{"id":295112,"date":"2023-08-15T16:25:04","date_gmt":"2023-08-15T15:25:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=295112"},"modified":"2023-08-15T16:25:04","modified_gmt":"2023-08-15T15:25:04","slug":"firme-na-prancha-francisco-subiu-ao-podio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/firme-na-prancha-francisco-subiu-ao-podio\/","title":{"rendered":"Firme na prancha, Francisco subiu ao p\u00f3dio"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste \u2018Jardim da Europa \u00e0 beira-mar plantado\u2019, usando o verso de Tom\u00e1s Ribeiro, \u201cAqui&#8230; onde a terra se acaba e o mar come\u00e7a\u201d, como Cam\u00f5es escreveu e Francisco citou, Lisboa, sem medo dos adamastores, ultrapassou o cabo das tormentas e tornou-se o cabo da boa esperan\u00e7a. O palco n\u00e3o caiu, n\u00e3o senhor: gra\u00e7as a Deus e aos homens de boa e m\u00e1 vontade! Aos governantes, \u00e0s for\u00e7as policiais, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es nacional e diocesanas, a todos os envolvidos por este Portugal abaixo e acima, \u00e0 multid\u00e3o de volunt\u00e1rios, a todos tiramos o nosso chap\u00e9u. N\u00e3o s\u00f3 pelo sentimento de seguran\u00e7a que em todos geraram, mas tamb\u00e9m por se terem envolvido na alegria desta festa sem igual, diferente. Uma festa mal dormida e cansativa, \u00e9 verdade, mas Festa! Festa crist\u00e3, concorrida e centralizada em Cristo e nas pessoas: com divertimento, cultura, partilha, sil\u00eancio, reflex\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o, purifica\u00e7\u00e3o, celebra\u00e7\u00e3o e testemunho prof\u00e9tico: Festa \u00e9 Festa!<\/p>\n<p>Lisboa foi a capital da Europa e do mundo, a capital da alegria, da fraternidade e da paz em movimento, a capital da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade, da juventude e do futuro, da ecologia integral, da amizade social, da miseric\u00f3rdia! J\u00e1 em Roma, o Papa referiu que \u201cenquanto em certos sal\u00f5es escondidos se planeia a guerra\u201d, a JMJ \u201cmostrou a todos que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel: um mundo de irm\u00e3os e irm\u00e3s, onde as bandeiras de todos os povos flutuam juntas, lado a lado, sem \u00f3dio, sem medo, sem fechamentos, sem armas!\u201d<\/p>\n<p>Surfando na grandiosa onda de juventude, o Papa, de p\u00e9 e firme na prancha, foi o primeiro surfista de qualidade e efic\u00e1cia, apaixonado pela modalidade. Da crista da onda \u00e0 base, teve e combinou manobras inovadoras. Entrou no tubo da onda, surfou com for\u00e7a, velocidade e fluidez. N\u00e3o submergiu no meio do turbilh\u00e3o da onda nem fez discursos a lembrar a espada de D. Afonso Henriques que \u00e9 longa e chata, como dizia n\u00e3o sei quem! Devido \u00e0 sua compet\u00eancia e lugar no p\u00f3dio, mesmo sem prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s les\u00f5es da idade, j\u00e1 tem agendadas novas competi\u00e7\u00f5es no circuito mundial deste desporto do bem fazer e fazer bem. A pr\u00f3xima \u00e9 na Mong\u00f3lia, de 31 de agosto a 4 de setembro. Atingindo a todos com a sua arte de dizer, gerou empatia, tocou, envolveu crentes e n\u00e3o crentes, disse e voltou a dizer. Com entusiasmo e insist\u00eancia, desafiou os jovens e todas as pessoas de boa vontade a serem surfistas do amor, a terem a coragem de substituir os medos pelos sonhos, a que n\u00e3o fossem meros administradores de medos, mas empreendedores de sonhos!<\/p>\n<p>Foi bonito de se ver e viver! Gente de cara lavada e feliz, traquina e fraterna, inquieta e peregrina em busca de sentido para a vida, n\u00e3o andou \u201cpelas ruas a gritar a sua raiva, mas a partilhar a esperan\u00e7a do Evangelho, a esperan\u00e7a da vida\u201d. De alegria incontida e contagiosa, fizeram ecoar por todos os cantos deste pa\u00eds a beleza de ser crist\u00e3o com o \u201cdesejo de criar coisas novas, fazer-se ao largo e navegar juntos rumo ao futuro\u201d. O ponto de apoio para esta feliz aventura na vida, \u00e9 saber que somos preciosos aos olhos de Deus, que Ele nos ama e chama pelo nome, que diante d\u2019Ele ningu\u00e9m \u00e9 um n\u00famero, ningu\u00e9m \u00e9 fabrico em s\u00e9rie. Tal como \u00e9, cada um \u00e9 \u00fanico, \u201c\u00e9 um rosto, \u00e9 uma cara, \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>E este Deus que a todos ama, saiu de si mesmo e veio ao nosso encontro para caminhar connosco. Fez-se homem em tudo igual a n\u00f3s, exceto no pecado, amou-nos at\u00e9 fim, caminha connosco e por n\u00f3s, por amor. \u201cA Cruz \u00e9 o sentido maior do maior amor, daquele amor com que Jesus quer abra\u00e7ar a nossa vida &#8230; quando contemplamos o Crucificado, naquela condi\u00e7\u00e3o t\u00e3o dolorosa, t\u00e3o dura, vemos a beleza do Amor que d\u00e1 a sua vida por cada um de n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Aos que creem em Cristo, decidiu Deus cham\u00e1-los \u00e0 sua Igreja, a qual, prefigurada desde o princ\u00edpio, admiravelmente preparada ao longo dos tempos, constitu\u00edda por Jesus e manifestada em dia do Pentecostes, h\u00e1 de ser gloriosamente consumada no fim dos s\u00e9culos (cf. LG2). Esta Igreja \u00e9 a \u201ccomunidade dos que s\u00e3o chamados\u201d, dos \u2018que procuram fazer juntos o bem, agir no concreto e estar pr\u00f3ximo dos mais fr\u00e1geis\u2019. Nela n\u00e3o h\u00e1 portas, h\u00e1 lugar para todos, ningu\u00e9m est\u00e1 a mais, ningu\u00e9m sobra. \u00c9 verdade que \u201cn\u00e3o somos a comunidade dos melhores, n\u00e3o! Somos todos pecadores, mas somos chamados assim como somos\u201d. Somos uma comunidade em dinamismos de crescimento, em treino permanente, uma comunidade que se encaminha para uma meta, atenta a cada um e aberta \u00e0 esperan\u00e7a, onde se rejeitam os olhares de sobranceria, os olhares de cima para baixo, os olhares de quem se sente no direito de julgar os outros. \u201cReparai \u2013 disse o Papa -, quando algu\u00e9m tem de levantar ou ajudar uma pessoa a levantar-se, que gesto faz? Olha-a de cima para baixo. Trata-se da \u00fanica ocasi\u00e3o, do \u00fanico momento em que \u00e9 l\u00edcito olhar uma pessoa de cima para baixo: quando queremos ajud\u00e1-la a levantar-se. Quantas vezes vemos pessoas que nos olham sobranceiras, por cima do ombro, de cima para baixo! \u00c9 triste.\u201d<\/p>\n<p>Com mestria, Francisco virou o bico ao prego! Voltou para cada um de n\u00f3s as primeiras perguntas que Deus fez ao homem. Como sabemos, Ad\u00e3o cedeu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de rejeitar o estatuto de criatura e de querer ocupar o lugar de Deus. Logo sentiu \u2018os passos\u2019 de Deus na sua consci\u00eancia, teve vergonha e medo, foi-se esconder. Deus, por\u00e9m, chama-o pelo nome: Ad\u00e3o, \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb (Gn3, 9). Caim, por seu lado, em vez de acolher, proteger e se alegrar com o \u00eaxito do seu irm\u00e3o, tornou-se ego\u00edsta, matou o irm\u00e3o. Deus chama-o pelo nome: Caim, \u00abOnde est\u00e1 o teu irm\u00e3o Abel?\u00bb (4, 9).<\/p>\n<p>Neste momento agitado pelos ventos da hist\u00f3ria, o Papa, olhando \u201ccom grande afeto para a Europa, no esp\u00edrito de di\u00e1logo que a carateriza\u201d, tamb\u00e9m lhe perguntou: \u201cpara onde navegas, se n\u00e3o ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo?\u201d E ainda: \u201cQue rota est\u00e1s a seguir, Ocidente? A tua tecnologia, que marcou o progresso e globalizou o mundo, sozinha n\u00e3o basta; e muito menos bastam as armas mais sofisticadas, que n\u00e3o representam investimentos para o futuro, mas empobrecimento do verdadeiro capital humano que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o estado social\u201d. E acentuou: \u201cSonho uma Europa, cora\u00e7\u00e3o do Ocidente, que use o seu engenho para apagar focos de guerra e acender luzes de esperan\u00e7a; uma Europa que saiba reencontrar o seu \u00e2nimo jovem, sonhando a grandeza do conjunto e indo al\u00e9m das necessidades imediatas; uma Europa que inclua povos e pessoas com a sua pr\u00f3pria cultura, sem correr atr\u00e1s de teorias e coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. E isto ajudar-nos-\u00e1 a pensar nos sonhos dos pais fundadores da Uni\u00e3o Europeia: eles sonhavam em grande! (&#8230;) Para onde navegais, Europa e Ocidente, com o descarte dos idosos, os muros de arame farpado, as mortandades no mar e os ber\u00e7os vazios? Para onde navegais? Para onde ides se, perante o tormento de viver, vos limitais a oferecer rem\u00e9dios r\u00e1pidos e errados como o f\u00e1cil acesso \u00e0 morte, solu\u00e7\u00e3o c\u00f3moda que parece doce, mas na realidade \u00e9 mais amarga que as \u00e1guas do mar? Penso em tantas leis sofisticadas sobre a eutan\u00e1sia!\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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