{"id":302778,"date":"2023-11-03T11:50:11","date_gmt":"2023-11-03T11:50:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=302778"},"modified":"2023-11-03T11:50:11","modified_gmt":"2023-11-03T11:50:11","slug":"so-ha-doze-bispos-no-mundo-sao-todos-homens-e-judeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/so-ha-doze-bispos-no-mundo-sao-todos-homens-e-judeus\/","title":{"rendered":"S\u00f3 h\u00e1 doze bispos no mundo. S\u00e3o todos homens e judeus"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270080 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Estamos no intervalo do S\u00ednodo da Audi\u00e7\u00e3o. Ou da Escuta. Na Carta ao Povo de Deus, de 25 de outubro, se algo sobressai, \u00e9 que a Igreja est\u00e1 \u00e0 escuta. Ou quer estar. Todo o processo deste s\u00ednodo come\u00e7ou h\u00e1 dois anos com um in\u00e9dito e \u201clongo processo de escuta e discernimento, aberto a todo o povo de Deus, sem excluir ningu\u00e9m\u201d, dizem os participantes da 16.\u00aa assembleia. E na segunda metade da carta, n\u00e3o se cansam de salientar a escuta: \u201cE agora? Gostar\u00edamos que os meses que nos separam da segunda sess\u00e3o, em outubro de 2024, permitam a todos participar concretamente no dinamismo de comunh\u00e3o mission\u00e1ria indicado pela palavra \u201cs\u00ednodo\u201d\u201d. (\u2026) \u201cPara progredir no seu discernimento, a Igreja precisa absolutamente de escutar todos, a come\u00e7ar pelos mais pobres\u201d. \u201cA Igreja precisa de colocar-se \u00e0 escuta das fam\u00edlias, as suas preocupa\u00e7\u00f5es educativas, o testemunho crist\u00e3o que oferecem no mundo de hoje. Precisa de acolher as vozes daqueles que desejam se envolver em minist\u00e9rios leigos ou em \u00f3rg\u00e3os participativos de discernimento e de tomada de decis\u00f5es. Para progredir no discernimento sinodal, a Igreja tem particular necessidade de recolher ainda mais a palavra e a experi\u00eancia dos ministros ordenados: os sacerdotes, primeiros colaboradores dos bispos, cujo minist\u00e9rio sacramental \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 vida de todo o corpo; os di\u00e1conos, que com o seu minist\u00e9rio significam a solicitude de toda a Igreja ao servi\u00e7o dos mais vulner\u00e1veis. Deve tamb\u00e9m deixar-se interpelar pela voz prof\u00e9tica da vida consagrada, sentinela vigilante dos apelos do Esp\u00edrito. Precisa ainda de estar atenta a todos aqueles que n\u00e3o partilham a sua f\u00e9, mas que procuram a verdade (\u2026)\u201d.<\/p>\n<p>No ponto 9 do Relat\u00f3rio de S\u00edntese fala-se das \u201cmulheres na vida e na miss\u00e3o da Igreja\u201d. E \u00e9 neste ponto que quero dar o meu modesto contributo.<\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o ordena mulheres. Por outras palavras, as mulheres n\u00e3o podem presidir \u00e0 Eucaristia. No meu ponto de vista, este \u00e9 o mais grave assunto da Igreja (ainda que o s\u00ednodo pe\u00e7a para que n\u00e3o se fale das mulheres como \u201cde uma quest\u00e3o ou um problema\u201d). N\u00e3o ter mulheres a presidir \u00e0 Eucaristia \u00e9 a maior limita\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o da Igreja. E representa um contratestemunho na \u00e9poca em que vivemos. O mundo, mesmo que n\u00e3o creia, v\u00ea como uma desigualdade a n\u00e3o admiss\u00e3o de mulheres ao sacerd\u00f3cio ministerial. A Igreja defende-se dizendo que n\u00e3o se trata de desigualdade, mas sim do cumprimento de uma vontade superior \u00e0 pr\u00f3pria Igreja, uma vontade que vem de Jesus Cristo. \u201cChamando s\u00f3 homens como seus ap\u00f3stolos, Cristo agiu de maneira totalmente livre e soberana\u201d, escreveu Jo\u00e3o Paulo II na carta apost\u00f3lica \u201cMulieris Dignitatem\u201d.<\/p>\n<p>Algumas pessoas com mais responsabilidade na Igreja (bispos e da\u00ed para cima) por vezes d\u00e3o a entender que at\u00e9 gostariam que a situa\u00e7\u00e3o fosse diferente. Mas n\u00e3o podem, por raz\u00f5es b\u00edblicas e de Trai\u00e7\u00e3o. Resume-se esta posi\u00e7\u00e3o na frase: A Igreja at\u00e9 pode querer, mas n\u00e3o pode fazer, porque \u00e9 pr\u00f3prio da sua \u201cconstitui\u00e7\u00e3o divina\u201d. E Jo\u00e3o Paulo II escreveu: \u201cPara que seja exclu\u00edda qualquer d\u00favida em assunto da m\u00e1xima import\u00e2ncia, que pertence \u00e0 pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o divina da Igreja, em virtude do meu minist\u00e9rio de confirmar os irm\u00e3os (cfr\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a022,32), declaro que a Igreja n\u00e3o tem absolutamente a faculdade de conferir a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal \u00e0s mulheres, e que esta senten\u00e7a deve ser considerada como definitiva por todos os fi\u00e9is da Igreja\u201d. Muitos discutem se este pronunciamento de Jo\u00e3o Paulo II \u00e9 mesmo definitivo. N\u00e3o \u00e9, obviamente, \u201cex catedra\u201d. As portas da discuss\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o fechadas.<\/p>\n<p>Uma sa\u00edda para esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em perceber que Jesus n\u00e3o escolheu s\u00f3 homens para ap\u00f3stolos. Ou melhor eram homens, sim, mas eram Doze e eram judeus. N\u00e3o eram \u201cs\u00f3 homens\u201d. Eram doze, judeus. A simbologia dos Doze, que d\u00e1 origem \u00e0 Igreja apost\u00f3lica que somos, assenta num trip\u00e9: homens (como os lideres das tribos de Israel, e n\u00e3o homens e mulheres), Doze (como as tribos, e n\u00e3o 13 ou 14) e judeus (e n\u00e3o romanos nem sequer samaritanos).<\/p>\n<p>Ora, a Igreja vive no tempo. E no in\u00edcio quis manter o s\u00edmbolo intacto. Com o desaparecimento de Judas, foi sorteado (!) Matias, \u201cque foi inclu\u00eddo entre os onze Ap\u00f3stolos\u201d (At 1,26). Tinham de ser doze, pensava a Igreja desta altura. Mas rapidamente as coisas mudaram na quest\u00e3o do n\u00famero. N\u00e3o era o n\u00famero em si que interessava. E tamb\u00e9m mudaram na quest\u00e3o na nacionalidade. N\u00e3o era ser judeu que interessava. O Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m foi o grande s\u00ednodo da viragem na quest\u00e3o dos genes. Faltou mudar na quest\u00e3o do g\u00e9nero. Faltou mesmo? Talvez ela se tenha dado na pr\u00f3pria B\u00edblia, se notarmos que Paulo trata J\u00fania por ap\u00f3stolo e destaca a lideran\u00e7a de Prisca, entre outros casos, levando o especialista paulino Jerome Murphy-O\u2019Connor a escrever: \u201cCom toda a probabilidade, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as entres os homens e as mulheres\u201d nas comunidades paulinas. Porque n\u00e3o persistiu a novidade? Talvez porque colidiu com a cultura androc\u00eantrica. A mesma que ainda hoje predomina.<\/p>\n<p>Se a Igreja teve o poder de ultrapassar o \u201cs\u00f3\u201d doze e o \u201cs\u00f3\u201d judeus, porque n\u00e3o tem o poder de ultrapassar o \u201cs\u00f3\u201d homens?<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270080,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-302778","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/302778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=302778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/302778\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=302778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=302778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=302778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}