{"id":295220,"date":"2023-08-30T09:00:15","date_gmt":"2023-08-30T08:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=295220"},"modified":"2023-09-02T00:32:58","modified_gmt":"2023-09-01T23:32:58","slug":"paz-joana-bacelar-virgy-viajou-por-75-paises-e-em-todos-consolidou-a-certeza-as-pessoas-sao-boas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/paz-joana-bacelar-virgy-viajou-por-75-paises-e-em-todos-consolidou-a-certeza-as-pessoas-sao-boas\/","title":{"rendered":"Paz: Joana Bacelar Virgy viajou por 75 pa\u00edses e em todos consolidou a certeza &#8211; \u00abAs pessoas s\u00e3o boas\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Da fam\u00edlia libanesa que plantava droga, do \u00f3dio entre israelitas e palestinos que \u00abnunca se conheceram\u00bb, das ora\u00e7\u00f5es da P\u00e1scoa partilhadas\u00a0na mesquita e na igreja, na Tun\u00edsia, esta jovem de 29 anos guarda a certeza que \u00e9 preciso ir conhecer onde assentam os sapatos das pessoas<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_290416\" aria-describedby=\"caption-attachment-290416\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/joana-bacelar-virgy1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-290416 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/joana-bacelar-virgy1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/joana-bacelar-virgy1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/joana-bacelar-virgy1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/joana-bacelar-virgy1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/joana-bacelar-virgy1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/joana-bacelar-virgy1-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-290416\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/HM<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 30 ago 2023 (Ecclesia) \u2013 Joana Bacelar Virgy, respons\u00e1vel por um programa que junta estudantes universit\u00e1rios empreendedores, afirma que as pessoas, \u201cna sua natureza\u201d s\u00e3o boas e de todas as que conheceu nos 75 pa\u00edses por onde viajou, \u201cningu\u00e9m quer a guerra\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTodos querem uma coisa: paz. N\u00e3o acredito que algum ser humano queira a guerra. Sejamos cat\u00f3licos, protestantes, budistas, mu\u00e7ulmanos ou sem religi\u00e3o &#8211; todos querem a paz. O ser humano \u00e9 isso. Existem depois alguns que acham que vale a pena fazer a guerra para n\u00e3o existirem outras, mas os seres humanos s\u00e3o bons por natureza. A sociedade corro\u00ed-nos e as experi\u00eancias que acumulamos t\u00eam impacto na nossa vida, mas aqui, no Afeganist\u00e3o, Austr\u00e1lia, Botswana, Bangladesh, todos queremos a paz\u201d, afirma \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e o mestrado em Desenvolvimento e Coopera\u00e7\u00e3o Internacional deram a Joana a estrutura que precisava, mas faltava-lhe um lado \u201cmais pr\u00e1tico\u201d; por isso, cedo, procurou viajar e ir em busca das pessoas que lhe dessem mundo.<\/p>\n<p>\u201cForam v\u00e1rias experi\u00eancias fant\u00e1sticas, iniciadas com o programa Erasmus na Alemanha, onde vivi com duas colegas italianas, onde aprendi imenso. Quando terminei o curso estive um ano na Su\u00e9cia, a fazer voluntariado com jovens que n\u00e3o trabalhavam nem estudavam e precisavam de apoio &#8211; usei muito o que aprendi nos escuteiros com o objetivo de se sentirem mais \u00fateis na sociedade. Depois candidatei-me a um est\u00e1gio no Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros e estive um ano na R\u00fassia a trabalhar na sec\u00e7\u00e3o consular\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Desse ano, Joana afirma n\u00e3o se arrepender, mas reconhece que n\u00e3o pretende voltar: \u201cAqui percebi que vivia numa bolha europeia. Abriu-me a portas para ir a outros pa\u00edses dessa geografia. Estive no Uzbequist\u00e3o, Tajiquist\u00e3o, no Quirguist\u00e3o, uma das primeiras viagens que fiz para um mundo mais distante do meu\u201d.<\/p>\n<p>As suas viagens s\u00e3o marcadas pelos rostos e pelas hist\u00f3rias que guarda, sempre com a marca da generosidade e da bondade que encontra em desconhecidos.<\/p>\n<blockquote><p>Fiquei em casas de pessoas que desconhecia em todos estes pa\u00edses. As pessoas ajudaram-me muito. Lembro-me de estar no aeroporto no Uzbequist\u00e3o, e n\u00e3o tinha dinheiro porque me tinha esquecido de levantar. Conheci no avi\u00e3o um rapaz que me ofereceu boleia e de repente j\u00e1 estava em casa da tia, a dormir\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Tamb\u00e9m na Tun\u00edsia, \u201cum pa\u00eds vizinho mas t\u00e3o distante ao mesmo tempo\u201d, conheceu Mariam, uma jovem, em tudo igual a Joana, com quem passou uma P\u00e1scoa e rezou.<\/p>\n<p>\u201cA Mariam era uma rapariga igual a mim mas sem a oportunidade de estudar; teve de ir trabalhar para juntar dinheiro para poder estudar, e os pais queriam cas\u00e1-la com o primo. E isto \u00e9 algo normal para o seu contexto, para o meu n\u00e3o. Passado uns anos, ela entrou em contacto comigo a dizer que estava triste porque os pais queriam cas\u00e1-la e ela queria casar por amor \u2013 mais um dado adquirido na minha vida. Pediu-me 100 euros para poder sair do pa\u00eds. Ela conseguiu ir estudar para a Alemanha, est\u00e1 casada na Turquia, e eu penso como 100 euros podem fazer a diferen\u00e7a\u201d, conta.<\/p>\n<p>O Afeganist\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds que gostaria ainda de conhecer, em especial, as mulheres \u2013 \u201cconhecer rostos, o pa\u00eds rico, com paisagens maravilhosas, excelente comida, mas com muita tristeza por n\u00e3o ter os mesmos direitos fundamentais\u201d que Joana assume ter como garantidos.<\/p>\n<p>Sem medo de ir a pa\u00edses em conflito, esta jovem, de 29 anos, quer conhecer raz\u00f5es \u201cnos dois lados das fronteiras\u201d, por isso quando foi a Israel n\u00e3o hesitou em ir \u00e0 Palestina.<\/p>\n<blockquote><p>Encontrei pessoas zangadas umas com as outras, mas pessoas que nunca se conheceram. As suas fam\u00edlias tiveram bombas em casa, e estas pessoas nascem, \u00e0 partida, a odiarem-se mutuamente, sem a possibilidade de se conhecerem, e perceber que somos todos seres humanos. A minha bolha n\u00e3o me mostrava que as pessoas podem j\u00e1 nascer com \u00f3dio\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>No L\u00edbano, esteve em casa de uma fam\u00edlia \u2013 \u201cc\u00e1 considerar\u00edamos ser uma fam\u00edlia terrorista por serem filiados no Hezbollah\u201d, mas Joana quis perceber o que sentiam: \u201cEsta fam\u00edlia tinha sido bombardeada, ficaram sem nada e eu percebo o sentimento de algu\u00e9m que nasce e lhes \u00e9 tirada parte da fam\u00edlia \u2013 porque morreu \u2013 perdem a casa, e tudo o que a fam\u00edlia construiu. Para mim foi importante perceber o outro lado. Nesse local, onde nem a pol\u00edcia entrava, ele cultivavam droga. Para mim n\u00e3o faz sentido na minha cabe\u00e7a e contexto. Explicaram-me que ali s\u00f3 duas coisas cresciam na terra: ou droga ou ma\u00e7as e fruta n\u00e3o lhe d\u00e1 de comer. Para mim, claro que h\u00e1 outras solu\u00e7\u00f5es, que passam pela aposta na educa\u00e7\u00e3o, mas o mundo n\u00e3o \u00e9 a preto e branco\u201d.<\/p>\n<p>A conversa com Joana Bacelar Virgy pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA na Antena 1, pouco depois da meia-noite, e fica despois dispon\u00edvel no portal da Ag\u00eancia ECCLESIA e no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da fam\u00edlia libanesa que plantava droga, do \u00f3dio entre israelitas e palestinos que \u00abnunca se conheceram\u00bb, das ora\u00e7\u00f5es da P\u00e1scoa partilhadas\u00a0na mesquita e na igreja, na Tun\u00edsia, esta jovem de 29 anos guarda a certeza que \u00e9 preciso ir conhecer onde assentam os sapatos das 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