{"id":296954,"date":"2023-09-16T09:31:18","date_gmt":"2023-09-16T08:31:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=296954"},"modified":"2023-09-12T12:33:39","modified_gmt":"2023-09-12T11:33:39","slug":"o-legado-da-jmj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-legado-da-jmj\/","title":{"rendered":"O Legado da JMJ"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_270870\" aria-describedby=\"caption-attachment-270870\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-270870 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-270870\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Teixeira da Cunha<br \/>Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LFS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Passado um m\u00eas sobre a JMJ que teve lugar no nosso pa\u00eds, proponho aos leitores do nosso jornal diocesano que, por raz\u00f5es \u00f3bvias, n\u00e3o acompanhou este grande acontecimento, um regresso ao que parece o legado mais importante da presen\u00e7a do Papa Francisco e da extraordin\u00e1ria mobiliza\u00e7\u00e3o da Igreja para que tudo corresse bem como correu. No entender de quem acompanhou atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o social, como foi o meu caso, pode resumir-se em tr\u00eas palavras o que ficou das viv\u00eancias, das imagens e das palavras desses dias, memor\u00e1veis: o sil\u00eancio, a cura e a ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das imagens mais marcantes da congrega\u00e7\u00e3o geral da JMJ foi o sil\u00eancio da vig\u00edlia. Colocar em sil\u00eancio uma multid\u00e3o de milh\u00e3o e meio de pessoas \u00e9 obra. Mas isso aconteceu com uma efic\u00e1cia que apenas pode ter um significado maior do que o facto em si. Mobilizar uma multid\u00e3o para a expressividade, quantas vezes ca\u00f3tica, dos concertos de m\u00fasica ser\u00e1 talvez f\u00e1cil. Colocar em sil\u00eancio activo um tal n\u00famero de pessoas apenas pode ser um sinal da for\u00e7a vivencial da f\u00e9 crist\u00e3. A um observador sens\u00edvel, esse facto remete para a fenomenologia da f\u00e9 que come\u00e7a na noite do encontro de cada ser humano como o mist\u00e9rio da vida que o precede e que o convoca. \u00c9 esse sil\u00eancio nocturno o lugar de origem do mist\u00e9rio divino na vida humana. \u00c9 na noite da exist\u00eancia que Deus visita o ser humano, numa forma de abordagem que precede a palavra e o nome. A noite \u00e9 o tempo da ora\u00e7\u00e3o, da eventual identifica\u00e7\u00e3o de Deus e at\u00e9 da luta de cada um com o anjo que lhe calhou em sorte. Por isso, come\u00e7ar pelo sil\u00eancio activo e orante mostra-se como a primeira forma de evangeliza\u00e7\u00e3o. No nosso tempo isso parece muito importante, uma vez que existe um esgotamento evidente das representa\u00e7\u00f5es de Deus, das propostas de vida moral e espiritual tradicionais. Existe hoje uma tend\u00eancia decadente para formas de hiperexpressividade que s\u00e3o impr\u00f3prias para falar de Deus e para o ser humano se encontrar co a sua verdade. Por isso, fazer sil\u00eancio, um sil\u00eancio que precede e funda a palavra \u00e9 uma forma de evangelizar. Isso nos ficou como legado da JMJ.<\/p>\n<p>O segundo aspecto \u00e9 o que podemos chamar \u00e9 o da proposta terap\u00eautica da f\u00e9 para o nosso mundo irritado, apressado e neur\u00f3tico. Essa mensagem esteve muito patente na homilia do Papa Francisco no dia da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor e nos outros momentos em que apelou \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do medo. De facto, o medo \u00e9 o sinal da nossa depend\u00eancia, da nossa desconfian\u00e7a do futuro, da nossa permeabilidade \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de uma cultura de messas como aquela em que estamos envolvidos. Temos medo do futuro, de Deus, da sobreviv\u00eancia, at\u00e9 adoecermos e ficarmos \u00e0 merc\u00ea de qualquer influenciador que nos d\u00ea um pouco de conforto na nossa indig\u00eancia. O Papa Francisco na sua velhice madura e s\u00f3bria deu-nos a consola\u00e7\u00e3o do evangelho contra todas as formas de depend\u00eancia seja dos mitos, dos ritos, dos sabres tribais que campeiam hoje pela nossa cultura e nos tornam dependentes e doentes. Temos de dar seguimento a esse legado. A f\u00e9 tem virtualidades terap\u00eauticas inesgot\u00e1veis. Apenas beneficiando da terapia da f\u00e9 somos acolhidos na vida plena que \u00e9 dada a todos, sem excep\u00e7\u00e3o, mas ap\u00f3s uma convers\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o da for\u00e7a terap\u00eautica da comunh\u00e3o com o Senhor ressuscitado, vivida como ora\u00e7\u00e3o e como sacramento.<\/p>\n<p>A terceira forma de legado, podemos dar-lhe o nome de ac\u00e7\u00e3o. De facto, a partir da noite da f\u00e9 e da terapia do nosso ser ficamos capacitados para agir pelo poder que tem a sua origem em Cristo, o vivente que precede todos os viventes. Este ponto esteve tamb\u00e9m presente no estilo e nas palavras do Papa Francisco aos jovens da JMJ. Este ponto \u00e9 muito importante para a nossa pastoral e para a presen\u00e7a dos crist\u00e3os na nossa sociedade. A ac\u00e7\u00e3o apenas \u00e9 dotada de for\u00e7a se vier do consentimento ao Ressuscitado. A comunh\u00e3o com Jesus exige a ascese e o esfor\u00e7o do consentimento, a deposi\u00e7\u00e3o do Ego infantil e todo-poderoso da nossa cultura de hoje.\u00a0 A efic\u00e1cia da nossa pastoral tem de ter em conta este aspecto. De contr\u00e1rio n\u00e3o ser\u00e1 cred\u00edvel a nossa palavra nem a nossa caridade.<\/p>\n<p>Os jovens que viveram a JMJ ter\u00e3o seguramente um papel no futuro do nosso mundo. \u00c8 importante que, no dia seguinte \u00e0 JMJ, lhe demos a palavra e a vez para poderem protagonizar a renova\u00e7\u00e3o da nossa Igreja t\u00e3o envelhecida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270870,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-296954","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=296954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296954\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=296954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=296954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=296954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}