{"id":296756,"date":"2023-09-10T16:44:04","date_gmt":"2023-09-10T15:44:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=296756"},"modified":"2023-09-10T16:44:04","modified_gmt":"2023-09-10T15:44:04","slug":"a-diferenca-so-pode-estar-nas-aguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-diferenca-so-pode-estar-nas-aguas\/","title":{"rendered":"A diferen\u00e7a s\u00f3 pode estar nas \u00e1guas\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-size: medium;\"><i>Lu\u00edsa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/i><\/span><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-270501 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Como vos disse no m\u00eas passado, sabia que adiar o tema que queria trazer a reflex\u00e3o n\u00e3o seria um problema, porque o problema continua a existir.<\/p>\n<p>E se h\u00e1 temas que eu gostava de ver banidos, mas que, infelizmente, continuam a ser uma realidade que n\u00e3o podemos ignorar, sob pena de se tornarem cada vez mais banais aos olhos do mundo, este \u00e9 um deles.<\/p>\n<p>O Papa assinalou, a 8 de julho deste ano, o 10.\u00ba anivers\u00e1rio da sua visita a Lampedusa, primeira viagem do seu pontificado, evocando o \u201cgrito doloroso e ensurdecedor\u201d das trag\u00e9dias que continuam a vitimar migrantes e refugiados no Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>O texto, divulgado ent\u00e3o pelo Vaticano, lamentava \u201ca morte de inocentes, principalmente crian\u00e7as, em busca de uma exist\u00eancia mais pac\u00edfica, longe das guerras e da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um grito doloroso e ensurdecedor que n\u00e3o nos pode deixar indiferentes. \u00c9 a vergonha de uma sociedade que j\u00e1 n\u00e3o sabe chorar e compadecer-se com o outro\u201d, dizia o Papa, refor\u00e7ando algumas das mensagens deixadas em 2013.<\/p>\n<p>Francisco apelava a uma mudan\u00e7a de atitude, em que as comunidades cat\u00f3licas resistissem \u201cao medo e \u00e0 l\u00f3gica partid\u00e1ria\u201d, para \u201cfecundar esta ilha, situada no cora\u00e7\u00e3o do \u2018Mare Nostrum\u2019, com as riquezas espirituais do Evangelho, para que volte a brilhar na sua beleza original\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNeste mundo da globaliza\u00e7\u00e3o, ca\u00edmos na globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, n\u00e3o nos diz respeito, n\u00e3o nos interessa, n\u00e3o \u00e9 responsabilidade nossa\u201d,\u00a0dizia ainda\u00a0o sucessor de Pedro, na primeira visita.<\/p>\n<p>Dez anos depois, lamento dizer, nada mudou! Inocentes continuam a morrer, continuamos a n\u00e3o ter vergonha e a indiferen\u00e7a aumentou exponencialmente.<\/p>\n<p>N\u00fameros do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) dizem que 11 crian\u00e7as morrem ou desaparecem todas as semanas enquanto procuram seguran\u00e7a, paz e melhores oportunidades. At\u00e9 14 de julho deste ano teriam j\u00e1 perdido a vida 300 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Por elas, nada se fez e nada se faz de extraordin\u00e1rio. A sua vida, depreendo, vale muito menos do que, por exemplo, a daqueles milion\u00e1rios que, de livre e espont\u00e2nea vontade, se enfiaram numa esp\u00e9cie de submarino para ir ver o que restava do Titanic.<\/p>\n<p>Por eles ainda houve buscas, ainda se empenharam vidas e meios financeiros consider\u00e1veis.<\/p>\n<p>A guarda costeira norte-americana at\u00e9 lan\u00e7ou uma investiga\u00e7\u00e3o para determinar as causas do desastre que vitimou a tripula\u00e7\u00e3o do submers\u00edvel. O objetivo, dizem, era descobrir a causa da implos\u00e3o e criar recomenda\u00e7\u00f5es para prevenir futuras trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>E eu pergunto: e quem morre no mediterr\u00e2neo, n\u00e3o tem direito a buscas e a investiga\u00e7\u00f5es? Ser\u00e1 que estas vidas valem menos que as dos senhores que foram dar um passeio que correu mal?<\/p>\n<p>Os migrantes n\u00e3o v\u00eam a passeio, \u00e9 um facto, as \u00e1guas que lhes ceifam a vida tamb\u00e9m s\u00e3o outras. Sabemos tudo isso! Mas o que n\u00e3o podemos permitir \u00e9 que haja vidas de primeira e vidas de segunda\u2026<\/p>\n<p>A dias de se assinalar mais um Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (24 de setembro), com o Papa a colocar a t\u00f3nica da sua mensagem na Liberdade de escolher se migrar ou ficar, mais do que uma ocasi\u00e3o para exprimir preocupa\u00e7\u00e3o pela diversidade de pessoas vulner\u00e1veis que se deslocam; para rezar por elas; e para aumentar a sensibiliza\u00e7\u00e3o acerca das oportunidades proporcionadas pelas migra\u00e7\u00f5es, acho que seria tempo de olhar para o ser humano. Assim e s\u00f3: o humano. Aquele ser de carne e osso como n\u00f3s e de pensar o que far\u00edamos e quer\u00edamos se estiv\u00e9ssemos no seu lugar.<\/p>\n<p>Se houvesse mais essa coisa da empatia, que de acordo com o dicion\u00e1rio \u00e9 a \u201ccapacidade de sentir o que uma outra pessoa sente caso estivesse na mesma situa\u00e7\u00e3o vivenciada por ela\u201d, n\u00e3o tenho d\u00favidas que tudo seria diferente e as vidas valeriam o mesmo em qualquer parte do mundo. Infelizmente, ainda n\u00e3o valem. E ainda morre gente no mar errado!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-296756","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=296756"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296756\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=296756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=296756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=296756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}