{"id":30267,"date":"2008-02-26T10:33:12","date_gmt":"2008-02-26T10:33:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/26\/responsabilidades-laicais-na-vida-da-igreja\/"},"modified":"2008-02-26T10:33:12","modified_gmt":"2008-02-26T10:33:12","slug":"responsabilidades-laicais-na-vida-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/responsabilidades-laicais-na-vida-da-igreja\/","title":{"rendered":"Responsabilidades laicais na vida da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>O estar \u00abcom as m\u00e3os na massa\u00bb certamente potencia nos leigos uma sensibilidade particular para as quest\u00f5es do mundo <!--more--> \u00abOs fi\u00e9is leigos, cuja \u201cvoca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o na Igreja e no mundo a vinte anos do Conc\u00edlio Vaticano II\u201d foi tema do S\u00ednodo dos Bispos de 1987, pertencem \u00e0quele Povo de Deus que \u00e9 representado na imagem dos trabalhadores da vinha, de que fala o Evangelho de Mateus: \u201cO Reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a um propriet\u00e1rio, que saiu muito cedo, a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um den\u00e1rio por dia e mandou-os para a vinha\u201d (Mt 20, 1-2). A par\u00e1bola do Evangelho abre aos nossos olhos a imensa vinha do Senhor e a multid\u00e3o de pessoas, homens e mulheres, que Ele chama e envia para trabalhar nela. A vinha \u00e9 o mundo inteiro, que deve ser transformado segundo o plano de Deus em ordem ao advento definitivo do Reino de Deus.\u00bb Come\u00e7a assim a conhecida exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal Christifideles Laici do Papa Jo\u00e3o Paulo II sobre voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o dos leigos na Igreja e no mundo. Publicada a 30 de Dezembro de 1988, \u00e9 a ainda hoje documento de refer\u00eancia para qualquer reflex\u00e3o sobre esta parte do Povo de Deus a que chamamos os leigos. Parece-me significativa a escolha desta par\u00e1bola do Evangelho de Mateus para introduzir um documento do Magist\u00e9rio da Igreja sobre os leigos. Precisamente porque os trabalhadores contratados pelo propriet\u00e1rio s\u00e3o imagem de todo o Povo de Deus, chamado e enviado a transformar o mundo (a vinha), \u00e9 claro o apelo a que todos n\u00f3s \u2013 sacerdotes, religiosos e leigos \u2013 nos consideremos igualmente chamados a esta miss\u00e3o. Para falarmos sobre o papel dos leigos hoje, e sobre a sua responsabilidade na vida da Igreja, \u00e9 imprescind\u00edvel termos diante de n\u00f3s esta mesma imagem. Na diversidade de fun\u00e7\u00f5es e de servi\u00e7os que cada um dos membros do Povo de Deus \u00e9 chamado a desempenhar, \u00e9 imprescind\u00edvel a consci\u00eancia de sermos, antes de mais, irm\u00e3os e irm\u00e3s, unidos pelo mandamento que o Senhor nos deu: \u00abDou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei\u00bb (Jo 13, 34). A Igreja tem hoje esta vis\u00e3o de si: comunh\u00e3o de pessoas, que abertas \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o testemunho para o mundo. Mas se isto \u00e9 v\u00e1lido para todo o Povo de Deus, qual \u00e9 ent\u00e3o a voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos leigos? De que modo colaboram na condu\u00e7\u00e3o da vida da Igreja? Como devem concretizar a miss\u00e3o de levar Cristo ao mundo? A prop\u00f3sito destas quest\u00f5es vem \u00e0 mente a recente mensagem do Papa Bento XVI aos bispos portugueses, sobre a Igreja em Portugal. Referindo-se \u00e0 Igreja como \u00abo corpo de Cristo que abra\u00e7a a humanidade de todos os tempos e lugares\u00bb e recordando que cada um de n\u00f3s pertence a Cristo \u00abapenas se unido a todos aqueles que se tornaram ou se h\u00e3o-de tornar Seus\u00bb, o Papa diz que \u00e9 Cristo a \u00abrealiza\u00e7\u00e3o dos desejos mais profundos e verdadeiros\u2026 onde a vida e o ser de cada um encarna o Verbo de Deus\u00bb. \u00abIndicador concreto dessa encarna\u00e7\u00e3o: o transbordar para os outros da vida de Cristo que irrompe em mim\u00bb. E diz-nos depois como deve ser entendida a comunh\u00e3o, que sendo a base da vida crist\u00e3, \u00e9 tamb\u00e9m testemunho e \u00abprimeiro an\u00fancio\u00bb: \u00abOs elementos essenciais do conceito crist\u00e3o de \u201ccomunh\u00e3o\u201d encontram-se neste texto da primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cO que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que tamb\u00e9m v\u00f3s tenhais comunh\u00e3o connosco. Quanto \u00e0 nossa comunh\u00e3o, ela \u00e9 com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo\u201d (1, 3). Sobressai aqui o ponto de partida da comunh\u00e3o: est\u00e1 na uni\u00e3o de Deus com o homem, que \u00e9 Cristo em pessoa; o encontro com Cristo cria a comunh\u00e3o com Ele mesmo e, n\u2019Ele, com o Pai no Esp\u00edrito Santo. Vemos assim \u2013 como escrevi na primeira Enc\u00edclica \u2013 que, \u201cao in\u00edcio do ser crist\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa [Jesus Cristo] que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo\u201d (Deus caritas est, 1); a evangeliza\u00e7\u00e3o da pessoa e das comunidades humanas depende, absolutamente, da exist\u00eancia ou n\u00e3o deste encontro com Jesus Cristo.\u00bb Temos assim, no in\u00edcio de tudo, um encontro com Jesus Cristo que d\u00e1 um novo horizonte \u00e0 vida; uma ades\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o que Ele nos prop\u00f5e, e que nos torna um s\u00f3 corpo; o deixarmo-nos transformar por Ele, de tal modo que \u00e9 Ele quem \u00abirrompe\u00bb e \u00abtransborda\u00bb da nossa vida. Parece evidente que uma vida crist\u00e3 vivida com esta consci\u00eancia \u00e9 a base indispens\u00e1vel para descobrir respostas, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s quest\u00f5es referidas antes, mas tamb\u00e9m \u00e0s muitas outras que surgem e continuar\u00e3o a surgir numa Igreja chamada a viver no tempo, na hist\u00f3ria. Se hoje se sente a necessidade de compreender qual a voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos leigos \u00e9 talvez porque at\u00e9 h\u00e1 bem pouco tempo lhes era pedido que fossem apenas objecto fiel dos cuidados pastorais; no entanto, a vis\u00e3o de si que a Igreja tem hoje n\u00e3o elimina \u2013 antes pelo contr\u00e1rio, acresce \u2013 a necessidade duma maior aten\u00e7\u00e3o dos pastores pelas quest\u00f5es que tocam os leigos, ponta de lan\u00e7a do Povo de Deus numa sociedade em transforma\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e cont\u00ednua, que n\u00e3o cessa de questionar a Igreja sobre a sua mensagem e as suas op\u00e7\u00f5es de vida. Por outro lado, o estar \u00abcom as m\u00e3os na massa\u00bb certamente potencia nos leigos uma sensibilidade particular para as quest\u00f5es do mundo; \u00e9 evidente que, para qualquer an\u00e1lise que a Igreja queira fazer sobre estas quest\u00f5es, \u00e9 determinante o contributo dos leigos. Com o Conc\u00edlio Vaticano II a Igreja operou uma mudan\u00e7a epocal na vis\u00e3o que tem de si mesma. Hoje, dificilmente algu\u00e9m p\u00f5e em causa a eclesiologia de comunh\u00e3o que caracteriza esta vis\u00e3o. A perspectiva piramidal da Igreja faz parte da sua hist\u00f3ria, como concep\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica de um tempo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o nosso. Esta \u00e9, a meu ver, a quest\u00e3o de fundo. O Povo de Deus \u2013 bispos, presb\u00edteros, di\u00e1conos, religiosos, religiosas, leigos e leigas \u2013 tem consci\u00eancia de ser, antes de mais, uma fam\u00edlia de irm\u00e3os e irm\u00e3s, um s\u00f3 corpo que \u00e9 o corpo do seu Senhor. Est\u00e3o criadas todas as condi\u00e7\u00f5es para assumirmos plenamente e vivermos intensamente esta comunh\u00e3o. Estou certo que, na medida em que o fizermos, encontraremos todas as respostas. Porque a\u00ed Ele est\u00e1 presente, ilumina e sugere caminhos a seguir. D\u00e1-se o embate com Ele, vivo em n\u00f3s e no meio de n\u00f3s. Voltemos ainda, por um momento, \u00e0 par\u00e1bola da vinha. O relato continua com o propriet\u00e1rio a contratar outros trabalhadores, ao longo das v\u00e1rias horas do dia, para irem trabalhar na sua vinha. E ao fim do dia, quando v\u00e3o receber, os trabalhadores d\u00e3o-se conta que o propriet\u00e1rio paga ao \u00faltimo, que trabalhou menos tempo, o mesmo ordenado que paga ao primeiro. Estamos sempre a tempo!  <i>Benjamim Ferreira,  Director do Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos e da Fam\u00edlia  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estar \u00abcom as m\u00e3os na massa\u00bb certamente potencia nos leigos uma sensibilidade particular para as quest\u00f5es do mundo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[100,118,120,144,206,237,311],"class_list":["post-30267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-advento","tag-apostolado-dos-leigos","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}