{"id":301439,"date":"2023-10-21T00:01:42","date_gmt":"2023-10-20T23:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=301439"},"modified":"2023-10-20T23:50:16","modified_gmt":"2023-10-20T22:50:16","slug":"na-construcao-da-paz-a-felicidade-esta-em-dar-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/na-construcao-da-paz-a-felicidade-esta-em-dar-se\/","title":{"rendered":"Na constru\u00e7\u00e3o da paz!\u00a0 A felicidade est\u00e1 em dar-se\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Ant\u00f3nio Lucino dos Santos Costa, Bispo de Viseu<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bispo_Antonio_Luciano.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-107622 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bispo_Antonio_Luciano-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bispo_Antonio_Luciano-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bispo_Antonio_Luciano-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bispo_Antonio_Luciano-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bispo_Antonio_Luciano-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bispo_Antonio_Luciano.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Esperamos o fim da guerra no mundo, para vivermos em paz todos os dias da nossa vida. Porque existem as guerras, as divis\u00f5es, os conflitos, os \u00f3dios, a viol\u00eancia entre as pessoas e as na\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 dif\u00edcil de dar, porque no mundo de hoje existem muitas coisas que se sobrep\u00f5em ao ser, \u00e0 felicidade, ao agir, ao realizar o maior bem da pessoa humana. Na sociedade atual h\u00e1 muitos interesses pessoais, nacionais, religiosos, pol\u00edticos, econ\u00f3micos e sociais.<\/p>\n<p>A humanidade est\u00e1 envolvida em tantas prova\u00e7\u00f5es, dores, sofrimentos e vulnerabilidades, que acaba por ficar fr\u00e1gil e doente, contagiando a pessoa humana, alterando o equil\u00edbrio do planeta e pondo em risco a harmonia universal da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A guerra \u201caos peda\u00e7os\u201d, que estamos a viver um pouco por todo o mundo \u00e9 um fen\u00f3meno complexo, que n\u00e3o podemos ignorar, mas temos que fazer algo, tudo e at\u00e9 o imposs\u00edvel para alcan\u00e7ar a paz para o mundo.<\/p>\n<p>Como afirma o Papa Francisco na sua \u00faltima Exorta\u00e7\u00e3o: \u201cTodos n\u00f3s devemos repensar a quest\u00e3o do poder humano, do seu significado e dos seus limites. Com efeito, o nosso poder aumentou freneticamente em poucos dec\u00e9nios. Realizamos progressos tecnol\u00f3gicos impressionantes e surpreendentes, sem nos darmos conta, ao mesmo tempo, que nos torn\u00e1mos altamente perigosos, capazes de p\u00f4r em perigo a vida de muitos seres e a nossa pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Pode-se repetir hoje, com a ironia de Soloviev: \u201cUm s\u00e9culo t\u00e3o avan\u00e7ado que teve a sorte de ser o \u00faltimo\u201d. \u00c9 preciso lucidez e honestidade para reconhecer a tempo que o nosso poder e o progresso que ger\u00e1mos est\u00e3o a virar-se contra n\u00f3s mesmos\u201d (Laudate Deum, 28).<\/p>\n<p>Uma guerra e conflitos, que se arrastem muito tempo destr\u00f3i a vida das pessoas, das institui\u00e7\u00f5es, aniquila pa\u00edses e provoca a morte e o sofrimento de muitos seres inocentes. As Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais, outras Institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o Governamentais e os respons\u00e1veis dos pr\u00f3prios pa\u00edses est\u00e3o a ter dificuldade em negociar a paz e \u00a0a fazer acordos est\u00e1veis para p\u00f4r fim \u00e0s guerra e aos conflitos sociais e assim cuidar da vida das v\u00edtimas da guerra.<\/p>\n<p>Diante de tantos refugiados, inocentes e v\u00edtimas de guerra \u00e9 um ato de amor, de confian\u00e7a, de justi\u00e7a, de fraternidade e de solidariedade acolher e socorrer quem precisa. \u00a0A grandeza plena da felicidade da pessoa humana est\u00e1 em dar-se, gastando a sua pr\u00f3pria vida ao servi\u00e7o dos outros.<\/p>\n<p>Como diz o Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos a maior miss\u00e3o da pessoa humana \u00e9 dar-se aos outros: \u201cH\u00e1 mais alegria em dar, do que em receber\u201d. Esta afirma\u00e7\u00e3o torna-se hoje muito atual e desafiante para a rela\u00e7\u00e3o humana e para a pr\u00e1tica pastoral.<\/p>\n<p>As pessoas dos nossos dias devem unir-se e saber todas com consci\u00eancia \u00e9tica, o que significa o esfor\u00e7o pessoal e comunit\u00e1rio para construir a paz.<\/p>\n<p>A paz n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de armas ou material b\u00e9lico. A paz \u00e9 dom do amor de Deus capaz de colocar \u00a0no cora\u00e7\u00e3o humano sentimentos de bem, para produzir frutos de coopera\u00e7\u00e3o, pondo em pr\u00e1tica nos nossos dias amea\u00e7ados pela guerra a experi\u00eancia do di\u00e1logo, do acolhimento, da ora\u00e7\u00e3o e da fraternidade universal ao servi\u00e7o das pessoas e dos povos.<\/p>\n<p>A paz \u00e9 um sonho de todos e um desejo dos povos, mas tamb\u00e9m uma promessa b\u00edblica: \u201cO Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz\u201d (Num 6,26). \u00a0Tamb\u00e9m \u00e9 a\u00a0 prece do Salmista:\u201cO Senhor aben\u00e7oar\u00e1 o seu povo na paz\u201d (Sl 28 [29] ).<\/p>\n<p>Na plenitude dos tempos Deus enviou o Seu Filho, que nasceu de mulher (cf. Gal 4,4), a quem chamaram o Pr\u00edncipe da Paz, o Emanuel, o Deus-Connosco.<\/p>\n<p>Jesus Cristo Salvador de toda a humanidade \u00e9 a nossa paz, que pela for\u00e7a do amor e da pr\u00e1tica da justi\u00e7a, oferece aos seus disc\u00edpulos o mandamento novo do amor.<\/p>\n<p>Porque surgem as guerras? De onde v\u00eam? Porque n\u00e3o terminam as guerras? Todas as guerras e conflitos armados s\u00e3o altamente destruidores da harmonia e conviv\u00eancia dos povos entre si, do seu pr\u00f3prio desenvolvimento e do bem comum.<\/p>\n<p>Digamos n\u00e3o \u00e0 guerra, ao \u00f3dio, \u00e0s mentiras, \u00e0s injusti\u00e7as, \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es e a tudo aquilo que contribui para uma cultura de morte.<\/p>\n<p>O nosso Papa Francisco alerta para as situa\u00e7\u00f5es desesperadas de guerra no M\u00e9dio Oriente, em \u201cGaza, Israel, Cisjord\u00e2nia\u201d e noutras na\u00e7\u00f5es que come\u00e7am a ficar esquecidas como a \u201cUcr\u00e2nia, a S\u00edria, o Sud\u00e3o\u201d, mas onde a guerra continua a semear terror e morte.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos mais guerra, nem morte, nem \u00f3dio nem viol\u00eancia, nem conflitos armados em nenhuma parte do mundo. Queremos a paz! Trabalhemos pela paz! Rezemos juntos pela Paz! Sejamos protagonistas da paz e do bem (Francisco de Assis).<\/p>\n<p>Como se torna dif\u00edcil compreender\u00a0 o fen\u00f3meno da guerra numa sociedade t\u00e3o desenvolvida como a dos nossos dias e desejosa de viver em paz.<\/p>\n<p>A guerra nunca \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para nenhuma das partes, por isso ao olhar para todos cen\u00e1rios de guerra, com tantas mortes, com tanta destrui\u00e7\u00e3o, com tanta mis\u00e9ria e com tanta fome generalizada, vivo num sonho o desejo de \u00a0que n\u00e3o fique na utopia: Acredito nas palavras do salmista: \u201cO Senhor aben\u00e7oar\u00e1 o seu povo na paz\u201d.<\/p>\n<p>Como ficariam felizes e contentes os povos da \u201cUcr\u00e2nia e do M\u00e9dio Oriente, incluindo \u201cIsrael e a Palestina\u201d, a \u201cfaixa de Gaza\u201d, a Terra Santa onde Jesus nasceu, a cidade de Bel\u00e9m se os Anjos de novo cantassem o hino \u201cgl\u00f3ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade\u201d. Jerusal\u00e9m \u00e9 chamada a cidade da Paz, mas muitos preferem a guerra em detrimento da paz. Como ouvi recentemente numa confer\u00eancia o nosso mundo deseja a ordem, mas est\u00e1 mergulhado numa grande desordem, que provoca o caos, a infelicidade e a guerra.<\/p>\n<p>Como muitos desejam a paz \u00e9 urgente e necess\u00e1ria nos cora\u00e7\u00f5es, na vida das pessoas, nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, institucionais e no princ\u00edpio do respeito m\u00fatuo universal entre todos os povos. S\u00f3 na paz verdadeira se constr\u00f3i a justi\u00e7a e o progresso capaz de criar e promover o desenvolvimento dos povos.<\/p>\n<p>Precisamos de aprender a ser construtores de paz, protagonistas da esperan\u00e7a, respeitadores das diferen\u00e7as, tolerantes diante dos mais fracos e indefesos, acolhedores e cuidadores dos vulner\u00e1veis e mais fr\u00e1geis da sociedade.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, do di\u00e1logo, do encontro entre os povos e nas conversa\u00e7\u00f5es internacionais devem buscar caminhos novos capazes de destruir as armas do \u00f3dio e fazer renascer das cinzas e dos escombros a felicidade da paz.<\/p>\n<p>Como era bom que se cumprisse de novo a profecia, que hoje se cumprisse a Palavra do Evangelho que fala de uma crian\u00e7a que nasceu h\u00e1 dois mil anos para ser o Pr\u00edncipe da Paz. Todos juntos saibamos dizer como Jesus: \u201cPaz a v\u00f3s\u201d. (Lc 24,36); \u201cA paz esteja convosco!\u201d (Jo 20,19-21); \u00a0e ainda \u201cSenhor d\u00e1-nos a tua paz, deixa-nos a tua paz\u201d, para sermos felizes.<\/p>\n<p>N\u00e3o permitamos a destrui\u00e7\u00e3o de mais cidades, vilas e aldeias, nem a morte de mais inocentes, \u00a0o aumento da viol\u00eancia que gera a mis\u00e9ria, a fome, a destrui\u00e7\u00e3o e a morte.<\/p>\n<p>Saibamos n\u00f3s crist\u00e3os e pessoas de boa vontade responder ao convite do Papa Francisco e dos nossos Bispos para fazer do dia 27 de outubro de 2023, um dia de ora\u00e7\u00e3o e de jejum pela paz, pedindo o fim da guerra em\u00a0 Israel e na Palestina, alertando para a \u201ccat\u00e1strofe\u201d humanit\u00e1ria na faixa de Gaza.<\/p>\n<p>Olhemos o mundo com esperan\u00e7a e como S\u00e3o Francisco de Assis, sejamos construtores da paz em toda a parte. \u201cEnfrentando o terror com o amor, trabalhemos a favor da paz\u201d (Na Alegria, Papa Francisco p. 187).<\/p>\n<p>Confiemos \u00e0 Rainha da Paz pelos m\u00e9ritos da ora\u00e7\u00e3o e do jejum, o fim da guerra e o dom da paz no mundo.<\/p>\n<p>Viseu, 20 de outubro de 2023<\/p>\n<p>+ Ant\u00f3nio Lucino dos Santos Costa, Bispo de Viseu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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