{"id":29665,"date":"2008-01-29T12:24:52","date_gmt":"2008-01-29T12:24:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/01\/29\/o-estado-e-nos\/"},"modified":"2008-01-29T12:24:52","modified_gmt":"2008-01-29T12:24:52","slug":"o-estado-e-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-estado-e-nos\/","title":{"rendered":"O Estado e n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>Zita Seabra <!--more--> H\u00e1 dias, olhando distraidamente para o notici\u00e1rio de uma televis\u00e3o, deparei com uma estranha not\u00edcia: um senhor, idoso, doente, teve alta de um hospital. Seguiu de t\u00e1xi para casa. N\u00e3o recordo o local onde tudo aconteceu, mas era no interior Norte. Seguiu de t\u00e1xi para casa. O motorista de t\u00e1xi indignou-se porque ele teve alta do hospital e mandaram-no nu, apenas coberto com um len\u00e7ol, no frio destes dias de Inverno. A mulher, idosa tamb\u00e9m vestiu-lhe o que p\u00f4de &#8211; o seu pr\u00f3prio casaco de malha. E assim seguiram e assim chegaram \u00e0 terra onde viviam e ao bairro, um bairro que se indignou quando viu o senhor chegar assim, no t\u00e1xi. Ficaram t\u00e3o chocados que chamaram um canal de televis\u00e3o para denunciar o caso e tentar evitar que outras situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas se verifiquem. O pior de tudo, o mais amargo, \u00e9 o sentimento de humilha\u00e7\u00e3o por que as pessoas passam em momentos dram\u00e1ticos das suas vidas. E a humilha\u00e7\u00e3o pesa mais com os anos e com a doen\u00e7a, e com a impossibilidade que a doen\u00e7a e a idade nos trazem de gritar por ajuda ou gritar contra a injusti\u00e7a. H\u00e1 uns anos, estava eu a assistir a um familiar num grande hospital da zona de Lisboa, passou-se um caso muito semelhante e do qual me recordei ao ver aquelas imagens. Uma senhora que vivia s\u00f3 e estava internada teve um dia alta e n\u00e3o tinha roupa para vestir. Uma vizinha tinha-lhe levado a roupa para lavar e ainda n\u00e3o voltara ao hospital para lha devolver. Que fazer? \u00c9 sabido que nos hospitais quando h\u00e1 alta, h\u00e1 alta, e alta \u00e9 ordem para sair imediatamente do hospital, pois a cama faz falta a outro doente. A alta \u00e9 aquele momento por que quase todos esperam ansiosamente para se verem livres do hospital, \u00e9 na imensa maioria dos casos uma enorme alegria. Mas \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 assim. H\u00e1 problemas humanos tais que sair \u00e9 um drama a acrescentar ao tempo l\u00e1 passado. Neste caso, da senhora no hospital de Lisboa, o assunto resolveu-se de forma humana e digna. Perante a situa\u00e7\u00e3o, e o facto, mais que justo e leg\u00edtimo, de a senhora se recusar ir no t\u00e1xi apenas com a bata do hospital, os enfermeiros e m\u00e9dicos do servi\u00e7o chamaram o capel\u00e3o que chamou as volunt\u00e1rias que fazem servi\u00e7o no hospital e o assunto foi imediatamente resolvido. A senhora seguiu vestida, no t\u00e1xi, para casa. No entanto, todos sabemos que t\u00e3o importante como a sa\u00fade das pessoas e a efic\u00e1cia dos tratamentos m\u00e9dicos, dos medicamentos, das cirurgias, \u00e9 a humanidade com que se tratam as pessoas. Eu n\u00e3o duvido que o procedimento do hospital deve ser absolutamente legal e conforme as normas. Que tem o hospital a ver com o facto de o doente que tem alta ter ou n\u00e3o roupa para sair? O facto \u00e9 que dia-a-dia se dificulta mais o voluntariado e a presen\u00e7a de capel\u00e3es nos hospitais, ambos fundamentais \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de sofrimento e de dor. Em nome das regras e da efic\u00e1cia. \u00c9 assim quando o Estado cria regras e normas, considerando que pode com regras e normas substituir-se ao relacionamento humano e solid\u00e1rio. Ah! J\u00e1 me esquecia de dizer que a not\u00edcia terminava n\u00e3o com a entrevista do motorista de t\u00e1xi ou dos vizinhos, mas dizendo que o senhor chegou a casa e morreu. Sabe-se l\u00e1 se da doen\u00e7a ou da vergonha ou de pena de quem (n\u00f3s) lhe fez isto. <i>Zita Seabra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zita Seabra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[329],"class_list":["post-29665","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}