{"id":297821,"date":"2023-09-21T15:09:49","date_gmt":"2023-09-21T14:09:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=297821"},"modified":"2023-09-21T15:10:05","modified_gmt":"2023-09-21T14:10:05","slug":"cibercultura-escutar-o-bater-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cibercultura-escutar-o-bater-do-coracao\/","title":{"rendered":"CIBERCULTURA &#8211; Escutar o bater do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em Aldea del Fresno, Izan Ilevaba de 10 anos segura-se aos ramos de uma \u00e1rvore para sobreviver \u00e0 noite de solid\u00e3o da torrente do rio Alberche. N\u00e3o sabe o que aconteceu \u00e0 sua fam\u00edlia. Tem medo de perder as for\u00e7as e n\u00e3o sobreviver. Na manh\u00e3 de segunda-feira, Eduardo Ca\u00f1adas encontra Izan e salva-o. O menino diz-lhe apenas <em>\u00abGracias, gracias, gracias.\u00bb<\/em>. Este \u00e9 um drama recente gerado pela intensifica\u00e7\u00e3o das cat\u00e1strofes naturais devida \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Pouco a pouco, os receios come\u00e7am a sair do papel dos relat\u00f3rios que alertam h\u00e1 muito para estes efeitos e entram na vida concreta da fam\u00edlias. Antes da JMJ, no cora\u00e7\u00e3o dos jovens que participaram no 4\u00ba Congresso Internacional pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II para a Juventude, est\u00e1 um <em><a href=\"https:\/\/www.fondazionegiovani.va\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Manifesto_PT.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manifesto<\/a><\/em>; que expressa as raz\u00f5es do batimento do seu cora\u00e7\u00e3o por tudo aquilo que est\u00e1 a acontecer \u00e0 nossa casa comum.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<figure id=\"attachment_297823\" aria-describedby=\"caption-attachment-297823\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-297823 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/coracao.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/coracao.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/coracao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/coracao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/coracao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/coracao-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-297823\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Aziz Acharki em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>A experi\u00eancia do bater do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o sinal mais evidente de estarmos vivos, assim como pensar no batimento do cora\u00e7\u00e3o de quem mais amamos (familiares, amigos, colegas), mas quando o Papa pede para escutar o batimento do cora\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e do cora\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 somente uma frase bonita, metaf\u00f3rica e apenas para nos inspirar a aspirar \u00e0s coisas do alto ou \u00e0s mais profundas, mas inconsequente? A met\u00e1fora \u00e9 importante no processo de compreens\u00e3o da realidade se faz sentir ao nosso redor, mas sempre me questionei como seria poss\u00edvel experimentar esta met\u00e1fora do batimento do cora\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e do cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>O batimento de um cora\u00e7\u00e3o traduz um ritmo que serve para bombear sangue que vivifica o corpo de todo o ser vivo, levando o oxig\u00e9nio \u00e0s nossas c\u00e9lulas que desse precisam para funcionar. O cora\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o no contexto da nossa casa comum poderia corresponder \u00e0s plantas e \u00e1rvores que produzem o oxig\u00e9nio necess\u00e1rio \u00e0 nossa respira\u00e7\u00e3o. Mas sem a energia solar, n\u00e3o seria, tamb\u00e9m, poss\u00edvel haver ventos que transportam esse oxig\u00e9nio para todas as partes do nosso planeta. O cora\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um conjunto complexo de rela\u00e7\u00f5es incertas e sens\u00edveis aos nossos comportamentos. Por isso, escutar o cora\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o implica conhecer e compreender um pouco melhor estes relacionamentos e isso \u00e9 um grande desafio porque implica aprender coisas novas a partir daquilo que os cientistas nos explicam e esses (eu inclusiv\u00e9) est\u00e3o ainda a aprender como comunicar o que \u00e9 complexo de um modo compreens\u00edvel (n\u00e3o simples). Ali\u00e1s, &#8220;Informarmo-nos e formarmo-nos&#8221; \u00e9 um dos compromissos dos jovens naquele Manifesto. E poder\u00edamos pensar que escutar o cora\u00e7\u00e3o de Deus seria mais evidente, mas talvez n\u00e3o seja.<\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o de Deus faz-me recordar o cora\u00e7\u00e3o de Jesus que batia no seu tempo, mas parou com a Sua morte. Por\u00e9m, com a Ressurrei\u00e7\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o de Jesus transforma-se num bater misticamente presente em cada cora\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o. Pelo menos na Tradi\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, este bater m\u00edstico \u00e9 tamb\u00e9m f\u00edsico pela experi\u00eancia de que na Eucaristia, o nosso corpo \u00e9 cristificado e transformado (de algum modo ainda por compreender) n&#8217;Ele. Por isso, a dificuldade em escutar o bater do cora\u00e7\u00e3o de Deus est\u00e1 na necessidade de desenvolvermos a capacidade de reconhecer Deus em cada irm\u00e3o e de percepcionar a Sua presen\u00e7a na pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel escutar o bater do nosso cora\u00e7\u00e3o se estivermos num espa\u00e7o imerso num grande sil\u00eancio. Recordo-me de numa caminhada por um trilho, a um dado momento ouvia um &#8211; <em>\u00abtum, tum, tum,&#8230;\u00bb<\/em> \u2014 e s\u00f3 ap\u00f3s alguns segundos \u00e9 que me apercebi de que estava a ouvir o bater do meu cora\u00e7\u00e3o. Pensamos que a dificuldade em escutar o cora\u00e7\u00e3o de Deus esteja no facto de acreditarmos mais ou menos n&#8217;Ele, ou de termos uma vida mais ou menos profunda no que diz respeito \u00e0 f\u00e9. Por\u00e9m, parece-me que a dificuldade esteja em encontrarmos os espa\u00e7os de sil\u00eancio interior e exterior que nos permitem compreender, criativamente, os ritmos e as raz\u00f5es de n\u00e3o nos alienarmos da realidade f\u00edsica e espiritual viva ao nosso redor.<\/p>\n<p>O ritmo de vida humana na Era Digital, imersos como estamos em informa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o cibercultural que habitamos, al\u00e9m de acelerado \u00e9 ruidoso. N\u00e3o nos oferece muitas pausas para reflectir, estarmos atentos e escutarmos o tal &#8220;bater do cora\u00e7\u00e3o&#8221;. Quando penso novamente no <em>\u00abgracias, gracias, gracias\u00bb<\/em> do jovem Izan, questiono-me se n\u00e3o se assemelha a um bater do cora\u00e7\u00e3o que bombeia gratid\u00e3o. Ser\u00e1 a gratid\u00e3o uma esp\u00e9cie de oxig\u00e9nio que faz a nossa consci\u00eancia funcionar de modo a nos sensibilizar mais para o valor que a vida tem?<\/p>\n<p>At\u00e9 dia 4 de Outubro permanece o convite a meditarmos e agirmos criativamente sobre como o Tempo da Cria\u00e7\u00e3o pode transformar a vis\u00e3o que temos do mundo e as nossas escolhas. Um dos grandes desafios da experi\u00eancia crist\u00e3, hoje, est\u00e1 no modo como testemunhamos a humaniza\u00e7\u00e3o da vida espiritual que temos, independentemente dessa ser mais ou menos profunda. Escutar o bater do cora\u00e7\u00e3o parece-me ser um dos modos de gradualmente acertarmos o nosso ritmo de vida com o ritmo da cria\u00e7\u00e3o. Um ritmo mais lento que permite desfrutarmos das pequenas coisas que nos assombram e nos levam a uma das ora\u00e7\u00f5es mais simples e profundas diante do mundo natural \u2014 <em>\u00abuau&#8230;\u00bb<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-297821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=297821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=297821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=297821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=297821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}