{"id":29965,"date":"2008-02-12T11:34:14","date_gmt":"2008-02-12T11:34:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/12\/a-escrita-com-alma-de-mons-miguel-de-oliveira\/"},"modified":"2008-02-12T11:34:14","modified_gmt":"2008-02-12T11:34:14","slug":"a-escrita-com-alma-de-mons-miguel-de-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-escrita-com-alma-de-mons-miguel-de-oliveira\/","title":{"rendered":"A escrita com alma de Mons. Miguel de Oliveira"},"content":{"rendered":"<p>No quadrag\u00e9simo anivers\u00e1rio da sua morte  <!--more--> Com a morte de Mons. Miguel de Oliveira desapareceu \u00abo bra\u00e7o direito\u00bb do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica e Revista \u00abLusitania Sacra\u00bb &#8211; sublinha Avelino de Jesus Costa, no Tomo VIII (1967\/69), da Revista \u00abLusitania Sacra\u00bb. A sua morte (28 de Fevereiro de 1968) foi muito sentida em todo o pa\u00eds, sobretudo no meio eclesi\u00e1stico, onde era muito estimado \u201cpelo seu car\u00e1cter, vasta cultura e acrisoladas virtudes sacerdotais\u201d \u2013 salienta. Nascido a 15 de Dezembro de 1897, na freguesia de V\u00e1lega, concelho de Ovar, Miguel Oliveira fez o curso teol\u00f3gico no Semin\u00e1rio do Porto (1914 a 1917) e foi ordenado a 18 de Julho de 1920. Cinco anos depois fez uma viagem \u00e0 Palestina e, ao regressar, foi convidado para chefe de Redac\u00e7\u00e3o do Jornal \u00abNovidades\u00bb.  Uma longa s\u00e9rie de cr\u00f3nicas publicadas neste \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, com o t\u00edtulo \u00abImpress\u00f5es do Oriente\u00bb, a descrever a viagem, despertou tanto interesse que, em 1927, se efectuou uma peregrina\u00e7\u00e3o \u2013 integrada num grupo franc\u00eas \u2013 \u00e0 Terra Santa. Na viagem visitaram tamb\u00e9m a Gr\u00e9cia, It\u00e1lia, Turquia, S\u00edria, L\u00edbano, Egipto e algumas ilhas no Mediterr\u00e2neo.  Tem um discurso cativante que envolve o leitor. \u201cAs refer\u00eancias  aos companheiros de viagem s\u00e3o saborosas e transportam uma ironia que manter\u00e1 como historiador\u201d \u2013 escreveu Carlos Moreira Azevedo no livro \u00abMons. Miguel de Oliveira \u2013 no centen\u00e1rio do seu nascimento (1897-1997)\u00bb. E acrescenta: a gra\u00e7a da narra\u00e7\u00e3o surpreende-nos, por entre as descri\u00e7\u00f5es atentas ao colorido e capazes de implicar o leitor\u201d. Em 1932 inicia uma nova tarefa, que cumprir\u00e1 at\u00e9 \u00e0 morte, dedicando particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sec\u00e7\u00e3o editorial da Uni\u00e3o Gr\u00e1fica, embora prosseguisse o trabalho de redactor no referido jornal.  A voca\u00e7\u00e3o de historiador vem-lhe dos bancos do Semin\u00e1rio com o primeiro trabalho sobre \u00abV\u00e1lega \u2013 Mem\u00f3ria hist\u00f3rica e descrita\u00bb que foi publicada em 1921-23. Entre as s\u00ednteses que proporcionou ao meio portugu\u00eas, \u201cpermitindo uma correcta inicia\u00e7\u00e3o \u00e0s mat\u00e9rias e proporcionando meios did\u00e1cticos para a transmiss\u00e3o do saber est\u00e1 a \u00abHist\u00f3ria da Igreja\u00bb, cuja primeira edi\u00e7\u00e3o se lan\u00e7ou em 1938\u201d (In: Azevedo, Carlos Moreira). A obra n\u00e3o pretendia preencher a lacuna de um manual de Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica em portugu\u00eas, mas visava servir \u201cA juventude e os membros da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica\u201d. O livro \u201cpor isso, aparece despido dos aparatos de erudi\u00e7\u00e3o, sem preocupa\u00e7\u00f5es de originalidade ou eleg\u00e2ncia liter\u00e1ria\u201d \u2013 refere o autor.   A segunda obra de s\u00edntese foi a \u00abHist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica de Portugal\u00bb, sa\u00edda em 1940,  foi a \u201cmelhor obra, como trabalho cr\u00edtico de s\u00edntese\u201d \u2013 escreveu Avelino Jesus Costa. Esta obra mereceu o Pr\u00e9mio \u00abAlexandre Herculano\u00bb de Hist\u00f3ria e os mais rasgados elogios dos cr\u00edticos nacionais e estrangeiros. Em 1941 publicou a \u00abEpigrafia Crist\u00e3 em Portugal\u00bb, revendo a colect\u00e2nea sa\u00edda no suplemento do jornal \u00abNovidades\u00bb. N\u00e3o se sentindo com compet\u00eancia especial, vive a falta de estudo actualizado da nossa epigrafia e arqueologia crist\u00e3 e presta um servi\u00e7o impulsionador de trabalhos mais elaborados e criteriosos. \u201c\u00c9 uma pedra no charco, al\u00e9m da recolha de algumas inscri\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas constituir por si pr\u00f3prio verdadeiro contributo cient\u00edfico\u201d \u2013 escreveu Carlos Moreira Azevedo. A investiga\u00e7\u00e3o sobre as \u00abOrigens de Cister em Portugal\u00bb, publicada em 1951, na Revista Portuguesa de Hist\u00f3ria, corrigia erros repetidos cronicamente e permitia guiar o cisterciense franc\u00eas Maur Cocheril, quando se deslocou a Lisboa, em 1952, por mat\u00e9ria em que haveria de se especializar, com a publica\u00e7\u00e3o de muitos estudos. No tomo I (1956) na sauda\u00e7\u00e3o da Revista Lusitania Sacra, D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes escreve que esta revista \u201cvir\u00e1 ocupar um imenso campo, h\u00e1 tanto tempo deserto de ocupantes (Quer\u00edamos aqui se entendesse deserto no sentido alentejano de \u00e1vido, que espera ou deseja)\u201d. Mons. Miguel de Oliveira esteve na primeira linha desta revista, cujo t\u00edtulo foi indicado por ele.   Para al\u00e9m da veia hist\u00f3rica, Mons. Miguel de Oliveira dedicou-se activamente \u00e0 orat\u00f3ria sacra, enquanto esteve no Porto. \u201cS\u00f3 no \u00faltimo ano em que foi professor do Semin\u00e1rio pregou cerca de duzentos serm\u00f5es\u201d (In: Costa, Avelino de Jesus). Um serm\u00e3o de 1931, na Igreja dos Congregados, foi o primeiro em Portugal a ser transmitido pela Radiotelefonia. Foi Tamb\u00e9m Mons. Miguel de Oliveira que, em 1930, inaugurou em Portugal as palestras religiosas pela T.S.F. De 1935 a 1939, essas palestras realizaram-se regularmente ao microfone da Emissora Nacional, de 15 em 15 dias, falando alternadamente com Mons. Moreira da Neves. Mons. Miguel de Oliveira abriu uma \u201cclareira nas fileiras do clero portugu\u00eas com o seu falecimento, clareira dif\u00edcil de cobrir, porque a personalidade do querido e saudoso Morto, t\u00e3o rica e opulenta, como sacerdote, jornalista e escritor, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de substituir\u201d \u2013 escreveu Jos\u00e9 Maria de Almeida, no Jornal \u00abNovidades\u00bb de 1 de Mar\u00e7o de 1968. <i>Luis Filipe Santos<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No quadrag\u00e9simo anivers\u00e1rio da sua morte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[95,187,221,317],"class_list":["post-29965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-accao-catolica","tag-diocese-do-porto","tag-historia-da-igreja","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}