{"id":29938,"date":"2008-02-11T12:32:07","date_gmt":"2008-02-11T12:32:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/11\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-xvi-dia-mundial-do-doente-2008\/"},"modified":"2008-02-11T12:32:07","modified_gmt":"2008-02-11T12:32:07","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-o-xvi-dia-mundial-do-doente-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-xvi-dia-mundial-do-doente-2008\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para o XVI Dia Mundial do Doente 2008"},"content":{"rendered":"<p>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s   1. A 11 de Fevereiro, mem\u00f3ria da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, celebra-se o Dia Mundial do Doente, ocasi\u00e3o prop\u00edcia para reflectir sobre o sentido do sofrimento e sobre o dever crist\u00e3o de o assumir em qualquer situa\u00e7\u00e3o onde ele estiver presente. No corrente ano, esta significativa celebra\u00e7\u00e3o vincula-se a dois importantes acontecimentos para a vida da Igreja, como se compreende j\u00e1 do tema escolhido: &#8220;A Eucaristia, Lourdes e o cuidado pastoral dos doentes&#8221;: o sesquicenten\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es da Imaculada em Lourdes e a celebra\u00e7\u00e3o do Congresso Eucar\u00edstico Internacional em Qu\u00e9bec, no Canad\u00e1. De tal modo, oferece-se uma oportunidade singular para considerar a estreita liga\u00e7\u00e3o que existe entre o Mist\u00e9rio eucar\u00edstico, a fun\u00e7\u00e3o de Maria no projecto salv\u00edfico e a realidade da dor e do sofrimento do homem.   O sesquicenten\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es em Lourdes convida-nos a dirigir o olhar para a Virgem Santa, cuja Imaculada Concei\u00e7\u00e3o constitui o dom sublime e gratuito de Deus a uma mulher, para que pudesse aderir plenamente aos des\u00edgnios divinos com f\u00e9 firme e inabal\u00e1vel, apesar das prova\u00e7\u00f5es e dos sofrimentos que teria de suportar. Por isso, Maria \u00e9 modelo de abandono total \u00e0 vontade de Deus: acolheu no seu cora\u00e7\u00e3o o Verbo eterno e concebeu-o no seu seio virginal; confiou em Deus e, com a alma trespassada pela espada da dor (cf. Lc 2, 35), n\u00e3o hesitou em compartilhar a paix\u00e3o do seu Filho, renovando no Calv\u00e1rio aos p\u00e9s da Cruz o &#8220;sim&#8221; da Anuncia\u00e7\u00e3o. Meditar sobre a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria \u00e9, por conseguinte, deixar-se atrair pelo &#8220;sim&#8221; que a uniu admiravelmente \u00e0 miss\u00e3o de Cristo, Redentor da humanidade; \u00e9 deixar-se arrebatar e orientar pela m\u00e3o dela, para pronunciar por sua vez o &#8220;fiat&#8221; \u00e0 vontade de Deus com toda a exist\u00eancia impregnada de alegrias e tristezas, de esperan\u00e7as e desilus\u00f5es, na consci\u00eancia de que as prova\u00e7\u00f5es, a dor e o sofrimento tornam rica de sentido a nossa peregrina\u00e7\u00e3o na terra.   2. N\u00e3o se pode contemplar Maria, sem ser atra\u00eddo por Cristo e n\u00e3o se pode contemplar Cristo sem sentir imediatamente a presen\u00e7a de Maria. Existe um la\u00e7o insepar\u00e1vel entre a M\u00e3e e o Filho gerado no seu seio, por obra do Esp\u00edrito Santo, e sentimos este v\u00ednculo de maneira misteriosa no Sacramento da Eucaristia, como os Padres da Igreja e os te\u00f3logos evidenciaram desde os primeiros s\u00e9culos. &#8220;A carne que nasceu de Maria, tendo vindo do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 o p\u00e3o descido do c\u00e9u&#8221;, afirma Santo Hil\u00e1rio de Poitiers, enquanto no Sacrament\u00e1rio Bergomense, do s\u00e9c. IX, lemos: &#8220;O seu seio fez florescer um fruto, um p\u00e3o que nos cumulou de um dom ang\u00e9lico. Maria restituiu \u00e0 salva\u00e7\u00e3o aquilo que Eva tinha destru\u00eddo com a sua culpa&#8221;. Sucessivamente, S\u00e3o Pier Damiani observa: &#8220;Aquele corpo que a Beat\u00edssima Virgem gerou e alimentou no seu seio com cuidado maternal, sem d\u00favida aquele corpo e n\u00e3o outro, agora recebemo-lo do altar sagrado, e bebemos o seu sangue como sacramento da nossa reden\u00e7\u00e3o. \u00c9 isto que professa a f\u00e9 cat\u00f3lica, \u00e9 isto que ensina fielmente a santa Igreja&#8221;. O v\u00ednculo da Santa Virgem com o Filho, Cordeiro imolado que tira os pecados do mundo, estende-se \u00e0 Igreja, Corpo m\u00edstico de Cristo. Maria recorda o Servo de Deus Jo\u00e3o Paulo II \u00e9 &#8220;mulher eucar\u00edstica&#8221; com toda a sua vida, pelo que a Igreja, vendo-a como seu modelo, &#8220;\u00e9 chamada a imit\u00e1-la tamb\u00e9m na sua rela\u00e7\u00e3o com este Mist\u00e9rio sant\u00edssimo&#8221; (Carta Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia, 53). Nesta perspectiva, compreende-se ainda mais por que em Lourdes, ao culto da Bem-Aventurada Virgem Maria, se une uma forte e constante evoca\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia, com Celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas quotidianas, com a adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento e com a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos enfermos, que constitui um dos momentos mais fortes da passagem dos peregrinos pela gruta de Massabielle. A presen\u00e7a em Lourdes de numerosos peregrinos enfermos e de volunt\u00e1rios que os acompanham ajuda a reflectir sobre o cuidado maternal e terno que a Virgem manifesta diante da dor e dos sofrimentos do homem. Associada ao Sacrif\u00edcio de Cristo, Maria Mater Dolorosa, que aos p\u00e9s da Cruz sofre com o seu Filho divino, \u00e9 sentida particularmente pr\u00f3xima da comunidade crist\u00e3 que se re\u00fane \u00e0 volta dos seus membros sofredores, que trazem em si os sinais da paix\u00e3o do Senhor. Maria sofre juntamente com aqueles que vivem na prova\u00e7\u00e3o, com eles espera e representa o seu conforto, sustentando-os com a sua ajuda materna. E n\u00e3o \u00e9 porventura verdade que a experi\u00eancia espiritual de numerosos enfermos impele a compreender cada vez mais que &#8220;o Redentor divino quer penetrar na alma de todas as pessoas que sofrem, atrav\u00e9s do Cora\u00e7\u00e3o da sua M\u00e3e Sant\u00edssima, prim\u00edcias e v\u00e9rtice de todos os redimidos&#8221; (Jo\u00e3o Paulo II, Carta Apost\u00f3lica Salvifici doloris, 26)?   3. Se Lourdes nos leva a meditar sobre o amor materno da Virgem Imaculada pelos seus filhos doentes e sofredores, o pr\u00f3ximo Encontro eucar\u00edstico internacional ser\u00e1 uma ocasi\u00e3o para adorarmos Jesus Cristo presente no Sacramento do altar, para nos confiarmos a Ele como a Esperan\u00e7a que n\u00e3o engana, acolhendo-O como rem\u00e9dio da imortalidade que cura o f\u00edsico e o esp\u00edrito. Jesus Cristo redimiu o mundo com o seu sofrimento, com a sua morte e com a sua ressurrei\u00e7\u00e3o, e desejou permanecer connosco como &#8220;p\u00e3o de vida&#8221; na nossa peregrina\u00e7\u00e3o terrestre. &#8220;A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo&#8221;: este \u00e9 o tema do Congresso Eucar\u00edstico, que p\u00f5e em evid\u00eancia o facto de que a Eucaristia \u00e9 a d\u00e1diva que o Pai oferece ao mundo, do seu Filho \u00fanico, encarnado e crucificado. \u00c9 Ele que nos re\u00fane em volta da mesa eucar\u00edstica, suscitando nos seus disc\u00edpulos uma aten\u00e7\u00e3o amorosa pelos sofredores e pelos enfermos, em quem a comunidade crist\u00e3 reconhece o rosto do seu Senhor. Como relevei na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Sacramentum caritatis, &#8220;quando celebram a Eucaristia, as nossas comunidades devem ter cada vez mais consci\u00eancia de que o sacrif\u00edcio de Cristo \u00e9 por todos; assim, a Eucaristia impele todo o que nele acredita a fazer-se &#8220;p\u00e3o repartido&#8221; para os outros&#8221; (n. 88). Deste modo, somos animados a comprometer-nos pessoalmente no servi\u00e7o aos irm\u00e3os, de maneira especial aos que est\u00e3o em dificuldade, uma vez que a voca\u00e7\u00e3o de cada crist\u00e3o consiste na verdade em ser, juntamente com Jesus, p\u00e3o repartido para a vida do mundo.   4. Por conseguinte, parece claro que precisamente da Eucaristia a pastoral no campo da sa\u00fade deve haurir a for\u00e7a espiritual necess\u00e1ria para socorrer com efic\u00e1cia o homem e ajud\u00e1-lo a compreender o valor salv\u00edfico da sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o. Como p\u00f4de escrever o Servo de Deus Jo\u00e3o Paulo II, na mencionada Carta Apost\u00f3lica Salvifici doloris, a Igreja v\u00ea nos irm\u00e3os e nas irm\u00e3s que sofrem, como que m\u00faltiplos sujeitos da for\u00e7a sobrenatural de Cristo (cf. n. 27). Unido misteriosamente a Cristo, o homem que sofre com amor e com abandono d\u00f3cil \u00e0 vontade divina torna-se oferenda viva pela salva\u00e7\u00e3o do mundo. O meu amado Predecessor afirmava ainda que &#8220;quanto mais o homem se v\u00ea amea\u00e7ado pelo pecado, quanto mais se apresentam pesadas as estruturas do pecado, que comporta o mundo de hoje, maior \u00e9 a eloqu\u00eancia que o sofrimento encerra em si mesmo, e tanto mais a Igreja sente a necessidade de recorrer ao valor dos sofrimentos humanos para a salva\u00e7\u00e3o do mundo&#8221; (Ibid., n. 27). Portanto, se em Qu\u00e9bec se contempla o mist\u00e9rio da Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo, no Dia Mundial do Doente, num paralelismo espiritual ideal, n\u00e3o apenas \u00e9 celebrada a participa\u00e7\u00e3o concreta do sofrimento humano na obra salv\u00edfica de Deus, mas dele podem ser usufru\u00eddos, num certo sentido, os preciosos frutos prometidos \u00e0queles que acreditarem. Deste modo a dor, acolhida com f\u00e9, torna-se a porta atrav\u00e9s da qual entrar no mist\u00e9rio do sofrimento redentor de Jesus, para alcan\u00e7ar juntamente com Ele a paz e a felicidade da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o.   5. Enquanto dirijo a minha sauda\u00e7\u00e3o cordial a todos os enfermos e a quantos cuidam deles de diversas maneiras, convido as comunidades diocesanas e paroquiais a celebrarem o pr\u00f3ximo Dia Mundial do Doente, valorizando plenamente a feliz coincid\u00eancia entre o sesquicenten\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora em Lourdes e o Congresso Eucar\u00edstico Internacional. Que ele seja uma ocasi\u00e3o para sublinhar a import\u00e2ncia da Santa Missa, da Adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e do culto da Eucaristia, fazendo com que as Capelas dos Centros de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade se tornem o cora\u00e7\u00e3o pulsante em que Cristo se oferece incessantemente ao Pai pela vida da humanidade. Tamb\u00e9m a distribui\u00e7\u00e3o da Eucaristia aos enfermos, feita com decoro e com esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o, constitui um verdadeiro conforto para quem sofre, angustiado por todas as formas de enfermidade.   Al\u00e9m disso, o pr\u00f3ximo Dia Mundial do Doente seja uma circunst\u00e2ncia prop\u00edcia para invocar, de forma especial, a protec\u00e7\u00e3o maternal de Maria sobre quantos s\u00e3o provados pela doen\u00e7a, sobre os agentes que trabalham no sector da assist\u00eancia m\u00e9dica e sobre aqueles que desempenham fun\u00e7\u00f5es no campo da pastoral da sa\u00fade. Penso, de modo particular, nos sacerdotes comprometidos neste campo, nas religiosas e nos religiosos, nos volunt\u00e1rios e em todos aqueles que se preocupam com dedica\u00e7\u00e3o efectiva em servir, no corpo e na alma, os enfermos e os necessitados.   Confio todos a Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e, Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Que Ela ajude cada um a dar testemunho de que a \u00fanica resposta v\u00e1lida \u00e0 dor e ao sofrimento humano \u00e9 Cristo que, ressuscitando, venceu a morte e nos deu a vida que n\u00e3o conhece ocaso. Com estes sentimentos, \u00e9 de cora\u00e7\u00e3o que concedo a todos v\u00f3s uma especial B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.   Vaticano, 11 de Janeiro de 2008.   BENEDICTUS PP. XVI <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prezados irm\u00e3os e irm\u00e3s 1. A 11 de Fevereiro, mem\u00f3ria da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, celebra-se o Dia Mundial do Doente, ocasi\u00e3o prop\u00edcia para reflectir sobre o sentido do sofrimento e sobre o dever crist\u00e3o de o assumir em qualquer situa\u00e7\u00e3o onde ele estiver presente. 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