{"id":29803,"date":"2008-02-04T12:14:09","date_gmt":"2008-02-04T12:14:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/02\/04\/mensagem-quaresmal-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco\/"},"modified":"2008-02-04T12:14:09","modified_gmt":"2008-02-04T12:14:09","slug":"mensagem-quaresmal-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-quaresmal-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco\/","title":{"rendered":"Mensagem Quaresmal do Bispo de Portalegre-Castelo Branco"},"content":{"rendered":"<p>\u00abQuem d\u00e1 empresta a Deus\u00bb <!--more--> A Quaresma organizou-se e desenvolveu-se gradualmente ao longo dos primeiros quatro s\u00e9culos do cristianismo. Desde ent\u00e3o, com algumas variantes, tem-se mantido essencialmente com a mesma estrutura e finalidade. A dura\u00e7\u00e3o de quarenta dias encontra apoio em muitos acontecimentos referidos no Antigo Testamento e tamb\u00e9m nos quarenta dias que Jesus passou no deserto, onde foi tentado pelo diabo, e se preparou para aparecer em p\u00fablico a pregar a Boa Nova do Reino. A finalidade da Quaresma \u00e9 m\u00faltipla. Ela encaminha os fi\u00e9is para a celebra\u00e7\u00e3o da solenidade da P\u00e1scoa, n\u00facleo central \u00e0 volta do qual gira todo o ano lit\u00fargico. Celebrar a P\u00e1scoa \u00e9 abeirar-se do mist\u00e9rio salv\u00edfico, consumado na entrega volunt\u00e1ria de Jesus \u00e0 morte e na Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa. Tal como Mois\u00e9s se descal\u00e7ou para se abeirar do lugar sagrado em que Deus lhe revelou o Seu nome, tamb\u00e9m o crist\u00e3o, para se abeirar do mist\u00e9rio pascal, no qual Deus revela \u00e0 humanidade o Seu amor infinito de Pai misericordioso, se deve despojar de tudo quanto o impede de se apresentar de alma purificada diante de Deus.   A Igreja dedica todos os anos quarenta dias a preparar a festa da P\u00e1scoa e aponta algumas formas concretas de o fazer. \u00c9 claro que se trata de uma prepara\u00e7\u00e3o espiritual. Por meio dela se pretende essencialmente obter maior e mais eficaz desapego do pecado e uma mais perfeita identifica\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo, modelo acabado de todo o ser humano. Os meios habitualmente sugeridos pela Igreja s\u00e3o a pr\u00e1tica dos sacramentos, a leitura e medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, a ora\u00e7\u00e3o, a ren\u00fancia volunt\u00e1ria e a generosidade para com os mais necessitados, al\u00e9m de outros que fazem parte do patrim\u00f3nio espiritual do cristianismo. Sabendo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer tudo ao mesmo tempo e usando uma saud\u00e1vel pedagogia, radicada na sua secular experi\u00eancia, a Igreja, em cada ano, evidencia um aspecto particular. Ora, este ano, o papa Bento XVI convida-nos \u00e0 pr\u00e1tica da esmola, que nos h\u00e1-de ajudar a compreender o verdadeiro sentido dos bens materiais, a moderar o apego desordenado a esses mesmos bens, em detrimento do cultivo dos bens espirituais e, ainda, a servir a Deus no pr\u00f3ximo, sofredor e privado do essencial para viver. Nesse sentido, o papa lembra-nos as palavras de Jesus: n\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro (Lc16,13).  O Papa adverte-nos de que a esmola n\u00e3o tem apenas um sentido filantr\u00f3pico de ajuda aos carenciados. Ela tem a ver com a justi\u00e7a e com a caridade, tal como se depreende da raiz b\u00edblica do termo e da sua tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua grega. O sentido da justi\u00e7a radica-se na benevol\u00eancia de Deus que estabeleceu alian\u00e7a com o Seu Povo e permanece fiel ao compromisso assumido, tratando a todos com igualdade. Por sua vez, o termo grego valoriza mais o aspecto psicol\u00f3gico da compaix\u00e3o e da miseric\u00f3rdia para com os mais carenciados, em fun\u00e7\u00e3o da generosidade e da livre vontade de cada um. Na mentalidade do nosso tempo, esta \u00e9 a acep\u00e7\u00e3o corrente dada ao termo esmola. Mas n\u00e3o podemos esquecer o seu sentido original, que aponta para a justi\u00e7a.  Se quisermos ir ao fundo da quest\u00e3o, a pr\u00e1tica da esmola insere-se no \u00e2mbito da justi\u00e7a e tem directamente a ver com o destino universal dos bens criados por Deus, isto \u00e9, dos recursos naturais. Deus criou-os para todos e entregou-os \u00e0 humanidade e n\u00e3o apenas a alguns privilegiados. Ora, sendo assim, quando o que tem d\u00e1 ao que se encontra na mis\u00e9ria, apenas est\u00e1 a cumprir um dever de justi\u00e7a, reconhecendo dessa forma o direito do outro. Com efeito, o princ\u00edpio do direito universal dos bens imp\u00f5e algumas restri\u00e7\u00f5es ao direito de propriedade, porque ningu\u00e9m \u00e9 senhor e dono absoluto. Todos nos devemos considerar meros administradores dos bens que chegaram \u00e0 nossa posse e n\u00e3o foram produzidos por n\u00f3s. E, se enquanto administradores repartimos os bens com os outros, tornamo-nos intermedi\u00e1rios para o restabelecimento da justi\u00e7a, neste mundo marcado por desigualdades gritantes, onde alguns se tornaram detentores da maioria dos recursos, enquanto a multid\u00e3o imensa dos pobres morre de fome ou passa graves priva\u00e7\u00f5es dos bens essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia.   Centrar a viv\u00eancia da Quaresma na pr\u00e1tica da esmola, como meio de purifica\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e de atenua\u00e7\u00e3o das desigualdades, implica que cada um se decida a reflectir, tenha a coragem de analisar a situa\u00e7\u00e3o actual da sociedade, se deixe interpelar pela realidade dos factos observados e se disponha a assumir a quota-parte da responsabilidade que lhe cabe, sem recorrer ao velho \u00e1libi de transferir para o Estado todas as responsabilidades relacionadas com o estabelecimento da justi\u00e7a.  A partilha generosa dos bens com os mais carenciados, seja por raz\u00f5es de justi\u00e7a seja por raz\u00f5es de caridade, pode ser tamb\u00e9m um meio para educar a consci\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es e de as levar a descobrir a igual dignidade de todas as pessoas, combatendo o ego\u00edsmo que alastra na sociedade e corr\u00f3i as consci\u00eancias. Caso contr\u00e1rio, corremos o risco de reduzir a discurso oco e sem sentido tudo quanto se apregoa sobre igualdade e fraternidade. Pois teoria sem pr\u00e1tica n\u00e3o compromete. E vida sem compromisso nunca se colocou ao servi\u00e7o da justi\u00e7a.   \u00c9 nesta linha que devemos entender a proposta da Igreja para a Quaresma deste ano. E, porque o campo de ac\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 o mundo inteiro, a interven\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os para o restabelecimento da justi\u00e7a e para o exerc\u00edcio da caridade n\u00e3o tem fronteiras. Onde houver um irm\u00e3o carenciado a\u00ed \u00e9 chamado a intervir. O ano passado o produto da nossa ren\u00fancia quaresmal, que somou \u00e0 volta de sessenta e tr\u00eas mil euros, foi distribu\u00eddo por uma obra diocesana \u2013 A Vida Nasce \u2013 e por uma obra dos Mission\u00e1rios do Precios\u00edssimo Sangue, na Guin\u00e9. Este ano proponho que alarguemos mais os horizontes, voltando-nos para dois pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa, com graves dificuldades econ\u00f3micas: Cabo Verde e Timor. Em Cabo Verde, ajudaremos a construir um Centro Social e Paroquial na Diocese de Santiago; e em Timor, patrocinaremos o Semin\u00e1rio de Dili na aquisi\u00e7\u00e3o de bibliografia b\u00e1sica e fundamental para a forma\u00e7\u00e3o dos mais de oitenta seminaristas de Filosofia e Teologia, que constituem uma aut\u00eantica esperan\u00e7a para a Igreja. Sejamos generosos e lembremo-nos do que diz o povo: quem d\u00e1 aos pobres empresta a Deus.  <i>+Jos\u00e9 Alves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abQuem d\u00e1 empresta a Deus\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,123,179,275,285,91,294],"class_list":["post-29803","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-cabo-verde","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-pascoa","tag-patrimonio","tag-quaresma","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29803\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}