{"id":296763,"date":"2023-09-11T09:48:53","date_gmt":"2023-09-11T08:48:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=296763"},"modified":"2023-09-10T16:50:17","modified_gmt":"2023-09-10T15:50:17","slug":"o-day-after-nao-tenhais-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-day-after-nao-tenhais-medo\/","title":{"rendered":"O \u201cDay after\u201d &#8211; \u00abN\u00e3o tenhais medo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-271042 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O \u201cDay after\u201d \u00e9 o \u201cdia depois\u201d. E o \u201cdia depois\u201d da Jornada Mundial da Juventude de 2023 [JMJ 2023] s\u00e3o dias, meses e anos. S\u00e3o o futuro. J\u00e1 foram proliferando por a\u00ed textos, e bons textos, sobre o problema do \u201cdia depois\u201d. Melhor: sobre a problem\u00e1tica, porque mais do que um problema estaremos perante uma problem\u00e1tica, um n\u00f3 de problemas de supera\u00e7\u00e3o pouco f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Lisboa, \u00ab<em>cidade do encontro que abra\u00e7a v\u00e1rios povos e culturas<\/em>\u00bb, \u00ab<em>cidade do oceano<\/em>\u00bb a lembrar \u00ab<em>a import\u00e2ncia de conceber as fronteiras, n\u00e3o como limites que separam, mas como zonas de contacto<\/em>\u00bb, transformou-se em \u00ab<em>capital do mundo<\/em>\u00bb, \u00ab<em>capital do futuro<\/em>\u00bb e \u00ab<em>cidade da esperan\u00e7a<\/em>\u00bb, nas palavras do Papa Francisco no Centro Cultural de Bel\u00e9m no encontro com as Autoridades, a Sociedade Civil e o Corpo Diplom\u00e1tico, no dia 2 de Agosto, num discurso cheio de refer\u00eancias a figuras marcantes da nossa cultura, de Lu\u00eds de Cam\u00f5es a Jos\u00e9 Saramago. E os ouvintes aplaudiram. Certamente cada um com as suas raz\u00f5es \u00edntimas, mas a verdade \u00e9 que aplaudiram. Por cortesia ou por convic\u00e7\u00e3o, por patriotismo ou inspirados pela for\u00e7a da f\u00e9.<\/p>\n<p>As express\u00f5es \u00ab<em>capital do mundo<\/em>\u00bb, \u00ab<em>capital do futuro<\/em>\u00bb e \u00ab<em>cidade da esperan\u00e7a<\/em>\u00bb aplicadas a Lisboa, ditas no Centro Cultural de Bel\u00e9m, s\u00e3o bonitas de dizer, possuem sabor po\u00e9tico e s\u00e3o agrad\u00e1veis de ouvir, como ser\u00e1 agrad\u00e1vel um passeio de barco \u00ab<em>sem alf\u00e2ndega<\/em>\u00bb nas \u00e1guas tranquilas do Tejo de que se alimentaram as musas de Cam\u00f5es. Elas apontam para uma pauta onde se encontra escrita a m\u00fasica de futuro. E \u00ab<em>todos, todos, todos<\/em>\u00bb s\u00e3o convidados l\u00ea-la, a interpret\u00e1-la e a execut\u00e1-la com o discernimento que a f\u00e9 sincera inspira. Cada um como \u00e9 e com elementos instrumentais emergentes, consciente de que o caminho \u00e9 orquestral que continuamente exige exerc\u00edcio e ensaios at\u00e9 ao concerto final.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do m\u00eas de Agosto h\u00e1 um intemporal \u201cday after\u201d, instrumentos a criar e exercitar e uma orquestra que importa afinar e potenciar. Sem medo, diz, reiteradamente, o mensageiro vestido de branco vindo de Roma nas asas mec\u00e2nicas de um avi\u00e3o trazendo com ele outras asas, asas brancas como as dos anjos para ensinar a voar. O incita o voo, sem medo.<\/p>\n<p>\u00c9 com o \u00ab<em>N\u00e3o tenhais medo<\/em>\u00bb que o Papa Francisco termina as quatro interven\u00e7\u00f5es realizadas perante aqueles milhares de jovens. No Parque Eduardo VII s\u00e3o os discursos pronunciados na cerim\u00f3nia de acolhimento e na Via-Sacra com os jovens; no Parque do Tejo \u00e9 o discurso da Vig\u00edlia com os jovens e a homilia da Santa Missa. Sempre o Papa Francisco termina com o apelo reiterado: \u00ab<em>N\u00e3o tenhais medo<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Na Universidade Cat\u00f3lica, desafiando os ouvintes a \u00ab<em>procurar e arriscar<\/em>\u00bb, afirma que \u00ab<em>N\u00e3o devemos ter medo de nos sentir inquietos<\/em>\u00bb para logo a seguir acrescentar: \u00ab<em>tende a coragem de substituir os medos pelos sonhos: substitu\u00ed os medos pelos sonhos, n\u00e3o sejais administradores de medos, mas empreendedores de sonhos!<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 nas mensagens dirigidas aos jovens. Na homilia feita no Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, nas v\u00e9speras cantadas com os Bispos, os Sacerdotes, os Di\u00e1conos, os Consagrados, as Consagradas, os Seminaristas e os Agentes de Pastoral, o Papa Francisco utiliza por quatro vezes a express\u00e3o \u00ab<em>N\u00e3o tenhais medo<\/em>\u00bb. Portanto o apelo para que se afaste o medo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dirigido aos jovens entusiastas ali presentes, acompanhados com bispos e sacerdotes dos seus pa\u00edses. \u00c9 dirigido a toda a Igreja.<\/p>\n<p>\u00abMedo\u00bb \u00e9 uma das palavras mais vezes repetidas pelo Santo Padre, desde o primeiro ao \u00faltimo dia. Porque ser\u00e1?<\/p>\n<p>Pensando bem, n\u00e3o faltar\u00e3o raz\u00f5es naturais para se ter medo, neste mundo perigoso e de incerteza onde n\u00e3o faltam perigos e amea\u00e7as, mundiais, regionais, nacionais e locais. E j\u00e1 de pouco ou nada serve dizer que as crises, econ\u00f3micas, pol\u00edticas, morais e religiosas sempre existiram e que fazem parte do desenvolvimento da Humanidade. Agravadas com a mundializa\u00e7\u00e3o. agora espreita o medo da guerra, como espreitam o medo de colapso clim\u00e1tico, o medo das migra\u00e7\u00f5es e o medo da intelig\u00eancia artificial; espreita o medo do desemprego e da habita\u00e7\u00e3o condigna, como espreita o medo das epidemias e o medo da subnutri\u00e7\u00e3o e da fome, como espreita o medo de gerar filhos. O medo. Ele parece disseminar-se como pandemia incontrol\u00e1vel, sendo que em muitas regi\u00f5es do mundo parece fazer j\u00e1 parte do ar que se respira.<\/p>\n<p>Como teriam ouvido o grito \u00ab<em>n\u00e3o tenhais medo<\/em>\u00bb, tantas vezes repetido pelo Papa Francisco, aqueles jovens, sacerdotes e bispos provenientes de pa\u00edses em guerra ou onde o Cristianismo \u00e9 mal tolerado se \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 mesmo perseguido? Corajosamente e com a for\u00e7a da f\u00e9 que os trouxe a Lisboa, ter\u00e3o batido palmas ao homem vestido de branco e de caridade que incita \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do futuro com esperan\u00e7a, mas dos seus olhos ter\u00e3o corrido l\u00e1grimas amargas choradas tamb\u00e9m, l\u00e1 longe, no interior das suas comunidades. Para estes crentes com terr\u00edveis problemas nos seus pa\u00edses, Lisboa, \u00ab<em>capital do mundo<\/em>\u00bb a \u00ab<em>capital do futuro<\/em>\u00bb e \u00ab<em>cidade da esperan\u00e7a<\/em>\u00bb, poder\u00e1 ter sido tamb\u00e9m a capital da fortifica\u00e7\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p>Num mundo incerto nada parece certo. Ser\u00e1 certo, todavia, o aparecimento de profetas da desgra\u00e7a a recorrerem a t\u00e1cticas do medo explorando at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o a fragilidade dos humanos. E eles andam por a\u00ed. Na pol\u00edtica e tamb\u00e9m na comunidade dos crentes. E na Igreja. Porque tamb\u00e9m h\u00e1 possibilidade de medos em comunidades crist\u00e3s e tamb\u00e9m andam por a\u00ed profetas da desgra\u00e7a a anunciar cat\u00e1strofes para a Igreja que se encontra a caminho, e em for\u00e7a, com o aproximar da abertura da sess\u00e3o sinodal marcada para 4 de Outubro. Porque, todos o vamos sabendo, h\u00e1 sectores na Igreja que t\u00eam visto o processo sinodal lan\u00e7ado pelo Papa Francisco como uma s\u00e9ria amea\u00e7a para a vida da Igreja.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderei saber com certeza, mas creio que aquele grito papal \u00ab<em>n\u00e3o tenhais medo<\/em>\u00bb, tantas vezes repetido e conjugado com aquele vincado \u00ab<em>todos, todos, todos<\/em>\u00bb, ser\u00e1 uma express\u00e3o da import\u00e2ncia de redescobrir, com f\u00e9 e esperan\u00e7a, a sinodalidade da Igreja nos tempos incertos que vivemos onde n\u00e3o faltam raz\u00f5es para poss\u00edveis medos.<\/p>\n<p>Curiosamente, ou talvez n\u00e3o, das dez perguntas feitas ao Papa no dia 4 de Setembro quando regressava da viagem apost\u00f3lica \u00e0 Mong\u00f3lia, tr\u00eas foram sobre o S\u00ednodo. E fica a pergunta: curiosidade jornal\u00edstica ou preocupa\u00e7\u00f5es de outra ordem? Deixo ao leitor algumas das frases pronunciadas por Francisco no interior do avi\u00e3o: \u00ab<em>o S\u00ednodo \u00e9 di\u00e1logo, entre os batizados, entre os membros da Igreja, sobre a vida da Igreja, sobre o di\u00e1logo com o mundo, sobre os problemas que afetam a humanidade hoje<\/em>\u00bb. E, de modo mais radical acrescenta: \u00ab<em>quando se pensa em seguir um caminho ideol\u00f3gico, o S\u00ednodo termina<\/em>.\u00bb N\u00e3o &#8211; todos os sabemos \u2013 o Cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma ideologia, mas as ideologias, como sempre, n\u00e3o deixar\u00e3o de o pressionar. Particularmente quando se adensa o caminho sinodal.<\/p>\n<p>Termino por onde comecei. O \u201cDay after\u201d da Jornada Mundial da Juventude de 2023 [JMJ 2023] s\u00e3o dias, meses e anos. S\u00e3o promessa de futuro, exorcizando os medos e mobilizando di\u00e1logos de f\u00e9 e com f\u00e9.<\/p>\n<p>Guarda, 7 de Setembro de 2023<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/p>\n<p>morgado.salvado@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-296763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=296763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296763\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=296763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=296763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=296763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}