{"id":298791,"date":"2023-10-01T09:22:15","date_gmt":"2023-10-01T08:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=298791"},"modified":"2023-09-29T15:24:03","modified_gmt":"2023-09-29T14:24:03","slug":"em-cada-novo-comeco-uma-nova-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/em-cada-novo-comeco-uma-nova-esperanca\/","title":{"rendered":"Em cada novo come\u00e7o, uma nova esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Bruno Alexandre,\u00a0Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-269652 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/professor-Bruno-Filipe-da-Cruz-Alexandre_EMRC_Algarve-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/professor-Bruno-Filipe-da-Cruz-Alexandre_EMRC_Algarve-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/professor-Bruno-Filipe-da-Cruz-Alexandre_EMRC_Algarve-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/professor-Bruno-Filipe-da-Cruz-Alexandre_EMRC_Algarve-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/professor-Bruno-Filipe-da-Cruz-Alexandre_EMRC_Algarve-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/professor-Bruno-Filipe-da-Cruz-Alexandre_EMRC_Algarve.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>H\u00e1 cerca de um m\u00eas que demos in\u00edcio a mais um ano letivo, depois de quatro anos verdadeiramente at\u00edpicos: aos tr\u00eas anos letivos afetados pela pandemia, sucedeu um ano em que os professores, unidos como n\u00e3o se via h\u00e1 muito tempo, lutaram pelos seus justos direitos.<\/p>\n<p>Um novo ano \u00e9 sempre sinal de um novo come\u00e7o. E os novos come\u00e7os podem ser, no m\u00ednimo, desafiantes.<\/p>\n<p>Num ano em que foi prometido o fim da precariedade para os professores (pelo menos, uma larga maioria onde n\u00e3o pude estar inclu\u00eddo), assistimos ao fen\u00f3meno de antigos professores prec\u00e1rios que, tendo estado a contrato tantas vezes perto de casa, foram parar a oitenta (e mais) quil\u00f3metros das suas resid\u00eancias. Num ano em que foi prometida estabilidade, volt\u00e1mos a ter escolas que, \u00e0 v\u00e9spera de iniciar o ano, ainda n\u00e3o tinham metade do seu corpo docente colocado. E quantos de v\u00f3s, caros leitores, ainda est\u00e3o ansiosos porque, aos vossos educandos falta um qualquer professor? Ou mais? Talvez, at\u00e9, de EMRC? Ou pelo r\u00e1cio de assistentes operacionais, esticado at\u00e9 ao limite, ao ponto de, quando faltarem dois ou tr\u00eas funcion\u00e1rios por motivos de sa\u00fade, se terem de suspender aulas num qualquer ponto do Pa\u00eds?<\/p>\n<p>Uma Rep\u00fablica que deixa aqueles que ensinam os seus filhos viverem numa carrinha e alimentarem-se e fazerem a sua higiene na escola, pode ser um lugar de esperan\u00e7a? Podemos falar de esperan\u00e7a mesmo quando as rendas para um quarto para um docente colocado a 200, 300 quil\u00f3metros de casa, levam cerca de metade do seu vencimento? Ou quando at\u00e9 se fazem leil\u00f5es \u00e0 melhor oferta por um lugar num sof\u00e1-cama?<\/p>\n<p>Podemos, por vezes, cair na tenta\u00e7\u00e3o de baixar os bra\u00e7os. Olhar para a \u201cfartura do Egito\u201d, do que deix\u00e1mos para tr\u00e1s, dos escolhos que temos diante de n\u00f3s. Mas, como crist\u00e3os, sabemos que existe algo mais.<\/p>\n<p>Este ano, quis Deus que viesse para um novo Agrupamento, como contratado. Pela d\u00e9cima-quinta vez consecutiva. E a viagem, invariavelmente feita de comboio (que chega quando chega e parte antes de partir), tem sido uma soberana oportunidade para rezar, refletir e meditar. E, gra\u00e7as a isso, veio-me \u00e0 mente e ao cora\u00e7\u00e3o um hino da hora de V\u00e9speras do tempo da Quaresma, que tantos de n\u00f3s conhecemos:<\/p>\n<p><em>Crescem nas asperezas do caminho<br \/>\nPequenas flores brancas de esperan\u00e7a;<br \/>\nN\u00e3o podem os espinhos afog\u00e1-las,<br \/>\nPois foi o amor quem as chamou \u00e0 vida.<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s, professores de EMRC, sentimos na nossa pele a verdade do Evangelho: que \u201cUm \u00e9 o que semeia, e outro o que ceifa\u201d (cf. Jo 4, 37). Deixamos transcorrer a nossa vida, tantos anos, tantos rostos, tantas hist\u00f3rias, para que outros possam colher os frutos que seme\u00e1mos; frutos esses que tamb\u00e9m iremos colher em outros campos. Levamos, como \u201cperegrinos da esperan\u00e7a\u201d, um lume no peito, lume que n\u00e3o se apaga, para caminharmos, em conjunto, olhos nos olhos e cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, como presen\u00e7a \u00ednfima de um Amor para al\u00e9m de qualquer medida e que jamais passar\u00e1. Sofremos; temos reuni\u00f5es infinitas; sa\u00edmos muitas vezes de casa antes que o sol se levante e voltamos, outras tantas, quando o sol j\u00e1 se p\u00f4s. Arrisco-me a dizer, inclusive, que o carinho que recebemos de tantos colegas, funcion\u00e1rios, alunos e encarregados de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 diametralmente oposto ao carinho que \u201cos poderes que s\u00e3o\u201d t\u00eam por n\u00f3s. Mas, naquele rosto jovem que volta a sorrir, naquele colega que volta a ganhar \u00e2nimo, naqueles bra\u00e7os doridos e cansados da funcion\u00e1ria que descansam enquanto carregamos um balde cheio de \u00e1gua, naquele pai ou m\u00e3e que volta a acreditar que o filho tem um futuro sorridente pela frente, apenas e s\u00f3 porque nos apeteceu reatar a esperan\u00e7a nos que desanimaram: vale a pena come\u00e7ar de novo.<\/p>\n<p><em>Bruno Alexandre, <\/em><em>Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Alexandre,\u00a0Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269652,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-298791","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=298791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298791\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=298791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=298791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=298791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}