{"id":295400,"date":"2023-08-21T09:23:41","date_gmt":"2023-08-21T08:23:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=295400"},"modified":"2023-08-21T09:23:41","modified_gmt":"2023-08-21T08:23:41","slug":"a-missao-de-ser-ponte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-missao-de-ser-ponte\/","title":{"rendered":"A miss\u00e3o de ser ponte\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Ant\u00f3nio Luciano, Diocese de Viseu<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_107919\" aria-describedby=\"caption-attachment-107919\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-107919\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira2-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-107919\" class=\"wp-caption-text\">Foto Jornal A Guarda\/Francisco Barbeira, D. Ant\u00f3nio Luciano<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser ponte em constru\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 um desafio e um compromisso com a humanidade e a Igreja nos tempos em que vivemos.<\/p>\n<p>Ser ponte \u00e9 tomar consci\u00eancia de que para unir duas pessoas \u00e9 preciso tempo, vontade, amizade, convers\u00e3o, respeito m\u00fatuo, para criar uma rela\u00e7\u00e3o sadia e duradoira.<\/p>\n<p>Construir uma ponte onde quer que seja \u00e9 sempre um sinal de progresso, de desenvolvimento, meio de comunica\u00e7\u00e3o entre os povos, um elo de uni\u00e3o e liga\u00e7\u00e3o entre as duas margens dum rio, que presta um servi\u00e7o importante e \u00fatil\u00a0 a toda a comunidade.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma ponte tem sempre dos dois lados da margem e ao centro pilares bem alicer\u00e7ados onde assenta o tabuleiro, estrutura programada atrav\u00e9s de uma engenharia e arquitetura s\u00f3lida para ser lugar de passagem seguro e desempenhar a miss\u00e3o de aproximar e unir as pessoas.<\/p>\n<p>Como contava um barqueiro havia duas terras importantes em que as suas gentes viviam tristes porque estavam separadas por um grande rio que era dif\u00edcil de atravessar e \u00a0separava as pessoas.<\/p>\n<p>A travessia das pessoas e dos seus bens entre as duas margens era dif\u00edcil e feita com ajuda de alguns barcos fr\u00e1geis conduzidos pela ousadia destemida dos barqueiros. Muitos para alcan\u00e7arem a outra margem tinham de fazer a travessia de barco, ou percorrer longas dist\u00e2ncias de autom\u00f3vel atrav\u00e9s de uma longa estrada que demorava muitas horas a chegar ao destino.<\/p>\n<p>Durante muitos s\u00e9culos a comunica\u00e7\u00e3o de pessoas e de bens entre as duas povoa\u00e7\u00f5es tornou dif\u00edcil e perigosa por causa das correntes do rio.<\/p>\n<p>Um dia parou nas margens do rio um homem nobre e rico com o desejo de fazer neg\u00f3cios entre ambas as povoa\u00e7\u00f5es e de promover a proximidade e o bem-estar destas pessoas. Sentado na margem do rio, contemplava a outra povoa\u00e7\u00e3o com as suas gentes e teve um sonho, que partilhou com algumas crian\u00e7as e jovens que se refrescavam na margem do rio, observando os outros companheiros que do outro lado do rio faziam o mesmo. Sensibilizado por imagem, disse a si mesmo que tudo havia de fazer para ali ser constru\u00edda uma ponte.<\/p>\n<p>Um dia o sonho realizou-se e a ponte construiu-se, sinal de progresso civilizacional. A partir daquele dia aquelas duas povoa\u00e7\u00f5es tornaram-se uma s\u00f3 e cresceu o n\u00famero de crian\u00e7as, de jovens e de adultos que come\u00e7aram a atravessar felizes a sua ponte.<\/p>\n<p>A ponte nova fez aproximar as pessoas e promoveu os seus neg\u00f3cios, fizeram-se novas amizades, cresceu a alegria entre si, todos lucraram com o desenvolvimento que a constru\u00e7\u00e3o da ponte trouxe \u00e0s duas povoa\u00e7\u00f5es, que agora tinham orgulho da sua terra, da sua cidade e das suas gentes. Quiseram inaugurar a ponte e fazer festa a s\u00e9rio e pensaram dar-lhe um nome. Depois de algum tempo de discernimento por sugest\u00e3o das crian\u00e7as chamaram \u00e0quela ponte o lugar do \u201cencontro\u201d e da uni\u00e3o das duas povoa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A ponte do encontro dos povos \u00e9 motivo de festa e conv\u00edvio para as pessoas. As duas margens do rio uniram-se e a \u00e1gua que as separava continua a correr feliz e contente a caminho do mar. As fam\u00edlias num gesto simples de abra\u00e7o fraterno voltaram a encontrar-se e o acolhimento e a fraternidade, a solidariedade, nome dado aos pilares da ponte, que suportam o tabuleiro da \u201cponte da amizade\u201d cuja finalidade \u00e9 ser pisada e calcada pelas pessoas. A ponte criou riqueza, proximidade, cumpre a sua miss\u00e3o, que \u00e9 sinal de desenvolvimento e progresso, porque d\u00e1 passagem livre a ambos os povos, fazendo deles uma s\u00f3 comunidade.<\/p>\n<p>Quando a uni\u00e3o se torna for\u00e7a de fraternidade o esfor\u00e7o de criatividade leva os homens criar verdadeiras pontes de rela\u00e7\u00e3o, de unidade e de comunh\u00e3o. Estas duas povoa\u00e7\u00f5es ligadas pela simplicidade, humildade e fortaleza dos pilares de uma ponte que agora une as pessoas, passou a chamar-se a ponte do \u201cencontro e da amizade\u201d.<\/p>\n<p>Uma ponta \u00e9 uma obra de arquitetura e de engenharia, mas \u00e9 tamb\u00e9m um sonho, um elo de liga\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o entre as pessoas, duas margens e cruzamento de culturas e multid\u00f5es. Por baixo da ponte continua a correr de mansinho, como sempre a \u00e1gua do rio, cumprindo a sua miss\u00e3o at\u00e9 chegar \u00e0 imensid\u00e3o do mar.<\/p>\n<p>A ponte da \u201camizade\u201d tem nome e abra\u00e7a as pessoas das duas margens e das povoa\u00e7\u00f5es com humildade e simplicidade, cumpre a sua miss\u00e3o fundamental de ser lugar de encontro e de contempla\u00e7\u00e3o. As pontes devem estar bem assentes em suportes de pedra, de cimento, de ferro ou de madeira bem estruturadas em alicerces firmes e com seguran\u00e7a, pois s\u00f3 assim cumprem a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>A maior e melhor utilidade de uma ponte \u00e9 facilitar a comunica\u00e7\u00e3o entre ambas as margens, quer passagem de pessoas, quer transportes de passageiros e mercadorias.<\/p>\n<p>A ponte \u00e9 um bem comum para unir e por isso deve cumprir a sua miss\u00e3o, que passa por ser bem calcada e pisada pelos p\u00e9s das pessoas que t\u00eam de a atravessar diariamente no cumprimento do seu dever. Miss\u00e3o bela e necess\u00e1ria hoje, a de querer ser ponte.<\/p>\n<p>Felizes de n\u00f3s quando somos pontes calcadas pelo andar das pessoas, pelas suas preocupa\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as, mesmo quando as pontes t\u00eam que deixar passar cargas pesadas e desagrad\u00e1veis, ou mesmo aqueles que diziam que n\u00e3o eram necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Eu gosto muitas vezes de comparar a vida a uma ponte, fico triste mesmo quando sem desejar, posso ser um muro que separa e divide. Caiam os muros e construam-se pontes com nome ou sem nome. Sejamos todos construtores de pontes de uni\u00e3o, de di\u00e1logo e de encontro entre todos os seres humanos.<\/p>\n<p>Deixemo-nos de ilus\u00f5es e fantasias e coloquemos os nossos esfor\u00e7os em derrubar muros e construir pontes de comunh\u00e3o, de solidariedade e de unidade t\u00e3o precisas no mundo em que vivemos.<\/p>\n<p>Hoje com sentido est\u00e9tico e de respeito pela pegada ecol\u00f3gica em muitas regi\u00f5es de norte ao sul do pa\u00eds criaram-se v\u00e1rios passadi\u00e7os, como espa\u00e7os tur\u00edsticos e forma de contemplar a natureza e ultrapassar as margens dos rios. Cuidemos da \u201cCasa Comum\u201d, sejamos pontes de uni\u00e3o e deixemos que elas cumprem bem a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Viseu, 20 de agosto 2023<\/p>\n<p><em>\u2020<\/em><em> Ant\u00f3nio Luciano,<br \/>\nBispo de Viseu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Luciano, Diocese de Viseu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":107919,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[184],"class_list":["post-295400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-viseu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295400","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=295400"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295400\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107919"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=295400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=295400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=295400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}