{"id":29834,"date":"2008-02-06T11:27:40","date_gmt":"2008-02-06T11:27:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/06\/vitorino-nemesio-o-pai-da-acorianidade\/"},"modified":"2008-02-06T11:27:40","modified_gmt":"2008-02-06T11:27:40","slug":"vitorino-nemesio-o-pai-da-acorianidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vitorino-nemesio-o-pai-da-acorianidade\/","title":{"rendered":"Vitorino Nem\u00e9sio: o pai da a\u00e7orianidade"},"content":{"rendered":"<p>Escritor faleceu a  20 de Fevereiro de 1978 <!--more--> O homem que dizia que \u201co sil\u00eancio \u00e9 Pedra de Deus\u201d deixou para a posteridade escritos inigual\u00e1veis que ultrapassaram fronteiras. J\u00e1 passaram tr\u00eas d\u00e9cadas (20 de Fevereiro de 1978) ap\u00f3s a morte de Vitorino Nem\u00e9sio. Nascido em 1901, na Ilha Terceira, Vitorino Nem\u00e9sio divulgou como ningu\u00e9m a a\u00e7orianidade. Era um terceirense assumido, com a m\u00fasica e a festa \u00e0 flor da pele. Mar, mar absoluto, sem clima de excessos de frio ou ent\u00e3o de calor. Paisagens com um fasc\u00ednio extra, e por enquanto, tranquilidade e repouso. Esta vis\u00e3o, podemos consider\u00e1-la l\u00edrica e po\u00e9tica, n\u00e3o exclui os pecados capitais do nosso tempo. Segundo afirma Ant\u00f3nio Valdemar, \u201ca dist\u00e2ncia, a fatalidade geogr\u00e1fica, a vida quotidiana de quem permanece no meio do Atl\u00e2ntico, j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam a dimens\u00e3o social e cultural que se fez sentir durante s\u00e9culos\u201d. Ali, naquele arquip\u00e9lago, n\u00e3o existe ilha, e dentro daqueles terrenos banhados pelo azul marinho, n\u00e3o h\u00e1 cidade, vila ou freguesia que n\u00e3o tenham atractivos pr\u00f3prios. O \u201cnosso vizinho\u201d \u00e9 o mar, uma esp\u00e9cie de longa auto-estrada. Todo o a\u00e7oriano ama o mar. Ele e o seu ondular s\u00e3o uma esp\u00e9cie de confidente.  <b>A Terceira em terceiro<\/b> A Ilha Terceira, descoberta depois de S. Miguel e Santa Maria, (nomes de \u00edndole crist\u00e3) e inicialmente  chamada Ilha de Jesus Cristo, tomou o nome actual por ter sido a terceira a ser descoberta. Por volta de 1450 um flamengo, J\u00e1come de Bruges, come\u00e7ou a povoar este peda\u00e7o de terra plantado no meio do Oceano Atl\u00e2ntico e sabe-se tamb\u00e9m que, devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o privilegiada, a Terceira era, ent\u00e3o, ponto de escala das rotas portuguesas do referido oceano. Vasco da Gama, na sua viagem de regresso da \u00cdndia, mandou sepultar o seu irm\u00e3o, Paulo da Gama, no Convento de S. Francisco. No s\u00e9culo seguinte, mais concretamente em 1534, a Angra foi a primeira localidade dos A\u00e7ores a ser elevada a cidade, sendo mesmo escolhida pelo Papa Paulo III, para sede do Bispado. No final do XVI, durante o dom\u00ednio dos Filipes em Portugal, a outrora chamada Ilha de Jesus Cristo foi um grande centro de resist\u00eancia, apoiando a causa do Prior do Crato. Foi mesmo a \u00faltima terra portuguesa a render-se \u00e0 soberania espanhola. Com a descoberta do Continente Americano, o seu papel estrat\u00e9gico intensificou-se. Das \u00cdndias vinham as especiarias e da Am\u00e9rica Latina vinham o Ouro e a Prata. A ilha era um aut\u00eantico porto de ajuda aos navegadores. No s\u00e9culo XIX, na altura das lutas liberais, a Terceira teve um papel preponderante. Em 1829, uma tentativa de desembarque dos Absolutistas, na ent\u00e3o Vila da Praia, foi frustada, raz\u00e3o porque esta recebeu o nome de Praia da Vit\u00f3ria.  Como afirma Francisco da Costa (in: A Alma dos A\u00e7ores) \u201cna Terceira, toda ela \u00e9 frescura e recolhimento: delira de entusiasmo no in\u00e9dito das touradas \u00e0 corda, desprende-se a cantar os \u00abolhos negros\u00bb, recorda os tempos de outrora no aparato dos arruamentos, fica-se pensativa no topo do Monte Brasil, entra e sai na S\u00e9 envolta no seu manto e toda se enche de legendas hist\u00f3ricas, de \u00e9pocas que j\u00e1 passaram\u201d. Sobre a casa Terceirense, Vitorino Nem\u00e9sio diz no seu livro \u201cCors\u00e1rio das Ilhas\u201d: \u201c\u00c9 dif\u00edcil  achar na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e mesmo em Fran\u00e7a, um tipo de habitat rural t\u00e3o nobremente urbano, como o de certos pontos das Ilhas dos A\u00e7ores e em especial da sub-regi\u00e3o da Ilha Terceira chamada o Ramo Grande, em cuja plan\u00edcie cereal\u00edfera hoje irradiam as pistas colossais do aer\u00f3dromo das Lajes\u201d O Vulcanismo determinou a constitui\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica e definiu, em certa medida, o temperamento e o car\u00e1cter dos a\u00e7orianos. Francisco Arruda Furtado, Lu\u00eds Ribeiro e um grande escritor daquele arquip\u00e9lago, Vitorino Nem\u00e9sio, ao pronunciarem-se acerca do comportamento e da religiosidade dos a\u00e7orianos, concluem que se fundamentam, essencialmente, na supersti\u00e7\u00e3o e no medo, perante a imin\u00eancia cont\u00ednua dos sismos, das intemp\u00e9ries e de outras calamidades frequentes. Impera o temor que se traduz no uso da palavra \u201ccastigo\u201d para explicar as contrariedades existentes na vida. \u201cO conceito de divindade vingativa predomina sobre o de Deus misericordioso, caridade e amor\u201d \u2013 afirmou Lu\u00eds Ribeiro. \u201cMas antigamente era pior. Hoje, derivado \u00e0 sensibiliza\u00e7\u00e3o da Igreja, os a\u00e7orianos j\u00e1 olham mais para o lado misericordioso de Deus\u201d \u2013 refere Herberto Dart. \u201cAprendemos\u201d a viver com as calamidades e n\u00e3o \u201catribuir as culpas ao Pai Celeste\u201d.  <b>Praticar a caridade em nome do Divino<\/b>  Leite de Vasconcelos, a prop\u00f3sito do sentimento religioso no arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores, considerou as celebra\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo \u201cuma festa nacional de todos os cora\u00e7\u00f5es, de todas as classes e de todas as idades\u201d (M\u00eas de Sonho). E Vitorino Nem\u00e9sio afirmou, no livro \u201cMau Tempo no Canal\u201d, sobre as Festas do Esp\u00edrito Santo, que a \u201cAlma do ilh\u00e9u \u00e9 c\u00e2ndida e tenaz; quer um Deus Vivo e alegre; chama-o \u00e0 intimidade do seu p\u00e3o e das suas ervas h\u00famidas\u201d. Nesta altura abatem-se as rezes para distribui\u00e7\u00e3o de carne. Depois, haver\u00e1 \u201ccozido e alcatra para amigos e compadres, nas panelas de arroba mexidas pela mestra da fun\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 o povo quem promove e faz a festa, reunindo-se em Irmandades e cumprindo promessas. O objectivo da festa \u00e9 praticar a caridade em nome do Divino.   Esta festa ultrapassa as \u00e1guas do Atl\u00e2ntico. O \u201cCulto do Esp\u00edrito Santo\u201d celebra-se onde existe uma comunidade de a\u00e7orianos: tanto nas ilhas como nos locais de emigra\u00e7\u00e3o. Como que numa revoada de Primavera e logo ap\u00f3s a grande festa dos Crist\u00e3os, P\u00e1scoa, as diversas comunidades, agrupadas em Irmandades, come\u00e7am a organizar os festejos que se prolongam pelos sete domingos seguintes at\u00e9 ao da Trindade. No fundo podemos dizer que \u00e9 a festa da partilha. Esta partilha de riquezas e este relembrar de que em Deus todos s\u00e3o iguais tem tamb\u00e9m outra forma: a promessa, donde resulta um imperador e a fun\u00e7\u00e3o. Por qualquer raz\u00e3o que s\u00f3 a ele diz respeito, mas que n\u00e3o se eximir\u00e1 de contar aos presentes, o imperador \u00e9 a pessoa da freguesia que, em dificuldades, pediu aux\u00edlio \u00e0 Terceira Pessoa da Sant\u00edssima Trindade.   Esta promessa tem uma caracter\u00edstica diferente. Ao inv\u00e9s de ser de sacrif\u00edcio \u00e9 de alegria. Suponhamos que foi a solid\u00e3o a raz\u00e3o da promessa, o \u201cpagamento\u201d ser\u00e1 de alegria em grupo. Se por acaso foi um pedido derivado de uma dificuldade de qualquer ordem, a \u201cpaga\u201d ser\u00e1 uma festa de abund\u00e2ncia que, com a sua simetria de sinal contr\u00e1rio, apague da mem\u00f3ria dos homens os tormentos passados. Festejos como estes e Irmandades como estas existiram na Europa Medieval. Se at\u00e9 meados do S\u00e9culo XIX ainda h\u00e1 recorda\u00e7\u00f5es de festas em diversos pontos do Pa\u00eds, o certo \u00e9 que estas se esfumaram a ponto de hoje se pensar que s\u00e3o caracteristicamente a\u00e7orianas. N\u00e3o diria pura mentira. Os A\u00e7ores souberam foi guardar o que os outros deixaram fugir.  <b>S\u00edlabas musicadas<\/b> Se fosse vivo, completaria este ano, a 19 de Dezembro, 107 anos. Seria mais de um s\u00e9culo a divulgar a a\u00e7orianidade. Esse homem, que o Pe. Ant\u00f3nio Rego disse que \u201csempre me soube a a\u00e7oreano do Grupo Central\u201d chama-se Vitorino Nem\u00e9sio. Este homem, nascido na localidade de Praia da Vit\u00f3ria, com as s\u00edlabas musicadas da Ilha Terceira \u201cn\u00e3o se enrolava em dramas de romeiros ou promessas rastejantes de poetas de S. Miguel\u201d. As neblinas de Antero de Quental passavam por \u201cMestre Nem\u00e9sio\u201d de forma mais leve e dram\u00e1tica. Ele tinha um sentido humorado e pr\u00f3ximo de Deus \u201cmuito mais rico, filial e humano que os complexos poetas do grupo Oriental\u201d \u2013 salienta o Pe. Ant\u00f3nio Rego. Nem\u00e9sio n\u00e3o se confessava religioso \u201cem qualquer esquina\u201d, mas tinha uma apet\u00eancia espiritual de Deus \u201cque exprimia com a linguagem do povo, n\u00e3o da elite nem dos contorcionistas pescadores do sobrenatural\u201d. Perguntava por Deus com o cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o com a Filosofia do pensamento. Lu\u00eds Machado de Abreu, professor na Universidade de Aveiro, afirma que o homem que ficou c\u00e9lebre pelo \u201cSe Bem me Lembro&#8230;\u201d era \u201ca humanidade militante\u201d. Na polifacetada personalidade de Vitorino Nem\u00e9sio \u201ctoca-me o teatro de humanidade em que ele foi representando diferentes pap\u00e9is, desse modo dando vida a personagens que, ao alargarem o leque do universo social, aprofundam a fascinante riqueza e complexidade que moram na condi\u00e7\u00e3o humana\u201d. H\u00e1 nessa encena\u00e7\u00e3o a vontade de partir de um \u201clugar apertado, ponto fixo onde a alma se asfixia\u201d, e de assim tentar redimir pela viagem \u201ctodas as estreitezas da Insularidade\u201d.  D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo em\u00e9rito de Aveiro e na altura reitor do Semin\u00e1rio de Coimbra, relembra um epis\u00f3dio com Vitorino Nem\u00e9sio: \u201cNa Quarta-Feira Santa de 1995 apareceu-me logo pela manh\u00e3 e estivemos a conversar durante tr\u00eas horas\u201d. Este di\u00e1logo de Nem\u00e9sio com o reitor do Semin\u00e1rio pareceu uma eternidade, tal a profundidade da conversa. Sabe-se que a conversa entre os dois foi motivo de uma carta de Nem\u00e9sio a Jacinto Prado Coelho, onde o a\u00e7oriano descreve uma \u201cP\u00e1scoa em Coimbra\u201d. No documento afirma que \u201ceste ano pude arrumar a casa da alma\u201d.  Nesta viagem existe igualmente o peso \u201cdo destino que nos d\u00e1 as ra\u00edzes que somos e donde, em definitivo, nenhuma evas\u00e3o absoluta nos arrancar\u00e1\u201d. Foi Vitorino Nem\u00e9sio quem cunhou, com todo o seu saber, o neologismo \u201ca\u00e7orianidade\u201d, para explicar o modo de ser dos habitantes daquelas ilhas, a sua maneira de estar no mundo e de encarar a vida. Afirma ele: \u201ca A\u00e7orianidade \u00e9 o nosso modo de afirma\u00e7\u00e3o no mundo, a alma que sentimos, na forma de corpo que levamos&#8230; A vida a\u00e7oriana n\u00e3o data espiritualmente da coloniza\u00e7\u00e3o das ilhas: antes se projecta num passado tel\u00farico que os ge\u00f3logos reduzir\u00e3o a tempo, se quiserem&#8230; A Geografia, para n\u00f3s, vale outro tanto como a hist\u00f3ria, e n\u00e3o \u00e9 debalde que as nossas recorda\u00e7\u00f5es escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes\u201d. Uma coisa n\u00e3o podemos negar, a sua extensa obra liter\u00e1ria est\u00e1 cheia de reminisc\u00eancias pessoais de ilh\u00e9u e de recorda\u00e7\u00f5es da sua inf\u00e2ncia. D. Ant\u00f3nio Braga, Bispo dos A\u00e7ores, recorda \u201cque a a\u00e7orianidade era o seu evangelho\u201d. Para Nem\u00e9sio o p\u00e3o do seu esp\u00edrito, o sal da sua poesia, o suor da sua escrita derivavam da Praia da Vit\u00f3ria, de Angra do Hero\u00edsmo, da mem\u00f3ria e reencontro com a ilha Terceira. Tudo o mais vinha por acr\u00e9scimo. Ele estabeleceu, de forma inequ\u00edvoca, a rela\u00e7\u00e3o directa do homem com a sua circunst\u00e2ncia f\u00edsica e psicol\u00f3gica. At\u00e9 hoje, melhor que ningu\u00e9m, o escritor caracterizou o peso tel\u00farico e a carga ancestral do a\u00e7oriano: \u201cO mar \u00e9 livre de se mover, n\u00e3o de mudar de s\u00edtio. O ilh\u00e9u morre de mobilidade numa situa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua\u201d. A prop\u00f3sito do V Centen\u00e1rio do povoamento dos A\u00e7ores, Vitorino Nem\u00e9sio recorda, traduzindo o basco Baroja, \u201co ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um aug\u00fario de liberdade e c\u00e2mbio\u201d. Em todas as viagens que fazia, Nem\u00e9sio transportava consigo uma ilha aos ombros, arrancada da vastid\u00e3o do Atl\u00e2ntico, como um tesouro. No regresso \u00e0s ra\u00edzes, Nem\u00e9sio busca o \u201cpara\u00edso perdido\u201d. \u00c9 o regresso do \u201cfilho pr\u00f3digo\u201d. Ele est\u00e1 consciente de que n\u00e3o pode voltar ao que foi: \u201cAve que fui na Ilha, N\u00e3o voltarei ao ninho: Perdi a asa e a anilha Pelo Caminho (In Anjo da Guarda). Mas n\u00e3o desiste da busca: \u201cMinha vida \u00e9 estrada\u201d. E seja a hora de morrer regresso S\u00f3 \u00e0 inf\u00e2ncia sonhada. Menino \u00e9 em Deus o homem: ofere\u00e7o o ardor da vida ao fim da caminhada\u201d (In Canto de V\u00e9spera). Perante a estrada da vida, Vitorino Nem\u00e9sio deixou-nos testemunhos concretos dos odores a\u00e7orianos: o romance \u201cMau Tempo no Canal\u201d (1944) e os livros de poemas \u201cO Bicho Harmonioso\u201d (1938); \u201cEu Comovido a Oeste\u201d (1940); \u201cFesta Redonda\u201d (1950) e \u201cSapateia A\u00e7oriana\u201d (1976). A Ilha n\u00e3o esqueceu o seu filho. Junto \u00e0 Casa das Tias, foi inaugurado no dia 17 de Dezembro de 1994, um busto de Vitorino Nem\u00e9sio. Da autoria do escultor \u00c1lvaro Raposo Fran\u00e7a, destina-se a assinalar a passagem do 50\u00ba anivers\u00e1rio da publica\u00e7\u00e3o do Romance \u201cMau Tempo no Canal\u201d. Este ano, centen\u00e1rio do seu nascimento, Nem\u00e9sio ser\u00e1 novamente recordado. O presidente da autarquia da Praia da Vit\u00f3ria afirma que \u201cestas comemora\u00e7\u00f5es servem, sobretudo, para prestar a homenagem merecida e condigna a um homem que se notabilizou pelos seus escritos e cantou bem alto os A\u00e7ores, a Terceira e a Praia da Vit\u00f3ria\u201d.  O homem que dizia que \u201co sil\u00eancio \u00e9 Pedra de Deus\u201d deixou para a posteridade escritos inigual\u00e1veis que ultrapassaram fronteiras. \u00c9 de real\u00e7ar, que \u201cMau Tempo no Canal\u201d, uma das suas obras primas, j\u00e1 existe em l\u00edngua inglesa. Esta tradu\u00e7\u00e3o, feita por Francisco Fagundes, docente da Universidade de Massachusetts-Amherst, representa um contributo fundamental para a comemora\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio do Nascimento de Nem\u00e9sio. A divulga\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas de \u201cMau tempo no Canal\u201d projecta, numa das principais l\u00ednguas de comunica\u00e7\u00e3o mundial, uma obra de culto da literatura portuguesa.  Nas suas obras comunicou-nos a for\u00e7a tel\u00farica, o fluido que dimana das nuvens, o impulso dos ventos, o cheiro dos campos, o mar largo e bravio que, de todos os lados, acentua o rosto da ilha. Apesar desta a\u00e7orianidade estar-lhe nas veias, Coimbra acabou por ser a sua terra adoptiva, ao ponto de ter escolhido a Lusa Atenas para sua morada eterna.  <i>Luis Filipe Santos<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritor faleceu a 20 de Fevereiro de 1978<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[104,122,168,169,170,172,174,187,203,275],"class_list":["post-29834","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-america","tag-brasil","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-angra","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29834\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}