{"id":30274,"date":"2008-02-26T11:22:10","date_gmt":"2008-02-26T11:22:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/26\/irmaos-de-taize-ajudam-refugiados-em-dakar\/"},"modified":"2008-02-26T11:22:10","modified_gmt":"2008-02-26T11:22:10","slug":"irmaos-de-taize-ajudam-refugiados-em-dakar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/irmaos-de-taize-ajudam-refugiados-em-dakar\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3os de Taiz\u00e9 ajudam refugiados em Dakar"},"content":{"rendered":"<p>Por iniciativa dos irm\u00e3os de Taiz\u00e9 que vivem em Dakar, no Senegal, foi criado um servi\u00e7o de apoio aos emigrantes e refugiados (P.A.R.I.: \u00abPoint d\u2019Accueil pour R\u00e9fugi\u00e9s et Immigr\u00e9s\u00bb) em 1995, sob a \u00e9gide da C\u00e1ritas-Dakar. As par\u00f3quias e as comunidades religiosas atribu\u00edram-lhe responsabilidades em v\u00e1rias actividades, que cada vez se afiguram mais necess\u00e1rias, dado o crescente n\u00famero de pessoas deslocadas, neste ponto a Oeste de \u00c1frica.  Desde o in\u00edcio que o P.A.R.I. definiu como linha condutora a ajuda a estes refugiados de cidade, no sentido de eles assumirem as suas responsabilidades: \u00e9 essencial que eles assumam a sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia e a sua inser\u00e7\u00e3o na t\u00e3o variada e desenvolvida vida de Dakar. A principal forma de fazer isto consiste na promo\u00e7\u00e3o de \u00abprojectos muito pequenos\u00bb.  Em primeiro lugar, o P.A.R.I. pergunta ao refugiado com qual emprego ele acha que poder\u00e1 garantir a sua subsist\u00eancia, num contexto onde ele possa esperar n\u00e3o receber assist\u00eancia permanente de ningu\u00e9m. \u00c9 o pr\u00f3prio refugiado que tem de responder a esta pergunta, para poder genuinamente abra\u00e7ar o seu projecto. Depois, ele \u00e9 convidado a fazer uma lista estimativa do equipamento, materiais e at\u00e9 produtos que acha que vai precisar. O P.A.R.I. examina o projecto, dado que \u00e9 dada preval\u00eancia \u00e0queles que conferem um lucro atrav\u00e9s do trabalho da pessoa em quest\u00e3o. Contudo, as proposi\u00e7\u00f5es puramente comerciais s\u00e3o a maior parte das vezes evitadas.  Entre os projectos mais frequentes costumam constar cabeleireiros, sapateiros, fazedores de donuts, pessoas que querem instalar um restaurante, trabalhar no porto ou nos mercados, etc\u2026 Os projectos n\u00e3o excedem os 30 000 Fcfa (cerca de 45 Euros). N\u00e3o reembols\u00e1veis. Mas este n\u00e3o \u00e9 dinheiro deitado fora: \u00e9 o P.A.R.I. quem adquire o material e o fornece \u00e0 pessoa em quest\u00e3o.  Depois, o P.A.R.I. supervisiona a elabora\u00e7\u00e3o do projecto atrav\u00e9s de visitas regulares. Dada a mobilidade de muitas destas actividades, este n\u00e3o \u00e9 um assunto f\u00e1cil. Aqueles que perseveraram e se aparentam particularmente ass\u00edduos recebem uma \u00abajuda\u00bb extra ao fim de um ano, especialmente se tiverem fam\u00edlia.  A taxa de sucesso, que ronda os 60%, parece satisfat\u00f3ria. Pode acontecer que um refugiado mude de actividade, vendendo o material que lhe foi concedido. N\u00e3o h\u00e1 inconvenientes nisso, o que importa \u00e9 que seja ele a tomar conta da sua vida.  O P.A.R.I. n\u00e3o pretende que estes \u00abpequenos projectos\u00bb providenciem solu\u00e7\u00f5es a longo prazo para os refugiados, ainda que algumas pessoas perseverem e sobrevivam durante anos gra\u00e7as ao seu projecto. Acima de tudo, este \u00e9 um meio de ensinar as pessoas a tornarem-se respons\u00e1veis e uma forma muito pr\u00e1tica de os ajudar.  Acontece por vezes que o come\u00e7o de um projecto coincide com um per\u00edodo de grande dificuldade para o refugiado \u2013 necessidades prementes, tal como comida \u2013 que resultam no afundamento do projecto. Por isso, os planos de atribui\u00e7\u00e3o de equipamentos para os pequenos projectos s\u00e3o acompanhados da oferta de um \u00abapoio alimentar\u00bb. Para os que t\u00eam uma fam\u00edlia, o \u00abapoio alimentar\u00bb consiste num pacote com 10 Kg de arroz, 1 litro de \u00f3leo, 500 gramas de massa, a\u00e7\u00facar, leite em p\u00f3 e sabonete: num valor total de 6550 Fcfa (10 Euros).  <b>Quais os refugiados que beneficiam<\/b>  Quem s\u00e3o estes refugiados escolhidos nesta imensa \u00e1rea de Dakar? No in\u00edcio, havia fam\u00edlias ruandesas que fugiram da \u00c1frica Central por causa dos conflitos, apesar de l\u00e1 terem vivido durante muitos anos. Havia jovens congoleses de Brazzaville e da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, sob amea\u00e7a devido a quest\u00f5es \u00e9tnicas ou outras, cujas fam\u00edlias se encontravam do \u00ablado errado\u00bb da luta pol\u00edtica. Havia imensos liberianos que fugiram outra vez do seu pa\u00eds, depois de terem tentado regressar sob a ilus\u00e3o de que a paz havia finalmente chegado. Tamb\u00e9m havia pessoas da Serra Leoa, que eram muito numerosas em tempos de conflitos. Desde os primeiros anos que as nacionalidades se foram diversificando, da\u00ed que o projecto n\u00e3o ajude s\u00f3 grupos, mas tamb\u00e9m isoladamente alguns indiv\u00edduos. Entre estes, torna-se dif\u00edcil distinguir os refugiados pol\u00edticos dos econ\u00f3micos ou at\u00e9 aqueles que s\u00e3o apenas emigrantes. Todos eles dizem ser refugiados. Na verdade, s\u00e3o poucos os que pedem asilo que conseguem obter o estatuto de refugiado: em m\u00e9dia apenas 6%! Todos os outros, assim que os meios que conferem a protec\u00e7\u00e3o legal m\u00ednima se encontram esgotados, s\u00e3o deixados sem licen\u00e7a de resid\u00eancia (\u00e9 preciso um emprego fixo) e sem passaporte (\u00e9 preciso estar em contacto com a embaixada). Dakar \u00e9 portanto o para\u00edso para os que n\u00e3o t\u00eam documentos de identifica\u00e7\u00e3o. Se eles se mantiverem quietos, n\u00e3o vaguearem pelas ruas \u00e0 noite e se afastarem do tr\u00e1fico, conseguem viver durante anos sem terem problemas com a pol\u00edcia. Talvez um dia, se apanhados num raid policial, possam vir a passar v\u00e1rios meses em pris\u00e3o preventiva. Seis meses depois, o tribunal conden\u00e1-los-\u00e1 ao tempo que j\u00e1 passaram atr\u00e1s das grades e pedir-lhes-\u00e1 que abandonem o pa\u00eds\u2026 o que eles certamente n\u00e3o far\u00e3o.  <b>Um novo acordo<\/b>  A partir de 2006 a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a complicar-se devido a uma vaga de emigra\u00e7\u00e3o clandestina, nos muitos barcos com destino \u00e0s Can\u00e1rias. Este fen\u00f3meno envolve sobretudo jovens senegaleses, mas tamb\u00e9m alguns estrangeiros que pens\u00e1vamos estarem \u00e0 procura de ref\u00fagio em Dakar, mas que na verdade, estavam apenas \u00abem tr\u00e2nsito\u00bb.  O P.A.R.I. n\u00e3o quer encorajar estas loucas aventuras que normalmente acabam em trag\u00e9dia e a maior parte das vezes em repatria\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Que desperd\u00edcio de energia e dinheiro \u2013 que apesar de tudo reflecte a desilus\u00e3o dos jovens, de uma parte de \u00c1frica, que perderam a esperan\u00e7a e n\u00e3o conseguem imaginar um futuro no seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Normalmente, eles lidam muito mal com o facto de terem falhado a sua tentativa, sentem-se envergonhados e, a maior parte das vezes, encontram-se endividados. H\u00e1 at\u00e9 jovens senegaleses que n\u00e3o se atrevem a voltar a casa e que acabam por ser refugiados no seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Juntam-se a outros emigrantes \u00abentalados\u00bb; ficam em Dakar desenrascando-se o melhor que podem \u2013 tal como muitos outros senegaleses de Dakar que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o muito melhor.  Este \u00e9 um novo desafio para o P.A.R.I. Muitas quest\u00f5es se levantam relacionadas com as consequ\u00eancias da emigra\u00e7\u00e3o clandestina: os que s\u00e3o expulsos ou repatriados (que normalmente apenas sonham em tentar outra vez). N\u00e3o seria melhor unir esfor\u00e7os com todos os outros, com vista a melhorar a educa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento, para devolver aos jovens a esperan\u00e7a e dizer-lhes que afinal existe um futuro para eles em \u00c1frica? Seria essencial, ao mesmo tempo, continuar a acompanhar estes jovens derrotados nas suas aventuras, t\u00e3o amargos e desapontados.  Que sorte poder viver isto em Dakar e n\u00e3o noutro local! Esta cidade possui um acolhimento excepcional para os estrangeiros, sobretudo nas zonas mais pobres. As pessoas podem ter pouco para dar, mas a toler\u00e2ncia que existe \u00e9 grande e j\u00e1 foi at\u00e9 considerada uma virtude nacional. Este \u00e9 o famoso \u00abt\u00e9ranga\u00bb (acolhimento) \u2013 que \u00e9 uma palavra cheia de significado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por iniciativa dos irm\u00e3os de Taiz\u00e9 que vivem em Dakar, no Senegal, foi criado um servi\u00e7o de apoio aos emigrantes e refugiados (P.A.R.I.: \u00abPoint d\u2019Accueil pour R\u00e9fugi\u00e9s et Immigr\u00e9s\u00bb) em 1995, sob a \u00e9gide da C\u00e1ritas-Dakar. 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