem sido o Estado a suportar isso, mas pode deixar de ser\u201d.   Existem limita\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e, para alguns Estados, os custos podem contar para as decis\u00f5es sobre a pr\u00e1tica da eutan\u00e1sia. Mas \u201cn\u00e3o acredito que em Portugal esse factor intervenha\u201d, sublinha Laureano Santos.  Se os cuidados paliativos forem instalados, \u201cpodem poupar custos pois essas camas custam um ter\u00e7o das camas nos hospitais centrais\u201d.   Laureano Santos que \u201ch\u00e1 meios para diminuir o sofrimento e dar o apoio pessoal a limites, que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo eram inesperados\u201d.   Estas medidas devem ser \u201cutilizados at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o. Existir\u00e3o sempre situa\u00e7\u00f5es muito dolorosas, que s\u00f3 podem ser minimizados, mas isto n\u00e3o se resolve com a destrui\u00e7\u00e3o da vida\u201d.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aborto, eutan\u00e1sia e planeamento familiar estiveram em discuss\u00e3o num col\u00f3quio que juntou profissionais de sa\u00fade e estudantes do ESEFM<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[93,261,316],"class_list":["post-30323","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-aborto","tag-missoes","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30323"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30323\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}