{"id":29994,"date":"2008-02-13T11:28:00","date_gmt":"2008-02-13T11:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/13\/cristianismo-uma-religiao-para-o-futuro\/"},"modified":"2008-02-13T11:28:00","modified_gmt":"2008-02-13T11:28:00","slug":"cristianismo-uma-religiao-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristianismo-uma-religiao-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Cristianismo, uma religi\u00e3o para o futuro"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Clemente, Bispo do Porto <!--more--> Pode parecer estranho este t\u00edtulo: \u201cCristianismo, uma religi\u00e3o para o futuro\u201d, porque referido a uma realidade que j\u00e1 ultrapassou os dois mil anos, mesmo sem lembrar que \u00e9 herdeira do Juda\u00edsmo, com quase outros tantos para tr\u00e1s\u2026 Mas preferi apresent\u00e1-lo assim, por v\u00e1rias raz\u00f5es. Uma primeira, digamos, de oportunidade. Outra, mais de tipo hist\u00f3rico, enquanto s\u00f3 vamos buscar ao passado, com a nossa mem\u00f3ria sumamente selectiva, aquilo que \u201cinteressa\u201d ao presente, tendo em vista o futuro. E outra ainda, porque o cristianismo essencial, ou seja, o que podemos descortinar das palavras e atitudes de Jesus Cristo, se apresenta a si mesmo como din\u00e2mico e projectivo, de futuro. Ali\u00e1s, foi dentro desta ordem de ideias que o Padre Ant\u00f3nio Vieira, cujo quarto centen\u00e1rio do nascimento agora celebramos, se abalan\u00e7ou a escrever uma \u201chist\u00f3ria do futuro\u201d. A primeira raz\u00e3o, dizia, \u00e9 de oportunidade. Vivemos um tempo cheio de contradi\u00e7\u00f5es, tanto ao n\u00edvel local como ao mundial. Contradi\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, com grandes dificuldades na realiza\u00e7\u00e3o do que se anuncia, tantos s\u00e3o os factores divergentes ou imprevistos que se amontoam. Contradi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, pois nunca soubemos tanto, do ponto de vista cient\u00edfico e t\u00e9cnico, para melhorar a vida pr\u00f3pria e alheia, e nunca acumul\u00e1mos tanta destrui\u00e7\u00e3o dela e tantas amea\u00e7as fatais para a sobreviv\u00eancia de povos inteiros, para n\u00e3o falar do pr\u00f3prio planeta. E \u00e9 neste \u201ccampo minado\u201d das nossas actuais contradi\u00e7\u00f5es que as religi\u00f5es tamb\u00e9m entram e nem sempre pelas melhores raz\u00f5es. Tendo geralmente simbolizado e activado as \u00faltimas expectativas e os grandes sentimentos pessoais e colectivos, confundindo-se quase com o devir e a identidade de diversos povos e culturas, acabaram por ficar como que ref\u00e9ns dessas mesmas hist\u00f3rias, para serem louvadas nas suas melhores p\u00e1ginas e serem acusadas nas suas mais espessas sombras.  Laicismo e fundamentalismo No nosso caso portugu\u00eas, o facto \u00e9 patente, ainda que n\u00e3o un\u00edvoco. Assim, para Pombal e os pombalinos, j\u00e1 na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, parecia \u00f3bvio que todos os \u201cestragos\u201d que Portugal sofrera desde o s\u00e9culo XVI se deviam aos jesu\u00edtas; muitos liberais oitocentistas alargaram a culpa \u00e0s congrega\u00e7\u00f5es religiosas em geral; e Antero, um s\u00e9culo depois de Pombal, via o catolicismo \u201ctridentino\u201d como uma das causas da nossa decad\u00eancia. A propaganda republicana op\u00f4s o laicismo \u00e0quilo a que chamava \u201cclericalismo\u201d e \u201cjesuitismo\u201d, etc. \u00c9 certo que, em contraponto com todos estes, n\u00e3o faltou quem expressasse ju\u00edzos positivos sobre a influ\u00eancia dos jesu\u00edtas e do catolicismo em geral na hist\u00f3ria nacional. Notavam aspectos menos bons, mas apuravam saldos positivos. Mesmo liberais not\u00f3rios como Garrett e Oliveira Martins, em rela\u00e7\u00e3o ao catolicismo, o primeiro, e ao Conc\u00edlio de Trento, o segundo, fizeram avalia\u00e7\u00f5es mais optimistas. No entanto, de tudo isto sobejou para os nossos dias alguma reserva difusa em rela\u00e7\u00e3o ao lugar da religi\u00e3o na sociedade, pelo menos em termos institucionais. De tal modo que alguns laivos laicistas, detect\u00e1veis aqui e ali no poder pol\u00edtico e administrativo, ainda descriminam negativamente as realidades confessionais, mesmo quando prestam comprovados servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.  Estas quest\u00f5es de oportunidade sobressaem ultimamente, na reac\u00e7\u00e3o ao fundamentalismo religioso. \u00c9 um facto que, em nome da religi\u00e3o, ainda hoje se fazem guerras e mortandades, como outras se fizeram no passado com igual pretexto. Mas \u00e9 igualmente um facto que \u00e9 em nome duma religi\u00e3o mais aut\u00eantica que tantos crentes \u2013 e primeiramente estes! \u2013 criticam tal atitude. Na verdade, a melhor compreens\u00e3o do Deus das religi\u00f5es monote\u00edstas s\u00f3 pode considerar como inaceit\u00e1vel e blasfema a alega\u00e7\u00e3o do seu nome contra a humanidade. Basta lembrar, como o t\u00eam feito tantos l\u00edderes religiosos mais consequentes, que um Deus \u00fanico e criador de todos por todos se interessa e a todos se prop\u00f5e como rela\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel. Tamb\u00e9m cabendo lembrar que as primeiras v\u00edtimas dos fundamentalistas s\u00e3o frequentemente os seus pr\u00f3prios correligion\u00e1rios, quando n\u00e3o aderem a posi\u00e7\u00f5es violentas e adulteradas.  As dimens\u00f5es humanizantes do cristianismo Estas \u00faltimas considera\u00e7\u00f5es j\u00e1 nos trazem \u00e0 segunda raz\u00e3o do meu enunciado: \u201cCristianismo, uma religi\u00e3o para o futuro\u201d. Uma raz\u00e3o de tipo hist\u00f3rico, procurando no seu passado aquilo que nos possa transportar para o amanh\u00e3. De facto, nos dois mil anos da sua exist\u00eancia, o cristianismo trouxe \u00e0 humanidade um conjunto de dados que refor\u00e7am a base human\u00edstica do nosso devir comum. Neste ponto, vamos at\u00e9 al\u00e9m do estritamente confessional, uma vez que tais dados se tornaram patrim\u00f3nio global, como cultura e civiliza\u00e7\u00e3o, direito e conviv\u00eancia c\u00edvica.  Comecemos por indicar a pr\u00f3pria considera\u00e7\u00e3o de Deus que o cristianismo vai buscar ao que os Evangelhos nos deixam entrever da rela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo com Aquele a quem chama Pai. Parecer\u00e1 um aspecto puramente religioso, sem consequ\u00eancia maior na sociedade e na cultura\u2026 De facto, foi talvez o mais marcante na hist\u00f3ria cultural mediterr\u00e2nica e al\u00e9m dela, quase criando o conceito basilar de pessoa, como hoje o temos, bem como o da sociedade a partir dela e ao seu servi\u00e7o. Refiro-me, claro est\u00e1, ao que distingue o cristianismo das outras religi\u00f5es monote\u00edstas, porque, afirmando com estas que s\u00f3 h\u00e1 um Deus, afirma simultaneamente que ele inclui em si mesmo a rela\u00e7\u00e3o inter-pessoal. \u00c9, digamos assim, unitrino.  N\u00e3o pare\u00e7a isto \u201cteologia a mais&#8221;, porque, sem isto, seria cristianismo a menos. O crist\u00e3o, quando pensa em Deus a partir do que Cristo vive e diz, pensa numa vida que inteiramente se tem (o Pai), inteiramente se d\u00e1 e \u00e9 recebida (o Filho) e inteiramente circula entre os dois (o Esp\u00edrito). O crist\u00e3o entrev\u00ea assim que a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que se acrescenta ao ser de Deus, mas antes e essencialmente o constitui. Um dos autores do Novo Testamento escreveu consequentemente: \u201cAmemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que n\u00e3o ama n\u00e3o chegou a conhecer Deus, pois Deus \u00e9 amor\u201d (1\u00aa Carta de Jo\u00e3o 4, 7-8). Ou seja, Deus \u00e9 em si mesmo a rela\u00e7\u00e3o absoluta e s\u00f3 quem se relaciona positivamente come\u00e7a a conhecer e experimentar algo de Deus.  Personalismo e humanismo T\u00eam sido constatadas as aplica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e culturais desta verdade crist\u00e3: pouco a pouco, foi-se definindo uma doutrina social personalista, olhando a sociedade humana \u00e0 maneira da Trindade divina, realizando a unidade na pluralidade e vice-versa, sem negar nenhuma das duas; e activando o inter-relacionamento, das fam\u00edlias \u00e0s na\u00e7\u00f5es e al\u00e9m destas, dentro duma solidariedade e subsidiariedade tais que n\u00e3o permitam diluir a parte no todo e fa\u00e7am fluir a vida em conviv\u00eancia complementar e mutuamente enriquecedora. E o pr\u00f3prio conceito de pessoa, como consci\u00eancia, liberdade e responsabilidade individuais, mas n\u00e3o individualistas, porque s\u00f3 realiz\u00e1veis na m\u00fatua rela\u00e7\u00e3o Este indiscut\u00edvel ganho que o humanismo crist\u00e3o foi trazendo \u2013 apesar das contrafac\u00e7\u00f5es da sua hist\u00f3ria complexa \u2013 liga-se a um outro, que ainda mais uniu as coisas do C\u00e9u com as da terra. \u00c9 que, al\u00e9m da considera\u00e7\u00e3o unitrinit\u00e1ria de Deus, o cristianismo aprendeu com Jesus Cristo que n\u00e3o h\u00e1 acesso ao divino sem passagem pelo humano, pela humanidade que ele mesmo, Cristo, assumiu. Esta incarna\u00e7\u00e3o \u00e9 imediatamente afirmada pelo 4\u00ba Evangelho, nos seguintes termos: \u201cE o Verbo fez-se homem [ou \u201ccarne\u201d] e veio habitar connosco\u201d (Jo 1, 14); e trouxe igualmente as maiores consequ\u00eancias sociais. A hist\u00f3ria da santidade crist\u00e3 \u00e9 sobretudo pontuada por grandes figuras que compreenderam e viveram este ponto essencial: de Francisco de Assis a Jo\u00e3o de Deus, de Vicente de Paulo a Teresa de Calcut\u00e1, o cristianismo ligou indissoluvelmente devo\u00e7\u00e3o e caridade, espiritualidade e solidariedade. E a linguagem corrente, em meios tocados pelo cristianismo, mesmo entre n\u00e3o-crentes, vai-lhe buscar as refer\u00eancias mais usuais, falando de \u201ccomunh\u00e3o\u201d, do \u201cpr\u00f3ximo\u201d, ou do \u201cbom samaritano\u201d para ilustrar tais pr\u00e1ticas \u2013 boas pr\u00e1ticas!   Num texto de 2003, tamb\u00e9m fruto da reflex\u00e3o dos respons\u00e1veis cat\u00f3licos de todo o mundo, o papa Jo\u00e3o Paulo II escrevia o seguinte: \u201cPara dar novo impulso \u00e0 sua hist\u00f3ria, a Europa deve reconhecer e recuperar, com fidelidade criativa, aqueles valores fundamentais, adquiridos com o contributo determinante do cristianismo, que se podem compendiar na afirma\u00e7\u00e3o da dignidade transcendente da pessoa humana, do valor da raz\u00e3o, da liberdade, da democracia, do Estado de direito e da distin\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica e religi\u00e3o\u201d (Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Europa, n\u00ba 109).  Vale a pena reparar nestes itens. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que os apontamentos acima deixados sobre a reflex\u00e3o personalista, de Deus ao homem, elucidam a contribui\u00e7\u00e3o do cristianismo para a afirma\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana; n\u00e3o se deve duvidar igualmente que o refor\u00e7o b\u00edblico da alteridade do mundo em rela\u00e7\u00e3o a Deus, que o cria \u201cfora\u201d de si mesmo e o entrega \u00e0 responsabilidade do homem, de intelig\u00eancia (divina) para intelig\u00eancia (humana), abre campo \u00e0 raz\u00e3o e \u00e0 ci\u00eancia; e que tais afirma\u00e7\u00f5es da dignidade e da responsabilidade humanas, bem como a distin\u00e7\u00e3o que Cristo faz entre o que se deve a C\u00e9sar (o Estado, a sociedade) e o que se deve a Deus (o culto espiritual), tudo consolida a liberdade e a democracia, bem como a justa laicidade da sociedade pol\u00edtica. N\u00e3o precisa esta, por qualquer ressaibo laicista, de defender a laicidade que o cristianismo ser\u00e1 o primeiro a garantir-lhe, seguindo o exemplo de Cristo.  Valorizar o futuro do mundo Podemos deter-nos numa cita\u00e7\u00e3o de Rodney Stark, salientando a potencia\u00e7\u00e3o que o cristianismo trouxe e traz \u00e0 sociedade europeia: \u201cA imagem crist\u00e3 de Deus \u00e9 a de um ser racional que acredita no progresso humano, revelando-se \u00e0 medida que os humanos desenvolvam a capacidade de compreens\u00e3o. Al\u00e9m disso, porque Deus \u00e9 um ser racional e o universo \u00e9 a sua cria\u00e7\u00e3o pessoal, o universo tem por defini\u00e7\u00e3o uma estrutura racional, com leis est\u00e1veis que aguardam uma compreens\u00e3o humana mais aperfei\u00e7oada. Este racioc\u00ednio foi de enorme import\u00e2ncia para muitas investiga\u00e7\u00f5es intelectuais, inclusive para o desenvolvimento da ci\u00eancia\u201d  (A vit\u00f3ria da raz\u00e3o. Lisboa, Tribuna da Hist\u00f3ria, 2007, p. 60).    Referi o exemplo de Cristo, antes e mais at\u00e9 do que a atitude concreta de todos os que, ao longo dos s\u00e9culos, quiseram segui-lo. Na verdade, s\u00f3 muito lentamente o fermento evang\u00e9lico vai levedando toda a massa dos pr\u00f3prios crentes. Pode mesmo dizer-se que s\u00f3 no fim dos tempos o cristianismo ser\u00e1 inteiramente realizado por aqueles que o transportam, ou, melhor dizendo, s\u00e3o transportados por ele. O fundador do cristianismo foi o primeiro a anunci\u00e1-lo, quando adiantou o seguinte, prometendo a obra do Esp\u00edrito, nos derradeiros discursos aos disc\u00edpulos, tal como aparecem no 4\u00ba Evangelho: \u201cTenho muitas coisas a dizer-vos, mas n\u00e3o sois capazes de as compreender por agora. Quando ele vier, o Esp\u00edrito da Verdade, h\u00e1-de guiar-vos para a Verdade completa. [\u2026] Ele h\u00e1-de manifestar a minha gl\u00f3ria, porque receber\u00e1 do que \u00e9 meu e vo-lo dar\u00e1 a conhecer. Tudo o que o Pai tem \u00e9 meu; por isso \u00e9 que eu disse: \u2018Receber\u00e1 do que \u00e9 meu e vo-lo dar\u00e1 a conhecer\u2019\u201d (Jo 16, 12-14).   Repare-se novamente na afirma\u00e7\u00e3o unitrinit\u00e1ria da obra de Deus no mundo: o Pai diz-se no Filho (Cristo), mas s\u00f3 no Esp\u00edrito o entenderemos, o iremos entendendo, progressivamente. Como na hist\u00f3ria das nossas rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais, s\u00f3 com o tempo e a amizade (com)provada, nos vamos conhecendo mutuamente\u2026 No caso crist\u00e3o, tal acontece h\u00e1 dois mil anos e o (re)conhecimento continua, quer te\u00f3rica, quer praticamente. H\u00e1 muito Evangelho a valorizar para o futuro do mundo, mesmo na rela\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica que o comportamento de Cristo tamb\u00e9m suporta e estimula.  Perguntemo-nos, finalmente, sobre o contributo concreto que o cristianismo pode e deve dar para nosso futuro comum.   O cristianismo e a Europa Especificamente, sobre o catolicismo e a Europa, voltemos ao documento de 2003, assinado por Jo\u00e3o Paulo II, quando diz: \u201cA Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 convencida de que pode dar um contributo singular em ordem \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o [da Europa], oferecendo \u00e0s institui\u00e7\u00f5es europeias [\u2026] a ajuda de comunidades crentes que procuram realizar o compromisso de humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade a partir do Evangelho vivido sob o signo da esperan\u00e7a. Nesta perspectiva, \u00e9 necess\u00e1ria uma presen\u00e7a de crist\u00e3os adequadamente formados e competentes nas v\u00e1rias inst\u00e2ncias e institui\u00e7\u00f5es europeias, que concorram, no respeito dos correctos dinamismos democr\u00e1ticos e atrav\u00e9s do confronto das propostas, para delinear uma conviv\u00eancia europeia cada vez mais respeitosa de todo o homem e mulher e, por isso, conforma ao bem comum\u201d (Ecclesia in Europa, n\u00ba 117).    \u00c9 grande o elenco, mas real e oportuno. Entre os \u201cpais\u201d da Uni\u00e3o Europeia, figuram nomes como Schuman, De Gasperi ou Adenauer, que a constru\u00edram a partir duma motiva\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que ultrapassava os contornos, antigos ou recentes, das respectivas p\u00e1trias. Como tamb\u00e9m \u00e9 lembrado, mais perto de n\u00f3s, o nome de Jaques Delors, a quem n\u00e3o faltava id\u00eantica inspira\u00e7\u00e3o. Depois, as pr\u00f3prias comunidades crist\u00e3s, espalhadas pelo Continente, constituem uma forte rede de solidariedade e servi\u00e7o, com que se pode contar. No passado, as comunidades mon\u00e1sticas ensaiaram v\u00e1rios tipos de participa\u00e7\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201d, interna a elas. Hoje, par\u00f3quias, congrega\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, mant\u00eam a mesma pedagogia e disponibilidade, em rela\u00e7\u00e3o ao todo s\u00f3cio-pol\u00edtico.  O que n\u00e3o pretendem fazer sozinhas, antes com outros, mesmo al\u00e9m do catolicismo estrito. Ali\u00e1s, aberto \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica e inter-religiosa, ao servi\u00e7o da paz: \u201cO fortalecimento da uni\u00e3o no \u00e2mbito do continente europeu estimula os crist\u00e3os a cooperarem com todas as suas for\u00e7as no processo de integra\u00e7\u00e3o e de reconcilia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do di\u00e1logo teol\u00f3gico, espiritual, \u00e9tico e social\u201d (Ecclesia in Europa, n\u00ba 119).    Muito a fazer, em suma, com disponibilidade refor\u00e7ada pela urg\u00eancia: do melhor passado para o melhor futuro!  Instituto Superior da Maia (ISMAI) &#8211; Col\u00f3quio &#8220;As Religi\u00f5es e a constru\u00e7\u00e3o do futuro&#8221;.  <i>D. Manuel Clemente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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