{"id":296190,"date":"2023-09-03T17:02:05","date_gmt":"2023-09-03T16:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=296190"},"modified":"2023-09-03T17:02:05","modified_gmt":"2023-09-03T16:02:05","slug":"todos-todos-todos-como","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/todos-todos-todos-como\/","title":{"rendered":"\u201cTodos, todos, todos\u201d. Como?"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270080 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>J\u00e1 l\u00e1 vai um m\u00eas sobre aquele \u201cTodos, todos, todos\u201d, dito pelo Papa Francisco e repetido pela multid\u00e3o de jovens, na Colina do Encontro \/ Parque Eduardo VII. A mesma ideia, a de uma inclus\u00e3o eclesial que desafia os crit\u00e9rios tradicionais, tinha estado presente nas v\u00e9speras com clero e agentes pastorais, no dia 2 de agosto, no Mosteiro dos Jer\u00f3nimos (a palavra \u201ctodos\u201d \u00e9 dita 32 vezes, muito concentradas em dois par\u00e1grafos) e estaria no encontro de F\u00e1tima, no dia 5 de agosto. A JMJ de Lisboa, no seu todo, foi a JMJ de e do \u201ctodos\u201d.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, que o \u201ctodos\u201d a que Francisco de refere, e que \u00e9 uma concretiza\u00e7\u00e3o do \u201cide por todo o mundo\u201d, \u201canunciai a todos os povos\u201d, representa um certo modo de ser Igreja entre outros poss\u00edveis. E entre os v\u00e1rios modos de ser Igreja h\u00e1 algumas tens\u00f5es.<\/p>\n<p>O antigo geral dos dominicanos, Timothy Radcliffe, no muito \u00fatil e bem-disposto livro \u201cSer crist\u00e3o para qu\u00ea?\u201d (Ed. Paulinas) fala de Cat\u00f3licos do Reino e Cat\u00f3licos da Comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>O Papa Francisco parece-me ser claramente um Cat\u00f3lico do Reino porque, e agora seguem-se express\u00f5es do livro, os Cat\u00f3licos do Reino veem a Igreja como povo de Deus em peregrina\u00e7\u00e3o para o Reino, consideram que n\u00e3o h\u00e1 Revela\u00e7\u00e3o nem verdade sem liberdade, centram-se na pr\u00e1xis e na experi\u00eancia, veem Cristo como Aquele que derruba fronteiras, d\u00e3o mais destaque ao \u201csangue derramado pela multid\u00e3o\u201d, \u201cpor todos\u201d. Os Cat\u00f3licos do Reino, diz Radcliffe, t\u00eam como lema \u201cubi Christus, ibi ecclesia\u201d, onde est\u00e1 Cristo, a\u00ed est\u00e1 a Igreja. Perguntam com frequ\u00eancia \u201c\u00e9 aberto (a doutrina, a moral\u2026)?\u201d e pensam (erradamente) que os Cat\u00f3licos da Comunh\u00e3o s\u00e3o uns saudosistas do passado.<\/p>\n<p>Os Cat\u00f3licos da Comunh\u00e3o veem-se como membros da institui\u00e7\u00e3o Igreja, que \u00e9 a Comunh\u00e3o dos Crentes. Consideram que a verdade e a beleza t\u00eam autoridade para atrair as pessoas e, na sequ\u00eancia, acham que \u00e9 preciso reagrupar for\u00e7as. Centram-se na liturgia e na adora\u00e7\u00e3o. Veem Cristo como Aquele que congrega a comunidade e d\u00e3o mais destaque ao \u201cp\u00e3o dado aos disc\u00edpulos\u201d e ao \u201csangue derramado por v\u00f3s\u201d. Para os Cat\u00f3licos da Comunh\u00e3o, \u201cubi ecclesia, ibi Christus\u201d, onde est\u00e1 a Igreja, a\u00ed est\u00e1 Cristo. Perguntam \u201c\u00e9 seguro (a doutrina, a moral\u2026)?\u201d e pensam (erradamente) que os Cat\u00f3licos do Reino sucumbiram \u00e0 cultura \u2013 ou ditadura \u2013 do relativismo.<\/p>\n<p>As classifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre deficientes. Ou insuficientes. Mas, se nos ajudarem a pensar as tens\u00f5es que realmente existem, s\u00e3o \u00fateis.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ser especialmente perspicaz para perceber que h\u00e1 grupos de cat\u00f3licos que n\u00e3o apreciam o Papa Francisco &#8211; ele pr\u00f3prio j\u00e1 falou disso aos jornalistas \u2013 e que t\u00eam caracter\u00edsticas dos Cat\u00f3licos da Comunh\u00e3o. E muitos deles t\u00eam saudades de Bento XVI.<\/p>\n<p>Como forma de ultrapassar as polariza\u00e7\u00f5es entre Cat\u00f3licos da Comunh\u00e3o e Cat\u00f3licos do Reino, Timothy Radcliffe prop\u00f5e algumas medidas em &#8220;A cria\u00e7\u00e3o de pandas&#8221;. O cap\u00edtulo chama-se assim porque se trata de coisas delicadas e que levam o seu tempo. S\u00e3o basicamente quatro as medidas que o dominicano prop\u00f5e: Alegria perante a diferen\u00e7a; ultrapassar o medo; encontrar lugares para falar; e novas lideran\u00e7as crist\u00e3s.<\/p>\n<p>Duas destas medidas s\u00e3o muito do agrado do atual Papa. Primeiro, \u201cultrapassar o medo\u201d. Foi tema da missa final da JMJ. \u201cN\u00e3o tenhais medo\u201d, disse aos jovens. A afirma\u00e7\u00e3o de Timothy Radcliffe vai noutro sentido, mas trata-se igualmente de induzir confian\u00e7a, n\u00e3o aos jovens, mas aos te\u00f3logos: \u201c\u00c9 da responsabilidade da ortodoxia n\u00e3o deixar que o p\u00e2nico suprima a reflex\u00e3o, ter a coragem de impedir condena\u00e7\u00f5es prematuras e assegurar que lhe damos o tempo necess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Depois, os \u201clugares para falar\u201d. Poder\u00edamos chamar a esta medida \u201csinodalidade\u201d. \u201cPrecisamos de lugares onde se possa falar sem medo e sem preconceitos. Podemos ter necessidade de nos zangarmos uns com os outros e ainda haver tempo para nos reconciliarmos\u201d. \u201cPrecisamos tamb\u00e9m de muitas pequenas iniciativas a n\u00edvel diocesano e paroquial. (\u2026) Precisamos de muitas mais que abram espa\u00e7os e lugares nos quais possamos falar livremente com os que s\u00e3o diferentes e sermos f\u00e9rteis. Precisamos de criatividade institucional\u201d, escreve Radcliffe. \u00c9 inevit\u00e1vel pensar no S\u00ednodo sobre a sinodalidade, que ter\u00e1 uma primeira parte no pr\u00f3ximo m\u00eas. \u00c9 por l\u00e1 que vai passar muito, talvez tudo, do \u201ctodos, todos, todos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":270080,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[170],"class_list":["post-296190","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=296190"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296190\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=296190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=296190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=296190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}