{"id":300796,"date":"2023-10-15T22:00:58","date_gmt":"2023-10-15T21:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=300796"},"modified":"2023-10-16T10:43:41","modified_gmt":"2023-10-16T09:43:41","slug":"em-balazar-ecoa-a-grandeza-dos-pequeninos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/em-balazar-ecoa-a-grandeza-dos-pequeninos\/","title":{"rendered":"Em Balazar ecoa a grandeza dos pequeninos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s cinquenta e um anos de vida, o seu corpo repousa em paz, \u00e9 verdade. Repousa em paz desde 13 de outubro de 1955, em Balazar, P\u00f3voa de Varzim, sua terra natal. Era dia de anivers\u00e1rio da \u00faltima Apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, em F\u00e1tima, da \u2018M\u00e3ezinha\u2019, como ela se lhe dirigia. O funeral foi uma \u00abromagem de milhares e milhares de pessoas que, come\u00e7ada \u00e0 1 da tarde, continuou sem pausa, sem interrup\u00e7\u00e3o, durante a noite inteira at\u00e9 \u00e0s 10 da manh\u00e3, hora da partida do cortejo f\u00fanebre para a Igreja. Eram pessoas de todas as categorias sociais: lentes de Medicina, m\u00e9dicos, advogados, comerciantes, industriais, capitalistas, artistas e a enorme massa de povo modesto e humilde\u201d. Hoje continuamos a celebrar os louvores desta pessoa simples, humilde e sofrida, mas ilustre pelas li\u00e7\u00f5es de vida que nos d\u00e1. O seu nome viver\u00e1 de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, perseverando na mem\u00f3ria do povo. A sua sabedoria e intelig\u00eancia jamais ser\u00e3o esquecidas. A assembleia cantar\u00e1 os seus louvores, como proclama o livro de Ben Sir\u00e1.<\/p>\n<p>Alexandrina Maria da Costa, como se impunha naqueles tempos, come\u00e7ou a trabalhar ainda crian\u00e7a. Serviu em casa alheia, trabalhou na lavoura, na costura e noutros servi\u00e7os dom\u00e9sticos. Em 1918, quando costurava, saltou da janela do quarto \u2013 duma altura de quatro metros -, para se defender de quem lhe invadiu a casa com perversas inten\u00e7\u00f5es. H\u00e1 quedas de mais alto com menos estragos. Esta, por\u00e9m, e se Alexandrina j\u00e1 tinha sequelas de uma outra queda anterior de uma \u00e1rvore abaixo, esta, por\u00e9m, foi muito grave e muito mais grave se havia de tornar. Em 1925, ficou definitivamente acamada, com mielite na coluna dorsal. Foram trinta anos de sofrimento, at\u00e9 \u00e0 morte. Pensando ser mission\u00e1ria, se melhorasse, sentiu as asas cortadas para tais voos. Inteligente e sincera consigo mesma, natural e sem outras pretens\u00f5es, conforma-se com a situa\u00e7\u00e3o na qual lia a vontade de Deus. N\u00e3o entra em lam\u00farias nem desespera, ela encontra outra sa\u00edda para viver feliz e ser \u00fatil. Consagra-se aos Sacr\u00e1rios de todo o mundo para reparar as profana\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas e o abandono a que Jesus, presente nos Sacr\u00e1rios, \u00e9 sujeito. E, doravante, assume como sua voca\u00e7\u00e3o associar-se ao sofrimento de Cristo, oferecendo todo o seu sofrimento pela convers\u00e3o dos pecadores. Nas suas experi\u00eancias m\u00edsticas, padecia os sofrimentos da Paix\u00e3o de Cristo, desde o Horto at\u00e9 \u00e0 Cruz, repetindo, durante horas, as esta\u00e7\u00f5es da Via-Sacra. Nesses momentos dolorosos, superava a paralisia, descia da cama e dava mostras de intenso sofrimento f\u00edsico. Os sofrimentos come\u00e7avam \u00e0s quintas-feiras, aumentavam por noite dentro e manh\u00e3, culminavam \u00e0s tr\u00eas da tarde de sexta-feira. Torturada pelo sofrimento, tornou-se uma mission\u00e1ria apaixonada e eficiente de Cristo, tendo como lema de vida \u2018amar, sofrer, reparar\u2019, convite que lhe fora feito em 1931, por Jesus.<\/p>\n<p>In\u00fameras pessoas dirigiam-se a sua casa, umas \u00e0 procura de aconselhamento espiritual, outras para ver e ouvir a \u2018Santinha de Balazar\u2019, outras, por certo, com aquela curiosidade \u2018m\u00f3rbida\u2019 em busca do extraordin\u00e1rio, outras talvez para verem como era e dizerem como foi. A todos acolhia com um sorriso a esconder o persistente sofrimento, e, embora n\u00e3o fosse \u201cexaltada nem f\u00e1cil a dar conselhos\u201d, a todos desafiava \u00e0 santidade, a todos falava de Deus e apelava \u00e0 convers\u00e3o, a todos recomendava um amor concreto \u00e0 Eucaristia, fonte da sua coragem e alimento da sua f\u00e9, a todos deixou um patrim\u00f3nio imenso de ora\u00e7\u00f5es a demonstrar o seu grande amor aos Sacr\u00e1rios de todo o mundo, sobretudo aos mais esquecidos e abandonados. Tinha um cora\u00e7\u00e3o agradecido, cheio de amor abrangente e universal, vivia muito comprometida com a sorte dos outros, sobretudo dos pecadores.<\/p>\n<p>Escreveu um di\u00e1rio, ditou a sua bibliografia, escreveu cartas e ora\u00e7\u00f5es, intrigou uns e noutros provocou admira\u00e7\u00e3o e respeito dando-lhes azo a belos testemunhos escritos. A excel\u00eancia dos seus escritos levou o P. Mariano Pinho, Jesu\u00edta, a dizer que \u201cNenhum artista soube dizer coisas t\u00e3o belas (&#8230;) coisas verdadeiramente admir\u00e1veis. Os poetas, mesmo os mais ilustres, teriam gostado de atingir aquelas alturas de intensidade, de emo\u00e7\u00e3o, de simplicidade e de beleza\u201d. \u00c9 tida como uma de entre as maiores figuras m\u00edsticas de toda a hist\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n<p>Fez v\u00e1rios pedidos \u00e0 Santa S\u00e9 no sentido de que fosse realizada a Consagra\u00e7\u00e3o do mundo ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, o que Pio XII fez, numa mensagem transmitida, a partir de F\u00e1tima, nos 25 anos das Apari\u00e7\u00f5es. Este ato foi repetido na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, a 8 de dezembro do mesmo ano. A partir de 1942, deixou de se alimentar, viveu em completo jejum e total an\u00faria, sentia o sofrimento da fome e da sede, mas o seu f\u00edsico tudo rejeitava. Durante treze anos apenas se alimentava com a comunh\u00e3o eucar\u00edstica, di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Antes de falecer, escreveu o epit\u00e1fio que gostaria ficasse sobre a sua campa. E l\u00e1 se encontra, assim: \u201cPecadores: Se as cinzas do meu corpo vos tem utilidade para vos salvardes, aproximai-vos, passai por cima delas, calcai-as at\u00e9 que desapare\u00e7am, mas n\u00e3o pequeis mais, n\u00e3o ofendais mais o nosso Jesus. Pecadores, tantas coisas quereria dizer-vos! N\u00e3o me chegava este grande cemit\u00e9rio para as escrever!\u2026 Convertei-vos! N\u00e3o ofendais a Jesus, n\u00e3o queirais perd\u00ea-Lo eternamente! Ele \u00e9 t\u00e3o bom! Basta de pecar! Amai-O! Amai-O!\u00bb.<\/p>\n<p>Treze anos antes de morrer, escrevia: \u201cDesejo ser sepultada, se for poss\u00edvel, com o rosto voltado para o sacr\u00e1rio da nossa igreja; pois como em vida sempre desejei unir-me a Jesus sacramentado e olhar para o sagrado Tabern\u00e1culo, assim tamb\u00e9m depois da minha morte desejo continuar a vel\u00e1-lo, conservando-me voltada para ele. Sei que com os olhos do meu corpo j\u00e1 n\u00e3o verei a Jesus, mas desejo ser colocada naquela posi\u00e7\u00e3o, para demonstrar o amor que sinto pela sagrada Eucaristia\u201d. Foi beatificada em 25 de abril de 2004.<\/p>\n<p>Alexandrina \u00e9 um \u201cfruto maduro da gra\u00e7a e da liberdade\u201d, \u00e9 um \u201cdom de Cristo \u00e0 sua Igreja e ao mundo\u201d, \u00e9 uma cidad\u00e3 universal, sem fronteiras. Por isso, Balazar continua a ser um ponto de converg\u00eancia, um centro eucar\u00edstico e de reconcilia\u00e7\u00e3o, um santu\u00e1rio onde chega muita gente, de perto e de longe, muita dela com feridas e dores no corpo e na alma. E se, em certos dias, h\u00e1 multid\u00f5es agradecidas a celebrar a f\u00e9, noutros h\u00e1 gente que procura o sil\u00eancio para se encontrar consigo mesma e com Deus. Ali ecoa o mist\u00e9rio de Deus e a grandeza dos simples!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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