{"id":30123,"date":"2008-02-19T10:50:59","date_gmt":"2008-02-19T10:50:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/19\/as-aulas-magistrais-do-pe-honorato-rosa\/"},"modified":"2008-02-19T10:50:59","modified_gmt":"2008-02-19T10:50:59","slug":"as-aulas-magistrais-do-pe-honorato-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-aulas-magistrais-do-pe-honorato-rosa\/","title":{"rendered":"As aulas magistrais do Pe. Honorato Rosa"},"content":{"rendered":"<p>O olhar devassava, &#8220;ia ao mais \u00edntimos de n\u00f3s, enchia-nos do seu esp\u00edrito de toler\u00e2ncia&#8221; afirmou o escritor Ruy Belo sobre o Pe. Honorato Rosa, falecido a 29 de Fevereiro de 1968. Quarenta anos depois, este sacerdote ainda continua na mem\u00f3ria daqueles que conviveram com ele.  O Pe. Honorato foi sempre &#8220;o principal protector da Academia de Santo Ant\u00f3nio, governada pelos alunos, que promovia as sess\u00f5es de s\u00e1bado de manh\u00e3, o teatro com representa\u00e7\u00f5es de autores que iam de Henri Gh\u00e9on a Albert Camus&#8221;; &#8220;A sua grandeza s\u00f3 tinha de igual uma humildade extrema e a imensid\u00e3o das perspectivas que nos abria&#8221; e &#8220;Com o Pe. Honorato Rosa vivemos igualmente horas de grande enriquecimento espiritual e humano, gra\u00e7as \u00e0 sua simplicidade, \u00e0 sua bondade indiscut\u00edvel, \u00e0 sua generosidade irradiante&#8221; (In: &#8220;Por Caminhos N\u00e3o Andados &#8211; Semin\u00e1rio dos Olivais 1945\/ 1968) s\u00e3o frases reveladoras deste homem que nasceu a 22 de Dezembro de 1920, no concelho de \u00d3bidos. Depois de frequentar os Semin\u00e1rios de Santar\u00e9m, Almada e Olivais foi ordenado sacerdote a 3 de Outubro, pelo Cardeal Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira. Foi docente de Filosofia nos Semin\u00e1rios de Almada e dos Olivais e do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Infantil; de Hist\u00f3ria do Cristianismo na Faculdade de Letras; de Filosofia e Moral no Instituto Superior de Servi\u00e7o Social, sendo seu director entre 1963 a1968. Apreciado como &#8220;educador e como professor&#8221; (In: &#8220;Por Caminhos N\u00e3o Andados &#8211; Semin\u00e1rio dos Olivais 1945\/ 1968), para o Pe. Honorato tudo era Igreja, &#8220;desde o atender de uma pessoa humilde at\u00e9 ao dar uma aula magistral sobre Hist\u00f3ria do Cristianismo, na Faculdade de Letras de Lisboa&#8221; &#8211; frisou Ruy Belo, no jornal &#8220;A Capital&#8221;, de 4 de Mar\u00e7o de 1978. As aulas deste professor eram magistrais e as confer\u00eancias estavam cheias de conte\u00fado. &#8220;A rela\u00e7\u00e3o homem-mundo aparece como fundamental na nossa vida. N\u00f3s aparecemo-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios como algu\u00e9m que precisa de se projectar no mundo para se libertar do mundo. \u00c9 um paradoxo muito grande esta nossa exist\u00eancia no mundo&#8221; &#8211; disse o Pe. Honorato Rosa numa confer\u00eancia Quaresmal proferida em fins dos anos cinquenta, na par\u00f3quia de S. Jo\u00e3o de Deus. E acrescenta: &#8220;os valores morais s\u00e3o justamente aqueles que empenham a pessoa como totalidade&#8221;. O actual bispo em\u00e9rito de Beja, D. Manuel Falc\u00e3o, &#8211; contactou directamente o com o Pe. Honorato Rosa &#8211; escreveu no livro &#8220;Honorato Rosa &#8211; A Dignidade Humana&#8221; que ficava impressionado sobretudo pela sua &#8220;intelig\u00eancia penetrante e \u00e1gil, favorecida por uma excelente mem\u00f3ria e uma capacidade extraordin\u00e1ria de captar o que ouvia e lia, mesmo apressadamente&#8221;. Apesar de estudar ao som de m\u00fasica da R\u00e1dio, as suas ideais eram &#8220;profundas e \u00e0s vezes originais, e conseguia exprimi-las com rigor, clareza e flu\u00eancia&#8221; Era ao Pe. Honorato Rosa que a JUC recorria quando precisava duma confer\u00eancia &#8220;serena, actual e profunda&#8221;. Testemunhou o Pe. Jo\u00e3o Resina Rodrigues que acrescenta: &#8220;homem de reflex\u00e3o e de saber, era tamb\u00e9m um homem de intui\u00e7\u00e3o e de experi\u00eancia. Experi\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o humana, que lhe vinha das longas horas de confession\u00e1rio e do contacto com a literatura&#8221;. Este sacerdote e engenheiro da diocese de Lisboa conta que o mestre lhe ensinou a &#8220;fugir de todo o farisa\u00edsmo, a amar a Igreja sem precisar de negar ou de justificar os seus erros, a prezar os sacramentos e a saber que Deus pode salvar os homens sem eles, a procurar as ora\u00e7\u00e3o e a convers\u00e3o de maneira exigente mas sem subscrever todas as receitas da tradi\u00e7\u00e3o, a libertar-me de todo o c\u00e1lculo e estrat\u00e9gia&#8221;. Em rela\u00e7\u00e3o aos alunos do Instituto Superior de Servi\u00e7o Social, estes relatam que &#8220;permanece em n\u00f3s todo o seu testemunho, a sua pessoa, a sua vida&#8221; (In: Boletim do Instituto de Servi\u00e7o Social, N.\u00ba 2, Lisboa, Maio de 1968). Neste mesmo documento, o autor &#8211; escreveu em nome dos alunos &#8211; sublinha que o Pe. Honorato Rosa &#8220;deixou-nos bem vincado que era preciso saltar da mera atitude de intelig\u00eancia para urgente convers\u00e3o existencial&#8221;. Este sacerdote de \u00d3bidos acentua mesmo que a cultura \u00e9 essencialmente um olhar para diante. &#8220;\u00c9 essencialmente uma possibilidade de prever e preparar o futuro e isto visa de uma forma muito interessante e dif\u00edcil de apanhar o que \u00e9 exactamente hoje a cultura.&#8221; Com um sorriso contagiante, Germano Cleto escreveu no livro &#8220;Por Caminhos N\u00e3o Andados &#8211; Semin\u00e1rio dos Olivais 1945\/ 1968&#8221; que se recorda duma frase do Pe. Honorato: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 crentes nem descrentes puros; a cren\u00e7a e a descren\u00e7a s\u00e3o vizinhos no cora\u00e7\u00e3o de cada homem&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O olhar devassava, &#8220;ia ao mais \u00edntimos de n\u00f3s, enchia-nos do seu esp\u00edrito de toler\u00e2ncia&#8221; afirmou o escritor Ruy Belo sobre o Pe. Honorato Rosa, falecido a 29 de Fevereiro de 1968. 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