{"id":298676,"date":"2023-09-28T16:57:02","date_gmt":"2023-09-28T15:57:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=298676"},"modified":"2023-09-29T15:09:28","modified_gmt":"2023-09-29T14:09:28","slug":"entrevista-a-escolha-para-cardeal-e-um-gesto-de-homenagem-aos-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-a-escolha-para-cardeal-e-um-gesto-de-homenagem-aos-jovens\/","title":{"rendered":"Entrevista: A escolha para cardeal \u00e9 um \u00abgesto de homenagem aos jovens\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Am\u00e9rico Aguiar fala do medo e entrega total ao Papa lhe pede, balan\u00e7o positivo da JMJ e nomea\u00e7\u00e3o para bispo de Set\u00fabal<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_298677\" aria-describedby=\"caption-attachment-298677\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-298677 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/D-Americo-Aguiar.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/D-Americo-Aguiar.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/D-Americo-Aguiar-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/D-Americo-Aguiar-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/D-Americo-Aguiar-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/D-Americo-Aguiar-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-298677\" class=\"wp-caption-text\">Foto Jos\u00e9 Sena Goul\u00e3o\/Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Paulo Rocha (Ag\u00eancia Ecclesia) e Jo\u00e3o Gomes (Ag\u00eancia Lusa)<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Como leu a sua nomea\u00e7\u00e3o para cardeal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Desde os primeiros momentos que n\u00e3o deixo de ler, interpretar, como um gesto de homenagem aos jovens: aos jovens portugueses, envolvidos na prepara\u00e7\u00e3o da JMJ, por quem o Papa sempre manifestou grande carinho e grande homenagem e gratid\u00e3o, nos quatro anos que levamos da prepara\u00e7\u00e3o da jornada, e \u00e0 juventude como um todo. Acredito que isso tenha tido peso na decis\u00e3o inesperada do Papa Francisco para aquele an\u00fancio, que me surpreendeu e surpreendeu a todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Mas foi o conhecimento pr\u00f3ximo que manteve por causa da JMJ que levou o Papa a essa escolha, que \u00e9 pessoal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Eu n\u00e3o posso fazer considera\u00e7\u00f5es sobre o que \u00e9 que o Papa achou ou n\u00e3o, sobre as raz\u00f5es que levaram&#8230; Eu interpreto humanamente assim&#8230; Interpreto, humanamente, que o facto de ter tido, seis, oito, 10, 12, audi\u00eancias privadas com o Papa ao longo destes quatro anos, levou a que ele me mirasse, tirasse as medidas e decidisse o que decidiu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Numa recente entrevista afirmou: \u201cPara alguns, sou um terr\u00edvel seguidor de<\/em> <em>Francisco. Assim seja\u201d. Esta fidelidade ao Papa teve peso na decis\u00e3o do Papa<\/em> <em>Francisco?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Acredito que sim. O contr\u00e1rio n\u00e3o faria sentido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acredito que o Santo Padre, na leitura dos desafios atuais da Igreja e dos desafios da Igreja, queira munir o Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio com figuras, personalidades, que complementem aquele col\u00e9gio. E achou, na sua leitura, que a minha disponibilidade, a minha sincroniza\u00e7\u00e3o, a minha fidelidade, como disse, ao que o Papa Francisco significa para n\u00f3s, assim como o que o Papa Bento XVI significou para mim e para n\u00f3s e tamb\u00e9m o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, que valorizou como importante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o tive a ousadia, nos \u00faltimos encontros com ele \u2013 apesar do meu \u00e0-vontade \u2013 nunca perguntei: Santo Padre, j\u00e1 agora, porque \u00e9 que&#8230;? N\u00e3o o fiz.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Pr\u00f3ximo do Papa Francisco, est\u00e1 por vezes distante de setores da Igreja Cat\u00f3lica&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Quando estamos em casa, \u00e0 mesa, com amigo, com a fam\u00edlia e conhecidos, n\u00e3o estamos todos na mesma posi\u00e7\u00e3o, nem todos com a mesma proximidade. H\u00e1 quem esteja na ponta da mesa, do lado direito da mesa, do lado esquerdo. Nesta fam\u00edlia, que somos e na humanidade que constitu\u00edmos, \u00e9 importante \u2013 e o Papa tem-no dito e n\u00f3s referimos muitas vezes tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 JMJ \u2013 conhecer os outros, conhecermo-nos uns aos outros. O que \u00e9 diferente n\u00e3o deve ser problema. O que \u00e9 diferente deve ser oportunidade, deve ser riqueza, deve ser caminho em conjunto. Eu sinto isso, \u00e9 o meu ADN. E fico muito feliz quando ou\u00e7o, no que o Papa nos transmite, esse desafio de entendermos a diferen\u00e7a como uma riqueza, como uma oportunidade de caminho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nos tempos em que vivemos, h\u00e1 curto-circuitos: estamos na era da liberdade de express\u00e3o, mas quando algu\u00e9m se expressa de forma diferente do que penso, d\u00e1 uma guerra. \u00c9 uma coisa estranha: por um lado exigimos o respeito pela liberdade de express\u00e3o, mas reagimos violentamente quando algu\u00e9m pensa diferente. E isto dentro de casa, no \u201cfogo amigo\u201d. Dentro de casa h\u00e1 rea\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o justific\u00e1veis: \u00e9 importante educarmo-nos mutuamente, sermos pedag\u00f3gicos para nos respeitarmos e nos amarmos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como dizia o saudoso Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, o Papa Bento XVI e o Papa Francisco: o movimento ecum\u00e9nico e inter-religioso n\u00e3o \u00e9 um campo onde vamos ganhar militantes uns aos outros. \u00c9 sim uma oportunidade, um encontro, de nos conhecermos, de nos respeitarmos e fazermos caminho juntos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A nossa obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 a evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 anunciar a Boa Nova, Cristo Vivo. As convers\u00f5es \u00e9 Cristo que opera no cora\u00e7\u00e3o de cada um. N\u00e3o sou eu que realizo a convers\u00e3o no Manuel, Ant\u00f3nio ou a Maria&#8230; \u00c9 Deus que o faz! As convers\u00f5es acontecem ao n\u00edvel do cora\u00e7\u00e3o de cada um. A minha obriga\u00e7\u00e3o, a minha miss\u00e3o, a minha voca\u00e7\u00e3o \u00e9 anunciar, \u00e9 a evangeliza\u00e7\u00e3o. E a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o choca com este caminho que queremos fazer de fraternidade universal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Vai ter oportunidade de explicar aos cardeais que o criticaram pessoalmente quando se encontrar com eles o seu ponto de vista&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Um de cada vez&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; H\u00e1 uma marca do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio que se vai compondo ao jeito do Papa Francisco&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Sim. Se fizermos uma an\u00e1lise sociol\u00f3gica aos membros do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio temos um grupo ainda do Papa Jo\u00e3o Paulo II, j\u00e1 muito residual, do Papa Bento XVI e o maior contingente do Papa Francisco. Na Igreja sempre assim foi&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Quais as suas expectativas para o seu papel, enquanto cardeal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; N\u00e3o tenho expectativa nenhuma. O primeiro sentimento que tive foi de medo, de incapacidade! Os portugueses entendem isto, independentemente da sua religi\u00e3o: eu tenho o \u201cdesenho\u201d de um cardeal como o senhor D. Manuel Clemente, Ant\u00f3nio Marto, Tolentino&#8230; Tantos e tantos e tantos. Deus providenciar\u00e1 e h\u00e1 de acontecer todos os dias, cada dia!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando tenho um desafio, entrego-me na totalidade a esse desafio. Aprendo e tento corresponder. \u00c9 nessa disponibilidade de corresponder ao desafio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Tem falado com os restantes cardeais portugueses a pedir conselhos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Sim. Ali\u00e1s, com muito carinho tamb\u00e9m os cardeais do Brasil e da Espanha, que me surpreenderam positivamente: o cardeal de Barcelona, de Bras\u00edlia, de Fortaleza&#8230; \u00c9 esta fraternidade que \u00e9 particularmente bonita, seja do falar portugu\u00eas, seja da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica que tanto aprecio e gosto. E dizem: n\u00e3o tenhas medo, estamos contigo. Ali\u00e1s, n\u00e3o ter medo \u00e9 uma das provoca\u00e7\u00f5es que o Papa faz. Confesso que ainda estou a recuperar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Estas escolhas do Papa Francisco remetem a figura do cardeal para o que \u00e9 e sempre foi: mais do que um cargo honor\u00edfico, \u00e9 um conselheiro do Papa. \u00c9 a\u00ed que prev\u00ea o seu papel?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Sinto que estamos a assistir a uma mudan\u00e7a: dos cardeais pr\u00edncipes da Igreja para os cardeais pr\u00edncipes do Papa. Nas suas \u00faltimas nomea\u00e7\u00f5es, o Papa tem refor\u00e7ado muito isso: n\u00e3o \u00e9 poder, n\u00e3o \u00e9 fausto, n\u00e3o \u00e9 nada disso; s\u00e3o aqueles que ele chama mais proximamente para junto de si, sem ser at\u00e9 geogr\u00e1fico, para o governo da Igreja, para ter mais perto as sensibilidades, seja da idade, seja da geografia e de tantas outras circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Dif\u00edcil caminho da sinodalidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; A Igreja atravessa um momento de conflitos internos conhecidos, com os chamados conservadores a n\u00e3o darem tr\u00e9guas. O Papa continua a apostar no caminho da reforma e coloca na agenda temas fraturantes, surgindo at\u00e9 rumores de um poss\u00edvel cisma no horizonte. Qual \u00e9 a sua sensibilidade sobre estas quest\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; O Papa convidou-nos a fazer um s\u00ednodo sobre a sinodalidade. E n\u00e3o devemos cair na tenta\u00e7\u00e3o, como possa ter acontecido num passado recente, de termos uma palavra-chave que vamos gastando at\u00e9 ao m\u00e1ximo, como a corresponsabilidade, o s\u00ednodo da fam\u00edlia, da juventude, e depois passa o s\u00ednodo, h\u00e1 um documento oficial e depois vem outro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O caminho que foi feito da prepara\u00e7\u00e3o sinodal, pessoa a pessoa, par\u00f3quia a par\u00f3quia, diocese a diocese, confer\u00eancia episcopal a confer\u00eancia episcopal, blocos continentais a blocos continentais \u00e9 um caminho que foi feito que \u00e9 muit\u00edssimo importante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa diz-nos que o s\u00ednodo n\u00e3o \u00e9 um parlamento, em que chegam as v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es e ganha a maioria. O s\u00ednodo \u00e9 um local onde cada um se deve sentir livre para falar, deve ter o gosto de ouvir e depois o Esp\u00edrito Santo decidir. E \u00e0s vezes o Esp\u00edrito Santo toma a decis\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 da maioria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s estamos a falar de irm\u00e3os e irm\u00e3s que t\u00eam manifestado uma sensibilidade diferente, em rela\u00e7\u00e3o a alguns temas. E o Papa tem-nos provocado a todos para refletirmos sobre eles. E quando vamos aos documentos preparat\u00f3rios do s\u00ednodo, reparamos que h\u00e1 alguma conex\u00e3o: h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es europeias que \u201ccasam\u201d com preocupa\u00e7\u00f5es americanas, africanas e asi\u00e1ticas. Depois, quando come\u00e7amos a aproximar, vem mais a identidade nacional e realidades muito espec\u00edficas. N\u00e3o sendo especialista na Igreja alem\u00e3, sei que a matriz eclesial, a organiza\u00e7\u00e3o da Igreja e das religi\u00f5es na Alemanha, a rela\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os com a Igreja nada tem a ver com a matriz a que estamos habituados em Portugal e nos pa\u00edses latinos. H\u00e1 quest\u00f5es que \u00e9 preciso avaliar, ter em conta e n\u00e3o desvalorizar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como diz o senhor D. Manuel Clemente, como historiador, o que aconteceu com Lutero poderia n\u00e3o ter acontecido se os protagonistas da \u00e9poca n\u00e3o tivessem desvalorizado algumas coisas. Como desvalorizaram tudo e todos, as coisas aconteceram.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 muito importante n\u00e3o desvalorizar a opini\u00e3o do meu irm\u00e3o, a opini\u00e3o de um pa\u00eds, de uma confer\u00eancia episcopal. N\u00e3o quer dizer que estejam errados ou certos, mas \u00e9 importante que se sintam respeitados ao pronunciarem-se e tamb\u00e9m estejam dispon\u00edveis para acolher o que \u00e9 o sentir da Igreja em processo sinodal. Mediaticamente, \u00e9 mais divertido \u201cpaulada e tiroteio\u201d. Na realidade, ser\u00e1 um m\u00eas de muita ora\u00e7\u00e3o, de muito trabalho e tamb\u00e9m estou expectante no que ser\u00e3o as conclus\u00f5es desse mesmo s\u00ednodo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Mas reconhece que as tomadas de posi\u00e7\u00e3o s\u00e3o com alguma viol\u00eancia verbal&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Nenhum de n\u00f3s, seja numa elei\u00e7\u00e3o, seja numa discuss\u00e3o, se deve afirmar contra o outro. Eu devo defender o que acredito e o que quero. O outro defende o que acredita e o que quer. E respeitamo-nos. Quando eu quero \u00e0 for\u00e7a, com viol\u00eancia f\u00edsica ou da palavra, convencer o outro, j\u00e1 perdi. \u00c0s vezes constatamos que, seja no contexto da Igreja e noutros, a for\u00e7a f\u00edsica ou verbal parece que \u00e9 o \u00fanico argumento para convencer o outro. Infelizmente acontece, e se formos ao mundo digital, escondidos atr\u00e1s do teclado somos todos perigosos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estamos a perder muito do que era estarmos num caf\u00e9, falarmos de futebol de pol\u00edtica e de outras coisas, zangarmo-nos um bocado, falarmos alto, batermos na mesa, e no fim cumprimentarmo-nos e sermos amigos na mesma. Come\u00e7a a acontecer um corte com esta disponibilidade para continuar a caminhar contigo, apesar de pensares de modo diferente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; O S\u00ednodo dos Bispos, em Roma, come\u00e7a com uma vig\u00edlia ecum\u00e9nica jovem, retomando o esp\u00edrito da JMJ. Que novidade trouxe a JMJ ao tema do encontro entre religi\u00f5es, do encontro entre povos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Fortaleceu! \u00c9 um caminho que vem sendo feito nas Jornadas Mundiais da Juventude.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu gostei muito do que aconteceu no nosso pa\u00eds, porque h\u00e1 dioceses que t\u00eam alguma tradi\u00e7\u00e3o de ecumenismo e di\u00e1logo inter-religioso, outras nem tanto. Fiquei muito feliz com o acontecer de v\u00e1rios eventos, uns mais oficiais no calend\u00e1rio da jornada, outros laterais: todas as pessoas tiveram oportunidade de dizer, de se darem a conhecer, \u00e0s vezes com rea\u00e7\u00f5es menos positivas dos que n\u00e3o gostam. Desde que tudo acontece no respeito uns pelos outros, temos de fazer caminho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Durante estes quatro anos, principalmente com a Comunidade de Taiz\u00e9, surgiu essa quest\u00e3o da vig\u00edlia e o encontro de jovens de v\u00e1rias religi\u00f5es e de sentimentos diferenciados de transcend\u00eancia. Acho muito interessante e muito rico que os jovens queiram, nas suas diversas confiss\u00f5es, rezar pelos frutos do s\u00ednodo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Igreja em Portugal p\u00f3s-JMJ<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; E a Igreja em Portugal, como a v\u00ea? Chegou a dizer que se a \u00fanica coisa que a Igreja tiver para oferecer aos jovens, depois da JMJ, for \u201ctemos missa \u00e0s 11h\u201d, \u00e9 pouco&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Continuo a dizer isso!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vamos tendo not\u00edcias das dioceses na retoma. A Diocese de Coimbra anunciou um s\u00ednodo da juventude, a diocese A e B com outras atividades. Isso \u00e9 fundamental, porque n\u00f3s acord\u00e1mos, aban\u00e1mos, retir\u00e1mos do sof\u00e1 os jovens. Agora, n\u00e3o podemos permitir que regressem ao sof\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Devemos convidar os jovens para a miss\u00e3o, para arrega\u00e7ar as mangas e trabalhar, para ir ao encontro das periferias, ir ao encontro das pessoas. E os jovens gostam disso! Se dissermos \u201camanh\u00e3 temos ter\u00e7o \u00e0s seis e meia&#8230;\u201d, alguns n\u00e3o sabem o que \u00e9 o ter\u00e7o, alguns nunca rezaram, outros n\u00e3o sabem quem \u00e9 Cristo. O convite \u00e0 miss\u00e3o \u00e9 urgente, mas isso d\u00e1 muito trabalho, \u00e9 muito exigente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os sacerdotes que fizeram este caminho, os agentes da pastoral da juventude, os bispos de Portugal, todos est\u00e3o com a consci\u00eancia de que \u201cpicamos\u201d as pessoas e agora querem a correspond\u00eancia. Vamos ter muito trabalho a fazer, na realidade de cada diocese, e aproveitar a maior riqueza da JMJ em Portugal: descobrir em todo o pa\u00eds, norte e sul, interior e litoral, continente e ilhas, descobrir milhares de jovens que estiveram a preparar a Jornada e est\u00e3o em prontid\u00e3o para corresponder ao que a Igreja lhes proporcionar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Isso aconteceu porque havia uma meta: um encontro de jovens, \u00e0 escala internacional. Que metas s\u00e3o precisas voltar a propor aos jovens?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Temos sempre &#8211; e pe\u00e7o desculpa pela imagem \u2013 duas cenouras para provocar o desejo de alcan\u00e7ar: por um lado o que \u00e9 permanentemente uma gra\u00e7a de Deus, o Papa Francisco, e a permanente provoca\u00e7\u00e3o que nos faz de \u201csurfar a onda do amor\u201d, \u201cn\u00e3o ter medo\u201d, \u201cn\u00e3o ser administradores de medos mas empreendedores de sonhos\u201d &#8211; e isto \u00e9 fundamental: se queremos virar isto ao contr\u00e1rio, se queremos inaugurar um tempo novo, os jovens t\u00eam de reconquistar o gosto, a vontade e a coragem de sonhar. Quando falamos com os jovens que n\u00e3o t\u00eam emprego, que ganham pouco, que n\u00e3o podem comprar casa, que compraram casa mas n\u00e3o t\u00eam como pagar, que n\u00e3o podem ter filhos, que t\u00eam filhos mas n\u00e3o t\u00eam onde os deixar, vamos ficar um pouco deprimidos. Mas se tivermos a coragem e eles nos ajudarem, com o pr\u00f3prio da sua idade, a acreditar nos sonhos, lutar pelos sonhos e p\u00f4r aqui poesia, isto vai!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; A lei da amnistia e perd\u00e3o de penas que j\u00e1 levou \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o de mais quatro centenas de jovens \u00e9 um bom resultado da JMJ?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; \u00c9 um bom resultado ser capaz de devolver esperan\u00e7a a um irm\u00e3o. Devolver esperan\u00e7a a um irm\u00e3o \u00e9 o resultado maior. Um, 500 ou 1000&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu fico triste quando \u2013 pe\u00e7o desculpa \u2013 os nossos Media&#8230; Aquele que saiu j\u00e1 cometeu um crime, aquele que saiu \u00e9 um malandro&#8230; \u00c9 verdade que acontecem essas coisas, infelizmente. Mas o importante da amnistia foi devolver esperan\u00e7a a algu\u00e9m que cometeu uma falha na sua vida. Isso \u00e9 profundamente humano e ultrapassa a quest\u00e3o religiosa. Quando disse ao Papa sobre a possibilidade da amnistia, o Papa ficou felic\u00edssimo, exatamente neste registo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um de n\u00f3s comete um crime, a sociedade imp\u00f5e uma pena, n\u00f3s cumprimos essa pena: \u00e9 humano n\u00f3s termos a capacidade de devolver a esperan\u00e7a a essa pessoa. Por isso \u00e9 que na nossa matriz, Portugal honra-se por ter acabado com a pena de morte, com a pris\u00e3o perp\u00e9tua, sinais de n\u00e3o devolver a esperan\u00e7a. O sistema prisional n\u00e3o \u00e9 um sistema onde a pessoa entra e sai pior. N\u00e3o deveria ser: deveria um sistema onde a pessoa est\u00e1 limitada na sua liberdade e, ao fim de algum tempo, ser\u00e1 devolvida \u00e0 sociedade e ser\u00e1 melhor cidad\u00e3o. \u00c9 a nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Compreendo que uma coisa \u00e9 estar a falar com o presidi\u00e1rio e a sua fam\u00edlia ou a fam\u00edlia das v\u00edtimas ou com a v\u00edtima. O sentimento \u00e9 totalmente diferente e eu compreendo e conhe\u00e7o os dois. Mas a grandeza de tudo isto, e \u00e9 humano, \u00e9 que quem sofreu as consequ\u00eancias dos atos graves de quem est\u00e1 limitado da sua liberdade tenha a grandeza de aceitar que humanamente temos de ser maiores do que aquele que cometeu o crime.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A amnistia diminuiu a pena que estava a ser cumprida ou a puni\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a ser cumprida ou vai ser aplicada. Isto \u00e9 positivo! \u00c9 \u00f3bvio que se vamos por o foco nos casos, gera logo&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O balan\u00e7o que eu fa\u00e7o da lei da aministia \u00e9 muito positivo nesta perspetiva: sermos capazes de devolver esperan\u00e7a a quem cometeu uma falha na sua vida, respeitando quem sofreu as consequ\u00eancias desses crimes e dessas dificuldades, que n\u00e3o podemos apagar. O que pedimos \u00e9 que da parte das fam\u00edlias, da parte dos prejudicados, exista mais uma vez um gesto e uma prova da sua grandeza perante aquele que o prejudicou, cometeu um crime ou o fez sofrer muito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Todos, todos, todos&#8230; E todas as contas<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Uma das mensagens que ficou da passagem do Papa por Lisboa \u00e9 o \u201ctodos, todos, todos\u201d. Como v\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o desta mensagem do Papa que ainda deixa muitos \u00e0 porta?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Isto \u00e9 o caminho que estamos a fazer. Quando mais o Papa dizia \u201ctodos\u201d, mais eu ficava feliz! Quando em F\u00e1tima dizia que a Igreja \u00e9 como a capelinha, n\u00e3o tem portas, toda a gente entende.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s n\u00e3o temos o direito de barrar a ningu\u00e9m o acesso a Cristo. Agora, \u201ctodos, todos, todos\u201d n\u00e3o se traduz por \u201ctudo, tudo, tudo\u201d. Quem ama, quem cuida, sabe que o pai ama, quer e cuida e isso n\u00e3o quer dizer \u201ctudo, tudo, tudo\u201d. O n\u00f3s chamarmos a aten\u00e7\u00e3o, corrigirmos n\u00e3o significa menos amor, menos entrega e menos dedica\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A minha interpreta\u00e7\u00e3o do \u201ctodos, todos, todos\u201d \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o temos o direito de vedar a ningu\u00e9m o acesso a Cristo. A partir do momento em que a pessoa chegou a Cristo, a minha f\u00e9 \u00e9 que Cristo opere no cora\u00e7\u00e3o dessa pessoa e a converta e aquilo que era problema e obst\u00e1culo, deixem de o ser, na convers\u00e3o do seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o posso ser obst\u00e1culo entre cada uma das pessoas e Cristo!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Quase dois meses ap\u00f3s a JMJ, como olha para as pol\u00e9micas que marcaram a organiza\u00e7\u00e3o da jornada?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; S\u00e3o as minhas cicatrizes da guerra, das lutas, tenho muitas. Gostaria que algumas n\u00e3o tivessem acontecido, aconteceram. O \u00fanico culpado sou, a minha limita\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter conseguido explicar, fazer entender. Mas, quando mais tempo passa, Portugal e os portugueses v\u00e3o entendendo a dimens\u00e3o da coisa. Esse foi o meu calcanhar de Aquiles: transmitir a dimens\u00e3o da coisa e a dimens\u00e3o de tudo o que envolveu a JMJ, seja dos participantes, dos custos, dos gastos, dos tempos&#8230; Tudo foi muito. Tudo foi muita alegria, tudo foi muito bom e tamb\u00e9m foi muito custo, empenho, dedica\u00e7\u00e3o e problemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dois meses depois, tr\u00eas meses depois: que bom que j\u00e1 passou.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que estamos agora a fazer: estamos a fechar as contas. Estamos a terminar o pagamento aos restaurantes, agentes de restaura\u00e7\u00e3o. Mas estamos a falar de quase 20 milh\u00f5es de euros que foram colocados na restaura\u00e7\u00e3o, em quase dois mil agentes de restaura\u00e7\u00e3o, que aderiram \u00e0 rede JMJ. Isto d\u00e1 um trabalho log\u00edstico e burocr\u00e1tico muito significativo!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Transportes \u00e9 tamb\u00e9m um dossier que, penso, n\u00e3o passar\u00e1 dos 10 milh\u00f5es de euros e est\u00e1 quase a ser encerrado. Depois as estruturas, os servi\u00e7os, seguran\u00e7a e higiene: estaremos a falar de quatro ou cinco milh\u00f5es de euros, onde se inclui o palco do Parque Eduardo VII.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os n\u00fameros maiores, as fatias maiores est\u00e3o quase a ser encerrados e vamos poder comunicar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma coisa s\u00e3o as contas da semana da Jornada, outra coisa s\u00e3o as contas do ano de 2023, que encerra no dia 31 de dezembro de 2023. Por isso, n\u00e3o podemos encerrar contas agora, temos de esperar o dia 31 de dezembro. Depois, temos de esperar as obriga\u00e7\u00f5es legais at\u00e9 mar\u00e7o, depois entra a auditora, que em maio\/junho de 24 \u00e9 capaz de entregar o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em maio\/junho de 2024, tudo estar\u00e1 nas m\u00e3os dos portugueses. Tudo. Depois cada um achar\u00e1 o que entender. Mas todos v\u00e3o ter acesso \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-financeira da Funda\u00e7\u00e3o JMJ deste ano 2023, tal como est\u00e1 no site da jornada, 22, 21, 20&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Teremos de esperar por junho de 2024&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Durante outubro penso que conseguimos poder partilhar os blocos grandes das contas da semana da Jornada: alimenta\u00e7\u00e3o, transportes, servi\u00e7os, estruturas \u00e9 poss\u00edvel encerrar. As contas do ano de 2023, todas, t\u00eam de se esperar os prazos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Pelos dados dispon\u00edveis, prev\u00ea-se um resultado positivo ou negativo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; \u201cLamento\u201d, mas prev\u00ea-se um resultado positivo. Em Portugal, temos um fado que \u00e9 tem de correr mal e dar preju\u00edzo. \u201cLamento\u201d, porque correu bem e deu lucro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Todos os portugueses se empenharam, mesmo aqueles que sa\u00edram de Lisboa: ajudaram porque sa\u00edram. Os pol\u00edcias, os m\u00e9dicos, os enfermeiros, a higiene urbana, os media. Todos ajudaram! Foi um sucesso porque todos se empenharam! Que se sintam todos como construtores da Jornada Mundial da Juventude.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estamos \u00e0 espera que, quer a PwC, quer o ISEG, fa\u00e7am agora o relat\u00f3rio. Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso tempo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; O que ser\u00e1 feito com esse lucro?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; No fecho de contas, estamos a fazer um trabalho que engloba o Governo de Portugal, a C\u00e2mara de Loures e a C\u00e2mara de Lisboa. Prometemos que, do lucro que existisse, n\u00e3o fica nem um c\u00eantimo para a Igreja. Esse valor ser\u00e1 aplicado em projetos que englobem os jovens de Lisboa e Loures.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Havemos de chegar a um entendimento para dar um fim ao superavit que vem da Jornada, que gostaria que fosse entendido, querido e amado por todos. Esperemos o valor, e o que possa ser aplicado com a concord\u00e2ncia de todos, porque tenho consci\u00eancia que muito deste lucro tamb\u00e9m significou a assun\u00e7\u00e3o de responsabilidades por parte destas entidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; A Funda\u00e7\u00e3o vai extinguir-se ou admite que poder\u00e1 continuar?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Inicialmente, quando come\u00e7amos o caminho, o objetivo era que a Funda\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s cumprimento dos prazos legais e obriga\u00e7\u00f5es fiscais, pudesse ser extinta. Isso vai depender da leitura que o senhor patriarca Rui Val\u00e9rio far\u00e1 da realidade. Ele pode entender, porque n\u00e3o \u00e9 descabido, que a Funda\u00e7\u00e3o se possa manter ou para concretizar estes projetos que estamos a falar ou para dar seguimento a coisas que podem acontecer no pa\u00eds ligadas \u00e0 juventude, sempre como heran\u00e7a do que foi a JMJ Lisboa 2023.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Qual foi o momento mais dif\u00edcil que teve nestes quatro anos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; \u00c9 preciso tempo. Os mais dif\u00edceis envolvem pessoas&#8230; E n\u00e3o \u00e9 justo, porque posso estar a ver mal e posso estar ainda com a ferida. N\u00e3o \u00e9 o tempo, n\u00e3o \u00e9 o contexto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tivemos dificuldades, tivemos problemas, na Igreja, na rela\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es, os medos\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O sucesso da Jornada, a alegria que vivemos, o acontecimento \u00fanico na vida de Portugal e dos portugueses foi gra\u00e7as ao empenho de todos. Por isso, d\u00f3i-me e magoa-me quando l\u00e1 vem a cr\u00edtica f\u00e1cil, o populismo, a \u201crafeira\u201d estragar. Uma coisa que foi feita com tanto carinho, com tanta entrega por todos os portugueses.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Todos os portugueses foram indispens\u00e1veis para que tudo acontecesse e o Papa tivesse dito que, na opini\u00e3o dele, foi a Jornada melhor organizada de sempre.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; A Jornada tamb\u00e9m foi feita por \u201ctodos, todos, todos\u201d?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Foi. E mesmo os que causaram dificuldades e problemas \u00e9 a parte que lhe coube. Confesso que n\u00e3o foi a melhor parte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o tenho medo de escrut\u00ednio nem evito escrut\u00ednio. Acho que \u00e9 importante o escrut\u00ednio. S\u00f3 fico desconfort\u00e1vel quando o objetivo n\u00e3o \u00e9 construtivo. Isso \u00e9 que \u00e9 deselegante e desgasta. O que posso dizer de balan\u00e7o \u00e9 que n\u00e3o estou zangado com ningu\u00e9m, n\u00e3o acuso a ningu\u00e9m qualquer tipo de crime de lesa-p\u00e1tria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Jornada e tudo correu bem! Temos \u00e9 de transmitir \u00e0 Coreia do Sul os melhores procedimentos, aquilo que fizemos mal que eles possam fazer bem, para que Jornada de 2027 seja tamb\u00e9m um sucesso e o jubileu de 2025 tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A caminho de Set\u00fabal<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; A R\u00e1dio Renascen\u00e7a vai ter um presidente do Conselho de Ger\u00eancia cardeal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pelo menos durante uns dias, sim. Aquilo que \u00e9 a decis\u00e3o sobre o meu futuro pr\u00f3ximo n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a exig\u00eancia de acompanhar o projeto do grupo Renascen\u00e7a Multim\u00e9dia, com as dificuldades e problemas dos Media que conhecemos, do financiamento e sustentabilidade, n\u00e3o \u00e9 de todo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tenho de agradecer, ali\u00e1s, a todos os colaboradores da Renascen\u00e7a Multim\u00e9dia, ao Conselho de Ger\u00eancia, ao Dr Ramos Pinheiro e \u00e0 Dra Ana Braga, terem tapado as minhas aus\u00eancias. Porque durante estes tr\u00eas anos n\u00e3o fui um presidente exemplar. A Jornada absorvia, eu fazia o que podia, mas gra\u00e7as a todos os trabalhadores e ao Conselho de Ger\u00eancia foi poss\u00edvel responder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Como encarou a nomea\u00e7\u00e3o para a Diocese de Set\u00fabal? Que expetativa leva na bagagem?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para quem nos l\u00ea, v\u00ea ou ouve, eu gostava de fazer uma contextualiza\u00e7\u00e3o, porque condiciona.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No ver\u00e3o de 1975, h\u00e1 48 anos, era anunciado o primeiro bispo de Set\u00fabal, um jovem de 48 anos \u2013 eu tenho 49 &#8211; de Le\u00e7a do Balio, de onde tamb\u00e9m eu sou, um jovem que era vig\u00e1rio geral do Porto \u2013 que eu fui \u2013 um jovem que foi respons\u00e1vel pela irmandade dos Cl\u00e9rigos &#8211; que eu tamb\u00e9m fui &#8211; um jovem que ganhou a fama de bispo vermelho &#8211; que eu agora tamb\u00e9m sou &#8211; pelo rigor das vestes cardinal\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Confesso que o que me passou pela cabe\u00e7a \u00e9 que quando vive, l\u00ea e passeia pela Sagrada Escritura, e v\u00ea relatos das figuras e do povo de Deus, est\u00e1 l\u00e1 assim. \u00c9 \u00f3bvio que lemos o que j\u00e1 passou, mas quando somos protagonistas do que est\u00e1 a acontecer, por vezes arrepia, sentir que s\u00e3o as m\u00e3os de Deus que \u00e9 o oleiro. S\u00e3o as m\u00e3os dele que est\u00e3o a operar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu era seminarista e vinha a Set\u00fabal v\u00e1rias vezes. H\u00e1 seminaristas meus contempor\u00e2neos que hoje s\u00e3o sacerdotes \u2013 que eu sa\u00fado \u2013 e lembro-me das preocupa\u00e7\u00f5es do Senhor D. Manuel Martins sobre a casa patriarcal onde ele vivia, e tinha a preocupa\u00e7\u00e3o que existisse outra, o carinho e a preocupa\u00e7\u00e3o dele com os sucessores que mereciam estar melhor acomodados. Mal ele sabia, mal eu sabia daquelas conversas o que viria a acontecer, mais de 40 anos depois, com esta circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sinto-me. Contente, feliz e animado. Nem todos os portugueses t\u00eam de ir para fora do pa\u00eds para concretizar a sua voca\u00e7\u00e3o. Eu estou muito feliz por poder corresponder e sinto, verdadeiramente, a m\u00e3o de Deus nesta nomea\u00e7\u00e3o do Papa Francisco. \u00c9 a minha cara: as dificuldades\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu sou assinante da revista \u00abVis\u00e3o, mas podia ser assinante da revista \u00abS\u00e1bado\u00bb, onde tinha um artigo que, imediatamente n\u00e3o senti muito interesse a ler, era sobre a Autoeuropa, e acabei por ler com interesse. Passei logo a sentir os sentimentos de afli\u00e7\u00e3o e alegria, daquilo que \u00e9 a vida de tantos homens e mulheres que vivem na Pen\u00ednsula de Set\u00fabal, que eu conhe\u00e7o do contexto de ouvir dizer de D. Manuel Martins, mas passaram 20, 30 anos. S\u00e3o centenas de milhares de homens e mulheres de boa vontade, que sa\u00fado com muito afeto, e digo-lhes que n\u00e3o se preocupem: vou de peito aberto, de cora\u00e7\u00e3o aberto, vou fazer caminho com eles.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa diz que os bispos \u00e0s vezes t\u00eam de ir atr\u00e1s a empurrar, outras \u00e0 frente a puxar, \u00e0s vezes ir no meio para serem solid\u00e1rio e com cheiro a ovelhas. H\u00e1 de ser nessa condi\u00e7\u00e3o com todos os que est\u00e3o em Set\u00fabal, com todos os que constroem a polis, as autarquias, as associa\u00e7\u00f5es, policias, bombeiros, prote\u00e7\u00e3o civil, trabalhadores e empregadores, visitantes \u2013 toda a popula\u00e7\u00e3o: a que vive e trabalha na Pen\u00ednsula de Set\u00fabal, outra que vive mas trabalha na grande Lisboa. \u00c9 um grande desafio. S\u00f3 n\u00e3o estou com tanto medo porque sei que a malta que est\u00e1 l\u00e1 \u00e9 de fibra e eu vou contar com todos eles e eles v\u00e3o contar comigo para fazermos caminho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; Mas, como referiu, \u00e9 uma diocese com muitos problemas sociais, desde o tempo de D. Manuel Martins, que era, muitas vezes, a caixa-de-resson\u00e2ncia dos mais desfavorecidos. Tem esse prop\u00f3sito? Est\u00e1 preparado para esses problemas sociais? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu nunca deixei de ter essa preocupa\u00e7\u00e3o. As miss\u00f5es que me foram entregues eram diferenciadas e tentei sempre dar um sinal daquilo que era essa preocupa\u00e7\u00e3o. Eu sinto as dores, agora eu encarno as dores dos homens e mulheres da Pen\u00ednsula de Set\u00fabal e da diocese, que eu quero que voltem a sonhar, que o continuem a fazer, quero lutar com eles por esses sonhos, e quero que sejam poetas. Quero que todos, todos, todos, sintam que \u00e9 poss\u00edvel em toda a liberdade, acederem a Cristo vivo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 com muita alegria que vou.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu passei a vida, a inf\u00e2ncia, a meninice a o semin\u00e1rio, a ouvir as hist\u00f3rias de 1975, quando D. Manuel Martins chegou a Set\u00fabal, com os apedrejamentos das camionetas, a chegada de um reacion\u00e1rio do norte, a Renascen\u00e7a vivia problemas. Agora vai o presidente da Renascen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; A diocese esteve quase dois anos sem bispo. Vai ter um grande desafio quando chegar em termos de dinamiza\u00e7\u00e3o da diocese?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 muito importante o bispo ter consci\u00eancia que n\u00e3o faz muita falta: passaram dois anos e sobreviveram. Lembro-me que no Porto, na porta da S\u00e9 do porto, h\u00e1 uma inscri\u00e7\u00e3o em latim que diz, mais ou menos, que estiveram umas d\u00e9cadas sem bispo e n\u00e3o foi preciso porque a diocese cresceu e expandiu-se. S\u00e3o caricaturas, claro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o deve acontecer. O que significa a transfer\u00eancia de bispos, a sua resigna\u00e7\u00e3o por idade, a morte \u2013 infelizmente, lembro o meu querido D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos &#8211; n\u00e3o deve acontecer. Os procedimentos devem ser refrescados, alterados, para que a sucess\u00e3o seja garantida com o menor espa\u00e7o poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De facto, por omiss\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o, por empenho ou falta dele, a aus\u00eancia de um bispo numa diocese durante dois anos, causa problemas que s\u00e3o agora necess\u00e1rios resolver. O menos mau \u00e9 que os sacerdotes, sa\u00fado o padre Lobato que \u00e9 um her\u00f3i (e n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que se v\u00ea nesta circunst\u00e2ncia) \u2013 a diocese de Set\u00fabal tem muito a agradecer a este homem, na sua simplicidade, generosidade, entrega, nos seus sofrimentos, uma gratid\u00e3o total.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E os sacerdotes. Estas dezenas de sacerdotes, que vivem, que se d\u00e3o no territ\u00f3rio da diocese de Set\u00fabal, sejam diocesanos ou religiosos, natos ou de origens diversas, s\u00e3o her\u00f3is, s\u00e3o benfeitores deste territ\u00f3rio onde se entregam. Apesar da entrega e dedica\u00e7\u00e3o do padre Lobato, tiveram uma aus\u00eancia fundamental e importante e facilitaria e aliviaria um pouco o peso da responsabilidade do dia-a-dia, da vida destas comunidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o deve acontecer. N\u00e3o devia ter acontecido em Set\u00fabal, em Bragan\u00e7a e em nenhuma diocese. As coisas devem ser feitas com outra velocidade para n\u00e3o criar novos problemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>&#8211; O Papa Francisco nomeia um cardeal para a diocese de Set\u00fabal. Podemos dizer que foge ao que \u00e9 normal. Sente que est\u00e1 a cumprir, neste territ\u00f3rio, o desejo do Papa Francisco para a renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Igreja?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o tenho d\u00favidas nenhuma quanto a isso. O Papa n\u00e3o gosta do que tenha o selo \u00abnormal\u00bb. O \u00abcostume\u00bb e o \u00absempre foi assim\u00bb causam urtic\u00e1ria. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o diferente do que estamos habituados, mas habituem-se porque o caminho \u00e9 assim. O ser cardeal n\u00e3o \u00e9 poder; o ser cardeal \u00e9 servi\u00e7o. Independentemente de estar na diocese A, B, no servi\u00e7o A ou B, ele \u00e9 um colaborador e um conselheiro do Papa e isso n\u00e3o impede que esteja na geografia ou fun\u00e7\u00e3o, seja ela qual for. Todas as fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o dignas \u2013 \u00e0s vezes parece que h\u00e1 fun\u00e7\u00f5es que s\u00e3o dignas e outras que n\u00e3o, e que algumas dioceses s\u00e3o boas outras m\u00e1s. Isso \u00e9 mais do que tempo, e o papa tem ajudado e provocado, para que as pessoas entendam que isto n\u00e3o pode ser assim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem est\u00e1 numa diocese n\u00e3o deve ter sonhos, projetos ou expetativas de mudar. Uma diocese muda se o bispo morrer, se ficar doente ou fizer 758 anos, ou \u2013 coloco eu mais uma \u2013 se o povo n\u00e3o nos quiser. Tirando estas, o papa dizia que os bispos diocesanos devem permanecer nas suas dioceses; os bispos auxiliares devem ter a possibilidade de transitar para outras dioceses. Isto devia ser o normal das coisas. Causa muita instabilidade, nos pr\u00f3prios e no que \u00e9 a vida das dioceses. Pessoalmente, n\u00e3o me identifico, e fico contente de, h\u00e1 dias, o Papa ter dito com muita clarivid\u00eancia isto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Am\u00e9rico Aguiar fala do medo e entrega total ao Papa lhe pede, balan\u00e7o positivo da JMJ e nomea\u00e7\u00e3o para bispo de Set\u00fabal<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":298677,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[181,558,311],"class_list":["post-298676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-de-setubal","tag-jmj-lisboa-2023","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=298676"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298676\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/298677"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=298676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=298676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=298676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}