{"id":295076,"date":"2023-08-16T08:36:40","date_gmt":"2023-08-16T07:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=295076"},"modified":"2023-08-27T11:30:09","modified_gmt":"2023-08-27T10:30:09","slug":"solidariedade-vida-de-catarina-pereira-mudou-quando-viu-menina-de-tres-anos-a-brincar-com-uma-beata-apanhada-do-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/solidariedade-vida-de-catarina-pereira-mudou-quando-viu-menina-de-tres-anos-a-brincar-com-uma-beata-apanhada-do-chao\/","title":{"rendered":"Solidariedade: Vida de Catarina Pereira mudou quando viu menina de tr\u00eas anos a brincar com uma beata apanhada do ch\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Assistente social no Projeto Barra cresceu com o sentido de justi\u00e7a, sem saber que a forma\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social lhe daria ferramentas que queria para intervir no mundo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_290980\" aria-describedby=\"caption-attachment-290980\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/catarina-pereira1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-290980 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/catarina-pereira1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/catarina-pereira1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/catarina-pereira1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/catarina-pereira1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/catarina-pereira1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/catarina-pereira1-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-290980\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 16 ago 2023 (Ecclesia) \u2013 Catarina Pereira, assistente social no Projeto Barra, da par\u00f3quia de S\u00e3o Juli\u00e3o da Barra, em Oeiras, conta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que a transforma\u00e7\u00e3o na vida e nas rela\u00e7\u00f5es acontece quando, quem ajuda, \u201cse exp\u00f5e\u201d e sai do \u201cpedestal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o sou mais do que ningu\u00e9m e para acolher o outro \u00e9 preciso que eu me deixe acolher. O mais importante e o que muda a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o; quando eles percebem que eu tenho problemas, que preciso de abra\u00e7os, que preciso que olhem para mim da mesma forma como eles precisam de abra\u00e7os. Esse \u00e9 o caminho para sermos pessoas melhores &#8211; quando eles perceberem que eu n\u00e3o estou num pedestal, tal como eles n\u00e3o s\u00e3o inferiores apenas porque existe uma condi\u00e7\u00e3o na sua vida que os levou a determinado caminho\u201d, conta a jovem de 26 anos, que descobriu a sua voca\u00e7\u00e3o quando viu uma menina de tr\u00eas anos a brincar com um beata no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto Barra, nascido h\u00e1 quatro anos na par\u00f3quia de S\u00e3o Juli\u00e3o da Barra, no Patriarcado de Lisboa, dirige-se a crian\u00e7as entre os seis e os 18 anos, prestando apoio no estudo, mas essencialmente com o objetivo de \u201cquebrar o ciclo de pobreza das fam\u00edlias e dar mundo \u00e0s crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Com o objetivo de quebrar o \u201cpadr\u00e3o\u201d que levava pais e filhos a procurar ajuda alimentar junto da mercearia social da par\u00f3quia, o projeto apresenta \u201cum registo parecido mas distante do tradicional Atividades de Tempo Livre\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAjudamos com os trabalhos de casa, mas quer\u00edamos dar-lhe mundo, quer\u00edamos que conhecessem mais, que conhecessem diferente. Por isso exigimos dos volunt\u00e1rios que partilhem as suas vidas, os seus percursos profissionais, como chegaram a determinada etapa&#8221;, indica.<\/p>\n<blockquote><p>O objetivo \u00e9 que as crian\u00e7as deem significado \u00e0 escola. A maior parte destas crian\u00e7as eram p\u00e9ssimas alunas, os pais estavam de rastos com problemas de comportamento e tentamos que atrav\u00e9s da proximidade da crian\u00e7a \u00e0 comunidade, ajudar os pais tamb\u00e9m a ter ferramentas para estar com os filhos, evitando as puni\u00e7\u00f5es como forma de educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Catarina Pereira reconhece que \u201ctantas vezes\u201d funcionam como \u201cadvogados\u201d destas crian\u00e7as junto das escolas, mas, em troca, \u201celas passam a agradar porque percebem que algu\u00e9m se preocupa com elas ou ficam desiludidos quando se portam mal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cGanhamos muito nesta partilha e eu confirmo a minha voca\u00e7\u00e3o \u2013 eu estou onde Deus me quer\u201d, traduz.<\/p>\n<p>Aos 12 anos, Catarina Pereira foi desafiada a participar na organiza\u00e7\u00e3o de uma ceia para as fam\u00edlias da sua comunidade e a tarefa incumbida seria embrulhar os presentes que seriam entregues \u00e0s crian\u00e7as apoiadas pelo Banco Alimentar.<\/p>\n<p>\u201cVer pessoas que at\u00e9 andavam comigo na escola, se cruzavam comigo, e tinham fam\u00edlias pobres, que contavam com o apoio da nossa comunidade para conseguir ter uma vida mais digna mexeu muito comigo e lembro-me de pensar que as queria ajudar, queria estudar alguma cosa que as ajudasse\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Aos 18 anos, a passar numa rua junto de um bairro social encontrou uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos a brincar com beatas que apanhava no ch\u00e3o a fingir que fumava.<\/p>\n<p>\u201cEu estava no 12.\u00ba ano, sem saber o que fazer a seguir, estava numa fase dif\u00edcil de escolher o que fazer depois, e quando vi aquela menina pensei: \u00ab\u00c9 para aquela menina que eu quero trabalhar\u00bb. Comentei isso com o meu namorado que me sugeriu pesquisar o curso de servi\u00e7o social e fez-me muito sentido\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 engra\u00e7ado como Deus deixa sementes e nos vai confirmando os sinais: Eu h\u00e1 muito tempo fazer alguma coisa para as fam\u00edlias apoiadas pelo banco alimentar da par\u00f3quia e aquela menina aparece e confirma o meu caminho\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Depois da forma\u00e7\u00e3o em servi\u00e7o social, e do aprofundamento do estudo com o mestrado em Inova\u00e7\u00e3o social e empreendedorismo, Catarina Pereira explica que a ocasi\u00e3o em que falhou na sua vida foi quando n\u00e3o esteve dispon\u00edvel para os outros.<\/p>\n<p>\u201cVivemos a correr, a passar de mensagem em mensagem e acho que faz falta a disponibilidade. Como assistente social, falta a rela\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 a partir dela que se pode construir tudo. Servir quem n\u00e3o gosto, que n\u00e3o est\u00e1 nas minhas rela\u00e7\u00f5es, que pensa diferente, porque esse \u00e9 o verdadeiro acolhimento\u201d, explica.<\/p>\n<p>A conversa com Catarina Pereira pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA na Antena 1, pouco depois da meia-noite, e fica despois dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\">portal<\/a> da Ag\u00eancia ECCLESIA e no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/alarga-a-tua-tenda\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assistente social no Projeto Barra cresceu com o sentido de justi\u00e7a, sem saber que a forma\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social lhe daria ferramentas que queria para intervir no 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