{"id":300027,"date":"2023-10-08T09:30:21","date_gmt":"2023-10-08T08:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=300027"},"modified":"2023-10-07T16:56:54","modified_gmt":"2023-10-07T15:56:54","slug":"pastoral-juvenil-nao-podemos-esperar-muito-tempo-para-dar-continuidade-a-jmj-nuno-sobral-camelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pastoral-juvenil-nao-podemos-esperar-muito-tempo-para-dar-continuidade-a-jmj-nuno-sobral-camelo\/","title":{"rendered":"Pastoral Juvenil: \u00abN\u00e3o podemos esperar muito tempo para dar continuidade\u00bb \u00e0 JMJ \u2013 Nuno Sobral Camelo"},"content":{"rendered":"<p><em>Dois meses depois de Lisboa ter acolhido o maior encontro de jovens do mundo, a Renascen\u00e7a e a Ag\u00eancia Ecclesia conversam com o novo coordenador nacional da Pastoral Juvenil sobre os desafios que o Papa deixou. Nuno Sobral Camelo, de 46 anos, \u00e9 ge\u00f3grafo de profiss\u00e3o e trabalha na Prote\u00e7\u00e3o Civil de \u00c9vora. Casado, com dois filhos, est\u00e1 ligado ao Corpo Nacional de Escutas (CNE), \u00e0 Pastoral Vocacional dos Salesianos e \u00e0 Pastoral Juvenil da arquidiocese de \u00c9vora<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_297981\" aria-describedby=\"caption-attachment-297981\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jncs_dia2-1.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-297981 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jncs_dia2-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"854\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jncs_dia2-1.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jncs_dia2-1-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jncs_dia2-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jncs_dia2-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/jncs_dia2-1-391x260.jpeg 391w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-297981\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/HM<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 a primeira vez que um leigo lidera o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil. Isto pode fazer a diferen\u00e7a na aproxima\u00e7\u00e3o dos jovens? A sua nomea\u00e7\u00e3o deve ser j\u00e1 entendida como uma primeira mudan\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que sim. Este \u00e9, ali\u00e1s, um sinal que tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 dado por algumas estruturas da pastoral juvenil no nosso pa\u00eds, nomeadamente em algumas dioceses onde a aposta num leigo, sempre com a assist\u00eancia de um sacerdote, \u00e9 sinal desta abertura da Igreja a ir ao encontro daquilo que \u00e9 a vida do dia a dia dos jovens. Porque a rela\u00e7\u00e3o dos jovens com a Igreja e a rela\u00e7\u00e3o da Igreja com esta fase da nossa vida, em que estamos ainda em constru\u00e7\u00e3o, \u00e0 volta com o nosso desenvolvimento e com a afirma\u00e7\u00e3o daquilo que ser\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria vida e identidade, ter\u00e1 sempre de ir muito a encontrar os jovens naquilo que s\u00e3o os seus problemas do dia a dia, os seus projetos e aspira\u00e7\u00f5es. Creio que ao posicionarmos, sobretudo depois daquilo que foi a viv\u00eancia da Jornada Mundial da Juventude, esta possibilidade, este papel dos leigos assumirem este caminhar juntos \u00e9 muito importante para dar este sinal.<\/p>\n<p>A Igreja quer estar onde est\u00e3o os jovens e quer conhecer realmente aquilo que os jovens t\u00eam como desafio nas suas pr\u00f3prias vidas, e a Igreja tem um papel a desempenhar nesse acompanhamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobre a heran\u00e7a deixada pela JMJ Lisboa, os desafios s\u00e3o muitos. A fasquia ficou demasiado alta?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 muito alta, e n\u00f3s devemos aspirar sempre ao alto. Mas, a Igreja j\u00e1 vinha a fazer este caminho. Ali\u00e1s, n\u00f3s n\u00e3o podemos esquecer que a Jornada, apesar de ter sido esta grande onda que o Papa nos convida a surfar e a navegar, essa semana foi apenas o resultado de um grande, imenso trabalho de d\u00e9cadas na pastoral juvenil e dos \u00faltimos tr\u00eas ou quatro anos de prepara\u00e7\u00e3o, da Igreja portuguesa e do pa\u00eds, de Portugal, das suas estruturas eclesiais, da sociedade civil, jovens e menos jovens. Essa onda foi &#8211; tal como as ondas s\u00e3o no mar &#8211; o culminar do movimento de outras ondas mais pequenas.<\/p>\n<p>Esta Jornada Mundial da Juventude, enquanto onda, traz-nos aqui o olhar para o alto e n\u00e3o diria manter a onda &#8211; isso n\u00e3o vai ser poss\u00edvel, porque por natureza as ondas elevam-se e depois espraiam-se numa praia. Este foi realmente o corol\u00e1rio e a certeza de que juntos, ouvindo-nos, construindo, conseguimos estar preparados para surfar estas grandes ondas. No entanto, n\u00e3o podemos esquecer nunca que aquilo que importa, mais do que as ondas, \u00e9 o que se passa entre as vagas.<\/p>\n<p>A praia \u00e9 uma boa imagem daquilo que a Igreja deve ser no construir e no seu caminhar com os jovens: um espa\u00e7o agrad\u00e1vel, com luz, um espa\u00e7o de acolhimento onde as marcas desta vida que se faz em conjunto e acompanhada devem permanecer para l\u00e1 das ondas que v\u00e3o e v\u00eam, e eu acho que a aposta da Igreja \u00e9 trabalhar muito nesta continuidade.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que a Jornada nos deixa um grande desafio\u2026 a viv\u00eancia da JMJ foi com pressa &#8211; \u201ch\u00e1 pressa no ar\u201d, assim cant\u00e1vamos, mas isto n\u00e3o pode ser \u00e0 pressa, nunca, tem de ser \u00e9 com muito vigor, com muita certeza -, aquilo que nos \u00e9 deixado \u00e9 a certeza de que conseguimos fazer isto porque trabalhamos muito at\u00e9 l\u00e1. Agora, temos de continuar a trabalhar muito depois disto, sobretudo para n\u00e3o cairmos no erro ou no exagero de apenas nos prepararmos para grandes momentos da Igreja, ou grandes momentos das juventudes da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta mobiliza\u00e7\u00e3o para Lisboa era, pela sua natureza, limitada no tempo. Mas, acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel replicar essa mobiliza\u00e7\u00e3o que houve, sem ser propriamente para um grande evento?<\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o esse \u00e9 o grande desafio. Quando vivemos a peregrina\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos, na prepara\u00e7\u00e3o para a JMJ, foi um momento muito alto nesse caminhar, e depois fazia-se tamb\u00e9m a pergunta: \u2018E agora? Os s\u00edmbolos foram embora, como \u00e9 que mantemos viva a esperan\u00e7a, a chama e a f\u00e9 e esta entrega e cren\u00e7a at\u00e9 \u00e0 Jornada?\u2019. E isso foi-se fazendo chegando aos jovens, ouvindo os jovens, pedindo que os jovens constru\u00edssem este pr\u00f3prio caminho com aquilo que s\u00e3o as suas vontades, os seus receios, sonhos e medos. E isso foi poss\u00edvel. Portanto, tem de ser poss\u00edvel agora, com &#8211; e pegando aqui no haver \u2018pressa no ar\u2019, tamb\u00e9m temos pressa agora, mas com os p\u00e9s bem assentes no ch\u00e3o. Porque estes jovens que viveram a Jornada Mundial da Juventude quer como peregrinos, quer como volunt\u00e1rios &#8211; e essa express\u00e3o tem de ser tamb\u00e9m muito vincada -, quer como jovens, que nas suas fam\u00edlias de acolhimento acolheram outros, e isto, somado com o ritmo que a vida hoje corre, n\u00e3o podemos esperar muito tempo para dar continuidade a isto.<\/p>\n<p>H\u00e1 pressa em que se fa\u00e7a continuidade, porque daqui a dois meses, daqui a um m\u00eas, os jovens j\u00e1 est\u00e3o noutro projeto, noutro pa\u00eds, possivelmente a estudar, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o aqui, em Janeiro j\u00e1 est\u00e3o a retocar as suas vidas com outros projetos. Portanto, h\u00e1 que assentar arraiais nesta praia depois da onda, depois de tudo o que vivemos, e aproximar a Igreja dos Jovens no seu dia a dia, e isso n\u00f3s somos bons a fazer e temos de fazer, indo ao encontro daquilo que os jovens t\u00eam para nos dizer, ouvindo-os e dando-lhes resposta. Esse \u00e9 o desafio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os jovens que estiveram envolvidos na prepara\u00e7\u00e3o da JMJ v\u00e3o ficar nas estruturas nacionais, diocesanas ou paroquiais, ou come\u00e7am a dispersar? Foi respons\u00e1vel pelo Comit\u00e9 Organizador Diocesano de \u00c9vora, teve esta experi\u00eancia ao n\u00edvel da mobiliza\u00e7\u00e3o de jovens, da capacidade de organizar e de surpreender at\u00e9. Podemos dizer que a Igreja confia nos seus jovens?<\/em><\/p>\n<p>A Igreja confia nas juventudes com que nos fomos deparando. Alguns dos jovens que viveram esta experi\u00eancia, quer de prepara\u00e7\u00e3o para os dias na Diocese, quer nos Dias na Diocese, quer na Jornada, muitos deles n\u00e3o eram jovens da Igreja, n\u00e3o faziam da sua vida uma forma de estar continuada na Igreja. Todos tinham tido a sua experi\u00eancia, os seus momentos mais pr\u00f3ximos ou mais afastados, mas muitos viveram esta experi\u00eancia do servi\u00e7o, da partilha, da entrega, e esses s\u00e3o tamb\u00e9m aqueles em que devemos apostar.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que existem os jovens da Igreja que se prepararam, que viveram, que foram testemunho, que ajudaram a construir e que s\u00e3o os nossos jovens, os tais jovens da Igreja. Mas, h\u00e1 uma grande parte que s\u00e3o aqueles que se aproximaram, que puderam sentir pela primeira vez, se calhar \u2013 arriscava dizer isto \u2013 em forma muito pr\u00e1tica, em forma de servi\u00e7o, em forma daquele abra\u00e7o que se dava a pessoas que n\u00e3o se conheciam, mas a quem ofereciam o seu tempo, a sua casa ou os seus dons, pessoas que descobriram uma s\u00e9rie de dons que tinham e que podem ser colocados ao servi\u00e7o da Igreja.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui um conjunto de juventudes\u2026 n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que todos os jovens e gritavam, \u00e0s vezes cortando o sil\u00eancio, \u2018aqui est\u00e1 a Juventude do Papa\u2019, e eu atrevo-me a dizer que aquilo que queria dizer este grito era \u2018aqui est\u00e3o as juventudes de Cristo\u2019. Porque muitos descobriram Cristo, e fico sempre muito feliz de encontrar algu\u00e9m que me diz \u2018eu descobri Cristo nesta Jornada\u2019. E esse era o prop\u00f3sito, \u00e9 sempre um encontro com Cristo. N\u00e3o \u00e9 um encontro com o Papa, nem com as estruturas, nem com a Igreja, \u00e9 um encontro com Cristo, que nos leva a dizer depois \u2018eu quero fazer parte desta Igreja, deste movimento vivo de um Cristo que se anuncia vivo\u2019. Porque a JMJ trouxe muito isto, trouxe vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco falava que h\u00e1 uma igreja desempoeirada. Eu acho que foi isso tamb\u00e9m, foi o sacudir de uma poeira que tinha alguma camada, e que a atividade, aquilo que se gerou de vida \u00e0 volta da pr\u00f3pria Jornada, mostrou que Cristo \u00e9 vivo e est\u00e1 em n\u00f3s, porque vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma das marcas da JMJ foi certamente a imagem que deu dos jovens cat\u00f3licos, que contrariou muitas vis\u00f5es preconceituosas que existiam. Essa forma desempoeirada com que v\u00e1rios momentos foram celebrados e assinalados, deve ser agora um modelo inspirador? Deve estimular os bispos, os padres, todos na Igreja, a fazer diferente, porque se provou que \u00e9 de facto poss\u00edvel fazer diferente?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 mais do que isso. A pr\u00f3pria Jornada mostrou \u00e0 sociedade civil quem s\u00e3o os jovens, e o papel deles. No trabalho que se fez para preparar este encontro mundial em Portugal Internacional, houve um caminho muito construtivo e muito participado com a sociedade civil, as comunidades, as par\u00f3quias, com as for\u00e7as de seguran\u00e7a e os servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o civil, com a sa\u00fade, com todos que &#8211; n\u00e3o podemos esconder isto \u2013 partiram para esta aventura sem saber que era uma aventura, com muito receio, com muito \u2018isto \u00e9 mais do mesmo e vai ser uma complica\u00e7\u00e3o p\u00f4r esta gente toda na ordem, porque quando se juntam jovens s\u00f3 pode dar barulho e confus\u00e3o, e os jovens n\u00e3o fazem nada do que lhes dizemos\u2019 \u2013 \u00e9 isto que a sociedade pensa sempre dos jovens. E na verdade, aquela alegria transformou-se em momentos muito construtivos, tamb\u00e9m da identidade dos jovens, e no fim foram muitas as entidades que partilharam \u2018n\u00f3s n\u00e3o acredit\u00e1vamos que isto podia ser assim\u2019, que podia haver sil\u00eancio, que no Parque Tejo aquele conjunto de pessoas podia estar 15 minutos em sil\u00eancio com o Papa, que as pessoas, ao inv\u00e9s de se empurrarem, ajudavam a passar, que a comida que seria para dois dava para 4. Eu acho que foi muito isso.<\/p>\n<p>A Igreja sabe e conhece os jovens que tem. Eu n\u00e3o sei se a sociedade conhecia assim t\u00e3o bem estes jovens que tem. Embarcsmos todos juntos neste caminho, todos sa\u00edmos a ganhar e o futuro s\u00f3 pode ser promissor se caminharmos juntos com todos, inclusive com aqueles que n\u00e3o est\u00e3o na Igreja ainda, mas que viveram esta experi\u00eancia e que a ela v\u00e3o voltar, com toda a certeza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esteve presente nas Jornadas Nacionais de Comunica\u00e7\u00e3o Social, em F\u00e1tima, onde este ano os protagonistas foram jovens. Quando se fala de mundo digital, parece que a linguagem da Igreja Cat\u00f3lica ainda \u00e9 antiquada, muito distante das novas gera\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 que isto se pode mudar?<\/em><\/p>\n<p>Pode-se mudar colocando jovens ao lado da Igreja a constru\u00edrem canais, linguagens, formatos e metodologias para comunicar com jovens.<\/p>\n<p>A Igreja ainda tem medo das tecnologias. N\u00f3s temos normalmente medo de tudo aquilo que \u00e9 novo e sai fora do que convencion\u00e1mos ser seguro, aceit\u00e1vel e recomend\u00e1vel. Uma coisa \u00e9 ineg\u00e1vel, as formas de comunicar mudaram, nem sequer j\u00e1 est\u00e3o em mudan\u00e7a, j\u00e1 mudaram, est\u00e3o a mudar todos os dias, somos surpreendidos todos os dias com novas formas de o fazer, e a sociedade n\u00e3o fica indiferente a isto, a Igreja tamb\u00e9m n\u00e3o pode ficar.<\/p>\n<p>As tecnologias oferecem-nos hoje um sem n\u00famero de plataformas e canais de comunica\u00e7\u00e3o que s\u00e3o est\u00e2ncias onde os jovens est\u00e3o. Portanto, se a Igreja quiser comunicar com os jovens, at\u00e9 pode fazer um jornal de parede \u2013 boa sorte, n\u00e3o vai acontecer nada. Agora, se a Igreja estiver nas redes, se falar a linguagem dos jovens, se usar essas plataformas utilizando-as para fazer um primeiro contacto, um primeiro an\u00fancio, para que esteja na ordem do dia, para que esteja pr\u00f3xima daquilo que \u00e9 a vida dos jovens, isso abre caminho &#8211; da mesma forma que o jornal de parede faz, ao convocar para um encontro na comunidade paroquial &#8211; \u00a0a que possamos depois, presencialmente, de forma mais planeada e rotineira, trazer ao encontro presencial. As redes s\u00e3o uma \u00f3tima rampa de lan\u00e7amento para isso, mas \u00e9 no encontro e no acompanhamento \u2013 e eu foco muito aqui o acompanhamento, porque \u00e9 isso que queremos trabalhar no futuro -, que se faz depois cara a cara, ombro a ombro, e as redes podem ser determinantes nisto, porque \u00e9 a\u00ed que est\u00e3o os jovens. Jesus quando foi \u00e0 procura de apoiantes para a sua miss\u00e3o foi \u00e0 procura dos pescadores e n\u00e3o foi ter com eles a um campo de cereais, foi ter com eles onde eles pescavam, no lago.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que viu a recente iniciativa, por exemplo, do Patriarca de Lisboa se encontrar com jovens num bar, para dar a conhecer o programa da pastoral juvenil e universit\u00e1ria da diocese?<\/em><\/p>\n<p>O plano foi apresentado no s\u00edtio onde estavam jovens. N\u00e3o \u00e9 preciso convidar jovens para ir a um bar, se eles j\u00e1 l\u00e1 estiverem. \u00c9 \u00f3bvio que aquilo foi marcado e eles sabiam que naquela altura podiam l\u00e1 estar, mas isso \u00e9 um excelente sinal.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Tem de haver esta criatividade tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Porque \u00e9 que havemos de fazer sempre um encontro que come\u00e7a sempre da mesma forma e tem sempre a mesma estrutura, as mesmas cadeiras inc\u00f3modas e uma porta de entrada que parece muito estreita quando chegamos e depois, no fim, j\u00e1 parece um bocadinho mais larga, mas deixa-nos ali assim um bocadinho tolhidos?&#8230; Porque \u00e9 que n\u00e3o fazemos isto onde os jovens est\u00e3o? Porque \u00e9 que n\u00e3o sa\u00edmos da caixa? Eu acho que a JMJ tamb\u00e9m foi um bocadinho isso, e o desafio tamb\u00e9m \u00e9 esse. E esse \u00e9 um excelente sinal: o mesmo plano, a mesma inten\u00e7\u00e3o, o mesmo sentido de anunciar e acompanhar de seguida, foi lan\u00e7ado num s\u00edtio onde os jovens est\u00e3o, onde se sentem confort\u00e1veis e este \u00e9 um sinal de que a Igreja \u00e9 atual e \u00e9 a tal estrutura desempoeirada que agora utiliza aquilo que tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os primeiros evangelizadores, os primeiros Santos que trabalharam com a juventude, utilizavam aquilo que tinham na altura, umas cordas e uns malabarismos, subiam \u00e0s \u00e1rvores e a seguir rezavam. Aqui temos de trabalhar com aquilo que temos na atualidade, n\u00e3o vale a pena continuar a usar o mesmo m\u00e9todo, as mesmas ferramentas, porque n\u00e3o d\u00e1 resultado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando esta conversa for emitida j\u00e1 se ter\u00e1 reunido o Conselho Nacional da Pastoral Juvenil, \u00e9 a primeira reuni\u00e3o deste ano Pastoral e do tri\u00e9nio. Como respons\u00e1vel da Pastoral Juvenil nacional j\u00e1 tem alguma ideia de quais devem ser as prioridades e as primeiras a\u00e7\u00f5es do departamento?<\/em><\/p>\n<p>O departamento tem de ser capaz de congregar, \u00e9 aquilo que eu acho. Tem de ser capaz de pegar nesta disponibilidade toda que se viveu na jornada, em fam\u00edlias, em volunt\u00e1rios, em peregrinos e em curiosos, porque acredito que haja muitos jovens que tenham sido surpreendidos por este movimento e que n\u00e3o estiveram l\u00e1, mas que podem ainda juntar-se a n\u00f3s. Esse tem de ser o principal papel aqui, congregar e agregar. E depois tem de se trabalhar naquilo que eu acho que \u00e9 indispens\u00e1vel, que \u00e9: se as nossas juventudes que viveram esta experi\u00eancia se aproximam da Igreja e se permitem que a Igreja entre nas suas vidas, temos dee aproveitar isso para fazer este trabalho que se quer de acompanhamento e de continuidade. Acho que esse \u00e9 o desafio, na cria\u00e7\u00e3o de uma identidade nacional.<\/p>\n<p>As Juventudes de Portugal, que trabalham, est\u00e3o e vivem na Igreja, e que fazem do Cristo vivo o seu modelo de vida, t\u00eam muitas realidades locais &#8211; de par\u00f3quia, diocese, movimento, congrega\u00e7\u00e3o -, mas, tal como a JMJ nos mostrou, conseguem, com um objetivo comum, estar de m\u00e3os dadas e construir em conjunto aquilo que pode ser constru\u00eddo em conjunto, haver\u00e1 sempre coisas que s\u00e3o das especificidades de cada ambiente, de cada territ\u00f3rio. Mas, esse \u00e9 que tem de ser o trabalho do departamento: congregar, agregar, fazer identidade nacional. E depois tem de procurar &#8211; ouvindo todas as estruturas, que por sua vez ouviram ou v\u00e3o ouvir todos os jovens &#8211; encontrar um conjunto de a\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am sentido a n\u00edvel transversal.<\/p>\n<p>Lembro-me da forma\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00f3s queremos apostar muito na forma\u00e7\u00e3o e no acompanhamento. J\u00e1 l\u00e1 vai o tempo em que uma viola, e quatro ou cinco m\u00fasicas animavam um grupo de jovens. Os jovens hoje precisam mais de acompanhamento e menos de anima\u00e7\u00e3o, possivelmente. \u00c9 uma \u00e1rea em que queremos apostar.<\/p>\n<p>A \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 central, \u00e9 fulcral. Se n\u00f3s somos bons a viver Cristo vivo e queremos falar disso aos outros, ent\u00e3o temos de saber comunicar isso e n\u00e3o vale a pena o \u2018j\u00e1 aconteceu\u2019, esse era o jornal que eu fazia na escola \u2018Aconteceu\u2019, e depois n\u00e3o teve ningu\u00e9m. N\u00f3s queremos \u00e9 comunicar \u2018vai acontecer e contamos contigo\u2019.<\/p>\n<p>O nosso plano estrat\u00e9gico para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos j\u00e1 \u00e9 conhecido dos nossos parceiros do Conselho Nacional da Pastoral Juvenil, tem como mote \u2018Chamados pelo nome\u2019. \u00c9 isso que queremos fazer, seguindo aquilo que o Papa Francisco nos disse no primeiro encontro em Lisboa: \u2018cada um de v\u00f3s \u00e9 chamado pelo nome por Cristo\u2019. Mas, ele disse mais do que isto, disse \u2018voc\u00eas t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de se chamarem uns aos outros pelo nome, e n\u00f3s queremos fazer isto, chamar os movimentos, as congrega\u00e7\u00f5es e as dioceses, para que, chamando-os pelo nome, fa\u00e7amos este caminho em conjunto.<\/p>\n<p>O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil n\u00e3o deve estar vocacionado para preparar atividades em cima de atividades, no mesmo dia de outras atividades, e em paralelo com outras que ningu\u00e9m sabia que iam acontecer. O DNPJ tem de ser capaz de congregar, construir identidade e p\u00f4r a Igreja a ir ao encontro dos problemas di\u00e1rios da vida dos jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E ajudar a Igreja a ser para \u2018todos, todos, todos\u2019, como pediu tamb\u00e9m aqui em Lisboa o Papa? Para os jovens e os seus anseios, como \u00e9 que isto se pode traduzir em termos pr\u00e1ticos?<\/em><\/p>\n<p>A Igreja \u00e9 uma porta aberta, tem de ser para \u2018todos, todos, todos\u2019 e \u2018todos, todos, todos\u2019 v\u00e3o aparecer com as suas especificidades, porque n\u00e3o diz \u2018todos, todos, todos iguais\u2019, com as suas especificidades, projetos e dificuldades. E n\u00e3o s\u00e3o dificuldades de saber onde \u00e9 que \u00e9 a Igreja ou como \u00e9 que se reza uma Ave-Maria, \u00e9 as dificuldades da vida. E a Pastoral Juvenil se est\u00e1 com os jovens e quer ouvir os jovens tem de ser capaz de, ouvindo, encontrar solu\u00e7\u00f5es que possam fazer a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Lembro-me muito nestas \u00e1reas na quest\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es, cada um descobriu uma voca\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sabia, por exemplo, na Jornada, ou quando se acercou da estrutura da sua par\u00f3quia ou da sua diocese. A quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 fal\u00e1mos, a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o da sua identidade, daquilo que queremos para o futuro, n\u00e3o \u00e9 despiciente.<\/p>\n<p>Estes jovens est\u00e3o em fase, muitos deles, de in\u00edcio da sua vida universit\u00e1ria ou profissional, com todas as preocupa\u00e7\u00f5es que sabemos que t\u00eam, o mudar de casa, o que \u00e9 encontrar uma casa numa cidade diferente, o que \u00e9 deixar o agrupamento de escuteiros da sua par\u00f3quia e, de repente, nem saber se h\u00e1 possibilidade de continuar este trabalho no s\u00edtio que os acolhe agora. A Pastoral Juvenil tem de estar tamb\u00e9m atenta a isto, e criar em conjunto aquilo que for necess\u00e1rio, nunca esquecendo aquele que \u00e9 o primeiro an\u00fancio.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos partir do princ\u00edpio de que toda esta gente que viveu isto tudo, e os vizinhos daqueles que viveram isto, sabem quem \u00e9 Cristo e se Ele est\u00e1 vivo. Temos de anunciar isso e saber acompanhar a seguir, e s\u00f3 acompanha quem ouve, e quem ouve tem a responsabilidade de encontrar solu\u00e7\u00f5es em conjunto.<\/p>\n<p>O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil n\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es milagrosas, mas tem uma grande vontade de ouvir, construir em conjunto, desconstruir, de voltar para tr\u00e1s, de seguir em frente, de ouvir \u2018todos, todos, todos\u2019, porque s\u00f3 ouvindo \u2018todos, todos, todos\u2019 conseguimos chegar a conclus\u00f5es do que \u00e9 que \u00e9 preciso para cada um, a cada momento, no seu ritmo. Porque essa \u00e9 outra coisa que n\u00e3o podemos esquecer: cada territ\u00f3rio, cada movimento, tem o seu ritmo, as suas caracter\u00edsticas, tradi\u00e7\u00f5es e formas de viver isto. N\u00e3o nos interessa muito fazer atividades, atividades, atividades, essas s\u00e3o feitas nas realidades locais. Aquilo que nos interessa \u00e9 agregar, congregar e gerar identidade, ouvindo e dando resposta, n\u00e3o com as respostas que sabemos, mas com as respostas que vamos construindo em conjunto, em tempo real. Esse \u00e9 o grande desafio que temos em m\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois meses depois de Lisboa ter acolhido o maior encontro de jovens do mundo, a Renascen\u00e7a e a Ag\u00eancia Ecclesia conversam com o novo coordenador nacional da Pastoral Juvenil sobre os desafios que o Papa deixou. Nuno Sobral Camelo, de 46 anos, \u00e9 ge\u00f3grafo de profiss\u00e3o e trabalha na Prote\u00e7\u00e3o Civil de \u00c9vora. 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