{"id":297242,"date":"2023-09-15T09:00:02","date_gmt":"2023-09-15T08:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=297242"},"modified":"2023-09-14T16:01:17","modified_gmt":"2023-09-14T15:01:17","slug":"a-grande-catedral-esta-a-desmoronar-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-grande-catedral-esta-a-desmoronar-se\/","title":{"rendered":"A grande catedral est\u00e1 a desmoronar-se"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sem medidas urgentes, a cat\u00e1strofe est\u00e1 iminente. Os utentes, sobejamente inteirados da situa\u00e7\u00e3o, est\u00e3o mais interessados no deixa correr do que em mant\u00ea-la de p\u00e9. Alguns ainda n\u00e3o entenderam que, de facto, sem ela n\u00e3o podem viver! Embora j\u00e1 todos tenham diagnosticado as causas da poss\u00edvel derrocada, no entanto, os mais respons\u00e1veis, mesmo esticando bem os olhos, n\u00e3o querem ver, fingem n\u00e3o entender, desmascaram o problema, desvalorizam os sintomas. Espionam uma vez, outra vez e mais outra vez, como conv\u00e9m. Re\u00fanem-se, fazem discursos inflamados em prol da mesma, assumem prop\u00f3sitos de interven\u00e7\u00e3o urgente, mas ficam-se nas tintas, n\u00e3o metem as m\u00e3os \u00e0 obra, com coragem e determina\u00e7\u00e3o. De quando em vez, l\u00e1 mexem para dizer que est\u00e3o vivos e atentos. Perante as circunst\u00e2ncias e os mecanismos do mundo atual, ningu\u00e9m ignora que a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 dolorosa, complexa e herc\u00falea e n\u00e3o acontecer\u00e1 t\u00e3o r\u00e1pida quanto todos desejar\u00edamos. Mas todos sabemos tamb\u00e9m que tal empreitada assusta muita gente, sobretudo porque mexe com o mundo e o submundo das suas carteiras. Esse \u00e9 o maior problema!<\/p>\n<p>A esta Catedral ningu\u00e9m vai, n\u00e3o \u00e9 preciso ir, mas, mesmo assim, qualquer um, ou todos, podem apanhar com ela encima. E n\u00e3o \u00e9 preciso l\u00e1 ir porque todos estamos dentro, desde o primeiro momento da nossa exist\u00eancia: \u00e9 a \u00abgrande catedral da cria\u00e7\u00e3o\u00bb, a Natureza! \u00c9 poss\u00edvel, isso sim, que a usufruamos sem qualquer atitude de gratid\u00e3o para com o seu Criador e com total falta de respeito para com ela por tudo quanto nos oferece e garante. O dia 1 de setembro \u00e9 o \u2018Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o\u2019, dando assim in\u00edcio ao Tempo ecum\u00e9nico da Cria\u00e7\u00e3o, o qual termina a 4 de outubro, dia lit\u00fargico de S\u00e3o Francisco de Assis e abertura do S\u00ednodo sobre a Sinodalidade.<\/p>\n<p>Altamente confort\u00e1vel, sugiro ao leitor que, em momentos mais prop\u00edcios e ao longo deste m\u00eas, \u00e0 noite ou de dia, procure uma pedra que lhe sirva de sof\u00e1, ou a sombra de um chaparro que at\u00e9 lhe pode servir de encosto. Olhe as \u00e1rvores que apontam o c\u00e9u, escute o murm\u00fario dos ventos e a sinfonia da passarada, olhe o sol ou a lua e as estrelas e tudo o mais que o rodeia. Envolvido por esse sil\u00eancio, sinta-se amorosamente acolhido, reze como sabe, contemple como sabe e agrade\u00e7a como sabe esta obra sem igual, fruto do Amor de Deus POR SI e constru\u00edda PARA SI, sem o direito de a dominar e destruir, mas com o dever de a amar e cuidar.<\/p>\n<p>Para acelerar as mudan\u00e7as necess\u00e1rias, a ONU convidou-nos, em mar\u00e7o, a celebrarmos o Dia Mundial da \u00c1gua, com o objetivo de consciencializar a popula\u00e7\u00e3o global sobre a relev\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos para a sobreviv\u00eancia dos ecossistemas do planeta. Em junho passado, fomos convidados a celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, tendo como tema \u2018solu\u00e7\u00f5es para a polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica\u201d, estimando-se que entre 19 a 23 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico acabam em lagos, rios e mares, tornando-se uma das mais graves amea\u00e7as para o planeta.<\/p>\n<p>Tomando como mote para a sua mensagem um vers\u00edculo do profeta Am\u00f3s (5,24) Francisco apela a que cada um procure ser justo em todas as situa\u00e7\u00f5es, se esforce por viver segundo as regras do jogo, para que a vida flores\u00e7a plenamente. E acrescenta, \u201cO consumismo voraz, alimentado por cora\u00e7\u00f5es ego\u00edstas, est\u00e1 a transtornar o ciclo da \u00e1gua do planeta. O uso desenfreado de combust\u00edveis f\u00f3sseis e a destrui\u00e7\u00e3o das florestas est\u00e3o a criar uma subida das temperaturas e a provocar secas graves. Terr\u00edveis car\u00eancias h\u00eddricas est\u00e3o a afligir cada vez mais as nossas casas, desde as pequenas comunidades rurais at\u00e9 \u00e0s grandes cidades. Al\u00e9m disso, ind\u00fastrias predat\u00f3rias est\u00e3o a esgotar e poluir as nossas fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel com atividades extremas, como o fraturamento hidr\u00e1ulico para a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, os megaprojetos de extra\u00e7\u00e3o descontrolada e a engorda acelerada de animais. Apropriam-se da \u00abirm\u00e3 \u00e1gua\u00bb &#8211; como lhe chama S\u00e3o Francisco -, transformando-a em \u00abmercadoria sujeita \u00e0s leis do mercado\u00bb (Lsi\u201930).<\/p>\n<p>Francisco sugere-nos tr\u00eas pistas de convers\u00e3o ecol\u00f3gica: a transforma\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es, dos estilos de vida e das pol\u00edticas p\u00fablicas. Isto realizar-se-\u00e1 praticando \u201co respeito ecol\u00f3gico para com Deus, para com os nossos semelhantes de hoje e de amanh\u00e3, para com toda a natureza e para connosco pr\u00f3prios\u201d; adotando \u201cestilos de vida de menor desperd\u00edcio e de menos consumos in\u00fateis, fazer um uso mais moderado dos recursos, separar e reciclar o lixo e recorrer a produtos e servi\u00e7os que sejam ecol\u00f3gica e socialmente respons\u00e1veis\u201d; transformando as pol\u00edticas p\u00fablicas de forma a que n\u00e3o favore\u00e7am \u201criquezas escandalosas para poucos e condi\u00e7\u00f5es degradantes para tantos\u201d. A \u2018d\u00edvida ecol\u00f3gica\u2019, reclama \u201couvir a ci\u00eancia e come\u00e7ar uma transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e equitativa para acabar com a era dos combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, n\u00e3o permitindo \u201ca explora\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o cont\u00ednua das infraestruturas para os combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, uma \u201cinjusti\u00e7a para com os pobres e os nossos filhos, que sofrer\u00e3o os impactos piores da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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