{"id":299553,"date":"2023-10-04T09:31:28","date_gmt":"2023-10-04T08:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=299553"},"modified":"2023-10-04T09:31:28","modified_gmt":"2023-10-04T08:31:28","slug":"pastoral-da-samaritana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pastoral-da-samaritana\/","title":{"rendered":"&#8220;Pastoral da Samaritana&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266299 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Com a devida autoriza\u00e7\u00e3o do autor apropriei-me da express\u00e3o \u201cPastoral da Samaritana\u201d, tomando-a como t\u00edtulo para o artigo que aqui apresento sobre os desafios pastorais que hoje se apresentam a um p\u00e1roco, sobretudo para aqueles que servem realidades menos urbanas..<\/p>\n<p>Para quem desenvolve o seu trabalho pastoral em par\u00f3quias com elevada densidade populacional e, consequentemente, com assembleias dominicais numerosas, facilmente se pode cair no erro de julgar que n\u00e3o se tem de preocupar exageradamente com a evangeliza\u00e7\u00e3o da sua \u00e1rea\u00a0territorial. A seguran\u00e7a de poder contar com as &#8220;as noventa e nove ovelhas dentro do redil&#8221; pode ser uma falsa certeza de que est\u00e1 tudo bem, pois a faculdade da vis\u00e3o pode atrai\u00e7oar a verdadeira realidade que est\u00e1 para l\u00e1 do que v\u00ea no seu ambiente eclesial, descurando o zelo e a aten\u00e7\u00e3o pastoral \u00e0queles que que andam longe ou j\u00e1 perderam as refer\u00eancias que tinham \u00e0 sua comunidade. Por outro lado, quando a realidade social o permite, o p\u00e1roco consegue inclusive identificar pelo nome quem deixou de aparecer ou que secundarizou o encontro com o Senhor na comunidade dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>No m\u00eas em que se inicia o S\u00ednodo sobre a sinodalidade, redescobrir que o Senhor nos envia em busca das ovelhas perdidas da nova casa de Israel \u00e9 j\u00e1 um avan\u00e7o, pois a pastoral de sacristia e do imobilismo ainda est\u00e1 enraizada na Igreja. Ainda se espera que as pessoas se dirijam ao cart\u00f3rio, \u00e0 sacristia, para inscreverem os filhos na catequese ou, inclusive elas mesmas, se inscreverem na catequese de adultos ou se apresentarem nas celebra\u00e7\u00f5es. Tudo isto \u00e9 uma\u00a0pr\u00e1tica e um \u00a0\u201cch\u00e3o que j\u00e1 deu uvas\u201d!<\/p>\n<p>Jesus fez-nos \u201cpescadores de homens\u201d, mas a pesca que hoje se requer \u00e9 mais \u00e0 linha que \u00e0 rede. Trata-se de uma pastoral que se centra na pessoa, no indiv\u00edduo, implicando que conhe\u00e7amos o seu nome, com quem temos de criar amizade e a partir da\u00ed, com esmerada paci\u00eancia, falar de Cristo com a nossa pr\u00f3pria vida, com o interesse que mostramos pela sua fam\u00edlia, pelas suas alegrias e tristezas, dores e esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Os Evangelhos mostram-nos Jesus a ser seguido por multid\u00f5es, a quem pregava, e diante das quais fazia milagres.\u00a0No entanto, os mesmos Evangelhos relatam-nos que o Senhor tamb\u00e9m deu primazia ao encontro pessoal e familiar, sendo muito expressivo um dos exemplos desses encontros pessoais: o di\u00e1logo com a Samaritana. Que vemos neste encontro? Vemos Jesus chegar ao po\u00e7o, lugar frequentado diariamente pelas mulheres daquela terra da Samaria e, obviamente, por aquela com quem Jesus queria se encontrar para lhe mudar a vida; come\u00e7a um di\u00e1logo sobre a realidade na qual se encontra (o po\u00e7o, a \u00e1gua e a sede) para depois passar para o an\u00fancio da Boa Nova, a de que Ele era a \u00e1gua viva que mata a sede mais profunda do ser humano e consequentemente dela; depois entra no concreto da vida e da hist\u00f3ria da samaritana para a transformar radicalmente, deixando que ela o descubra como o Messias e a fonte da \u00e1gua viva que agora pode saborear.<\/p>\n<p>A \u201cpastoral da Samaritana\u201d \u00e9 aquela do encontro pessoal, a que implica ir at\u00e9 ao outro, \u00e0 sua realidade e n\u00e3o ficar imobilizado no cart\u00f3rio ou na sala de catequese; implica conhecer e preocupar-se com a situa\u00e7\u00e3o concreta dessa pessoa para, a partir da\u00ed, com muita persist\u00eancia e com a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, levar essa pessoa ao encontro com Jesus, fonte de \u00e1gua viva que mata a sede mais profunda de cada um de n\u00f3s, que transforma vidas e d\u00e1 a verdadeira vida.<\/p>\n<p>O tempo da cristandade j\u00e1 passou e nunca foi verdadeiramente aquilo que alguns imaginam ou desejariam que fosse. Se, por um lado, noutros tempos poderia haver mais participa\u00e7\u00e3o na Santa Missa e, se por outro lado, existiam mais jovens nos semin\u00e1rio, essas realidades nem sempre foram sin\u00f3nimo\u00a0de uma experi\u00eancia de profunda vida interior com Deus, capazes de dar raz\u00f5es da sua esperan\u00e7a. A realidade na qual hoje vivemos \u00e9 diferente daquela de h\u00e1 cinquenta ou sessenta anos e, \u00e9 nesta realidade com novos desafios, que devemos anunciar o Evangelho, o qual j\u00e1 n\u00e3o \u00e9\u00a0lan\u00e7ado com redes, mas com o aux\u00edlio do fio de pesca para continuarmos a pescar homens para Deus. Habitu\u00e1mo-nos a esperar sentados nas igrejas, mas actualmente temos de voltar para as pra\u00e7as, para os caf\u00e9s, para as imensas oportunidades que nos s\u00e3o dadas para o encontro pessoal com as nossas imensas ovelhas perdidas, para assim cumprirmos a nossa miss\u00e3o de as podermos trazer de volta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266299,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-299553","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299553\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}