{"id":30128,"date":"2008-02-19T11:08:12","date_gmt":"2008-02-19T11:08:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/19\/perplexidades-sobre-timor\/"},"modified":"2008-02-19T11:08:12","modified_gmt":"2008-02-19T11:08:12","slug":"perplexidades-sobre-timor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/perplexidades-sobre-timor\/","title":{"rendered":"Perplexidades sobre Timor"},"content":{"rendered":"<p>Timor voltou \u00e0s primeiras p\u00e1ginas, por m\u00e1s raz\u00f5es. Sobressaltam-se os cora\u00e7\u00f5es dos amigos de Timor e cresce a perplexidade de quem n\u00e3o entende o porqu\u00ea de tantas convuls\u00f5es, depois de se ter concretizado o sonho da independ\u00eancia. Sofrem os timorenses, e n\u00f3s com eles.  Desta vez, a vida de dois her\u00f3is da luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o de Timor-Leste &#8211; Ramos Horta e Xanana Gusm\u00e3o &#8211; foram colocadas em risco, ficando o Pr\u00e9mio Nobel a escassos mil\u00edmetros da morte. Seria mais um dos construtores de paz a sucumbir a balas assassinas, juntando-se \u00e0 galeria onde est\u00e3o Martin Luther King, Yitzhak Rabin, Anwar Sadat e tantos outros que selaram com o seu sangue o servi\u00e7o \u00e0 sua causa. Felizmente, Horta sobreviveu. Para bem de Timor. As ra\u00edzes desta crise s\u00e3o complexas. Certo \u00e9 que, historicamente, a maldi\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural traz consigo &#8211; tantas vezes! &#8211; a turbul\u00eancia pol\u00edtica e a instabilidade institucional, em vez do desenvolvimento e da melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das popula\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia. Durante anos, antes da independ\u00eancia, ouv\u00edamos dizer que Timor era t\u00e3o pobre que jamais poderia ser independente. Hoje, com todas as suas imensas riquezas entretanto descobertas, tememos que n\u00e3o consiga ser independente, por se ter tornado demasiado apetec\u00edvel. Os interesses econ\u00f3-micos e geo-estrat\u00e9gicos que se cruzam em Timor, afogam este jovem Estado que n\u00e3o teve tempo para se consolidar.  Mas h\u00e1 mais causas que geram esta instabilidade. O modelo de desenvolvimento econ\u00f3mico dinamizado pelo primeiro Governo p\u00f3s-independ\u00eancia, liderado por Mari Alkatiri, foi desastroso. A falta de capacidade efectiva para criar emprego e para desenvolver as infra-estruturas essenciais, como escolas, hospitais, rede vi\u00e1ria e saneamento b\u00e1sico revelou-se fatal. Como bons marxistas ortodoxos, os l\u00edderes da Fretilin deviam saber que todas as revolu\u00e7\u00f5es nasceram em contextos sociais como este. E, \u00e0 primeira oportunidade, a convuls\u00e3o social come\u00e7ou, acabando por gerar uma enorme instabilidade. As For\u00e7as de Defesa de Timor-Leste (FDTL), tornaram-se no epicentro dessa crise, gerando cis\u00f5es e desertores, entre os quais figuras como os famigerados Alfredo Reinado e Gast\u00e3o Salsinha, protagonistas maiores dos ataques da passada semana.  Neste processo, particularmente nos \u00faltimos anos, o papel da Igreja n\u00e3o tem sido t\u00e3o claro como seria desej\u00e1vel. Sendo verdade que Timor deve \u00e0 sua Igreja um contributo essencial para a obten\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, n\u00e3o deixa de ser fonte de perplexidade o seu papel actual. Ora, neste momento cr\u00edtico da vida do Estado timorense, torna-se vital que a Igreja volte a ser factor de unidade e de paz. Que cultive a conc\u00f3rdia e a coes\u00e3o. Que construa pontes, onde existem abismos. Inspirada pela \u00faltima enc\u00edclica do Santo Padre, a Igreja timorense precisa de se assumir com voz de uma esperan\u00e7a que salva. E Timor precisa de ser salvo. <i>Rui Marques<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Timor voltou \u00e0s primeiras p\u00e1ginas, por m\u00e1s raz\u00f5es. Sobressaltam-se os cora\u00e7\u00f5es dos amigos de Timor e cresce a perplexidade de quem n\u00e3o entende o porqu\u00ea de tantas convuls\u00f5es, depois de se ter concretizado o sonho da independ\u00eancia. Sofrem os timorenses, e n\u00f3s com eles. 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