{"id":29931,"date":"2008-02-11T11:42:50","date_gmt":"2008-02-11T11:42:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/11\/a-igreja-continuara-a-ensinar-o-valor-da-vida\/"},"modified":"2008-02-11T11:42:50","modified_gmt":"2008-02-11T11:42:50","slug":"a-igreja-continuara-a-ensinar-o-valor-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-continuara-a-ensinar-o-valor-da-vida\/","title":{"rendered":"\u00abA Igreja continuar\u00e1 a ensinar o valor da vida\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o de centros de apoio \u00e0 vida e \u00e0 fam\u00edlia em quase todas as dioceses foi a resposta encontrada pela Igreja Cat\u00f3lica para mostrar que h\u00e1 alternativas ao aborto. O presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, gostaria de ter a certeza de que a legisla\u00e7\u00e3o sobre a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez est\u00e1 a ser cumprida, nomeadamente no que diz respeito ao di\u00e1logo pr\u00e9vio com as mulheres que pretendem praticar o aborto.  O Arcebispo de Braga sugere a realiza\u00e7\u00e3o de um estudo para perceber quais as consequ\u00eancias deste acto na vida das mulheres. Apesar das adversidades, a Igreja prop\u00f5e-se continuar a \u00abensinar o valor da vida\u00bb. <b>Di\u00e1rio do Minho (DM) &#8211; H\u00e1 um ano, depois de conhecido o resultado do referendo, escreveu um texto que tinha como t\u00edtulo \u201cE agora?\u201d. Um ano depois, o que \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel responder a essa pergunta?<\/b> D. Jorge Ortiga (JO) &#8211; Eu continuaria a fazer a distin\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 naquela altura fazia, entre o que \u00e9 legal \u2013 uma lei que foi aprovada \u2013 e aquilo que \u00e9 moral, para continuar a afirmar a doutrina da Igreja do direito inviol\u00e1vel da vida desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte. \u00c9 um princ\u00edpio fundamental que a Igreja prop\u00f5e e defende em nome da dignidade da pessoa humana. Olhando para a lei \u2013 e n\u00e3o sendo um especialista \u2013, interrogo-me sobre at\u00e9 que ponto est\u00e1 ou n\u00e3o a ser posta em pr\u00e1tica nas suas determina\u00e7\u00f5es, nas promessas que foram feitas antes e nos compromissos que foram assumidos depois pelo pr\u00f3prio Governo. \u00c9 uma pergunta que deixo ficar no ar para que as pessoas procurem reflectir e verificar se, na verdade, a lei est\u00e1 a ser posta em pr\u00e1tica. Tenho s\u00e9rias d\u00favidas. Um dos grandes argumentos que na altura era esgrimido pelos defensores da actual lei do aborto era a quest\u00e3o da vulnerabilidade da mulher e da defesa da mulher. Pelos estudos que t\u00eam sido feitos, pelos congressos e simp\u00f3sios que t\u00eam decorrido em Portugal e no estrangeiro, sabemos que as mulheres que praticam o aborto ficam mais traumatizadas, que esse acto tem consequ\u00eancias negativas em termos de depress\u00e3o, de relacionamento e de acolhimento do que \u00e9 diferente. Estou plenamente convencido, como j\u00e1 estava antes, de que mesmo para essas mulheres que pensavam que se libertariam de um pesadelo, esse pesadelo tornou-se num trauma. A Igreja continuar\u00e1 a ensinar o valor da vida. Ao mesmo tempo, a Igreja esperava que houvesse uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o para a afectividade e n\u00e3o s\u00f3 para a sexualidade, n\u00e3o apenas uma informa\u00e7\u00e3o das diversas hip\u00f3teses reprodutivas e dos riscos que se correm em termos de sa\u00fade, como os conte\u00fados de uma disciplina de educa\u00e7\u00e3o sexual parecem propor.  O caminho que devemos seguir \u00e9 o de uma educa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e profunda da sexualidade, n\u00e3o s\u00f3 como meio de reprodu\u00e7\u00e3o, mas numa dimens\u00e3o muito mais vasta e ampla. A Igreja tem respondido a algumas situa\u00e7\u00f5es de maternidades indesejadas. Em quase todas as dioceses surgiram os centros de apoio \u00e0 vida, como espa\u00e7os de aconselhamento e de acompanhamento nesse momento dif\u00edcil da decis\u00e3o, mas tamb\u00e9m depois da maternidade, com o acolhimento das crian\u00e7as. Essas crian\u00e7as foram e continuar\u00e3o a ser acolhidas pela Igreja com a ternura e o carinho que todo e qualquer ser humano merece.  <b>DM &#8211; Que balan\u00e7o \u00e9 que faz da cria\u00e7\u00e3o do Centro de Apoio \u00e0 Vida e \u00e0 Fam\u00edlia em Braga?<\/b> JO &#8211; O Centro de Apoio \u00e0 Vida e \u00e0 Fam\u00edlia prop\u00f4s-se, desde o princ\u00edpio, acolher as diversas dificuldades e encaminh\u00e1-las para as estruturas j\u00e1 existentes. Tem havido procura e os problemas t\u00eam sido encaminhados para outras entidades da Igreja, como por exemplo o Lar de S\u00e3o Jos\u00e9, que acompanha m\u00e3es solteiras. Seria bom que as pessoas conhecessem esta estrutura de apoio permanente e, em caso de dificuldade, a ela recorressem.  <b>DM &#8211; Acredita que estas respostas podem fazer com que as pessoas considerem que h\u00e1 alternativas ao aborto?<\/b> JO &#8211; Um dos aspectos mais d\u00e9beis na lei \u00e9 a quest\u00e3o do aconselhamento e do di\u00e1logo pr\u00e9vio que deve haver no sentido de corresponsabilizar a mulher na op\u00e7\u00e3o a tomar, n\u00e3o enveredando pelo caminho mais f\u00e1cil. Duvido que isto esteja a ser posto em pr\u00e1tica nos diversos hospitais. J\u00e1 sabemos que o aborto est\u00e1 a ser neg\u00f3cio para alguns, tal como demonstram as not\u00edcias divulgadas pela comunica\u00e7\u00e3o social. A experi\u00eancia das estruturas de apoio, que atendem as pessoas no meio das dificuldades, que compreendem e aceitam as mulheres que est\u00e3o a sofrer, quando a culpa n\u00e3o foi s\u00f3 delas, \u00e9 importante para que os traumas de que falava sejam mais reduzidos. Seria bom que se fizesse um estudo sobre as mulheres que praticaram o aborto, para perceber qual a sua situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, qual o seu estado psicol\u00f3gico e quais os efeitos secund\u00e1rios desse acto, que apesar de  serem secund\u00e1rios n\u00e3o deixam de ser graves. Estes espa\u00e7os de aconselhamento e de di\u00e1logo, na confidencialidade m\u00e1xima e absoluta, com o respeito pela consci\u00eancia de cada um, apontando caminhos de aceita\u00e7\u00e3o da vida, s\u00e3o a resposta que continuar a dar.  <b>DM &#8211; Esta legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 revers\u00edvel ou o debate sobre o aborto em Portugal est\u00e1 encerrado?<\/b> JO &#8211; Eu gostaria que n\u00e3o fosse irrevers\u00edvel e a Igreja continuar\u00e1 sempre a propor a sua doutrina porque a vida \u00e9 um dom de Deus. Ningu\u00e9m \u00e9 senhor dessa vida. Seria oportuno \u2013 numa an\u00e1lise da problem\u00e1tica da sa\u00fade da mulher \u2013 que se tirassem conclus\u00f5es e que houvesse decis\u00f5es em harmonia com os dados que a ci\u00eancia, sobretudo psicol\u00f3gica e psiqui\u00e1trica, vai fornecendo. Tenho sempre f\u00e9, esperan\u00e7a, mas com toda esta mentalidade hedonista e de relacionamento f\u00e1cil, de falta de uma verdadeira experi\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o com o outro, n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto seremos capazes de levar os nossos governos a mudar t\u00e3o cedo de atitude.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o de centros de apoio \u00e0 vida e \u00e0 fam\u00edlia em quase todas as dioceses foi a resposta encontrada pela Igreja Cat\u00f3lica para mostrar que h\u00e1 alternativas ao aborto. O presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. 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