{"id":29864,"date":"2008-02-07T10:56:46","date_gmt":"2008-02-07T10:56:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/07\/mensagem-do-bispo-do-funchal-para-a-quaresma-de-2008\/"},"modified":"2008-02-07T10:56:46","modified_gmt":"2008-02-07T10:56:46","slug":"mensagem-do-bispo-do-funchal-para-a-quaresma-de-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-bispo-do-funchal-para-a-quaresma-de-2008\/","title":{"rendered":"Mensagem do Bispo do Funchal para a Quaresma de 2008"},"content":{"rendered":"<p>Caridade e justi\u00e7a, na convers\u00e3o pessoal <!--more--> \u201cVoltai-vos para o Senhor de todo o cora\u00e7\u00e3o (\u2026).  Rasgai o vosso cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o os vossos vestidos\u201d (Joel 2, 12). 1. \u201cVoltai-vos para o Senhor de todo o cora\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 \u00c9 com estas palavras do profeta Joel, recordadas na liturgia de Quarta-Feira de Cinzas, que me dirijo a v\u00f3s, caros Diocesanos da Madeira e Porto Santo, ao iniciarmos o santo tempo da Quaresma. Nelas vai o meu convite e apelo a que vivamos, com intensidade, este \u201ctempo favor\u00e1vel\u201d \u00e0 nossa salva\u00e7\u00e3o, em caminhada solid\u00e1ria com toda a Igreja. A Quaresma \u00e9 tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa; tempo de saborear e aprofundar o sentido do nosso Baptismo, nas suas m\u00faltiplas implica\u00e7\u00f5es; tempo de aceitar o desafio de caminharmos ao encontro do verdadeiro rosto de Cristo, em escuta atenta da Palavra, na ora\u00e7\u00e3o e no acolhimento da reconcilia\u00e7\u00e3o sacramental; tempo de voltar para o Senhor com todo o cora\u00e7\u00e3o, em convers\u00e3o de amor a Deus e aos irm\u00e3os. Juntos, nesta caminhada, vamos confiantes no amor misericordioso de Jesus, que faz caminho connosco, pelo deserto das nossas fragilidades e pecados, nos perdoa e conforta, nos mostra o caminho da alegria pascal. <b>Caridade e justi\u00e7a<\/b> 2. Tendo, ainda, muito presente a reflex\u00e3o das \u00faltimas Jornadas de Actualiza\u00e7\u00e3o sobre \u201cA Doutrina Social da Igreja &#8211; Fonte de Esperan\u00e7a\u201d, \u00e9 particularmente forte para a nossa Diocese o apelo a um compromisso sempre maior de testemunhar a caridade e construir a justi\u00e7a.  A natureza \u00edntima da miss\u00e3o da Igreja exprime-se n\u00e3o apenas no an\u00fancio da Palavra e na celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos, mas tamb\u00e9m e de modo muito particular no servi\u00e7o da Caridade. A Igreja \u00e9 fruto e habita\u00e7\u00e3o da caridade de Deus e h\u00e1-de ser express\u00e3o dela. Na sua miss\u00e3o, por\u00e9m, a Igreja n\u00e3o poder\u00e1 limitar-se \u00e0 ac\u00e7\u00e3o caritativa, mediante as suas pr\u00f3prias estruturas de assist\u00eancia social, mas ter\u00e1 tamb\u00e9m de contribuir e de se empenhar para que a justi\u00e7a se implante, para que se reconhe\u00e7a e realize aquilo que \u00e9 justo. A justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 a caridade, todavia precisa da caridade para ser verdadeira justi\u00e7a. Ambas devem manter-se unidas.  N\u00e3o poder\u00e3o, porventura, ser tomadas as obras da caridade como pretensas formas de \u201cpacificar\u201d algumas consci\u00eancias, fugindo \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es da justi\u00e7a? \u2013 O Conc\u00edlio Vaticano II insiste, fortemente, na rela\u00e7\u00e3o insepar\u00e1vel entre caridade e justi\u00e7a, \u201cpara que n\u00e3o se ofere\u00e7a como dom da caridade aquilo que j\u00e1 \u00e9 devido a t\u00edtulo de justi\u00e7a\u201d (GS, 69; AA, 8). Ser\u00e1 que poderemos construir a justi\u00e7a sem a caridade? Poder\u00e1 a justi\u00e7a subsistir sem a caridade? \u2013 A hist\u00f3ria do Homem mostra-nos que,  somente com a justi\u00e7a, n\u00e3o resolveremos os grandes problemas do Homem. Diz-nos o Papa Bento XVI, na sua primeira Enc\u00edclica, que \u201co amor &#8211; \u2018caritas\u2019 &#8211; ser\u00e1 sempre necess\u00e1rio, mesmo na sociedade mais justa. N\u00e3o h\u00e1 qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar sup\u00e9rfluo o servi\u00e7o do amor\u201d (Deus \u00e9 Amor, 28 b). Imp\u00f5e-se, por isso, passar do campo da estrita justi\u00e7a \u00e0 abund\u00e2ncia da caridade. <b>Sempre mais e melhor<\/b> 3. A Quaresma \u00e9, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, um tempo especial de convers\u00e3o e de gra\u00e7a, prop\u00edcio \u00e0 pr\u00e1tica das boas obras; uma oportunidade para crescermos no amor-caridade, tanto nas rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais, como na ac\u00e7\u00e3o organizada da caridade da Igreja, atrav\u00e9s de servi\u00e7os apropriados e vocacionados para ajudar os que mais precisam. S\u00e3o muitas as necessidades a atender, s\u00e3o muitas as formas de concretizar o aux\u00edlio material e espiritual significado nas tradicionais obras de miseric\u00f3rdia.  Na nossa Diocese, n\u00e3o podemos esquecer a generosidade de tanta gente junto dos mais pobres, bem como a relevante actividade da Caritas Diocesana, das Confer\u00eancias de S. Vicente de Paulo e de um n\u00famero significativo de Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social. Apesar das suas limita\u00e7\u00f5es e eventuais dificuldades, h\u00e1 que dar gra\u00e7as a Deus pelos servi\u00e7os prestados, muitas vezes em regime de voluntariado e com a alma crist\u00e3 do amor-caridade, que pretendem testemunhar. Que procurem fazer sempre mais e sempre melhor. Tamb\u00e9m a caridade da Igreja se h\u00e1-de manifestar na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, estimulando a participa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na sociedade civil, em ac\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos, nomeadamente nos dom\u00ednios da fam\u00edlia e da vida, do trabalho e da economia, da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade. A condi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 envolve uma voca\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a exercer como proposta de humaniza\u00e7\u00e3o da nossa sociedade. <b>A pr\u00e1tica da esmola<\/b> 4. Na sua Mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa Bento XVI prop\u00f5e aos fi\u00e9is a pr\u00e1tica da esmola como \u201cforma concreta de socorrer quem se encontra em necessidade e, ao mesmo tempo, uma pr\u00e1tica asc\u00e9tica para se libertar da afei\u00e7\u00e3o aos bens terrenos\u201d (n\u00ba 1). A esmola dada aos pobres constitui um dos belos testemunhos da caridade fraterna e, tendo em aten\u00e7\u00e3o o valor social dos bens materiais, em muitos casos, \u201c\u00e9 um dever de justi\u00e7a, ainda antes de ser um gesto de caridade\u201d (n\u00ba 2). A esmola, diz o Papa, leva-nos ao encontro dos outros e a partilhar o que possu\u00edmos, discretamente e para a maior gl\u00f3ria de Deus, na certeza de que Deus \u201cv\u00ea no segredo\u201d e no segredo recompensar\u00e1. Leva-nos a experimentar, num gesto de doa\u00e7\u00e3o, a beleza da vida como b\u00ean\u00e7\u00e3o, paz, satisfa\u00e7\u00e3o interior, alegria e perd\u00e3o. A esmola educa para a generosidade do amor e o que lhe d\u00e1 valor \u00e9 o amor (cf. n\u00ba 5). Interpelando-nos, ainda, a este prop\u00f3sito, Bento XVI recorda as palavras de S. Jo\u00e3o: \u201cAquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irm\u00e3o sofrer necessidade, mas lhe fechar o cora\u00e7\u00e3o, como pode estar nele o amor de Deus?\u201d (1Jo 3,17). A grande mudan\u00e7a, a grande convers\u00e3o da nossa vida deve ser sempre a convers\u00e3o a um amor maior, mais sincero e generoso, mais dedicado e universal. Se Deus \u00e9 Amor, o importante \u00e9 amar!  <b>Ren\u00fancia quaresmal<\/b> 5. \u201cVoltai-vos para o Senhor de todo o cora\u00e7\u00e3o\u201d (Joel 2, 12) \u2013 \u00c9 na contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo, que d\u00e1 a vida pela salva\u00e7\u00e3o de todos os homens e mulheres, que nos poderemos lan\u00e7ar na ousadia da caridade; s\u00f3 partindo d\u2019Ele poderemos, como Igreja, descobrir novos caminhos e projectos criativos, capazes de infundir uma s\u00f3lida esperan\u00e7a para viver e fomentar, em toda a sociedade, uma cultura de justi\u00e7a, de solidariedade, de fraternidade e de amor. Entre n\u00f3s \u00e9 j\u00e1 tradi\u00e7\u00e3o que uma das express\u00f5es da caridade seja a nossa ren\u00fancia quaresmal, partilhando cada um mais generosamente aquilo que tem, em favor dos mais necessitados, e colaborando em projectos propostos pela pr\u00f3pria Diocese, num gesto de comunh\u00e3o eclesial, como acontecia na Igreja primitiva (cf. 2Cor 8,9; Rom 15,25-27). Tamb\u00e9m segundo a tradi\u00e7\u00e3o, a nossa ren\u00fancia quaresmal ter\u00e1 duas finalidades: uma de apoio a projectos da Igreja noutros Pa\u00edses e outra para necessidades da Diocese. Neste ano ser\u00e1 repartida, em partes iguais, para as v\u00edtimas das recentes cheias em Mo\u00e7ambique, consideradas as piores dos \u00faltimos anos, e para um Fundo Social Diocesano, tendo em vista uma ajuda mais eficaz \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de pobreza real, muitas vezes envergonhada, que algumas institui\u00e7\u00f5es da Igreja bem conhecem, por exercerem a sua actividade numa rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima e personalizada. Sejamos generosos! <b>Com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Maria<\/b> 6. Quaresma \u00e9 tempo de ora\u00e7\u00e3o. Sem vida de ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver o Evangelho e voltar o cora\u00e7\u00e3o para o Senhor, entrar no dinamismo da caridade, fazer-se ao largo e ousar ir mais longe. A sociedade precisa de crist\u00e3os comprometidos, porque \u00e9 urgente levar Cristo para o meio da vida das pessoas, com palavras e obras carregadas de \u00e2nimo e de esperan\u00e7a, para que ningu\u00e9m desanime e todos se levantem, sempre, com novo vigor. Sem ora\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, tal compromisso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel. \u00c9 pois urgente rezar e aprender a rezar bem, alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia. S\u00f3 em Cristo aprenderemos o louvor, a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, a entrega que d\u00e1 sentido aos nossos passos. Maria, M\u00e3e da Igreja e nossa M\u00e3e, nos ensine a rezar, nos aben\u00e7oe e acompanhe nesta caminhada, que juntos empreendemos, rumo \u00e0 P\u00e1scoa do seu Filho Jesus. <i>Catedral do Funchal, 6 de Fevereiro de 2008 D. Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Cavaco Carrilho, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caridade e justi\u00e7a, na convers\u00e3o pessoal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,144,186,187,189,191,193,206,246,262,275,91,294,314,329],"class_list":["post-29864","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-educacao","tag-familia","tag-liturgia","tag-mocambique","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29864\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}