{"id":295410,"date":"2023-08-21T11:32:23","date_gmt":"2023-08-21T10:32:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=295410"},"modified":"2023-08-21T11:32:23","modified_gmt":"2023-08-21T10:32:23","slug":"ja-nao-importa-nada-ter-um-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ja-nao-importa-nada-ter-um-pai\/","title":{"rendered":"J\u00e1 n\u00e3o importa nada ter um Pai?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Foi not\u00edcia por estes dias que nasceu em Portugal o primeiro beb\u00e9 por insemina\u00e7\u00e3o p\u00f3s-morte do pai. Algumas pessoas exultaram com o feito, e quando nasce uma crian\u00e7a desejada e com sa\u00fade todos exultamos, certamente. Mas s\u00e3o muitas as perguntas e as d\u00favidas que estes procedimentos levantam, e vou faz\u00ea-lo como observador inquieto, sem a compet\u00eancia e o rigor que um moralista qualificado ou um erudito especialista das ci\u00eancias da vida tem.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, fomos acompanhando a luta de uma jovem mulher para poder engravidar do marido j\u00e1 falecido, inten\u00e7\u00e3o que, como se pode adivinhar, levantava muitas quest\u00f5es \u00e9ticas. O parlamento portugu\u00eas, sensibilizado com a quest\u00e3o, acabou por aprovar em 2021 a legisla\u00e7\u00e3o que permite a realiza\u00e7\u00e3o de tal prop\u00f3sito, desde que preenchidos alguns requisitos, aprovando uma procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida post-mortem (depois da morte do companheiro ou marido). Uma mulher passou a poder engravidar do seu parceiro ou marido falecido.<\/p>\n<p>Os principais especialistas nestas mat\u00e9rias, como \u00e9 o caso do Conselho Nacional de \u00c9tica para as Ci\u00eancias da Vida, o Conselho Nacional de Procria\u00e7\u00e3o Medicamente Assistida, a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Fertilidade e o Conselho Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico, bem como m\u00e9dicos especialistas em Bio\u00e9tica, deram pareceres negativos quanto \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da lei, que se reveste de uma grande complexidade \u00e9tica. Foram emitidos dez pareceres desfavor\u00e1veis. E \u00e9 estranho verificar como, apesar desta unanimidade dos grandes peritos e autoridades no assunto, n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico parecer positivo, o legislador avan\u00e7ou com a proposta e aprova\u00e7\u00e3o da lei. \u00c9 lament\u00e1vel constatar que alguns partidos pol\u00edticos s\u00f3 veem fanaticamente a sua cartilha ideol\u00f3gica e deixaram de ter a mais elementar prud\u00eancia e virtuosa sensatez na aprova\u00e7\u00e3o das leis, ponderando a devida justi\u00e7a e retid\u00e3o, assim como todos os interesses e bens que est\u00e3o em jogo, que levianamente abordados, poder\u00e3o ter consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. Parece-me que \u00e9 do mais elementar bom senso o parlamento n\u00e3o andar ao sabor do sentimentalismo e da onda do momento, nem andar ao sabor de causas de duvidoso progresso humano e social, que nos poder\u00e3o arrastar para a confus\u00e3o e para grandes embrulhadas \u00e9ticas. E se o objetivo \u00e9 continuar a segurar a bandeira do progressismo ou at\u00e9 conquistar eleitorado, mais reprov\u00e1vel se torna.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o dos M\u00e9dicos Cat\u00f3licos Portugueses foi perent\u00f3ria: \u00abn\u00e3o nos \u00e9 alheia a dor experimentada por uma mulher com a morte do marido, bem como o seu desejo natural de ter dele um filho. Por\u00e9m, para responder a esta compreens\u00edvel, por\u00e9m, imposs\u00edvel vontade, este projeto de lei permite que uma crian\u00e7a seja artificialmente concebida, instrumentalizada, de forma a satisfazer-se um desejo de uma mulher adulta\u00bb.<\/p>\n<p>O mundo atual tem uma no\u00e7\u00e3o de felicidade que passa pela concretiza\u00e7\u00e3o de todos os sonhos e desejos, mas, na vida real, nem todos os sonhos e desejos s\u00e3o aceit\u00e1veis e se podem realizar, como \u00e9 este de querer ter um filho do companheiro j\u00e1 falecido. H\u00e1 desejos e sonhos que t\u00eam de morrer. Est\u00e1 em jogo outra vida humana, que tem a sua dignidade, e que, de forma premeditada, nunca vai ter e conhecer o pai. Penso que jamais algu\u00e9m deve ter o direito de tirar esse direito a outra pessoa, por muito rom\u00e2ntico e sentimental que seja o seu desejo. Uma crian\u00e7a n\u00e3o deve ser arrastada, quem sabe, para um luto mal gerido, ou ser instrumentalizada para se realizar egoisticamente um capricho ou uma obsess\u00e3o, ou prestar uma homenagem a um falecido. Tudo isto \u00e9 um atentado \u00e0 dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>Alguns poder\u00e3o argumentar que muitas crian\u00e7as n\u00e3o conheceram o pai e n\u00e3o deixam de ser crian\u00e7as ou adultos normais, outras at\u00e9 foram criadas pelos av\u00f3s ou pelos tios, ou at\u00e9 em casas de acolhimento, e n\u00e3o veio mal nenhum ao mundo, s\u00e3o pessoas perfeitamente normais e equilibradas como as outras. \u00c9 verdade. Mas isso s\u00e3o as circunst\u00e2ncias da vida, e o ser humano \u00e9 s\u00e1bio e criativo em arranjar solu\u00e7\u00f5es para agasalhar e proteger a vida. Outra coisa \u00e9 faz\u00ea-lo de forma premeditada. Um pai e uma m\u00e3e s\u00e3o duas figuras importantes no crescimento de uma pessoa humana. A ningu\u00e9m deveria ser tirado o direito de ter e conhecer o pai.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixa de espantar como \u00e9 que a suprema regra do superior interesse da crian\u00e7a, escrupulosamente respeitada e adorada nos atuais c\u00f3digos legislativos e nas contendas familiares e jur\u00eddicas, neste caso \u00e9 completamente desvalorizada. Achamos normal gerar uma crian\u00e7a a quem, de forma concertada, n\u00e3o vamos permitir ter e conhecer o pai? Achamos que isso n\u00e3o tem qualquer relev\u00e2ncia para o crescimento e estabilidade humana, afetiva e social da crian\u00e7a? N\u00e3o corremos o s\u00e9rio risco de estarmos a criar um fantasma que pode marcar indelevelmente a psicologia de uma pessoa humana e gerar um drama insuper\u00e1vel?<\/p>\n<p>E vejo com preocupa\u00e7\u00e3o o estilha\u00e7ar da fam\u00edlia tradicional, que ainda ningu\u00e9m provou n\u00e3o ser o melhor espa\u00e7o e ambiente para se crescer bem como pessoa humana, com um pai e uma m\u00e3e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[183],"class_list":["post-295410","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-vila-real"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=295410"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295410\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=295410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=295410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=295410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}