{"id":299261,"date":"2023-10-06T09:31:31","date_gmt":"2023-10-06T08:31:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=299261"},"modified":"2023-10-02T11:33:27","modified_gmt":"2023-10-02T10:33:27","slug":"ser-vida-na-vida-de-alguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ser-vida-na-vida-de-alguem\/","title":{"rendered":"Ser vida na vida de algu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228266 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Num mundo marcadamente digital, em que as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o cada vez mais porosas, circunst\u00e2nciais e desprovidas de significado, a probabilidade de viver numa falsa ilus\u00e3o de seguran\u00e7a e de perten\u00e7a \u00e9 uma realidade cada vez mais comum. Esta pretensiosa ilus\u00e3o representa o deterioramento das rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais e inter-sociais. Na verdade, estar a s\u00f3s com um outro, fazer sil\u00eancio para o escutar, para o ouvir e para o ver, \u00e9 algo que hoje se tornou t\u00e3o escasso e, concomitantemente, t\u00e3o valioso.<\/p>\n<p>E o mais grave \u00e9 que tantas vezes precisamos da aprova\u00e7\u00e3o de um outro para que eu me sinta pessoa, me sinta inclu\u00eddo, me sinta parte de algu\u00e9m ou de algo. A verdade \u00e9 que n\u00f3s nascemos carente de um outro. Esta \u00e9 a verdade. Deus quando nos criou disse que \u201cn\u00e3o era bom que o homem estivesse s\u00f3\u201d (cf. Gen 2, 18). O outro \u00e9 aquele que me completa, que me valoriza e que me gera em mim sentido e significado.<\/p>\n<p>Precisamos de ouvir do outro: \u201ceu perten\u00e7o-te\u201d, \u201ceu sou teu, tu \u00e9s meu\u201d &#8230; Somos assim de f\u00e1brica. Precisamos desta p\u00e1tria afetiva, deste n\u00facleo afetivo. No entanto, o princ\u00edpio primeiro da filosofia \u00e9 o de se conhecer a si pr\u00f3prio. Este tem \u2013 e deve ser (!) \u2013 o prop\u00f3sito e a miss\u00e3o da nossa vida.<\/p>\n<p>Compreendemos, pois, que temos de aprender a desaprender para voltar a aprender. Ou seja, reconfigurarmo-nos ao estilo e ao jeito de Jesus \u00e9 a nossa meta e desafio. Ele \u00e9 o nosso diapas\u00e3o, o nosso p\u00eandulo e o nosso fim \u00faltimo. N\u00e3o nos iludamos: fora dele tudo \u00e9 show-off. S\u00f3 n\u2019Ele, por Ele e com Ele teremos acesso \u00e0 fonte que sacia a nossa sede de infinito. E mais, aprenderemos a priorizar-nos.<\/p>\n<p>Quero contar uma est\u00f3ria que li a este prop\u00f3sito: \u201cOs psic\u00f3logos chamam a isso \u201cS\u00edndrome de Cinderela\u201d. A quest\u00e3o \u00e9 que tu est\u00e1 a procurar aprova\u00e7\u00e3o do teu namorado para te dar uma sensa\u00e7\u00e3o de valor, em vez de a gerar internamente, interiormente. A maioria faz isso? Muita gente faz\u2026 mas usar uma rela\u00e7\u00e3o para criar uma boa auto-imagem \u00e9 um alicerce inst\u00e1vel. Acreditas de que Deus \u00e9 capaz de preconceito ou de mau ju\u00edzo? N\u00e3o! Ent\u00e3o, se Ele \u00e9 incapaz de cometer erros e se te fez \u00e0 Sua imagem e \u00e0 Sua semelhan\u00e7a, compreender\u00e1s, portanto, que Ele gosta muito de ti, certo? Sim! At\u00e9 ao ponto do seu \u00fanico filho ser voluntariamente crucificado de novo por ti. S\u00f3 por ti, se isso fosse necess\u00e1rio! Se Ele te ama tanto desse maneira, que importa o que o teu namorado pensa? Para a pessoa errada, tu nunca ter\u00e1s valor algum! Mas para a pessoa certa, tu vais ser tudo! E sabes uma coisa, tu \u00e9s tudo para Deus!\u201d<\/p>\n<p>Mais, certo dia perguntaram-me o que \u00e9 que de mais louco fizeste por algu\u00e9m? Eu respondi: esperar! Esperar \u00e9 pr\u00f3prio de quem ama! Quantas mulheres e m\u00e3es n\u00e3o esperaram os seus maridos e filhos da guerra ou do mar! Quantas vezes n\u00e3o esperamos que algu\u00e9m mude ou que se converta! Esperar \u00e9 pr\u00f3prio de quem ama e de quem acredita na outra pessoa. J\u00e1 pensaram quantas vezes Deus n\u00e3o espera por n\u00f3s? Quantas vezes Ele quer que eu mude ou me converta\u2026 Deus espera por mim, Deus espera por ti, Deus espera por n\u00f3s! Que tesouro este!<\/p>\n<p>Termino com um prov\u00e9rbio africano: \u201cEu espero que quando a morte te encontrar, ela te encontre vivo\u201d. Este prov\u00e9rbio africano, que a princ\u00edpio pode parecer simples, carrega uma profunda mensagem sobre a vida e a morte. Ele recorda-nos a import\u00e2ncia de estarmos vivo, de estarmos consciente de cada momento que acontecesse na nossa vida no sentido de aproveitarmos cada instante como dom, como dom e gra\u00e7a de Deus, ao servi\u00e7o do outro.<\/p>\n<p>Por outras palavras, temos de sermos vida na vida de algu\u00e9m, na vida do outro, como t\u00e3o sagazmente afirmou Bob Marley: \u201cn\u00e3o vivas para que a tua presen\u00e7a seja notada, mas para que a tua falta seja sentida\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-299261","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299261"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299261\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}