{"id":30241,"date":"2008-02-25T12:17:33","date_gmt":"2008-02-25T12:17:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/25\/a-fe-e-a-escuta-da-palavra-de-deus\/"},"modified":"2008-02-25T12:17:33","modified_gmt":"2008-02-25T12:17:33","slug":"a-fe-e-a-escuta-da-palavra-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-fe-e-a-escuta-da-palavra-de-deus\/","title":{"rendered":"<i>A F\u00e9 e a escuta da Palavra de Deus<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 3.\u00ba Domingo da Quaresma <!--more-->  1. \u201cA Deus que revela \u00e9 devida a obedi\u00eancia da f\u00e9\u201d[1]. O Conc\u00edlio, inspirado em S\u00e3o Paulo, para quem a f\u00e9 \u00e9 uma obedi\u00eancia a Deus que nos revelou a Sua Palavra, situa assim a rela\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 com a Palavra de Deus.  J\u00e1 vimos que o desejo de Deus \u00e9 fazer-nos escutar a Sua Palavra eterna, entrando em comunh\u00e3o \u00edntima com o Seu mist\u00e9rio. F\u00e1-lo, normalmente, atrav\u00e9s da Palavra inspirada, a Escritura, a Palavra da Igreja, a sua interven\u00e7\u00e3o nos acontecimentos da nossa vida. A Palavra revelada \u00e9 sacramento que nos leva \u00e0 intimidade com Deus, permitindo-nos escut\u00e1-l\u2019O, tocando o Seu des\u00edgnio a nosso respeito. Atrav\u00e9s da palavra humana da Escritura ou da Igreja, Deus pode estabelecer, com cada crente, um di\u00e1logo de revela\u00e7\u00e3o e de intimidade, que apenas explicita e situa na vida de cada um a Palavra de Deus encarnada na Palavra revelada. As revela\u00e7\u00f5es privadas n\u00e3o podem, nem afastar-se, nem contradizer, o que Deus nos diz em Jesus Cristo e na Palavra de Deus, Escritura ou Tradi\u00e7\u00e3o.  Quando acontece na vida de um homem ou de uma mulher sentir essa Palavra \u00edntima de Deus, atrav\u00e9s de um acontecimento, da Palavra da Escritura ou da palavra da Igreja, fica, num momento, perante a op\u00e7\u00e3o mais radical da sua vida: ou escuta o Senhor e deixa que a Sua Palavra lhe transforme a exist\u00eancia, ou a recusa. Essa atitude de escuta e de abandono \u00e0 Palavra de Deus \u00e9 a f\u00e9. Esta \u00e9 a resposta humana \u00e0 Palavra viva de Deus, estabelece um di\u00e1logo, sela uma Alian\u00e7a, desencadeia o seguimento do Senhor, passando o crente a viver com Ele, a vida, segundo a Sua vontade: \u201cseja feita a Vossa vontade, na Terra como no C\u00e9u\u201d (Mt. 6,10).  S\u00e3o Paulo chama \u00e0 f\u00e9 uma \u201cobedi\u00eancia\u201d (cf. Rom. 16,26;1,5). Isto significa que a f\u00e9 \u00e9 um abandono confiante a Deus que nos falou. No hebraico, l\u00edngua em que pela primeira vez se exprimiu esta resposta do homem a Deus que Se lhe revela, a palavra significa confian\u00e7a total e sem limites em algu\u00e9m, confian\u00e7a que d\u00e1 seguran\u00e7a. Aquele em quem se confia torna-se o \u201crochedo\u201d da nossa seguran\u00e7a: o Senhor \u00e9 o meu rochedo e a minha salva\u00e7\u00e3o, canta o salmista. Isto significa que a f\u00e9 \u00e9 uma resposta de amor, que responde ao amor. Abandona-se na confian\u00e7a da f\u00e9, aquele que sentiu, ao acolher a Palavra de Deus, que Ele o ama. O Conc\u00edlio diz que, ao perceber que o Senhor nos ama, esta confian\u00e7a \u00e9 devida a Deus. Seria o pecado da ingratid\u00e3o n\u00e3o responder ao amor de Deus com o nosso amor. A f\u00e9 \u00e9, desde o primeiro momento, uma express\u00e3o da caridade, acto de adora\u00e7\u00e3o e de louvor.     2. Com o aparecimento de Jesus, que hoje sabemos ser a encarna\u00e7\u00e3o da Palavra eterna de Deus, o pr\u00f3prio Filho de Deus, a f\u00e9 passa a ser a resposta a Jesus Cristo e \u00e0 Sua Palavra. Aqueles que escutaram e seguiram o Senhor, podiam ainda n\u00e3o ter completa consci\u00eancia do Seu mist\u00e9rio, mas aceitaram a Sua Palavra como vinda de Deus e confiaram, seguindo-O, acreditando no Seu poder de fazer milagres, vendo n\u2019Ele o Messias prometido. Ali\u00e1s Jesus pede a f\u00e9 como resposta \u00e0 Sua Palavra: Marcos diz: \u201cEle proclamava a Boa Nova vinda de Deus: os tempos completaram-se e o Reino de Deus est\u00e1 agora muito pr\u00f3ximo: arrependei-vos e acreditai na Boa Nova\u201d (Mc. 1,14-15). Deixar o barco e as redes ou a mesa de cobrador de impostos e seguir Jesus, fazendo-se seu disc\u00edpulo, \u00e9 uma atitude radical de confian\u00e7a que envolve e transforma a pr\u00f3pria vida.  Esta f\u00e9 dos disc\u00edpulos \u00e9 posta \u00e0 prova durante toda a vida terrena de Jesus, pelas d\u00favidas, pelo choque dos acontecimentos, sobretudo a morte ignominiosa do Senhor. Aceitar a Sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a etapa definitiva da Sua f\u00e9, onde se inaugura a f\u00e9 da Igreja. Esta reconhece no Senhor a mais bela Palavra de Deus, a maior manifesta\u00e7\u00e3o do Seu amor por n\u00f3s, e responder a Deus, na f\u00e9, \u00e9 comprometer-se com Jesus Cristo, que nos d\u00e1 o Seu Esp\u00edrito, \u00e9 mergulhar n\u2019Ele e no projecto de vida que Ele encerra. Ele revela o grande segredo de Deus acerca da nossa salva\u00e7\u00e3o, e escutar Deus \u00e9 segui-l\u2019O, identificar-nos com Ele, acolher a vida que Ele nos d\u00e1. Cristo tornou-se a refer\u00eancia inevit\u00e1vel da nossa f\u00e9, no seu in\u00edcio, no seu crescimento, na exig\u00eancia do modo de viver, no conhecimento do amor de Deus, na esperan\u00e7a da vida em plenitude, a vida eterna.     Todo o itiner\u00e1rio da f\u00e9 est\u00e1 ligado \u00e0 Palavra de Deus  3. A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e9 religiosa qualquer. \u00c9 o abandono confiante \u00e0 Palavra de Deus que nos tocou o cora\u00e7\u00e3o e que hoje podemos ouvir em Jesus Cristo. \u00c9 um projecto de intimidade e de vida com Cristo.  Os Seus ensinamentos, os relatos da Sua vida e o que significaram para n\u00f3s a Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se tornaram Escritura, palavra revelada que nos pode levar ao encontro vivo com Cristo vivo, atrav\u00e9s dos Evangelhos e dos ensinamentos dos Ap\u00f3stolos. Mas Cristo Palavra \u00e9 mais do que a Escritura. Ele veio e ficou, na Sua Igreja, na Eucaristia; Ele est\u00e1 connosco e s\u00f3 n\u00e3o O ama e n\u00e3o O escuta quem n\u00e3o quer. Ele d\u00e1-nos o Esp\u00edrito Santo que torna viva a Palavra de Deus em n\u00f3s, e faz da nossa f\u00e9 uma experi\u00eancia de comunh\u00e3o com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo (cf. 1Jo. 1,3).  A f\u00e9 \u00e9, assim, a atitude decisiva do crist\u00e3o. Escutar Deus, em Jesus Cristo, preside a toda a caminhada da f\u00e9 durante a nossa vida neste mundo. Ao seu in\u00edcio: escutar a Palavra, o an\u00fancio crist\u00e3o, \u00e9 o in\u00edcio da f\u00e9. S\u00e3o Paulo exprime bem este itiner\u00e1rio da f\u00e9 ligado \u00e0 Palavra: referindo-se aos judeus, tamb\u00e9m eles chamados a reconhecer em Cristo a Palavra definitiva de Deus, escreve: \u201cMas como h\u00e3o-de invoc\u00e1-l\u2019O sem primeiro acreditar n\u2019Ele? E como h\u00e3o-de acreditar sem primeiro ouvirem? E como h\u00e3o-de ouvir sem pregador? E como pregar sem primeiro ser enviado? Como diz a Escritura, Oh! como s\u00e3o belos os p\u00e9s dos mensageiros de boas novas! Mas nem todos obedeceram \u00e0 Boa Nova. O pr\u00f3prio Isa\u00edas o disse: Senhor, quem acreditou na nossa prega\u00e7\u00e3o? Assim a f\u00e9 nasce da prega\u00e7\u00e3o e desta prega\u00e7\u00e3o a Palavra de Cristo \u00e9 o instrumento\u201d (Rom. 10,14-17).  Est\u00e1 aqui claramente afirmado que a Igreja se identifica com a Sua miss\u00e3o de proclamar a Palavra e anunciar Jesus Cristo. A Igreja s\u00f3 subsiste e ser\u00e1 fiel ao des\u00edgnio de Deus se os que j\u00e1 s\u00e3o crentes crescerem na f\u00e9 e os que ainda n\u00e3o s\u00e3o crentes se converterem \u00e0 f\u00e9, atrav\u00e9s do testemunho da Igreja. A prega\u00e7\u00e3o \u00e9 um dever primordial da Igreja.  Mas a escuta da Palavra preside igualmente ao aprofundamento da f\u00e9, ou seja, \u00e0 fidelidade. Quem abandona a Palavra dificilmente ser\u00e1 fiel. O justo vive da f\u00e9 e esta alimenta-se da escuta da Palavra. Ou\u00e7amos mais uma vez o Ap\u00f3stolo Paulo: o Evangelho \u201c\u00e9 uma for\u00e7a de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo o crente (\u2026), porque nele a justi\u00e7a de Deus revela-se da f\u00e9 \u00e0 f\u00e9, como est\u00e1 escrito: o justo viver\u00e1 da f\u00e9\u201d (Rom. 1,16-17). A express\u00e3o \u201cda f\u00e9 \u00e0 f\u00e9\u201d significa, precisamente, o aprofundamento da f\u00e9 inicial, sempre atrav\u00e9s do acolhimento da Palavra, at\u00e9 se manifestar completamente em n\u00f3s a justi\u00e7a de Deus.  Manifesta\u00e7\u00e3o deste aprofundamento da f\u00e9, continuamente alimentado pela Palavra, \u00e9 uma intimidade amorosa com Deus, que gera um conhecimento luminoso sobre o sentido da revela\u00e7\u00e3o de Deus. Deus \u00e9 luz e ao homem que acolheu a Sua Palavra, na f\u00e9, Ele comunica essa luz que revela mais profundamente o Seu des\u00edgnio de amor. \u201cSer\u00e3o todos ensinados por Deus\u201d, prometeu Jesus. E S\u00e3o Jo\u00e3o relaciona este ensinamento com a atrac\u00e7\u00e3o que Deus exerce sobre aqueles que acolheram a Sua Palavra: \u201cNingu\u00e9m pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, n\u00e3o o atrair (\u2026) Todo aquele que escuta este ensinamento do Pai e se instrui com ele, vem a Mim\u201d (Jo. 6,44-45). Segundo Paulo, a sua palavra de Ap\u00f3stolo leva a que \u201cos cora\u00e7\u00f5es sejam estimulados e estreitamente unidos no amor, para que cheguem ao pleno desabrochar da intelig\u00eancia, que lhes permitir\u00e1 penetrar no mist\u00e9rio de Deus, onde se encontram, escondidos, todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento\u201d (Col. 2,2-3).  Este desabrochar da intelig\u00eancia que a torna capaz de um conhecimento m\u00edstico, que brota do pr\u00f3prio dinamismo da f\u00e9, sup\u00f5e a purifica\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria intelig\u00eancia, que n\u00e3o \u00e9 dispensada de acolher a revela\u00e7\u00e3o de Deus. A esta purifica\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia, Santo Agostinho chama o alargamento do cora\u00e7\u00e3o ou a valoriza\u00e7\u00e3o do desejo, como se exprime Bento XVI, na sua recente Enc\u00edclica sobre a esperan\u00e7a, para quem a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio do desejo. \u201cO ser humano foi criado para uma realidade grande, ou seja, para o pr\u00f3prio Deus, para ser preenchido por Ele. Mas o seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 demasiado estreito para a grande realidade que lhe est\u00e1 destinada. Tem de ser dilatado\u201d. E cita Santo Agostinho: \u201cAssim procede Deus: diferindo a sua promessa, faz aumentar o desejo; e com o desejo, dilata a alma, tornando-a mais apta a receber os seus dons\u201d. O grande Bispo e doutor exprime este dilatar do cora\u00e7\u00e3o com uma imagem: \u201cSup\u00f5e que Deus queira encher-te de mel, que \u00e9 s\u00edmbolo da ternura de Deus e da Sua bondade. Se tu, por\u00e9m, est\u00e1 cheio de vinagre, onde vais p\u00f4r o mel?\u201d[2].  Este dilatar-se do cora\u00e7\u00e3o significa e exige purifica\u00e7\u00e3o. Em tudo isso somos conduzidos pela Palavra revelada, lida com f\u00e9, em Igreja. Toda esta abertura ao mist\u00e9rio de Deus, no conhecimento e no amor, \u00e9 fruto da Palavra de Deus na nossa vida. A Palavra de Deus encarna o itiner\u00e1rio da nossa f\u00e9. Isto pode significar um longo caminho de escuta persistente da Palavra revelada, em Igreja, aceitando o que Deus diz nela; sup\u00f5e deixarmo-nos conduzir pelo Esp\u00edrito, para que ela nos diga, cada vez mais profundamente, tudo o que Deus nos comunica atrav\u00e9s dela. Humanamente, a vida lit\u00fargica da Igreja \u00e9 feita de repeti\u00e7\u00f5es da palavra da Escritura. Mas verdadeiramente a Palavra de Deus nunca se repete, escuta-se sempre de novo, porque o alargamento progressivo do cora\u00e7\u00e3o faz-nos ouvi-la como se fosse a primeira vez.     Obedi\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m obedi\u00eancia da intelig\u00eancia  4. O Conc\u00edlio Vaticano II ensina-nos que a obedi\u00eancia da f\u00e9 sup\u00f5e uma completa homenagem da intelig\u00eancia e da vontade ao que Deus nos revela, e um assentimento volunt\u00e1rio aos conte\u00fados dessa revela\u00e7\u00e3o\u201d[3].  A palavra revelada da Escritura tem conte\u00fado. Nela, palavra humana, Deus revela-nos a Sua Palavra divina. Quem a ler com intelig\u00eancia e em esp\u00edrito de acolhimento, tem uma primeira compreens\u00e3o do que Deus nos quer dizer. E na medida em que ela \u00e9 carregada de mensagem, de revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, de indica\u00e7\u00e3o de caminhos de vida e das exig\u00eancias do amor, ela exige de n\u00f3s, desde o primeiro momento, o assentimento da nossa intelig\u00eancia e da nossa vontade. Esta sinceridade de atitude na escuta da palavra revelada, p\u00f5e-nos em situa\u00e7\u00e3o de poder progredir, pelo referido alargamento do cora\u00e7\u00e3o, no acolhimento cada vez mais completo da Sua mensagem. O progresso na recep\u00e7\u00e3o da Palavra coincide com o dinamismo do aprofundamento da f\u00e9. \u00c9 fruto da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito em n\u00f3s este poder escutar, sempre de novo e sempre melhor, a revela\u00e7\u00e3o de Deus na sua palavra humana. A f\u00e9, sendo a resposta do homem \u00e9, tamb\u00e9m, um dom de Deus, porque nasce e cresce ao ritmo do Esp\u00edrito. \u201cAfim de tornar sempre mais profunda a intelig\u00eancia da revela\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o cessa, pelos seus dons, de tornar a f\u00e9 mais perfeita\u201d[4].     A Palavra e a f\u00e9 s\u00e3o um \u00fanico dom de Deus  5. Voltemos aos ensinamentos do Conc\u00edlio: \u201cpara existir, esta f\u00e9 requer a gra\u00e7a proveniente e adjuvante de Deus, bem como o socorro interior do Esp\u00edrito Santo que toca o cora\u00e7\u00e3o e o volta para Deus, abre os olhos do esp\u00edrito e d\u00e1 a todos a do\u00e7ura de consentir e de acreditar na verdade\u201d[5].  O que \u00e9 que este texto nos diz? O homem tem nas suas riquezas naturais, nas capacidades da sua intelig\u00eancia e do seu cora\u00e7\u00e3o, capacidade de acolher os conte\u00fados da revela\u00e7\u00e3o, na palavra revelada. Mas essas capacidades naturais s\u00e3o ajudadas e fortalecidas pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Deus. Sem esta interven\u00e7\u00e3o do amor de Deus, poder\u00edamos ficar ao n\u00edvel da simples leitura humana, sem mergulharmos em Deus, na intimidade do Seu Verbo. Deus valoriza as nossas capacidades humanas, mas \u00e9 o Seu amor que nos leva \u00e0 resposta da f\u00e9, ou seja, a fazer da nossa f\u00e9 um acto de amor. O pr\u00f3prio amor de Deus que O leva a revelar-se, convida-nos a responder-lhe na confian\u00e7a e no amor.  Quem acredita, num abandono confiante a Deus que revela o Seu amor, sente bem que a sua f\u00e9 \u00e9 um dom de Deus e n\u00e3o apenas uma atitude humana realizada s\u00f3 com a vontade humana. O sentimento que essa f\u00e9 gera \u00e9 a humildade, a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e o louvor e n\u00e3o o sentimento de auto-satisfa\u00e7\u00e3o e valentia. A f\u00e9 comporta, no seu dinamismo profundo, a gratuidade da salva\u00e7\u00e3o e o desejo da fidelidade, manifestada no desejo de viver de acordo com o amor de Deus. N\u00f3s n\u00e3o ganhamos a salva\u00e7\u00e3o com a nossa f\u00e9; ambas s\u00e3o um dom gratuito, fruto do amor de Deus. \u00c9 esse dom gratuito de Deus que fortalece a nossa vontade para agir de acordo com a vontade de Deus. A f\u00e9 e as \u201cobras da f\u00e9\u201d, que nos merecem a salva\u00e7\u00e3o, s\u00e3o dom gratuito de Deus (cf. Rom. 4,4-8). \u00c9 o ensinamento de Paulo aos Filipenses: \u201cBem-amados, com esta obedi\u00eancia (da f\u00e9), de que tendes sempre dado provas (\u2026) trabalhai com temor e tremor na realiza\u00e7\u00e3o da vossa salva\u00e7\u00e3o. Deus est\u00e1 presente, Ele realiza o querer e o agir, em favor dos seus ben\u00e9volos des\u00edgnios\u201d (Fil. 2,12-13).  Esta gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o, pela f\u00e9, \u00e9 fruto sacramental da Palavra acolhida, rezada e meditada. J\u00e1 o dissemos, na Igreja a Palavra tem a for\u00e7a de um sacramento. Ela faz parte do conjunto dos meios de gra\u00e7a de que a Igreja foi enriquecida para ser sacramento de salva\u00e7\u00e3o. S\u00e9 Patriarcal, 24 de Fevereiro de 2008     <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;   [1] Conc\u00edlio Vaticano II, Dei Verbum, n\u00ba 5  [2] In Bento XVI, Spe Salvi, n\u00ba 33  [3] Cf. Dei Verbum, n\u00ba 5  [4] Ibidem  [5] Ibidem     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 3.\u00ba Domingo da Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,127,144,91],"class_list":["post-30241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}